Resenhas

RESENHA DE DISCO: THE CLASH – LIVA AT THE SHEA STADIUM

Por Marcos Bragatto

Impressionante que uma banda essencialmente de palco como o Clash tenha tão poucos lançamentos gravados ao vivo editados no Brasil. Daí essa gravação de 1982, feita num estádio em Nova York, com boa qualidade, ser um verdadeiro achado, mesmo depois da legendária banda, ícone do punk londrino e mundial já ter se desfeito há mais de vinte anos. O repertório, embora abreviado em 15 faixas, em tempos de registros ao vivo em DVDs de mais de cinco horas, tem de tudo, incluindo a impagável apresentação do manager Kosmo Vinyl.

As cerca de 50 mil pessoas que lotaram o local puderam dançar sem perder o conteúdo ativista/político de “The Guns Of Brixton”, por exemplo, ou mesmo só se divertir com a bem sacada “Should I Stay Or Should I Go”, uma das músicas mais “coverizadas” da história do rock, e até usada num antigo comercial de jeans. E ainda conhecer/lembrar de músicas seminais para o punk rock como “Tommy Gun”, e sacar o poderosa “I Fought The Law”, clássico de Sony Curtis cuja letra só poderia mesmo ser eternizada por uma banda como o Clash, no encerramento. Como se vê, o show, de repertório ordinário para o grupo na época, em plena turnê de lançamento do apenas razoável “Combat Rock”, que contribuiu só com duas músicas para o set – além de “Should I Stay…” a ótima “Rock The Casbah” -, hoje mais parece um best of.

Mesmo na espécie de pout-pourri reggae na primeira parte da apresentação, o grupo não sente qualquer reação negativa, e nem teria como, ainda que consideremos que a noite seria fechada pelo The Who, pouco antes de encerrar as atividades para só voltar há três anos. Porque ambos – Who e Clash -, apesar de pertencerem a épocas e estéticas diferentes, têm a essência de tocar ao vivo de forma explosiva, com repertório e performance associados a favor do rock. Impossível para o fã do Who não se deixar levar por pérolas do naipe de “Spanish Bombs”, “London Calling” e “Train In Vain”, realçadas – repita-se – pela boa qualidade de áudio o CD.

Como curiosidade, o texto de apresentação do cascudo fotógrafo Bob Gruen mostra como as célebres cenas do Clash guiando um cadillac conversível em plena Nova York, que hoje fazem parte do imaginário popular do rock, foram feitas por ele, dirigindo um outro conversível emparelhado, com Don Letts de carona. Detalhes que tornam este disco, apesar do lançamento tardio, um dos melhores ao vivo em todos os tempos. Pode comprar que não tem erro.

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