Coberturas

Paul McCartney e Abril Pro Rock: final de semana épico em Recife


Foto: Incrível show do Antibalas no APR 2012 (Rafael Passos)

Paul McCartney e Abril Pro Rock: final de semana épico em Recife

por Foca

Claro que o carnaval já acabou, passamos até da semana santa, mas para os amantes de rock e boa música o Carnaval pernambucano foi mesmo neste último final de semana. O que dizer da enorme concentração de shows que tomou conta do Recife no último final semana? Além da enorme programação do Abril Pro Rock, os pernambucanos e vizinhos de Nordeste ainda tinham como opção quatro dias de show da nova tour do Chico Buarque e dois dias de show da lenda viva Paul McCartney.

Passei batido nas datas do Chico Buarque, não é interessante o bastante para mim. Toquei na sexta e perdi o primeiro dia do Abril Pro Rock, que contou com vários shows mas que valeu mesmo pela épica apresentação dos Los Hermanos levando mais de 15.000 fãs ao enorme Chevrollet Hall.

Cedo do sábado parti junto com a enorme caravana potiguar que invadiu Recife capitaneada pela turma da Pedrassoli Turismo rumo ao gigante do Arruda. Viagem descontraída, DVDs de Paul em loop para esquentar e chegamos ao Recife sem muita agonia. Depois de um rápido almoço e de uma chegada surpeendentemente fácil ao estádio fomos para fila do show, que além de fazer parte do ritual de aquecimento de um grande espetáculo serve também para ver o desfile da humanidade, amplificado por 10 já que estávamos na tal área premiun (ver um show como esse mais de longe é inconcebível para mim).

Encontramos o jornalista potiguar Sérgio Vilar sozinho na fila e ficamos com trocando ideia até a hora de entrar. Com previsão de abertura dos portões às 17h30, só depois das 18h30 foi possível entrar no estádio. Revista bem safada e pronto. Estávamos dentro do show. O estádio do Arruda por fora é tétrico, sujo e mal cuidado. Por dentro é imponente e muito legal. Show com montagem e produção gringa não tem muito erro, certeza de uma luz incrível, telão perfeito e som bom (para as condições de uma sonorização para estádio). Ficamos por ali, encontramos vários amigos da música pernambucana e assistimos o show ao lado do amigo e jornalista potiguar Isaque Ribeiro, que estava cobrindo o rolê para a Tribuna do Norte.

Perto do palco, devidamente alimentado e bebido, era hora do show. Você não acredita no que vai ver e quando começa é surreal. Paul está ali na sua frente, cantando como um menino (muito melhor do que 95% dessa nova geração do rock) e tentando diálogos simpáticos com a plateia. Magia pura. Falar que foi épico, histórico e que foi o maior show de música que o Nordeste já recebeu é “chover no molhado”. Isso todo mundo já sabe. Eu fiquei atônito, não conseguia nem comentar o que eu estava vendo com Ana Morena ou Isaque. Até agora não caiu a ficha.

Li várias resenhas sobre a apresentação e as tão faladas críticas sobre o show feitas pelo Rodrigo Levino e pelo Terron (acusados até de xenofobia por conta de críticas ao comportamento de parte do público em relação ao artista). Quero dizer que quem estava na partes com ingressos mais baratos do estádio PIROU NO QUE VIU. E 70% da área vip era composta por fãs e famílias inteiras que souberam apreciar tudo o que o show ofereceu. Mas os 30% de “baladeiros” que invadiram a pista vip “para ver e ser visto”, quase atrapalharam quem queria ver e ouvir o espetáculo. Fiquei incomodado com a falta de respeito desse povo “micareta/vaquejada/boate” e os dois jornalistas devem ter ficado também. Nem tudo e perfeito. Nota 9 para o show, nota 10 para o velho Paul!

Nem bem descansei e já estava logo cedo no Abril Pro Rock. Tinha compromisso com a equipe de documentaristas do evento que estava completando 20 anos. Cheguei antes da programação começar, dei a entrevista e fiquei por ali vendo tudo. Não gosto do Chevrolet Hall, mas para fugir da chuva e ter estrutura física para receber qualquer show, o Abril Pro Rock sempre optou pelo espaço nos últimos anos. Com 15.000 pessoas no primeiro dia e 7.000 no segundo, a tendência era que o terceiro fosse sentir o impacto da vasta programação cultural oferecida no Recife por todo o fim de semana. Um pouco menos de 3.000 pessoas prestigiaram a programação aberta com o show morno e lento da banda Dessinée. Na sequência o excelente Strobo fez um dos melhores shows da noite, ainda para pouca audiência, seguidos da incrível apresentação da big band de rocksteady pernambucana Ska Maria Pastora.

