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FESTVIAL DOSOL, MADA E MPBECO SÃO DESTAQUE NA TRIBUNA DO NORTE

Um palco para chamar de seu

Yuno Silva
repórter

Foi-se o tempo que as grandes gravadoras ditavam as regras do mercado fonográfico, e decidiam quem ia fazer sucesso ou tocar nas rádios. Por sua vez, o jabá está mais discreto e, por mais que se negue, ainda existe e continua restringindo o concorrido segmento musical. Mesmo com a quebra parcial desse ciclo vicioso, a forma como se consome música nunca mais foi a mesma desde a popularização da internet e da revolução tecnológica, mas, apesar de tudo, uma coisa continua imutável nesse meio: a busca desenfreada por um lugar ao sol, e é nessa hora que os festivais entram em cena.

De volta após a não realização em 2010, Festival Mada tem a árdua tarefa de montar uma programação híbrida que atraia público, entre os nomes consagrados e artistas ainda desconhecidos
De volta após a não realização em 2010, Festival Mada tem a árdua tarefa de montar uma programação híbrida que atraia público, entre os nomes consagrados e artistas ainda desconhecidos

Se por um lado as bandas querem aparecer a todo custo, por outro o público precisa de um filtro poderoso para ouvir o que vale a pena, e os festivais acabam servindo como referência. Nem o surgimento de fenômenos midiáticos como a espalhafatosa Lady Gaga, a já veterana Malu Magalhães ou A Banda Mais Bonita da Cidade, nova queridinha do momento com mais de 6,5 milhões de acessos ao vídeo “Oração”, alteram essa constante procura por espaço.

Em Natal, cinco festivais estão na agenda para 2011, abrindo uma brecha no buraco negro do trânsito musical por aqui, além de ser um filtro ao aglutinar atrações musicais que, de certo modo, estão despontando. É o caso dos Festivais Mada, DoSol, MPBeco e Música Potiguar Brasileira (FM Universitária), mais a Semana da Música. Cada um tem seu foco específico e um perfil determinado, mas todos se justificam pelo mesmo motivo: conferir visibilidade.

Mada volta mantendo o híbrido entre indie e música pop

Com treze anos de estrada, o Festival Música Alimento da Alma deixou de acontecer em 2010 por uma série de motivos e há alguns anos amarga uma crise de identidade: afinal de contas o evento existe para conferir espaço privilegiado aos artistas da cena independente ou trata-se de um festival com atrações renomadas que traz de brinde uma programação com nomes menos conhecidos?

Para Jomardo Jomas, idealizador do Festival Mada, o formato é assumidamente híbrido: “Primeiro precisamos esclarecer que esse é um formato consagrado em outros lugares do Brasil e do mundo, ou seja, não dá para viabilizar a estrutura apenas com bandas desconhecidas do público”, garante o produtor. Segundo ele, a captação de recursos através de leis de incentivo é insuficiente para cobrir todos os custos. “Ano passado passamos em branco, e a falta de patrocínio foi um dos motivos. O período eleitoral também foi um elemento complicador, tive pouco tempo para organizar e preferi concentrar esforços para retomar em 2011”, salienta.

Realizado desde 2004 na Via Costeira, o Mada deste ano já está marcado: será dias 23 e 24 de setembro. A programação deste ano ainda não foi fechada, mas alguns nomes já foram confirmados como as potiguares Planant, AK 47 e Pedubreu; a carioca Tipo Uísque, a paulistana Dollar Furado e a pernambucana A Nave. “Ainda estamos sondando atrações, tentando articular alguns encontros no palco, mas não tenho como adiantar muita coisa pois ainda estamos na fase de negociação”, justifica Jomardo, que jura de pé junto que o fato da data do Festival coincidir com o Rock in Rio não está atrapalhando as conversas. Para este ano, o produtor também pretende trazer uma banda da Argentina e outra da Colômbia, e seus planos também incluem a realização, em 2012, de uma edição do Festival Mada em Belo Horizonte. Em 2011, o evento conta com patrocínio da Cosern e do Governo do RN através da Lei de incentivo Câmara Cascudo.

DoSol sai da vertente purista e investe no pop

Apostando no mesmo filão pop-rock-indie, o Festival DoSol caminha para sua oitava edição em novembro, entre os dias 4 e 13. Realizado na Ribeira, seu foco prioriza o rock, fato que, de certa forma limita o público. Mas está saindo dessa vertente purista e seguindo o caminho semelhante ao Mada.

