Coberturas, Nacional, Notícias

HUGO MORAIS (RN): ABRIL PRO ROCK – PODERIA TER SIDO MELHOR

Duas coisas podem ter afetado o aproveitamento do festival. 1 – A expectativa em torno das atrações, nunca tantas tão boas juntas, teoricamente. 2 – O número excessivo de atrações no sábado, já que a programação de domingo foi retirada do evento.

Sexta

A sexta foi do New York Dolls e do Mukeka di Rato. Pra mim até mais do Mukeka que fez uma apresentação pesada e ao mesmo tempo engraçada com as danças de Sandro. A banda tem uma boa presença de palco e em Recife não foi diferente. Já o New York Dolls é um ícone do rock e fez uma apresentação boa. A altura da imagem que carrega não sei dizer, já que nunca vi um show antes, e nem podia. Mas a presença de palco dos coroas é muito boa. Mantendo diálogo o tempo todo com o público.

Queria ter visto o show do AMP e do Sinks, mas não foi possível devido as quatro horas de viagem e o necessário descanso das canelas e do necessário enchimento do bucho. O Bad Brains pra muitos foi sensacional. Achei um show chato, pra não ser radical. Bom mesmo só quando eles tocaram o hadcore característico, mas quando botavam os pés em Jah… “Recife, tudo bem?” foi repetido algumas vezes. Mas o público não respondia, devia estar querendo entrar na roda de pogo que se abria de vez em quando. Tinha que ter muita paciência para aguentar aquele martírio. E tivemos, afinal, ainda tinha o New York Dolls… O Zumbis do Espaço fez o show esperado, que não empolgou a maior parte do público, os fãs adoraram. o som também não ajudou. O Vamoz! também fez o show costumeiro, bateria pesada (inclusive furando a caixa), muita guitarra e discurso que as bandas de PE não pagam pau pra ninguém, muitos menos pro Brad Brains. Ok.

Sábado

O sábado era uma maratona e quando chegamos lá com uma hora de atraso ainda não tinha começado. Lobão estava passando o som. Fomos tomar um chopp. Voltamos e de cara vimos o fim do Sweet Fanny Adams. A banda faz um rock dançante muito bom, mas nossas atenções estavam voltadas para o palco 3 com o Barbiekill. Eles foram a Recife e fizeram o esperado. O melhor show deles até hoje, mesmo com problemas na guitarra de Fausto, teclado e bateria abafados e voz de Riane não saindo legal no início. A presença de palco da banda, tímida e nervosa no início foi crescendo e o show acabou com muita gente interessada em conhecê-los. “Vocês vão ter que me engolir” diria Zagallo, se fosse integrante, a parte das bandas de Natal e do público que se perguntam porque o Barbiekill estava no AbrilProRock. Esteve, fez um show ótimo e ainda vão aparecer em mais lugares. E não vale dizer que parecem com Bonde do Rolê, Cansei de Ser Sexy e etc. Em toda cidade deve haver uma cover do Strokes também e por aí vai. E de bandas clássicas de hardcore.

Autoramas e Superguidis fizeram bons shows. Gabriel mandou “1,2,3,4” do Little Quail em nova versão. Não dá para tocar outras não Gabriel? O Little Quail era sensacional. Coreografias, baixista nova e Bacalhau endiabrado fizeram muita gente dançar. Espero que a banda venha ou para o MADA ou para o DoSol. O Superguidis não falou muito, preferiu tocar. E o fez com as ótimas músicas que grudam. O Pata de Elefante fez o show antes de Lobão, ou seja, boa parte do público não estava mais receptiva as novidades, mas os que estavam viram um bom show. Instrumental de primeira. Surf Music, Hard Rock, Country Rock… Não há rótulo, eles tocam de tudo. Victor Araújo e Céu fizeram apresentações deslocadas do festival. Victor Araújo com seu piano não era escutado em todo o grande espaço do Chevrolet. Escutado mesmo foi seu discurso em prol da música pernambucana. “Levante a mão quem quer ouvir música pernambucana nas rádios”. Eu não quero ouvir música potiguar na rádio, quero ouvir algumas coisas de música potiguar nas rádios. Se as rádios são comerciais, tem que vender. Se tem que vender tem que botar o que o público consome. Se as 3 mil pessoas que estavam ali presentes quisessem escutar música local nas FMs mesmo assim não tocaria. O axé, o forró e pagode mandam. Aqui, lá e em quase todo lugar. Céu fez um show pra PIMBA (Pseudo Intelectual Metido e Besta) ver. Se os shows das musas da MPB forem iguais, não pretendo ver mais nem um.