Não curti ao vivo o Léo Cavalcanti, em disco achei interessante. O público também não deu muita trela pro artista. A primeira comoção do dia veio mesmo com os gringos indies do Nada Surf. Foi lindo e para quem é fã deve ter sido um baita presente. Muita gente estava ali só para vê-los, o que causou até uma debandada pós show. Aproveitei que já vi o Mundo Livre mil vezes e fui conversar e dar uma volta pelo festival.

Alimentado e descansado fui massacrado pelo show da big band do brooklin Antibalas. Meu amigo, que show! Um dos melhores que vi esse ano. A minha vontade de montar uma big band só cresce, um dia realizo o sonho. Otto veio na sequência, curto em disco mas odeio o show. Dei mais uma chance e não me arrependi, achei o artista menos “performático” e mais focado em cantar bem (difícil para ele) suas boas canções. Me ganhou mas continua sendo um show bem aquém do que poderia ser. O quinteto Buraka Som Sistema de Portugual encerrou a noitada do abril com um enfadonho mix de mcs de funk/kuduru com bateria acústica e loop. Funcionou muito bem para quem tava na vibe de dançar e “se passar” no final da noitada, eu que tava procurando canções, guitarra e performances mais “musicais” terminei não sendo tão atingido pelo som da turma. Numa rave alternativa, daquelas que misturam doidões e gente que curte música eletrônica deve ser uma loucura ver os Burakas em ação. Valeu pela curiosidade.

Antibalas, Brujeria, Exodus, Nada Surf e Paul McCartney no mesmo final de semana e pertinho de casa foi um presente para os fãs nordestinos. Vida longa ao Abril Pro Rock e um salve pros corajosos produtores do show do P.M. Vocês estão de parabéns!

3 Comments

  1. A Arrudão é lindão por dentro e por fora, cara.
    Mas pelo menos vc atestou sua beleza interna. Captou a alma do gigante. rsrsrsr
    Salve o tricolor de PE!

    PS: Fui no segundo show de Paul e achei, de fato, a platéia meio fria. Pra mim o show engrenou da metade para o fim.
    Enfim, foi do caralho! Dá uma mijadinha ao som de Golden Slumbers ao vivo cantada por um Beatle não tem preço.

    Abraço

  2. Eu estava no show do Domingo, soube que realmente teve menos pessoas, mas o show não deixou de ser épico por causa disso. E sobre o que você falou das pessoas que só entram pra atrapalhar, teve sim e teve desse tipo NA GRADE. Eu estava na segunda fileira. Na minha frente tinha um rapaz que estava com sua esposa e mais outros casais do lado. Esse rapaz ficou aos poucos me empurrando pra trás, eu reclamava e ele nem aí. Eu fui bater da segunda fileira para a quarta até o final do show. Inclusive um desses amigos dele pegou o lugar de uma fã que tinha saído pra fazer algo, isso com pessoas guardando o lugar dela. Eles discutiram e o cara (provavelmente uns 40 anos ele deve ter, a menina era jovem como eu) usou o próprio dinheiro como argumento (o fato de que ele tinha pago a hot sound). Um desses rapazes, o que me empurrou, é um deputado de lá. Até escortado pela polícia até o show eles foram. Eu não os via curtir o show, estavam ali apenas para demonstrar poderio monetário. E os caras eram altos, dificultava minha visão. Agora eu me pergunto, pra que atrapalhar a oportunidade de pessoas que querem ver um mito da música ao vivo e pagaram 300-600 reais pra isso? Por que não comprar ingresso das Cadeiras? Mesmo com esses pesares o dia 22 de Abril de 2012 foi um dia que jamais esquecerei. O show foi perfeito! Nada a reclamar do espetáculo que o Paul ofereceu. Eu não soube mais o que era voz quando saí de lá, cantei o show quase inteiro (só não cantei inteiro por falta de água para suprir meu fôlego, mas quando consegui água…)! Não me arrependo de nada. Um espetáculo daqueles faz qualquer um chorar de felicidade, e eu chorei mesmo por não acreditar no que estava vendo. Desde “You say yes, I say no” até “And in the end the love you take is equal to the love you make”, TUDO PERFEITO.

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