Coberturas

COMO FOI? FACE TO FACE NO RIO DE JANEIRO

Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro

Conteúdo: Rock em Geral

Grupo americano encerrou a turnê pelo Brasil, ontem, no Rio, encerrando, enfim, a década passada.

Dizem que é difícil fazer o tempo voltar atrás, mas foi exatamente essa a sensação que se tinha no Namastê Clube, no Rio de Janeiro, durante a apresentação do Face to Face: um túnel do tempo de mais ou menos uns dez anos. Não que não houvesse a presença dos mais jovens, que se estatelavam entre a grade e as inevitáveis rodas de pogo, mas marcou o comparecimento de gente que fazia dos anos 90 um período muito mais ativo (e fértil) para o hardcore melódico e afins.

A começar pela abertura. Se o Stellabella está em plena atividade divulgando o álbum de estréia, e tocou tão cedo que as filas do lado de fora eram maiores que o público dentro da casa, o Rivets fez praticamente um show de reunião. Muito mais afinado com o público do Face to Face, reviveu o sucesso underground com músicas conhecidas e apresentou outras “novas”, que, segundo Fabrício, o lendário vocalista que já foi do seminal Barneys, já fazem parte de um disco pronto já há sete anos. Síndrome de Guns N’Roses? Vai saber…

Talvez uma das poucas representantes do hardcore da época que ainda não tinha tocado no Brasil, o Face to Face era uma espécie de grupo mais esperado no meio, e o público não decepcionou, agitando forte desde o começo do show. Tanto que no final da quarta música, “You Lied”, o vocalista/guitarrista Trever Keith se pronunciou a respeito. “Já vi que vocês gostam de rock’n’roll, né? Então vamos tocar!”, disse antes de iniciar a boa “Ordinary”. O repertório do show, que durou uma hora, é semelhante ao do DVD “Shoot the Moon – The Essencial Collection”, lançado no Brasil. A agitação do público era tanta que os sete seguranças que estavam entre o palco e a grade tiveram que suar o terno para segurar a onda – mais tarde Trever ainda ressaltou o trabalho dos engravatados.

Em “Disconnected”, enfim, um momento de descanso em que o público continuou cantando, sozinho, para deixar Trever Keith emocionado. O fato se repetiria em outras músicas, todos cantavam tudo, numa rara sincronia entre repertório, banda e agitação. “Complicated” foi outra em que o público cantou tão bem (e tão alto), que mereceu mais um agradecimento do vocalista aos fãs. No início do bis, ele quase puxou o grito de “oops, there is it”, o popular “u-tererê”, mas tudo não passou de piada. Duas músicas rápidas finalizaram o set, que foi menor que o de outras cidades incluídas nessa turnê. Mas seguramente uma hora foi o suficiente para todos se acabarem, antes de embarcar de volta do túnel do tempo. Agora, sim, a década de 1990 acabou.

1 Comment

  1. Esse show ficará em minha memória enquanto eu viver!
    Contarei pros meus netos como foi!!!
    Simplesmente incrível!! Um sonho de mais de 10 anos realizado.. e muito bem realizado.. com o fantástico Rivets tocando minutos antes!
    16 de dezembro de 2008. Esse dia entrou pra história da cena underground carioca!!!

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