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EDITORIAL PORTAL DOSOL: CADA UM DO SEU TAMANHO!

Por Foca, Natal (RN)

O editorial do Portal Dosol tem sido sempre muito bem visitado e comentado por onde a gente tem passado e agradecemos muito aos leitores por isso. Hoje vamos analisar os festivais de música independente, seu tamanho, penetração e importância dentro de um cenário. Estamos bem próximos de realizar a 5ª edição do Festival Dosol que já é semana que vem, e o assunto é bem pertinente. Nosso tema de hoje é: festivais de música independente – cada um do seu tamanho (no seu quadrado?).

Nas últimas duas semanas visitei festivais em cenas totalmente diferentes e plurais. Estive em Salvador no Boom Bahia e em João Pessoa no Festival Mundo, os dois com excelente qualidade e com uma característica que reparo ser uma tendência sem volta para eventos nesse nicho: locais para no máximo 1.500 pessoas, ocupando espaços já existentes e investindo em conteúdo além da música (mostras de vídeo, palestras, workshops, etc).

Alguns podem chamar essa tendência de retrocesso por falta de público. Eu já prefiro analisar que trata-se de foco e de valorização com fortalecimento real de um cenário, seja ele onde for. Nos dois eventos que visitei o maior foco do que se propôs apresentar ao público eram bandas das próprias cidades, outra decisão que engrandece o rock (música) em cada cidade e dá força para que todos possam crescer. Claro que é preciso intercâmbio, referência para quem não tem acesso a shows mais diferentes, mas não podemos esquecer que nossa casa é porta pro mundo.

Quando as estruturas físicas dos eventos são muito gigantescas é preciso movimentar muitos patrocinadores e governos para que estes festivais aconteçam e essa grandiosidade acaba sendo uma gordura grande para ser carregada em algumas situações. Talvez aquele período das grandes edições do Abril Pro Rock (PE) e do Porão do Rock (DF) já não sejam um modelo tão viável para quem ainda quer se estabelecer fazendo um evento de música nova de grande porte que é um festival. Estes festivais continuam incríveis e relevantes mas eles também tem passado por mudanças estruturais pesadas nas últimas edições. E a tendência é mudarem ou se adequarem ainda mais para perderem “peso” sem perder a importância.

Na verdade, os próprios eventos de música tem passado pela mesma segmentação que a maioria dos meios de comunicação estão passando. Um movimento interessante que implantou o caos entre as grandes corporações mas que dá possibilidade de novos caminhos para quem não tinha nenhum. É neste ambiente de caos que novas pespectivas se abrem e os produtores de festival, assim como as bandas devem ficar atentos a essa movimentação.

Estamos detectando a tendência mas nunca esqueçamos que cada cidade tem suas peculiaridades e problemáticas localizadas que podem não se encaixar nesse quadro, o que deixa nossas observações ainda mais intrigantes. Vejamos o que vem por aí em 2009!

Se tivermos que fazer daqui a tempo uma edição do Festival Dosol com essa mesma filosofia de atuação mas num lugar para 10.000 pessoas vai ser sinal de crescemos junto com nossa cena (público e bandas) e dentro da realidade. Seria um sonho e sonhar, já disse antes, é bom e barato!

1 Comment

  1. Como diria o nosso amigo VIDA…

    “cada um sabe onde o sapato aperta”

    Não adianta querer fazer coisas grandiosas com mega-produções, sem ter um ideal coerente, ou uma idéia bacana.

    Aqui em natal mesmo temos vários festivais “pequenos” que são bem legais e tem propostas bem bacanas… Como o CaosNatal, o Vegettal attack, o zona rock, o bozo fest, ou mesmo o caralho a 4…

    Acho que o lançe de “FESTIVAL” chama mais atenção, mesmo que seja só de bandas locais, ou mesmo bandas de estados vizinhos que possam vir mostrar seu trabalho…

    É interessante pra cidade organizar esses festivais… Não precisa ser nada de mega produções e festivais grandiosos…

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