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RESENHA DE DVD: OASIS – LORD DON`T SLOW ME DOWN

“Não gosto de Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e de Peter Dohetry e a merda que ele faz, não me convencem”; “Agradeço a mim mesmo, fui muito boa companhia”; e “Não gosto de música eletrônica, gosto de rock’n’roll” são frases que só poderiam mesmo ter saído da boca de um dos irmãos Gallagher. Num documentário sobre o Oasis elas aparecem a toda hora, mesmo porque vários momentos em que a banda concede entrevistas (especialmente Noel) são registrados no filme, e os jornalistas invariavelmente fazem as mesmas perguntas sobre a fama de brigões dos dois. Eis aí o ponto de um documentário com os reis do britpop: descobrir se Liam e Noel são assim mesmo, se é tudo marketing ou se é um pouco das duas coisas juntas. O diretor Baillie Walsh, veterano na produção de vídeos para artistas de pop rock, não tem essa intenção como a principal, mas passou pelo assunto, através de uma precisa edição, várias vezes. O documentário não é apresentado na forma de “vamos contar a história da banda”, mas flagra momentos da grande turnê que o Oasis fez em 2005/2006, que passou por Japão, Austrália e Brasil – que não entrou na edição final. As cenas gravadas com uma câmera nos ombros registraram tudo e mostraram muito mais que uma simples idéia na cabeça. Filmado majoritariamente em preto e branco, garante momentos interessantes, sobretudo para o fâ da banda.

Através de “Lord Don’t Slow Me Down”, vê-se que, na estrada, o grupo se diverte bastante, como no aniversário de Liam, quando dois anões foram contratados para animar a festa e acabaram virado foto da página central do encarte, junto com toda a equipe. Sabe-se, também, que Noel é quase sempre o encarregado de conceder entrevistas, e que – repita-se – as perguntas são quase sempre as mesmas. O guitarrista, inclusive, protagoniza momentos hilários ao ser confundido com o irmão, como na impagável cena numa rádio italiana no início do filme. Liam é notadamente um dos caras mais marrentos do planeta, muito embora às vezes surpreende simpático nas intermináveis esperas para o início de um show. Numa delas, esboça uma dancinha impagável e é zoado por todos na versão do filme com os comentários “a posteriori” da banda. Vira motivo de chacota também quando Noel entrega que ele achava que o Spinal Tap fosse uma banda de verdade. Prova de que assistir ao filme com os comentários também vale a pena.

Na estrada, os irmãos Gallagher são mãos irmãos do que nunca. Batem boca num pub londrino em pleno Japão, onde Liam acusa Noel de querer aparecer mais do que ele na mídia, e num outro momento quase trocam juras de amor, quando Noel diz: “eu e meu irmão nos amamos um o outro, mas não precisamos ficar repetindo isso o tempo todo”. E não repetem mesmo. Os demais integrantes são verdadeiramente coadjuvantes, e só valem nota quando fazem algo engraçado ou inusitado, considerando o jeito inglês de se fazer isso. Caso de umas cenas de backstage do Manchester Stadium, em que todos tentam abrir uma garrafa de champanhe gigante, ou quando uma fã de pileque desanda a pedir para os brothers tirarem fotos com seus amigos, como se fosse ela próxima ao grupo. O engraçado é que os Gallaghers, mal humorados ou não, se divertem com isso. Há poucas cenas de shows, mas uma delas é talvez a mais marcante de todo o DVD. Numa casa fechada lotada (Austrália?) uma platéia jovem e comovida canta “Don’t Look Back In Anger” e tira lágrimas dos olhos dos irmãos durões. A versão para o Brasil do documentário só não é perfeita por causa de um delay irritante que deixa as legendas fora de sincronia com as falas.

O principal bônus do filme vem no segundo DVD, com o show gravado ao vivo no Manchester Stadium, na cidade natal do Oasis. Com cenas filmadas em alta definição, e aproveitando a boa produção visual do palco, o vídeo causa espanto já no início, ainda mais pra quem vem de um documentário quase todo em p/b. A edição é fantástica e mostra um estádio de futebol completamente forrado por fãs da banda que cantam o tempo todo, sem parar. E não é só a turma do gargarejo, mas todo o estádio, como se vê inclusive nas imagens gravadas por fãs, do meio da platéia (novidade neste DVD) que estão nos extras, numa espécie de “you tube ao contrário”.

Como o vídeo registra um show da turnê do álbum “Don’t Believe The Truth”, é natural que tenha mais músicas desse disco (cinco no total), mas um registro para a posteridade bem que poderia ter incluído mais material antigo na edição final, considerando que um show do Oasis dura muito mais que os cerca de 70 minutos incluídos aqui. Tanto que, numa das cenas enviadas por fãs, a música de fundo é “Morning Glory”, ausente na edição final.

Mas se este show é apenas um bônus ao documentário, e considerando o repertório de 15 músicas (a intro não conta), vale destacar a excepcional cover para “My Genration”, do Who, que fecha o set; e a sensibilidade latente que fica em quase todas as músicas do grupo, sobretudo nas mais lentas, como “Don’t Look Back In Anger”, “Acquiesce” e “Live Forever”, que, voltando ao documentário, conseguiu emprestar a um embriagado fã inglês uma irresistível doçura.

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