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RESENHA DE DVD: NINE INCH NAILS LIVE – BESIDE YOU IN TIME

A etiqueta colada no plástico que envolve a caixa de papelão desse DVD tenta corrigir a total omissão de informações sobre o conteúdo do disquinho. Mas não foi por um erro que isso aconteceu: é das predileções de Trent Reznor, o homem por trás do Nine Inch Nails, dificultar as coisas, desde a música indigesta que ele compõe, com menos instrumentos e mais recursos eletrônicos e de informática, até a apresentação do resultado desse trabalho. Em geral, ou falta informação, ou ela vem em demasia, a ponto de confundir (para o bem ou para o mal) quem quer que se interesse pelo Nine Inch Nails. Esse DVD traz a íntegra de um show gravado durante a turnê “Live: With Teeth 2006”, quase a mesma que passou pelo Rio no famigerado Festival Claro Que é Rock, no final de 2005. Quase porque, apesar do excelente show, vê-se agora que muitos efeitos especiais não atravessaram a linha do Equador. E se a música é indigesta, um show do Nine Inch Nails é um espetáculo que tem na projeção de imagens seu maior handicap. Na frente do palco, um telão gigante, transparente (espécie de filó) recebe projeções tão grandes que transformam banda e público em pequenos detalhes, inseridos nas imagens. O artifício pode ser melhor notado, aqui, nas músicas “Eraser”, “Right Were It Belongs” e “Beside You In Time”, que dispõem do recurso “ângulo alternativo”, mostrando o palco de frente, bem distante, e deixando o close nos integrantes para o outro ângulo. As imagens variam entre a falsa felicidade americana, comparações do homem com animais e até um dançarino George Bush, vaiado na hora.

Quando o telão não está em ação, projeções se sucedem e se revezam com luzes colocadas à meia altura, e com polígonos de forma irregular que sugerem um efeito de profundidade dos mais interessantes. A saturação das cores fortes também ajuda, já que no palco é o preto que predomina. Todo esses aspecto visual só dialogaria mesmo com uma música sinistra, intrincada e, até, por vezes, pop. O repertório é enfileirado de modo que o show comece num ritmo lento (a sombria “Love Is Not Enough” é a primeira) e vá ganhando corpo durante a apresentação. A arena onde o show foi gravado, em Oklahoma, está tomada de fãs que pouco se importam, se atropelando em moshes sem parar.

“The Line Begins to Blur”, quase dark, inicia uma transição que vai passar por números mais pesados (“March Of The Pigs”) e outros até dramáticos – caso de “Something I Can Never Have”. “Only”, o hit do último disco, cai como um sopro pop, já no final do show, e cabe aos hits “The Hand That Feeds”/ “Head Like a Hole”, juntos, o encerramento. O exagero de informações visuais não ofusca a banda, que tem uma performance agitada e agressiva, com direito a instrumentos destruídos ao final, incluindo um amplificador que é penetrado por uma guitarra. O show é complementado por cinco músicas que só eram apresentadas quando a banda tocava em festivais ou em outros palcos (à céu aberto), com uma estrutura que só era possível ali. Nessas músicas, à frente do palco, no lugar do telão, há uma espécie de persiana metálica gigante, que também recebe projeção de imagens.

Outros extras mostram o grupo ensaiando em três músicas em 2005, antes de Trent Reznor pelar a cabeça. Só que de ensaio as imagens nada mostram: é tudo tão organizado, que, além dos figurinos escolhidos a dedo, até um roadie entra em ação para recompor o pedestal de um microfone. Dois videoclipes (“The Hand That Feeds” e “Only”) completam essa parte. No final, ainda há seqüência de fotos do show, e toda a discografia do NIN, faixa por faixa, com uma delas sendo reproduzida. Nada tão indigesto assim. Depois de assimilado, claro.

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