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HUGO MORAIS (RN): 1001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer já tem quase um ano no Brasil, mas ainda não consegui ler todo. O livro é uma lista de 1001 discos escolhidos por 90 críticos de renome internacional, e editado por Robert Dimery, que escreve para a Time Out e Vogue. Dividido por décadas, o livro começa com um prefácio onde Michael Lydon (editor/co-fundador da Rolling Stone) escreve sobre suas experiências musicais, da infância aos dias de hoje, do vinil ao mp3. E tanta coisa mudou…

Uma coisa certa é a relação consumidor/música, uma história já ultrapassada, mas que é verdade. Se antes as pessoas compravam os álbuns e degustavam a obra de arte (sim, os álbuns são obras de arte, não todos é claro), hoje baixam mp3 e tornam a música um fundo musical da sua vida. Se fosse trilha sonora seria melhor, mas para a maioria torna-se fundo musical mesmo. A relevância caiu muito. E a capa com Sid Vicious, do Sex Pistols, empunhando a guitarra tal qual uma arma, mostra muito do que a música é capaz. Ainda é. As fotos são outro ponto forte do livro. Belíssimas fotos. Os lançamentos mais relevantes ganham páginas inteiras, as vezes dupla. Os discos menos relevantes ganham a foto apenas da capa. O livro com suas 950 páginas termina sendo uma espécie de dicionário. Cada disco vem acompanhado da foto da capa, produção, ano de lançamento, nacionalidade, músicas com compositores e duração, selo e projeto gráfico. Abrange desde The Wee Small Hours (1955) de Frank Sinatra até The Good, The Bad & The Queen (2007), homônimo.

Os 1001 discos distribuídos em cinco décadas não são unanimidade e nem podiam, a seleção é tão vasta que muitas vezes ficamos nos perguntando o porque deste ou daquele disco estar no livro. O livro não é sectário e nele podemos encontrar Parliament, Ramones, Sinatra, Sepultura, Jean Michel Jarre, Fatboy Slim e muitos outros artistas de estilos musicais variados. A análise dos discos também é bem ampla e se valem de critérios tais como importância na época ou impacto sobre o público, vendagem, inovação e outros. Estão lá grandes nomes “malhados” como Led Zeppelin, Metallica, Beatles, Rolling Stones, Elvis e mais novos como Blur, White Stripes, Arcade Fire e muitos outros. Os líderes em indicações são Beatles e David Bowie, que achei exagero, com sete álbuns cada. Na seqüência vem Bob Dylan (6), Rolling Stones (6), Sonic Youth (5), Radiohead (5), Bruce Spingsteen (5), Tom Waits (5) e The Who (5). Entre os que eu fiquei me perguntando o porque de estarem no livro, para citar poucos, estão os artistas Cee-lo Green, Hariprasad Chaurasia, Palo Congo, The Disposable Heroes of Hiphoprisy, Drive Like Jehu. Esses são apenas alguns. Conhece algum nome desse? Eu não. No livro mostra a importância de cada um.

Dentre os artistas nacionais, e tem um crítico (Andrew Gilbert) que é descrito como especialista em música brasileira, estão os que todos nós conhecemos: Tom Jobim, João Gilberto, Mutantes, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Lô Borges, Jorge Ben, Elis Regina, Sepultura, Bebel Gilberto, Toquinho, Chico Buarque e até Carlinhos Brown. Mas você não está sentindo falta de alguém não? Eu sinto de Raul Seixas, de Secos e Molhados e de mais novos como Chico Science e Nação Zumbi. Nem o Cansei de Ser Sexy que estourou no mundo todo como novidade é lembrado. Sinto falta até de Tim Maia. O Sepultura, ao lado de Caetano e Jorge Ben, tem dois discos na seleção. E quanto ao disco Roots da banda, há uma curiosidade. O crítico (não é o que entende de música brasileira) escreveu: “a banda penetrou fundo nas raízes mais profundas de seu patrimônio cultural, como demonstra o índio tatuado na capa”. Tatuado? Sério?

