Natal

OPINIÃO: QUANTOS ROQUEIROS FRUSTADOS VOCÊ CONHECE?

Por Marlos Ápyus, Natal/RN

Mas o que é um roqueiro frustrado? É o cara que passou toda a adolescência sonhando em ser uma estrela do rock, que um dia estaria ensaiando em uma garagem e um produtor o descobriria. É quando, em poucos passos, viveria o ciclo gravadora-Faustão-Jô Soares-Grandes Festivais-sexo-drogas… Ah… E um pouco de rock and roll também.

Como o conto de fadas não rola para todos, aquele garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones envelheceu e encontrou uma realidade bem distinta da sonhada. Foi quando se espalhou pela sociedade nos mais variados ramos, sempre plantando a sementezinha do rock no ouvido alheio menos avisado.

O roqueiro frustrado é o guitarrista da banda de forró que transpõe para ritmos nordestinos canções do Dream Theater, com letras bregas e refrões pegajosos. É o baterista de axé que termina a apresentação numa virada destruidora alá John Bonham. É o cantor da banda brega que deixa o cabelo crescer e faz cara de mau para as fotos. É o músico que canta Vanguart na praça de alimentação do Natal Shopping.

Mas não são só músicos. Há o publicitário que coloca canções do primeiro disco do Mundo Livre na trilha do comercial loja de bijouterias. E o jornalista que foi contratado para fazer matéria policial mas sempre insiste em escrever para o caderno de cultura e assim ganhar ingressos para os shows de seu interesse (sempre com crachá de imprensa que é para curtir a barulheira de trás do palco, com câmera fotográfica em punho). É o bancário que trabalha emburrado, com uma blusa do Metallica, que não quer falar com ninguém, que fica as 8 horas de expediente com o fone de ouvido escutando toda a discografia do Iron remasterizada. É o programador que faz questão de instalar em seu blog o plugin para que todos saibam o que ele anda escutando na Last FM.

Tem roqueiro frustrado que vai curar suas mágoas com a fé. Queria tocar num inferninho, mas a mãe só deixava o coitado correr para a igreja. Sabe o que ele fez? O heavy metal do senhor! E deu certo. Ganha e vive bem melhor que muito roqueiro não frustrado. Porque para ele, de fato, o que importa é ter a alma lava. Aleluia, irmão!

No final das contas, não há problema nenhum em ser um roqueiro frustrado. Pelo contrário, tudo isso só mostra o quanto o rock é grande, pois mesmo quando o meio não contribui para que o homem concretize seus sonhos, o sonho persiste, no lenço preto que prende os longos cabelos do cobrador de ônibus, nas orações evangélicas, no palco da Shock Casa Show, no chopp daqueles senhores que curtem um happy hour na praça de alimentação. Vida a longa a todos os roqueiros frustrados. E muito obrigado por tornar este mundo um pouco mais divertido.

1 Comment

  1. Acho que a grande maioria absoluta de meus amigos está nesta condição. E eu posso tb me enquadrar por aí. Afinal, são quase 40 anos de vida e 3/4 dela dedicados ao rock’n roll. Muitas bandas, muitos trampos de roaldie, fotos e muito, mais muito pouca grana no bolso por tudo isso. E o que vale então? O prazer! O prazer de estar com os amigos, de zoar a mulecada batendo cabeça, de botar pra fora da roda de pogo aquele mané playbizinha que acha que aquilo é para quebrar os outros, de encher a cara de cerveja quente no Dosol!
    São poucos que vivem do rock e sustentam suas família com isso, mais todos os roqueiros são felizes (a maioria não sabe).
    Long live to rock’n roll!
    Abraços

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