Questionado sobre a crescente profissionalização do segmento, o produtor Anderson Foca verifica que “existe uma superpopulação de bandas, e isso torna o mercado mais exigente. Os grupos precisam ter uma apresentação mais elaborada para conseguir espaço. Isso é muito positivo”, garante. “Acredito que os festivais são uma boa plataforma para novos trabalhos”, completa. De acordo com Foca, eventos desse tipo contribuem para diminuir o abismo entre atrações locais e de outras partes do país. “O público também tem acompanhado essa evolução”, aposta.

Entre os nomes já confirmado para 2011 destaque para Tulipa Ruiz (SP), Madame Saatan (PA), Talma&Gadelha (RN), Canastra (RJ), BNegão e Seletores de Frequência (RJ), Hossegor (RN), Monster Coyote (RN), Vivendo do Ócio (BA), Guachass (Uruguai) e Galinha Preta (DF). “Cada edição que vai a rua é como um gol de placa em final de Copa do Mundo, e a presença do Marky Ramone ano passado foi um momento glorioso para o DoSol. Foi um sonho realizado”, aponta. O Festival DoSol é patrocinado pela Petrobras (Lei Rouanet), e pela Oi e Governo do RN (Lei Câmara Cascudo).

MPBeco tem o foco nos compositores

Diferente dos festivais Mada e DoSol, que abrem espaço para as bandas divulgarem seu trabalho, o Festival MPBeco é competitivo, distribui prêmios em dinheiro nos mesmo moldes dos antigos eventos do gênero, e é movido pela intenção de garimpar novos compositores. “A qualidade do material inscrito cresce a cada ano. Lembro que, no início, recebíamos gravações voz e violão, hoje vemos gravações profissionais com partitura. Vejo isso como resultado de todo um processo de amadurecimento e fico satisfeito em poder contribuir”, disse o produtor Júlio César Pimenta.

“Como nossa intenção é garimpar novos talentos, cito um exemplo prático de como estamos contribuindo: veja o caso do músico Júlio Lima. Ele venceu na categoria melhor intérprete e com o dinheiro do prêmio gravou o CD ‘Há sempre música'”, lembra Pimenta, que adiantou o nome das atrações convidadas para o festival: Cida Lobo abre o primeiro dia; DuSouto abre o segundo e Escurinho (PB) fecha; Maguinho da Silva, que venceu em 2010, abre a final e o cearense Cidadão Instigado fecha o terceiro dia de shows. O MPBeco será realizado dias 1, 8 e 15 de outubro no centro da cidade, está com inscrições abertas (inclusive pela internet) até o próximo dia 13 de agosto e o valor para o primeiro colocado chega a 3,6 mil reais. Está amparado nas leis de incentivo estadual (Câmara Cascudo) e municipal (Djalma Maranhão) e tem patrocínio da Cosern, Destaque, CPGeo e Cardio Centro.

Semana de Música extrapola o campus e ganha espaços

Com um perfil bem diferente dos demais, a Semana da Música entra em cena entre os dias 7 e 15 de outubro para dar visibilidade à música produzida na academia. Vinculado à Escola de Música da UFRN, o festival pretende incrementar o circuito de música erudita e proporcionar qualificação de alunos da EMUFRN com a promoção de oficinas ministradas por sumidades da área.

“Trata-se de uma mostra anual realizada desde os anos setenta, cujo intuito é apresentar a produção musical acadêmica, mas que só agora está extrapolando os muros da Universidade. Esse movimento começou ano passado, e em 2011 a dimensão foi ampliada”, adianta a produtora Ilana Félix. Sob coordenação do professor Amandy Araújo, a Semana de Música trará a Natal 24 professores renomados.

“Queremos promover uma programação descentralizada nos moldes dos principais festivais de música erudita do Brasil, como Campos do Jordão e Curitiba, e ocupar espaços como a Ribeira, realizar apresentações públicas e em associações e ongs”, enumera Ilana.

Festival quer descobrir a nossa “MPB”

O novato da lista é o FMPB, ou Festival Música Popular Brasileira. Promovido pela FU Universitária, o festival foi criado este ano para servir como etapa estadual para o Festival da Arpub (Associação das Rádios Públicas do Brasil). Dividido em duas categorias – instrumental e com letra – a premiação inclui veiculação das 26 músicas pré-selecionadas na programação da rádio entre 15 de agosto e 15 de setembro, e as duas vencedoras estarão automaticamente habilitadas para a etapa nacional em outubro.

“O corpo de jurados será composto por músicos da EMUFRN, produtores culturais e artistas, mas como as inscrições foram encerradas na última sexta-feira (22) ainda não definimos todos os nomes, Até agora confirmamos a presença da pesquisadora musical Leide Câmara nessa comissão”, adianta Marcone Maffezzolli, diretor da FMU.

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