O livro é uma excelente fonte de garimpo de boas bandas, vivas ou mortas. Basta folhear, separar as que interessar e procurar para baixar na internet. Se for bom mesmo, e olhe que na seleção tem muitas bombas, você vai na loja e compra o álbum físico. Que loja, cara pálida? Procure por Marcelo Morais no Mercado Livre, ele tem muita coisa boa. Mas se você não for como eu que gosta de ter o disco em mãos, basta procurar na comunidade Discografias do Orkut, baixar e tornar os discos fundos musicais. Sem exageros por favor.

7 Comments

  1. Bem legal a resenha. O livro é foda, mas é bem mais legal até o final de 70, depois o nível decai tranquilo, anos 90/00 tem muita coisa que só está lá pela vendagem.

    Havia visto na internet a lista dos 1001 discos, quando eu peguei o livro senti falta de algumas delas, só depois que fui notar que uma porrada de discos saiu da versão americana para entrar as brasileiras na versão nacional…

  2. Comprei o livro 1001 discos para ouvir antes de morrer, gostei muito da seleção, das informações e dos discos indicados (com exceção de alguns de gosto duvidoso pelos críticos, tal como Britney Spears e Carlinhos Brow).
    Mas como todo livro gera polêmica, fiquei triste em constatar que alguns discos ficaram de fora que acho que foram muito importantes na história da música mundial (faltou um pouco mais de vontade dos críticos e rever os seus conceitos) e espero que concordem comigo, procurem ouvir estes também, acho que seria mais justo estarem no livro.São eles:
    Erasure-Pop! – the First 20 Hits (esse coletânea é obrigatória para os amantes do pop, um som único e inconfundível criado pela dupla, vários hits, eles ajudaram a construir a história da música nos anos 80, é impossível alguém não ter ouvido ou dançado com som deles).
    Alphaville-Forever Young (o primeiro álbum deles é incrível, com os 2 maiores hits da história da banda:Big in Japan e Forever Young(alôôoooo, aos críticos).
    Modern Talking-Ready For Romance (o grupo alemão que mais vendeu na história de seu país, mais de 120 milhões de cópias, um som agradável e vocais maravilhosos, eles criaram um estilo de música fascinante, esse álbum ajudou a consagrar ainda mais o seu nome, ao lado de Bee Gees e Queen independente de gostos musicais de quem quer que seja, o Modern Talking agrada a todos).
    Roxette-Joyride (um álbum maravilhoso, como pode ficar de fora o nome Roxette da lista dos críticos?)
    Information Society-(o primeiro álbum é pura energia, um grupo que teve uma carreira com um furacão, passou rápido, mas deixou marcas).
    Nightwish-Century Child (Nightwish ajudou a propagar o nome e interesse pelo MetalGothic pelo mundo, um grupo formidável, com músicas arrebatadoras e cadê na lista?).
    Bad Boys Blue-House Of Silence (esse álbum pode não ter tido um relevância mundial, junto com Modern Talking é um grupo fascinante, e a prova é esse disco,
    som agradável e o trio nos vocais dá um show, imperdível).
    E por último Enya-Shepherd Moons (o maior nome da Newage/Celtic, é o som da alma, escute esse álbum e terá a certeza que poderá morrer feliz).

  3. comprei o disco e o devoro sempre q posso.
    eh um otimo livro.
    trabalhei com produção musical então nem tem como nao gostar.
    logico q pra mim faltam alguns albuns como o do bill withers, tdo mundo conhece Ain’t No Sunshine.
    eh isso!
    bjux

  4. eu não tenho o livro, mais gosto muito de ouvir uma boa musica e tava interessado em saber onde posso conseguir o nome dos 1001 dicos pra que eu possa fazer uma coletania.

  5. Conheço duas verções: possuo o livro (físico) em portugues e em inglês (porém em forfato PDF digital).
    há uma diferença excandalosa entre os dois que descobri: A verção em português possui albuns que a verção em ingles não possue e vice-verça.
    A pergunta e simples: Porque?

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