Coberturas

COMO FOI? SWU – TERCEIRO DIA

Por Foca especial pro Dosol/Popup

Não estava nos meus planos assistir o segundo dia do SWU, que terminou sendo o que teve mais venda de ingressos e consequentemente o maior público. Muitos dos problemas de produção encontrados no dia anterior foram parcialmente sanados, o que tornou a ida ao festival neste terceiro dia extremamente tranquila e sem nenhum atropelo para sair e para chegar.

Quando chegamos ao local do show o CrashDiet já estava tocando. Com cabelos e visuais espalhafatosos e um hardrock farofa mais me pareceu um grupo de jrock do que outra coisa. Desperdício de espaço também foi o constrangedor show do rapper Rahzel. Para você terem uma ideia quase ninguém entendeu se o show tinha começado ou se estavam fazendo um check na sonorização. Um Emicida da vida teria feito muito mais efeito. Bola fora!

O ataque de bandas interessantes realmente começou com Yo La Tengo, mestres-reis do indie mundial. O trio até que se esforçou para falar alto no main stage mas definitivamente aquele foi o show errado no lugar errado, talvez a tenda da Oi tivesse sido o lugar ideal até para os mais fãs assistirem. Nota 05.

Tinha muita expectativa para o show do Cavalera Conspiracy. Ouvi o disco, queria muito ver o Max em ação novamente e fiquei feliz quando a banda começou o show. Mas a boa impressão terminou aí. O que se viu em palco foi uma banda sem energia com seus band líderes totalmente fora de forma e um Igor irreconhecível na bateria, errando até os temas mais fáceis do Sepultura. Valeu pela sessão nostalgia mas como banda para se apresentar ao vivo temo dizer que o Cavalera Conspiracy não é nem sombra do que foi o Sepultura um dia e perde e muito para a atual formação da banda mineira. As filhas de Igor batendo cabeça na lateral do palco terminaram fazendo mais sucesso do que a própria banda!

Com o hype a seu favor e uma penetração fortíssima entre os mais jovens (enorme maioria no último dia do festival) o Avenged Sevenfold subiu ao palco do SWU praticamente com o jogo ganho. Num misto esquisito entre o metal melódico, o hardrock e emo a banda veio destilando riffs e chamando a atenção daqueles que não conheciam seu som e terminou sendo uma boa surpresa desse terceiro dia. O pecado foi não tocar Bat Country, a melhor música da banda disparada!

Outro grupo que entrou com o jogo ganho na Arena Maeda foi o Incubus e os americanos não deixaram por menos e fizeram um excelente show já agradando bem mais a plateia, claramente dividida entre os que foram ver o Queens Of The Stone Age e Pixies e o resto. Foi a primeira (e temo que única) unanimidade da noite.

A aglomeração na frente do palco aumenta e a expectativa cresce no SWU, um dos shows mais esperados da programação estava prestes a começar: Queens Of The Stone Age. Um pouco antes de começar o show o palco apaga e o problema persiste por quase uma hora. Vi gente culpando a banda pelo atraso, mas estava bem a frente e vi que o problema era de energia do palco, claramente. Quando o shows começou, o que se viu foi um desfile de timbres, canções e energia em perfeita sincronia. Josh Homme personifica o lado mais cru do rock com uma elegância rara de se ver. É sem dúvida o grande cara do rock deste novo século. Show nota mil!

Para deixar o clima quente não poderia vir nada melhor do que o Pixies na sequência para completar essa memorável noite de rock que o SWU proporcionou. Foi um desfile de hits noventista que arrepiarem e fizeram muitos fãs chorarem copiosamente. O que é escutar Velouria ao vivo? Inesquecível. Dos “remakes” que o festival proporcionou (tirando o Rage Against The Machine que foi covardia de tão bom) foi o melhor disparado.

A horda de guris que invadiu o SWU no seu último dia viu o Linkin Park fazer o que se esperava dele, show competente, cheio de hits de rádios “rock” com muito volume e intensidade. Não me agrada mas também não machuca. Não vi o Tiesto (ainda bem).

SALDO DO FESTIVAL

Levar 150.000 pessoas num lugar que ninguém nunca foi antes, proporcionar acampamentos, entrada, infra-estrutra, estacionamento, translado e diversão a todas elas era uma missão difícil para o SWU, principalmente pela total falta de costume da grande maioria do público em eventos dessa natureza (praticamente inéditos no Brasil) e também pelo pioneirismo do projeto.

Creio que mesmo com os problemas, principalmente de infra-estrutura e translado, o saldo foi positivo. O que me pareceu realmente estranho foi o discurso de sustentabilidade pouco praticado pelo próprio festival e que não reverberou (e nem poderia) na platéia. Alguns pontos foram tão amadores que chegaram a assustar. Não foi o meu caso, mas qualquer pessoa da imprensa poderia botar quem quisesse para área vip (caríssima para quem pagou), era só passar o crachá para quem estava de fora, já que não tinha pulseiras de identificação. Vi isso acontecer mais de uma dezena de vezes. Na portaria de entrada a mesma coisa.

Já fico aguardando a edição de 2011 porque vale a pena que o SWU continue acontecendo e evoluindo, foram dias de excelentes shows e de muita diversão. Vida longa ao festival.

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