O Datsuns vieram da Nova Zelândia e quebraram, pena que muitas pernas não aguentavam e foi melhor ver sentado, as vezes quase deitado. Mas a banda é muito boa. Boa também foi a apresentação de Wander Wildner, para muitos foi a melhor do festival. Ele tocou várias músicas do seu novo disco, músicas em espanhol. Não gostei. Bom mesmo foi o final em ritmo de carnaval com novas versões para “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro” e “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo”. Júpiter Maçã foi um caso a parte, bem a parte. Para muitos uma decepção. Para outros um show bom. Não vi ninguém dizer que foi excelente. Num clima “vou ter um troço daqui a pouco” ele cantou músicas chatas do disco novo e boas velhas que ele desacelerava ou errava a letra. Mesmo assim foi divertido em vários momentos. “Lugar do Caralho” foi a última e a que todos cantaram juntos. Tinha gente no meio do show pedindo ela. Mas foi a última. Lobão vi duas músicas para dizer que vi. Mas não gosto, não tenho disco, não escuto e acho ele um chato.

Enquanto isso na sala da Justiça…

Bom foi ver algumas cenas fora do palco. Enquanto alguns integrantes de bandas são extremamente simpáticos tirando fotos, dando autógrafos e etc, outros são arrogantes, prepotentes e quem levou um grito de Wander pode chamá-lo de algo mais pesado. Wander Wildner biritado enchotou os fãs que queriam falar com ele. O cantor estava vendo o show do Superguidis e não queria ser incomodado, chegou a empurrar um rapaz que tentou falar com ele. Outro que foi mais insistente ganhou gritos e xingamentos. O troco foi um dedo na cara de Wander. Eu estava esperando um soco. Menos um fã. Mas isso não abalou em nenhum momento o gonzo, era só os “chatos” sairem de perto que ele voltava a dançar.

Já pegou leve hoje ?

Entre um show e outro os patrocinadores davam as caras. A cerveja era Nova Schin. Custando R$ 3.00. Era impossível não seguir o slogan “Já pegou leve hoje?”. E quem poderia pegar pesado sendo Nova Schin e custando R$ 3.00? Fora comer uma fatia de pizza, uma coxinha ou um espetinho custando os mesmos R$ 3.00.

Viva a biodiversidade

Após sair do Chevrolet Hall e voltar a pousada que estávamos passamos próximo a Praça do Carmo. Lá tem um point de pagode ou swingueira (argh!) fuderoso. Tão fuderoso que tinha um grupo de quatro rapazes com a mala de um carro aberta dançando com coreografia na calçada em frente ao lugar que estava bombando. “Síndrome de pânicooooooo…”

10 Comments

  1. Meu amigo, essa dos caras dançando swingueira na calçada foi terrível. É um sinal dos tempos, realmente.

    Mas no saldo, foi isso aí mesmo sábado. A minha versão da história sai no Disruptores, daqui pra amanhã. Sério.

  2. Hugo, a hegemonia de um estilo não é imposta do nada. Pagode e axé não “mandam” à toa. E a programação das rádios é algo que é determinada pelo poder econômico, e não simplesmente porque o povo quer. Não fosse a gravadora para investir em jabá, nunca teríamos hits de verão, como foi o Armandinho em 2006, por exemplo.

    Abraços.

  3. ainda vou decidir se perdôo vcs dois, hugo e alexis por ter perdido o sinks no primeiro dia! 🙂

    era pra ter visto nem que fosse para sentar o cacete carai!

    o wander é lenda e as lendas são muito doidas por natureza, dei um forte abraço nele por lá, troquei idéia, ganhei um disco e juro, só o que ele não é interesseiro (antes que alguém levante a qustão), só é muito doido!

    e outra, o show dele (que é o que importa), foi o mais legal do festvial inteiro!

  4. No shopping o chopp era R$ 2.90 pô. Achei absurdo o preço.

    Foca, eu sei da qualidade da banda e só não entramos antes porque na bilheteria tava problemático. O povo lá tava terrível. De fora escutamos o som e tava muito bom.

    Vemos o show de vocês no MADA 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *