Clipping – Festival Dosol no Mulheres no FDS (RN)

A garra do Festival DoSol

Mesmo sem patrocínio, o festival Dosol foi confirmado e vai ocorrer entre os dias 3 e 5 de agosto na rua Chile, Ribeira. A estrutura do evento, no entanto, será alterada. Em vez de utilizar o largo, as 56 bandas se revezarão este ano entre dois palcos localizados no Dosol Rock Bar – com capacidade para 500 pessoas – e num galpão ao lado onde cabem 1500 pessoas.

Clipping – Festival Dosol no Estação Hardcore (PI)

Um dos festivais mais aguardados do Nordeste anuncia sua programação. É o Festival Dosol que neste ano acontece nos dias 03, 04 e 05 de agosto, na rua Chile, Ribeira. Acompanhe o line up completo:

Prévia Oficial do Festival Dosol – Dia 14 de julho
Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar (RN) e Adriano Azambuja (RN).

Prévia Oficial do Festival Dosol – Dia 15 de julho
Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco (RN), Drive Out (RN) e Superia (RN).

Festival Dosol ? Sexta, dia 03 de Agosto

BRAND NEW HATE (RN), BABY PLEASE (RN), MOTHERHELL (PB), VITROLA (RN), MONOPHONE (CE), PEIXE COCO (RN), DISTRO (RN), THE SINKS (RN), VAMOZ (PE), VOLVER (PE), CASCADURA (BA), BUGS (RN), MOPTOP (RJ) e CACHORRO GRANDE (RS)

Festival Dosol ? Sábado, dia 04 de Agosto
TOY GUNZ (RN), LOTUS (RN), SECKS COLLIN (SP), FLIPERAMA (RN), JOSEPH K? (CE), ENNE (MG), ARQUIVO (RN), STELLABELLA (RJ), LUCY AND THE POPSONICS (DF), RED RUN (CE), VIOLINS (GO), ALLFACE (RN), ROCKFELLERS (GO), ZERO8QUATRO (RN), ZEFIRINA BOMBA (PB), JANE FONDA (RN), SUPERGALO (DF), THE HONKERS (BA), OS BONNIES (RN) e ROCK ROCKET (SP)

Festival Dosol ? Domingo, dia 05 de Agosto
TRAUMAM (RN), RAVANES (RN), PSICOMANCIA (RN), VERDADE SUPREMA (RN), COMANDO ETÍLICO (RN), DRUNK DRIVER (RN), LEVANTE (RN), JASON (RJ), THE NATION BLUE (AUS), ATAQUE PERIFERICO (RJ), EXPOSE YOUR HATE (RN), INSURRECTION DOWN (PE) e MATANZA (RJ)

Clipping – Festival Dosol no Meio Desligado (MG)

 

A terceira edição do Festival DoSol acontece este ano entre 3 e 5 de Agosto, em Natal, e traz 44 bandas de diversos locais do Brasil. Um dos mais importantes festivais alternativos do nordeste, este é mais um braço da DoSol, que também movimenta o Rio Grande do Norte com a DoSol Records, o Estúdio DoSol, o DoSol Rock Bar e a DoSol Image.

Os shows irão acontecer na rua Chile, no bairro da Ribeira, mesmo local da edição do ano passado. Também faz parte do evento uma série de palestras, intitulada ?Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar?.

Um pouco antes do festival, nos dias 14 e 15 de Julho, acontecem duas prévias oficiais, cuja programação está abaixo:

Dia 14
Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar (RN) e Adriano Azambuja (RN)
Dia 15
Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco (RN), Drive Out (RN) e Superia (RN)

Já o evento principal, em Agosto, conta com esta programação:

Sexta, 03
Brand New Hate (RN), Babe Please (RN), Motherhell (PB), Vitrola (CE) Monophone (CE), Peixe Coco (RN), Distro (RN), The Sinks (RN), Vamoz (PE), Volver (PE), Bugs (RN) e Moptop (RJ)

Sábado, 04
Toy Gunz (RN), Lotus (RN), Secks Collin (SP), Fliperama (RN), Joseph K? (CE), Enne (MG), Arquivo (RN), Stellabella (RJ), Lucy and The Popsonics (DF), Red Run (CE), Violins (GO), Allface (RN), Rockfellers (GO), Zero8Quatro (RN), Jane Fonda (RN), Supergalo (DF), The Honkers (BA), Os Bonnies (RN) e Rock Rocket (SP)

Doming, 05
Traumam (RN), Ravanes (RN), Psicomancia (RN), Verdade Suprema (RN), Comando Etílico (RN), Drunk Driver (RN), Levante (RN), Jason (RJ), The Nation Blue (AUS), Ataque Periférico (RJ), Expose Your Hate (RN), Insurrection Down (PE) e Matanza (RJ)

Clipping – Festival Dosol no Urbanaque (SP)

(Da redação) O Festival DoSol (RN) confirmou a programação para o evento que acontece entre 3 e 5 de agosto em Natal. Além do festival, que vai para a terceira edição, o público capixaba já foi contemplado com shows dos brasilienses Móveis Colonias de Acaju e Lafusa, durante a festa de lançamento que aconteceu ontem, dia 17.

Durante as prévias do festival, que acontecem nos dias 14 e 15 de julho, o público poderá assistir a shows com Ludov e Sugar Kane, além de outras 7 atrações.

Confira abaixo a programação do festival:

Sexta-feira (3/8):

Brand New Hate (RN)
Babe Please (RN)
Motherhell (PB)
Vitrola (CE)
Monophone (CE)
Peixe Coco (RN)
Distro (RN)
The Sinks (RN)
Vamoz (PE)
Volver (PE)
Bugs (RN)
Moptop (RJ)

Sábado (4/8):

Toy Gunz (RN)
Lotus (RN)
Secks Collin (SP)
Fliperama (RN)
Joseph K? (CE)
Enne (MG)
Arquivo (RN)
Stellabella (RJ)
Lucy and The Popsonics (DF)
Red Run (CE)
Violins (GO)
Allface (RN)
Rockfellers (GO)
Zero8Quatro (RN)
Jane Fonda (RN)
Supergalo (DF)
The Honkers (BA)
Os Bonnies (RN)
Rock Rocket (SP)

Domingo (5/8):

Traumam (RN)
Ravanes (RN)
Psicomancia (RN)
Verdade Suprema (RN)
Comando Etílico (RN)
Drunk Driver (RN)
Levante (RN)
Jason (RJ)
The Nation Blue (AUS)
Ataque Periférico (RJ)
Expose Your Hate (RN)
Insurrection Down (PE)
Matanza (RJ)

Clipping – Festival Dosol no Mallabares (RN)

Festa da música independente
Mesmo com a falta de apoio da lei Câmara Cascudo Festival DoSol acontecerá em agosto

A falta de patrocínio não impedirá a realização da terceira edição do Festival DoSol. Neste ano o evento não está sendo amparado pela lei estadual Câmara Cascudo de incentivo à cultura, já que os R$ 4 milhões destinados a renúncia fiscal estão comprometidos. Mesmo assim, Anderson Foca, idealizador do evento, afirma que o público pode se preparar para curtir o som de 56 bandas de 10 estados brasileiros, entre os dias 03 e 05 de agosto, na rua Chile, Ribeira.

Não é apenas a falta de patrocínio da lei estadual que mudará na edição de 2007 do festival. As bandas não irão mais se apresentar no largo e sim em dois palcos localizados no DoSol Rock Bar, com capacidade para 500 pessoas, e em um galpão ao lado, esse bem maior, com capacidade para 2.500 pessoas.

A edição deste ano está orçada em R$ 35 mil, o que está bem abaixo do que foi gasto em 2006. Além da mudança de local, foi decisivo para isso a mobilização das bandas. As 27 atrações potiguares abriram mão do cachê e alguns grupos de outros estados ficaram nas casas de músicos locais.

A falta do patrocínio da Câmara Cascudo dificulta a vinda de patrocinadores para o festival, uma vez que com a lei eles ganhariam em renuncia fiscal. Foca afirma que a mudança de estrutura já estava prevista para 2007, independente de apoio, e que a realização do festival também é uma forma de deixar claro que a cultura potiguar não depende de lei para ser mostrada.

A mudança de local também foi motivada pela dificuldade que os produtores culturais potiguares enfrentam para entrar em acordo com os donos de estabelecimentos do largo da rua Chile, segundo afirma Anderson Foca.

Música em debate ? Pela segunda vez, o Festival DoSol leva ao público, além de muita música, um ciclo de palestras, nos dias 02 e 03 de agosto, intitulada ?Pensando Música ? Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar?, com palestrantes de todo país. A programação do evento ainda engloba lançamento de Cds, produção de videoclipes, feira mix, entre outras ações.

Neste domingo, dia 17, acontecerá o lançamento do festival, no DoSol Rock Bar, a partir das 18h. A atração principal da noite será a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. Também tocarão as bandas Lafusa (DF) e Michel Heberton irá discotecar. As senhas para essa festa serão vendidas na hora pelo preço promocional de R$ 10,00.

As prévias oficiais do evento rolam nos dia 14 e 15 de julho no DoSol Rock Bar, com a presença das bandas Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar e Adriano Azambuja no dia 14, e Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco, Drive Out e Superia no dia 15.

PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL

Sexta-feira (03/08) ? início as 20h

Brand New Hate (RN)
Baby Please (RN)
Motherhell (PB)
Vitrola (CE)
Monophone (CE)
Peixe Coco (RN)
Distro (RN)
The Sinks (RN)
Vamoz (PE)
Volver (PE)
Cascadura (BA)
Bugs (RN)
Moptop (RJ)

Sábado (04/08) ? início as 15h30

Toy Gunz (RN)
Lotus (RN)
Secks Collin (SP)
Fliperama (RN)
Joseph K? (CE)
Enne (MG)
Arquivo (RN)
Stellabella (RJ)
Lucy And The Popsonics (DF)
Red Run (CE)
Violins (GO)
Allface (RN)
Rockfellers (GO)
Zero8quatro (RN)
Jane Fonda (RN)
Supergalo (DF)
The Honkers (BA)
Os Bonnies (RN)
Rock Rocket (SP)

Domingo (05/08) ? início as 15h30

Traumam (RN)
Ravanes (RN)
Psicomancia (RN)
Verdade Suprema (RN)
Comando Etílico (RN)
Drunk Driver (RN)
Levante (RN)
Jason (RJ)
The Nation Blue (AUS)
Ataque Periferico (RJ)
Expose Your Hate (RN)
Insurrection Down (PE)
Matanza (RJ)

Clipping – Festival Dosol no Punknet (RJ)

Depois de duas edições de sucesso em 2005 e 2006, o Festival DoSol anuncia para os dias 03, 04 e 05 de agosto a sua terceira edição. Realizado com a intenção de celebrar todas as vitórias do Rock Independente no Brasil, o festival continua a ser uma das principais vitrines da cena potiguar além de reunir a nata da música independente do Brasil em vários dias de festa e música.
O evento acontece na Rua Chile, no bairro da Ribeira, explorando vários espaços num formato diferente do que vem se fazendo nos festivais locais. O Festival DoSol terá capacidade para 2.500 pessoas por dia.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol e suas prévias 28 bandas do RN e 26 bandas de vários estados brasileiros, além de uma atração internacional, o The Nation Blue da Austrália. Este é um número recorde de participação de bandas potiguares em festivais locais assim como também é recorde o número total de artistas que se apresentarão.

Além da maratona de shows, o Festival DoSol também promove pela segunda vez um ciclo de debates e palestras entre nos dias 02 e 03 de agosto, antes do Festival em si, intitulada “Pensando Música ? Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar”, a reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado.

Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.
ESTRUTURA
Em 2007, a produção faz uma mudança significativa na estrutura física do festival. Os show serão intercalados usando o dosolrockbar com capacidade para 500 pessoas e um galpão adicional que vai ser praticamente inaugurado com os shows do Festival DoSol com capacidade para 2.500 pessoas. Além destes espaços mais dois galpões e a Rua Chile serão utilizados com feira de cds, camisetas, bares e outras atividades.

Na sexta feira (03/08) o Festival DoSol começa sua programação às 20h. Já no sábado e domingo (04 e 05/08), a programação inicia às 15h30.

FESTA DE LANÇAMENTO E PRÉVIAS

As ações do Festival DoSol 2007 já começam dia 17 de junho com a festa de lançamento do festival que vai ter como atração principal o Móveis Coloniais de Acaju (DF), um dos melhores shows do rock independente nacional, além do Lafusa (DF) e da discotecagem de Michel Heberton, tudo isso no palco do dosolrockbar.

As prévias oficiais do evento rolam nos dia 14 e 15 de julho no DoSol Rock Bar com a presença das bandas Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar e Adriano Azambuja no dia 14 e Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco, Drive Out e Superia no dia 15.

BANDAS

O line up final do Festival DoSol tem as seguintes bandas:

Festa de Lançamento Festival Dosol ? Dia 17 de junho
Móveis Coloniais de Acaju (DF) e Lafusa (DF).

Prévia Oficial do Festival Dosol – Dia 14 de julho
Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar (RN) e Adriano Azambuja (RN).

Prévia Oficial do Festival Dosol – Dia 15 de julho
Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco (RN), Drive Out (RN) e Superia (RN).

Festival Dosol ? Sexta, dia 03 de Agosto
BRAND NEW HATE (RN), BABY PLEASE (RN), MOTHERHELL (PB), VITROLA, MONOPHONE (CE), PEIXE COCO, DISTRO (RN), THE SINKS (RN), VAMOZ (PE), VOLVER (PE), BUGS (RN) e MOPTOP (RJ)

Festival Dosol ? Sábado, dia 04 de Agosto
TOY GUNZ (RN), LOTUS (RN), SECKS COLLIN (SP), FLIPERAMA (RN), JOSEPH K? (CE), ENNE (MG), ARQUIVO (RN), STELLABELLA (RJ), LUCY AND THE POPSONICS (DF), RED RUN (CE), VIOLINS (GO), ALLFACE (RN),, ROCKFELLERS (GO), ZERO8QUATRO (RN), JANE FONDA (RN), SUPERGALO (DF), THE HONKERS (BA), OS BONNIES (RN) e ROCK ROCKET (SP)

Festival Dosol ? Domingo, dia 05 de Agosto
TRAUMAM (RN), RAVANES (RN), PSICOMANCIA (RN), VERDADE SUPREMA (RN), COMANDO ETÍLICO (RN), DRUNK DRIVER (RN), LEVANTE (RN), JASON (RJ), THE NATION BLUE (AUS), ATAQUE PERIFERICO (RJ), EXPOSE YOUR HATE (RN), INSURRECTION DOWN (PE) e MATANZA (RJ)

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ZONAPUNK.COM.BR (SP)

Festival DoSol 2006
04/08/2006 – Largo da Rua Chile – Natal/RN

A segunda edição do Festival Do Sol agitou o público potiguar com o melhor da cena local e nacional.
No universo do festival potiguar há espaço para todos. O Poetas Elétricos abre o festival Do Sol fazendo uso da palavra e da imagem tangenciado por música eletrônica. Incompreendido por quem esperava rock, aclamado por quem esperava a democracia de gêneros em um festival de música independente.
Pernambuco? Presente! Raras são as bandas que não se deixam abater por dificuldades técnicas e leis de Murphy. O Parafusa, um dos expoentes da mpb pernambucana conseguiu levantar a bola do meio do show em diante, talvez conseqüência da alegria natural da banda e seu repertório.
Também pernambucanos, o Bonsucesso Samba Clube faz uma mistura de samba, reggae e manguebeat. Seja mostrando que este último se renova, seja provando que nem só dele vive a música pernambucana, o Bonsucesso fez um show bem dançante. Exibindo um mix de eletrônico, regionalismo e imagens, Du Solto se destaca na primeira noite do festival. Bom gosto nas imagens, ritmos dançantes aglomeram um público numeroso e animado.
Mais uma surpresa nativa, o Experiência Ápyus apresentou um repertório pop com um leve toque de samba, podendo ser apontado como uma promessa local. Intenso, foi um dos shows mais comentados da noite.
Após uma loooonga e interessante discussão sobre o dilema tocar ou não tocar músicas novas acompanhada pela correspondente do Zona Punk na van, a banda Ludov surpreende o público mais fiel da noite com uma canção inédita. Além de, claro, os sucessos já consagrados. O ponto forte do show foi a boa dobradinha entre os vocais de Vanessa Krongold e o tecladista e guitarrista Mauro Motoki. Pois se o Bonsucesso Samba Clube ainda havia deixado dúvidas sobre os rumos do manguebeat, o Mundo Livre S. A. fecha a noite para acabar com esta dúvida. A citação de “London Calling” (The Clash) aparece apontando para o passado e para o futuro ao mesmo tempo, marcando a flexibilidade tanto do gênero pernambucano quanto da consagrada banda inglesa.
Na segunda noite, um dos destaques foi o Carfax, de Recife. Com um pop original e dinâmico, ora pesado, ora se permitindo um flerte com o samba, tem como ponto forte o belo vocal feminino.
O divertidíssimo Los Canos ganha o público pela presença de palco e o bom humor. Com letras irreverentes e alguma influência de Ramones, foi um dos shows mais animados da segunda noite.
Apontada como uma das melhores bandas de Natal, o Bugs apresentou um rock’n’roll sujo, lembrando Husker Dü acompanhando letras densas. O Bois de Gerião não contraria as previsões feitas pelo Zona Punk e foi, de fato, um dos melhores shows do festival. A dupla de metais e a voz de Rafael Farret deixam indecisões sobre o que seria o ponto forte da banda. Walverdes, completando 13 anos de estrada, faz um show fervoroso para um público curioso, parecendo estar pela primeira vez frente a um rock tão duro.
O Autoramas, como sempre, agrada o público em cheio com a influência rockabilly. A baixista Selma imprime personalidade no palco cumprindo a difícil tarefa de substituir a saudosa Simone, com maestria.
Marcando o início do triste fim, o Astronautas conseguiu compactar um público empolgado com as batidas eletrônicas já conhecidas, assim como as letras com refrões grudentos e, ao mesmo tempo, inteligentes. Com alguns momentos politizados e emblemáticos, o vocalista André Frank confirma sua presença de palco, uma das mais marcantes do cenário independente.
Com algumas dificuldades técnicas e alguns fatos paranormais, o show do Allface começa com alguns atropelos técnicos mas nada que tire a graça das boas melodias e influência de hardcore. Anderson Foca teve carisma/jogo de cintura suficientes para lidar com os tropeços do início e manter o público coeso até que o show engrenasse e agradasse geral.
O Devotos fez o show mais empolgante da última noite, com rock bem pesado e letras engajadas, preparando (ou não) o terreno para os capixabas do Dead Fish, que encontraram uma platéia dividida entre seus grandes sucessos e algum desagrado em vê-los no palco.

No mais, a democracia de gêneros reina mais uma vez em um festival independente. Seja sendo uma vitrine do redescobrimento de alguns gêneros musicais, ou de bandas novas locais, o sucesso do festival Do Sol traz fôlego para uma terceira edição.

Lançamentos potiguares:

Revolver: rock retrô classe A, letras ingênuas e divertidas lembrando a Jovem Guarda, animado, festeiro e dançante.

Memória Rom: Rômulo Tavares faz tudo ao mesmo tempo agora, brilhantemente, inclusive letras inteligentes, lembrando Titãs em início de carreira.

Dóris: influências explícitas de surf-music, afinadíssimo e forte vocal feminino e letras divertidas e críticas. Prato cheio para quem curte Autoramas.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – SITE REVISTA BIZZ

Festival DoSol
17/08/2006

Ano passado estive no Festival DoSol (Natal/RN) do qual o Alexandre Matias já falou aí no Barra Limpa. Deu pra conhecer uma cena diferente, vibrante e cheia de bandas bacanas, que eu só tinha ouvido em CD ou mp3 – além de assistir a shows de grupos como Gram e Matanza.

Este ano, o festival rolou de novo, entre os dias 04 e 06 de agosto, trazendo bandas locais, grupos indies e atrações maiores, como Autoramas, Ludov e Forgotten Boys. Mas acabei não podendo ir. Pedi então aos jornalistas Rodrigo Levino, Bruno Nogueira e Hugo Montarroyos, que são da área (os dois primeiros de Natal, o terceiro de Recife) que me dessem seus pareceres. Saiu isso aí embaixo!

“DoSol – 04 de agosto – Rodrigo Levino

Entre os muitos méritos da música independente no Brasil – com destaque para o rock – um deles merece especial destaque: a descentralização dos focos.

Um deles é justamente o geográfico. A coisa anda de tal forma organizada que há muito a música deixou de ser vista como algo que acontece apenas no eixo Rio-SP.

Do Mato Grosso ao Acre, passando por todos os estados do Nordeste, há hoje um “pool” de festivais, publicações, gravadoras e selos pragmáticos e articulados que rompem a barreira da distância como nunca visto antes.

E foi isso que se viu em Natal entre os dias 04 e 06 de agosto último. Em sua segunda edição o Festival DoSol firmou-se como um evento de médio porte e completamente inserido na cena independente do rock nacional.

Acrescido de um dia e dez bandas em relação à primeira edição, o festival deu-se ao luxo de experimentar algumas seqüências de estilos que pode ser chamado de diversidade. Embora isso às vezes acarrete alguns erros.

É o caso d’Os Poetas Elétricos, o grupo que abriu os trabalhos no palco principal. Esteticamente talvez seja a produção potiguar mais ousada – lá vai o rótulo -, uma espécie de Haroldo de Campos com rock’n roll.

A poesia de Carito interpretada por Michele Regis, mais os timbres variados da guitarra empunhada com categoria por Edu Gómez findam num espetáculo visual e sonoramente interessantes, mas a julgar pela reação do público, vanguardista demais para um dia que tinha como headline a melodia açucarada do Ludov.

A apatia do público – injusta, diga-se de passagem – foi a mesma diante de Simona Talma, que fez um show corretíssimo, de muito bom gosto, mas novamente com o corpo jogado em algo de difícil absorção para o público ainda disperso: o blues. De qualquer forma é bom anotar este nome. Ainda vai longe.

Já os pernambucanos do Parafusa precisam voltar à Natal para aferir melhores considerações tanto da crítica como do público. É mais um dos trabalhos vindos de Recife com grande potencial, mesmo com uma receita às vezes batida de regionalismo lírico.

Alguns problemas em amplificadores, cabos e coisas do tipo deixaram o clima no palco bem tenso e o público sem entender muito do que eles são capazes.

Em seguida mais uma atração potiguar, o Mad Dogs. O apuro técnico dos músicos e as letras fáceis parecem não romper – mesmo com a boa recepção do público local – a sina de “banda de barzinho”, e isso conferido sem muito esforço na performance da banda. O palco é transformado com irreverência num imenso pub, mas não passa disso há tempos e nem é salvo pelos bons covers dos Beatles.

O SeuZé, como sempre aliás, atraiu um séquito de fãs que acompanharam em coro as músicas da banda, mas a apresentação serviu também para mostrar que é hora de “dar um time” e voltar com novo gás, novas músicas e um show que passe longe do que já é visto desde 2005, inclua-se aí as apresentações em dois MADA seguidos. A mistura repetitiva de regionalismos com rock e blues torna-se mais saturada ainda com apresentações previsíveis.

Por falar em regionalismo, que o Bonsucesso Samba Clube não se perca pela nome. De samba só algumas referências “roots”, o resto é a malemolência de Olinda, um frevo com compasso atrasado e letras quase crônicas de um cotidiano sem muitos atropelos que fez o público dançar um pouco num clima para lá de esfumaçado.

Era apenas o ensaio do segundo melhor show da noite: o DuSouto. O “eletrosambacocogroove” da banda deixou as mais de 1.500 pessoas que àquela hora estavam no Largo da Rua Chile em polvorosa. A banda jogou em casa, para um público que sabe de cor e salteado as letras e não se importa com o “incidentalismo” comum de Jorge Ben e Luiz Gonzaga.

O DuSouto lançou no show um disco homônimo remixado e remasterizado pela Nikita Records, e a julgar pela forma como vêm aproveitando os bons ventos, pode ser o pontapé inicial de uma carreira promissora.

Encerrando o casting de bandas locais, a Experiência Ápyus fez o show mais correto da noite, mas sem empolgar o público. “Redondo” como se diz, entrosado e estreando Ticiano D’Amore – um dos melhores do RN – na guitarra.

O funk é da melhor qualidade, mas às vezes perde-se em referências ao samba e à bossa nova datadas. É deveras estranho pedir isso, mas falta um pouco mais de noise, sujeira, algo de visceral que os pais do samba e do funk (e do sambafunk) – de Tim Maia a Curtis Mayfield – podem ensinar sem cobrar nada.

Quase no fim da noite subiu ao palco uma banda que impressiona pela empatia, a presença de palco e a forma como conduz o grande número de fãs natalenses: o Ludov. Do início ao fim do show, viu-se um público empolgado que sabe cantar muito além de “Princesa”, se esgoelando para não perder nenhuma estrofe do set list.

Não é à toa que Anderson Foca, o produtor do festival, sempre diz que Ludov é uma das três (além de Matanza e Mukeka Di Rato) bandas “residentes” da casa. O público agradece e recompensa com um ótimo espetáculo para os olhos e ouvidos.

Fechando o naipe da diversidade, com alguns minutos de atraso o panfletário Mundo Livre S/A começou seu show. ZeroQuatro, um dos arquitetos do Mangue Bit, comandou uma apresentação cansativa para quem estava no largo desde o fim da tarde, mas imperdível para quem curte a banda.

A marcante politização das letras caíram como uma luva no cover incidental de “London Calling”, do Clash. De “Bolo de Ameixa” a “Mexe Mexe”, passando por “Mangue Bit”, a banda desfiou também um rosário de composições recentes, como “Nega Ivete” e “Abrindo o Coração Para Uma Cadela Chapada e Bêbada” do último EP, lançado independentemente e com sempre, abrindo fogo contra as majors.

Do Sol – 05 de agosto – Bruno Nogueira

Ficar de ressaca no Festival DoSol é uma tarefa fácil. No sábado a história começa às 16h30, no bar que serve de quartel general para a cooperativa que também é selo, produtora de vídeo e estúdio. Você acorda tarde, pensando “mas será que alguém vai para lá essa hora?”. Passam na cabeça todos aqueles shows que só começaram no madrugão e encerram na manhã seguinte. Mas para Anderson Foca, o homem por trás dessa história, formação de platéia é assunto sério. A van descarrega os jornalistas na rua Chile e, de repente, às 16h30, os portões estão abertos. E já tem gente chegando.

De repente, no bar DoSol, já tem gente junto do palco, com uma guitarra empurrando a programação calor abaixo. Não tem outra, o expediente começa também com a primeira cerveja. A Distro, banda potiguar que deu início ao sábado do festival, favorece isso. Rock duro, gritado, com uma menina na guitarra. O bar é uma espécie de Belfiori / Casa da Matriz tropical. Esquema inferninho para 200 pessoas, iluminação forte nas paredes vermelhas. Na entrada, um bar garante o social com cinco figuras olhando de longe. São caricaturas de Joey Ramone, Bob Marley, Kurt Cobain, Jim Morrisson e Chico Science. Recife agradece o prestígio.

Quando entra a Doris, a coisa muda de história. Banda dessas
que passeia numa viagem própria, de rock de guitarras com letras que conseguem comunicar para qualquer ouvido, cantando as dificuldades de ser rico fazendo música.

A piadinha infame do dia falava que “a sexta era o dia da música, o sábado do rock”. E pelo menos até o terceiro show dos palcos grandes, a impressão é de que seria uma piada sem graça. Dead Funny Days e 2Fuzz repetiram aquele emocore mais-do-mesmo para pouca gente, que agora ficava dispersa na espaçosa rua Chile. A diferença veio com a Carfax, com seu pop-rock mais redondo, que acabou também tocando para poucos. Era de estranhar, a este ponto. Quando a mão leva o relogio a vista – enquanto o colega segura a outra cerveja – e se constata que ainda não eram nem 20h30. Cedo, cedo…

Parece bobo ficar impressionado com os momentos seguintes. Olhando com calma, o sábado do DoSol tinha uma escalação que dá muito certo em qualquer cidade do Brasil. São algumas das melhores bandas da vez, na peneira do mercado independente. Quando a guitarra forte, louca e de black power loiro dos baianos Los Canos entrou berrando estridente no palco, tudo parecia certo. Certo demais até, quandos os heróis locais do Bugs mostraram nova formação e músicas do novo EP. Momento que carece uma pausa.

Pausa para o Bugs. Esses caras são, definitivamente, a banda certa de Natal. O vocalista tem a cara do Paul Bettany – aquele ator inglês do filme Winbledon – e eles fazem o rock sujo que ora lembra o grunge, ora não lembra nada além de uma estética própria. A estética inseto, do Bugs, é radiofônica, sem soar melosa, ou comercialmente tachativo. Divertido. Bem divertido.

A esperteza do Anderson Foca não tem tamanho. Bois de Gerião e Walverdes (o show mais alto que já ouvi em toda vida) intercalavam o rock sessentista-terninho da Revolver e da piscodelia virtuosa da Memória Rom. As duas bandas são o lançamento da vez do selo DoSol, e nem precisava de tanto para conseguir atenção de todos. Em Natal rola uma coisa engraçada… o público está muito mais interessado no local que nas bandas de fora.

Quando o rock duro da MQN entra no palco, já se perdeu a conta das cervejas. Fabrício Nobre, talvez um dos melhores frontmen rockers do país, funciona como um tipo de imã de público. É engraçado. O cara entra no palco “Venha aqui neste lugar chamado inferno”… e todo mundo vai mesmo. Deve ser o show mais anti-social também, porque todo mundo para de conversar para correr e fazer parte daquela uma hora seguida de rock.

Não sei se por isso, ou pelo facínio local, a ZeroOitoQuatro fez um dos shows mais empolgados da noite. É estranho, porque a banda passa longe de ser tão interessante assim. Rock modesto, sem muita novidade.

A sempre surpreendente Autoramas entra com seu sempre surpreendente show já perto da madrugada. O DoSol começa a desenhar seu final quando a madrugada ainda é uma criança. Oito horas seguidas de rock se descarregam no show do Forgotten Boys. A banda estava estranha no palco, meio contida – ou talvez intimidade com tanto rock bom que viram no dia – que o show do Stand by the D.A.N.C.E acabou sendo bem meia-boca. Mais cerveja e uma missão quase impossível. Acordar inteiro até às 15h do dia seguinte para continuar a maratona do Festival DoSol.

DoSol – 06 de agosto – Hugo Montarroyos

O ronco excessivamente alto de um colega de profissão e de quarto me fez acordar mais cedo do que gostaria. Desci para tomar café da manhã no hotel. Entre mesas compostas por jornalistas, bandas e produtores, o local dedicado ao desjejum mais parecia um congresso de roqueiros. Eis que vejo o Devotos em uma das mesas. Sento-me ao lado de Cannibal, que está com uma touca no estilo Bob Marley, Neilton e Cello. Eles me explicam que o disco novo está pronto. Animado, Neilton me diz que caprichou na arte gráfica do CD, um tanto interativa (a arte) segundo ele. Me perguntam sobre o festival e pelo público. Respondo que está tudo ok, que o público é extremamente receptivo e que eles não deverão ter problemas para fazer um bom show. Alerto apenas para terem cuidado com o som, pois algumas bandas tiveram suas apresentações prejudicadas por conta de problemas técnicos. No final, Neilton desabafa:

- Velho, você acredita que está mais fácil fazer show no Sul e Sudeste do que aqui no Nordeste?
- Sério?
- Verdade. Vamos para São Paulo no final da semana. E ainda não temos nenhum show marcado no Recife.
- Pô, mas agora vocês estão com disco novo. Deve ser mais fácil.
- Tomara. Mas acho que vai ficar na mesma.

Corte para o final da tarde, Rua do Chile. Separo uma grana para comprar uns discos. Vejo o do Devotos e não tenho dúvidas: compro de imediato. A arte, de fato, está mais do que caprichada. O sugestivo título Flores com Espinhos para o Rei vem logo abaixo do nome da banda, ambos ao lado de uma caricatura grotesca e fascinante, assim como todo o desenho do encarte. Há um furo redondo nele, em forma de olho, para você escolher qual será o recheio dele, uma vez que o disco é desenhado por um círculo formado por círculos menores, cada um ostentando um desenho diferente. Se apenas talento fosse suficiente neste país…Resolvo, corajosamente, fazer o que há anos tenho vontade: pedir um autógrafo aos caras.

Discos na bolsa, compras feitas, é hora de começar a encarar, junto com os cerca de três mil presentes, a maratona de onze shows da noite. Assim como no ano passado, o DoSol Rock Bar acolhe três shows locais em suas dependências. Destaque absoluto para o Ravanes, que faz um thrash metal muito raivoso e bem trabalhado. Abriram com “Intro”, do Sepultura, e fecharam com “Roots Bloody Roots”. Entre as duas, apresentaram um bom punhado de boas composições próprias, levando o público do bar aos já tradicionais moshs e rodas-de-pogo.

Depois foi a vez do paraibano Dead Nomads levar seu hardcore californiano para o palco da Rua do Chile. Seria um show para passar despercebido, não fosse a grotesca versão punk para “Bigmouth Strikes Again”, dos Smiths. Constrangedor.

O local Karpus conseguiu ser ainda pior. Com um hardcore melódico pretensamente político de consistência zero, a única coisa que ficou de relevante da apresentação deles foi a exibição de uma bandeira do Líbano. Onde será que compraram?

Os Astronautas, de Pernambuco, fizeram um dos piores shows de sua carreira. Com nova formação em trio, desfalcados de uma guitarra, a banda perdeu muito do peso de seu som, que acabou ficando vazio e um tanto oco. Ainda assim, foram bem recebidos pelo público.

Quem também teve bela recepção foi o local Allface. Em show de estréia de Ana Morena no baixo, tudo parecia conspirar contra eles. Logo de início, o baixo ficou mudo. Depois, o palco inteiro pifou. O revés acabou sendo bom, pois assim que as coisas voltaram ao normal a banda tocou com uma raiva e raça poucas vezes vistas em uma banda de hardcore melódico/emo.

Já o paulistano Aditive foi sonolento. De uma infantilidade atroz, o grupo reza pela cartilha “punk feliz/vida bela/flores para todos”. Fica impossível de agüentar para quem tem mais de 20 anos. Resolvi que era hora de jantar…

O potiguar Jane Fonda é de longe a banda mais popular de Natal. Seu som sofre de falta de personalidade, ora flertando com o new metal, ora com o rock, ora com nada disso e tudo isso e mais um pouco. Foram aplaudidíssimos. Ainda me pergunto o motivo, mas foram…

O Devotos acabou fazendo o melhor show da noite. Amparados pelo carisma de Cannibal e pelo peso de seu som, seguraram a roda-de-pogo durante os quase cinqüenta minutos de show. Priorizaram o repertório do “Agora tá Valendo”, e tocaram a nova “Rádio Comunitária pra Informar”. Como é de praxe, o mundo quase veio abaixo com o final com “Punk Rock Hardcore Alto José do Pinho”.

O Dead Fish já entrou no palco com o jogo ganho. Banda ainda em cima do muro, que não sabe se a
braça as glórias da indústria (e da grana) ou continua no mercado independente, o fato é que o grupo está cada vez mais parecido com o CPM 22. Não há nada de errado em ganhar rios de dinheiro fazendo música. O que é constrangedor é ver uma banda precisar se transformar no CPM 22 para isso. De qualquer forma, o show foi tecnicamente impecável, sem falhas. E agradou geral aos moleques que, daqui a cinco anos, terão vergonha de dizer que gostam do CPM -ops- do Dead Fish.

Ah, pedi meu autógrafo ao Devotos. E ainda tive de “agüentar” a companhia do trio no ônibus de volta. Coisas que só mesmo o rock pode proporcionar.”

Ano passado estive no Festival DoSol (Natal/RN) do qual o Alexandre Matias já falou aí no Barra Limpa. Deu pra conhecer uma cena diferente, vibrante e cheia de bandas bacanas, que eu só tinha ouvido em CD ou mp3 – além de assistir a shows de grupos como Gram e Matanza.

Este ano, o festival rolou de novo, entre os dias 04 e 06 de agosto, trazendo bandas locais, grupos indies e atrações maiores, como Autoramas, Ludov e Forgotten Boys. Mas acabei não podendo ir. Pedi então aos jornalistas Rodrigo Levino, Bruno Nogueira e Hugo Montarroyos, que são da área (os dois primeiros de Natal, o terceiro de Recife) que me dessem seus pareceres. Saiu isso aí embaixo!

“DoSol – 04 de agosto – Rodrigo Levino

Entre os muitos méritos da música independente no Brasil – com destaque para o rock – um deles merece especial destaque: a descentralização dos focos.

Um deles é justamente o geográfico. A coisa anda de tal forma organizada que há muito a música deixou de ser vista como algo que acontece apenas no eixo Rio-SP.

Do Mato Grosso ao Acre, passando por todos os estados do Nordeste, há hoje um “pool” de festivais, publicações, gravadoras e selos pragmáticos e articulados que rompem a barreira da distância como nunca visto antes.

E foi isso que se viu em Natal entre os dias 04 e 06 de agosto último. Em sua segunda edição o Festival DoSol firmou-se como um evento de médio porte e completamente inserido na cena independente do rock nacional.

Acrescido de um dia e dez bandas em relação à primeira edição, o festival deu-se ao luxo de experimentar algumas seqüências de estilos que pode ser chamado de diversidade. Embora isso às vezes acarrete alguns erros.

É o caso d’Os Poetas Elétricos, o grupo que abriu os trabalhos no palco principal. Esteticamente talvez seja a produção potiguar mais ousada – lá vai o rótulo -, uma espécie de Haroldo de Campos com rock’n roll.

A poesia de Carito interpretada por Michele Regis, mais os timbres variados da guitarra empunhada com categoria por Edu Gómez findam num espetáculo visual e sonoramente interessantes, mas a julgar pela reação do público, vanguardista demais para um dia que tinha como headline a melodia açucarada do Ludov.

A apatia do público – injusta, diga-se de passagem – foi a mesma diante de Simona Talma, que fez um show corretíssimo, de muito bom gosto, mas novamente com o corpo jogado em algo de difícil absorção para o público ainda disperso: o blues. De qualquer forma é bom anotar este nome. Ainda vai longe.

Já os pernambucanos do Parafusa precisam voltar à Natal para aferir melhores considerações tanto da crítica como do público. É mais um dos trabalhos vindos de Recife com grande potencial, mesmo com uma receita às vezes batida de regionalismo lírico.

Alguns problemas em amplificadores, cabos e coisas do tipo deixaram o clima no palco bem tenso e o público sem entender muito do que eles são capazes.

Em seguida mais uma atração potiguar, o Mad Dogs. O apuro técnico dos músicos e as letras fáceis parecem não romper – mesmo com a boa recepção do público local – a sina de “banda de barzinho”, e isso conferido sem muito esforço na performance da banda. O palco é transformado com irreverência num imenso pub, mas não passa disso há tempos e nem é salvo pelos bons covers dos Beatles.

O SeuZé, como sempre aliás, atraiu um séquito de fãs que acompanharam em coro as músicas da banda, mas a apresentação serviu também para mostrar que é hora de “dar um time” e voltar com novo gás, novas músicas e um show que passe longe do que já é visto desde 2005, inclua-se aí as apresentações em dois MADA seguidos. A mistura repetitiva de regionalismos com rock e blues torna-se mais saturada ainda com apresentações previsíveis.

Por falar em regionalismo, que o Bonsucesso Samba Clube não se perca pela nome. De samba só algumas referências “roots”, o resto é a malemolência de Olinda, um frevo com compasso atrasado e letras quase crônicas de um cotidiano sem muitos atropelos que fez o público dançar um pouco num clima para lá de esfumaçado.

Era apenas o ensaio do segundo melhor show da noite: o DuSouto. O “eletrosambacocogroove” da banda deixou as mais de 1.500 pessoas que àquela hora estavam no Largo da Rua Chile em polvorosa.
A banda jogou em casa, para um público que sabe de cor e salteado as letras e não se importa com o “incidentalismo” comum de Jorge Ben e Luiz Gonzaga.

O DuSouto lançou no show um disco homônimo remixado e remasterizado pela Nikita Records, e a julgar pela forma como vêm aproveitando os bons ventos, pode ser o pontapé inicial de uma carreira promissora.

Encerrando o casting de bandas locais, a Experiência Ápyus fez o show mais correto da noite, mas sem empolgar o público. “Redondo” como se diz, entrosado e estreando Ticiano D’Amore – um dos melhores do RN – na guitarra.

O funk é da melhor qualidade, mas às vezes perde-se em referências ao samba e à bossa nova datadas. É deveras estranho pedir isso, mas falta um pouco mais de noise, sujeira, algo de visceral que os pais do samba e do funk (e do sambafunk) – de Tim Maia a Curtis Mayfield – podem ensinar sem cobrar nada.

Quase no fim da noite subiu ao palco uma banda que impressiona pela empatia, a presença de palco e a forma como conduz o grande número de fãs natalenses: o Ludov. Do início ao fim do show, viu-se um público empolgado que sabe cantar muito além de “Princesa”, se esgoelando para não perder nenhuma estrofe do set list.

Não é à toa que Anderson Foca, o produtor do festival, sempre diz que Ludov é uma das três (além de Matanza e Mukeka Di Rato) bandas “residentes” da casa. O público agradece e recompensa com um ótimo espetáculo para os olhos e ouvidos.

Fechando o naipe da diversidade, com alguns minutos de atraso o panfletário Mundo Livre S/A começou seu show.
ZeroQuatro, um dos arquitetos do Mangue Bit, comandou uma apresentação cansativa para quem estava no largo desde o fim da tarde, mas imperdível para quem curte a banda.

A marcante politização das letras caíram como uma luva no cover incidental de “London Calling”, do Clash. De “Bolo de Ameixa” a “Mexe Mexe”, passando por “Mangue Bit”, a banda desfiou também um rosário de composições recentes, como “Nega Ivete” e “Abrindo o Coração Para Uma Cadela Chapada e Bêbada” do último EP, lançado independentemente e com sempre, abrindo fogo contra as majors.

Do Sol – 05 de agosto – Bruno Nogueira

Ficar de ressaca no Festival DoSol é uma tarefa fácil. No sábado a história começa às 16h30, no bar que serve de quartel general para a cooperativa que também é selo, produtora de vídeo e estúdio. Você acorda tarde, pensando “mas será que alguém vai para lá essa hora?”. Passam na cabeça todos aqueles shows que só começaram no madrugão e encerram na manhã seguinte. Mas para Anderson Foca, o homem por trás dessa história, formação de platéia é assunto sério. A van descarrega os jornalistas na rua Chile e, de repente, às 16h30, os portões estão abertos. E já tem gente chegando.

De repente, no bar DoSol, já tem gente junto do palco, com uma guitarra empurrando a programaçÃ
£o calor abaixo. Não tem outra, o expediente começa também com a primeira cerveja. A Distro, banda potiguar que deu início ao sábado do festival, favorece isso.
Rock duro, gritado, com uma menina na guitarra. O bar é uma espécie de Belfiori / Casa da Matriz tropical. Esquema inferninho para 200 pessoas, iluminação forte nas paredes vermelhas. Na entrada, um bar garante o social com cinco figuras olhando de longe. São caricaturas de Joey Ramone, Bob Marley, Kurt Cobain, Jim Morrisson e Chico Science. Recife agradece o prestígio.

Quando entra a Doris, a coisa muda de história. Banda dessas que passeia numa viagem própria, de rock de guitarras com letras que conseguem comunicar para qualquer ouvido, cantando as dificuldades de ser rico fazendo música.

A piadinha infame do dia falava que “a sexta era o dia da música, o sábado do rock”. E pelo menos até o terceiro show dos palcos grandes, a impressão é de que seria uma piada sem graça. Dead Funny Days e 2Fuzz repetiram aquele emocore mais-do-mesmo para pouca gente, que agora ficava dispersa na espaçosa rua Chile. A diferença veio com a Carfax, com seu pop-rock mais redondo, que acabou também tocando para poucos. Era de estranhar, a este ponto. Quando a mão leva o relogio a vista – enquanto o colega segura a outra cerveja – e se constata que ainda não eram nem 20h30. Cedo, cedo…

Parece bobo ficar impressionado com os momentos seguintes. Olhando com calma, o sábado do DoSol tinha uma escalação que dá muito certo em qualquer cidade do Brasil. São algumas das melhores bandas da vez, na peneira do mercado independente. Quando a guitarra forte, louca e de black power loiro dos baianos Los Canos entrou berrando estridente no palco, tudo parecia certo.
Certo demais até, quandos os heróis locais do Bugs mostraram nova formação e músicas do novo EP. Momento que carece uma pausa.

Pausa para o Bugs. Esses caras são, definitivamente, a banda certa de Natal. O vocalista tem a cara do Paul Bettany – aquele ator inglês do filme Winbledon – e eles fazem o rock sujo que ora lembra o grunge, ora não lembra nada além de uma estética própria. A estética inseto, do Bugs, é radiofônica, sem soar melosa, ou comercialmente tachativo. Divertido. Bem divertido.

A esperteza do Anderson Foca não tem tamanho. Bois de Gerião e Walverdes (o show mais alto que já ouvi em toda vida) intercalavam o rock sessentista-terninho da Revolver e da piscodelia virtuosa da Memória Rom. As duas bandas são o lançamento da vez do selo DoSol, e nem precisava de tanto para conseguir atenção de todos. Em Natal rola uma coisa engraçada… o público está muito mais interessado no local que nas bandas de fora.

Quando o rock duro da MQN entra no palco, já se perdeu a conta das cervejas. Fabrício Nobre, talvez um dos melhores frontmen rockers do país, funciona como um tipo de imã de público. É engraçado. O cara entra no palco “Venha aqui neste lugar chamado inferno”… e todo mundo vai mesmo. Deve ser o show mais anti-social também, porque todo mundo para de conversar para correr e fazer parte daquela uma hora seguida de rock.

Não sei se por isso, ou pelo facínio local, a ZeroOitoQuatro fez um dos shows mais empolgados da noite.
É estranho, porque a banda passa longe de ser tão interessante assim. Rock modesto, sem muita novidade.

A sempre surpreendente Autoramas entra com seu sempre surpreendente show já perto da madrugada. O DoSol começa a desenhar seu final quando a madrugada ainda é uma criança. Oito horas seguidas de rock se descarregam no show do Forgotten Boys. A banda estava estranha no palco, meio contida – ou talvez intimidade com tanto rock bom que viram no dia – que o show do Stand by the D.A.N.C.E acabou sendo bem meia-boca. Mais cerveja e uma missão quase impossível. Acordar inteiro até às 15h do dia seguinte para continuar a maratona do Festival DoSol.

DoSol – 06 de agosto – Hugo Montarroyos

O ronco excessivamente alto de um colega de profissão e de quarto me fez acordar mais cedo do que gostaria. Desci para tomar café da manhã no hotel. Entre mesas compostas por jornalistas, bandas e produtores, o local dedicado ao desjejum mais parecia um congresso de roqueiros. Eis que vejo o Devotos em uma das mesas. Sento-me ao lado de Cannibal, que está com uma touca no estilo Bob Marley, Neilton e Cello. Eles me explicam que o disco novo está pronto. Animado, Neilton me diz que caprichou na arte gráfica do CD, um tanto interativa (a arte) segundo ele. Me perguntam sobre o festival e pelo público. Respondo que está tudo ok, que o público é extremamente receptivo e que eles não deverão ter problemas para fazer um bom show.
Alerto apenas para terem cuidado com o som, pois algumas bandas tiveram suas apresentações prejudicadas por conta de problemas técnicos. No final, Neilton desabafa:

- Velho, você acredita que está mais fácil fazer show no Sul e Sudeste do que aqui no Nordeste?
- Sério?
- Verdade. Vamos para São Paulo no final da semana. E ainda não temos nenhum show marcado no Recife.
- Pô, mas agora vocês estão com disco novo. Deve ser mais fácil.
- Tomara. Mas acho que vai ficar na mesma.

Corte para o final da tarde, Rua do Chile. Separo uma grana para comprar uns discos. Vejo o do Devotos e não tenho dúvidas: compro de imediato. A arte, de fato, está mais do que caprichada. O sugestivo título Flores com Espinhos para o Rei vem logo abaixo do nome da banda, ambos ao lado de uma caricatura grotesca e fascinante, assim como todo o desenho do encarte. Há um furo redondo nele, em forma de olho, para você escolher qual será o recheio dele, uma vez que o disco é desenhado por um círculo formado por círculos menores, cada um ostentando um desenho diferente. Se apenas talento fosse suficiente neste país…Resolvo, corajosamente, fazer o que há anos tenho vontade: pedir um autógrafo aos caras.

Discos na bolsa, compras feitas, é hora de começar a encarar, junto com os cerca de três mil presentes, a maratona de onze shows da noite. Assim como no ano passado, o DoSol Rock Bar acolhe três shows locais em suas dependências. Destaque absoluto para o Ravanes, que faz um thrash metal muito raivoso e bem trabalhado.
Abriram com “Intro”, do Sepultura, e fecharam com “Roots Bloody Roots”. Entre as duas, apresentaram um bom punhado de boas composições próprias, levando o público do bar aos já tradicionais moshs e rodas-de-pogo.

Depois foi a vez do paraibano Dead Nomads levar seu hardcore californiano para o palco da Rua do Chile. Seria um show para passar despercebido, não fosse a grotesca versão punk para “Bigmouth Strikes Again”, dos Smiths. Constrangedor.

O local Karpus conseguiu ser ainda pior. Com um hardcore melódico pretensamente político de consistência zero, a única coisa que ficou de relevante da apresentação deles foi a exibição de uma bandeira do Líbano. Onde será que compraram?

Os Astronautas, de Pernambuco, fizeram um dos piores shows de sua carreira. Com nova formação em trio, desfalcados de uma guitarra, a banda perdeu muito do peso de seu som, que acabou ficando vazio e um tanto oco. Ainda assim, foram bem recebidos pelo público.

Quem também teve bela recepção foi o local Allface. Em show de estréia de Ana Morena no baixo, tudo parecia conspirar contra eles. Logo de início, o baixo ficou mudo. Depois, o palco inteiro pifou. O revés acabou sendo bom, pois assim que as coisas voltaram ao normal a banda tocou com uma raiva e raça poucas vezes vistas em uma banda de hardcore melódico/emo.

Já o paulistano Aditive foi sonolento. De uma infantilidade atroz, o grupo reza pela cartilha “punk feliz/vida bela/flores para todos”.
Fica impossível de agüentar para quem tem mais de 20 anos. Resolvi que era hora de jantar…

O potiguar Jane Fonda é de longe a banda mais popular de Natal. Seu som sofre de falta de personalidade, ora flertando
com o new metal, ora com o rock, ora com nada disso e tudo isso e mais um pouco. Foram aplaudidíssimos. Ainda me pergunto o motivo, mas foram…

O Devotos acabou fazendo o melhor show da noite. Amparados pelo carisma de Cannibal e pelo peso de seu som, seguraram a roda-de-pogo durante os quase cinqüenta minutos de show. Priorizaram o repertório do “Agora tá Valendo”, e tocaram a nova “Rádio Comunitária pra Informar”. Como é de praxe, o mundo quase veio abaixo com o final com “Punk Rock Hardcore Alto José do Pinho”.

O Dead Fish já entrou no palco com o jogo ganho. Banda ainda em cima do muro, que não sabe se abraça as glórias da indústria (e da grana) ou continua no mercado independente, o fato é que o grupo está cada vez mais parecido com o CPM 22. Não há nada de errado em ganhar rios de dinheiro fazendo música. O que é constrangedor é ver uma banda precisar se transformar no CPM 22 para isso. De qualquer forma, o show foi tecnicamente impecável, sem falhas. E agradou geral aos moleques que, daqui a cinco anos, terão vergonha de dizer que gostam do CPM -ops- do Dead Fish.

Ah, pedi meu autógrafo ao Devotos. E ainda tive de “agüentar” a companhia do trio no ônibus de volta. Coisas que só mesmo o rock pode proporcionar.”

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – OVERMUNDO (RJ) – TERCEIRA NOITE

Sem dúvida o domingo, 6/8, foi o dia de maior público do Festival DoSol. A programação que estava dedicada ao Hardcore e suas vertentes, atraiu uma turma mais jovem e cheia de estilo, de skatistas a emos.

Pra começar, no final da tarde, três bandas locais tocaram no palco do DoSol Rock Bar: Fliperama, Ravanes e Pots – iniciativa que estimula as bandas em formação na cidade. Seguidos, no palco maior, pela apresentação do Dead Nomads (PB), que empolgou o público aglomerado em frente ao palco.

A garotada do Karpus (RN) antecedeu a apresentação dos performáticos Astronautas (PE), que mostraram um rock-eletrônico muito bom! Depois foi a vez da banda da ‘diretoria’, o Allface (RN), com estréia de Ana Morena no baixo e direito a participação especial do vocalista Rodrigo PS, do Jane Fonda.

Quando os paulistas do Aditive subiram no palco armado no largo da rua Chile, Ribeira, a galera esquentou ainda mais e foi assim até o fim da noite, encerrada pelos capixabas do Dead Fish. As caixas de som que estavam no chão viraram trampolim e a frente do palco uma grande roda de pogo. Rapaziada instigada!

Música e atitude

Na seqüência o Jane Fonda (RN) manteve o ritmo e o clima, abrindo caminho para o som colossal do Devotos (PE). Depois de mais de seis anos sem vir à Cidade do Sol, eles mostraram novidades: “Está saindo do forno o CD ‘Flores com espinho para o rei’”, anunciou o vocalista Canibal.

Os caras que realizam há dez anos um trabalho sócio-cultural na comunidade Alto José do Pinho, periferia do Recife, estão divulgando o novo trabalho pelo Brasil, e após o DoSol seguem para outro festival em Tocantins. ”Todo o nosso CD foi produzido na comunidade do Alto, onde há seis bandas bandas com trabalho já gravado”, contou o vocalista já adiantando que vem novidades por aí.

O hard core do Dead Fish fechou a terceira e última noite do Festival DoSol, com boa apresentação para um público que gosta do estilo. “Fazemos questão de tocar no Nordeste. Pena que nem sempre dá pra aproveitar as praias, o sol, os camarões… (risos) Fico feliz de participar desse festival porque sei que é feito por pessoas que fazem porque gostam de música”, diz Rodrigo, vocalista da banda.

Balanço final

E assim acaba o Festival DoSol, com um cardápio variado de vertentes do rock produzido no cenário da música independente brasileira.

Na balança: boa programação, vários lançamentos de CDs, estréias, um público ainda alheio ao que realmente representa um evento desse porte, estímulo a bandas em formação, ciclo de palestras com participação de nomes nacionais da cena indie e, claro, ‘pepinos’ comuns a festivais como atraso e problemas no som.

No saldo: mais um bom motivo pra se fazer, mostrar e pensar música na cidade ‘Do Sol’. Que venham outras edições!

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – TERCEIRO DIA

O terceiro e último dia do Festival DoSol provou que o público de Natal gosta mesmo é de hardcore. Um público estimado em três mil pessoas compareceu à Rua do Chile, em um bonito desfile de camisetas pretas ostentadas por uma molecada sedenta por barulho.
Como no dia anterior, três bandas locais tocaram no final da tarde no DoSol Rock Bar. Destaque absoluto para o Ravanes, que incendiou o local com seu poderoso thrash metal. Abriram com “Intro”, do Sepultura, e fecharam o show com “Roots, Bloody Roots”. Entre as duas músicas, o Ravanes mostrou uma porradaria só, responsável por moshs, rodas e uma saudável insanidade por parte do público. Ano que vem com certeza estarão no palco da Rua do Chile. Já a Fliperama e o Pots se mostraram ainda bem verdes. A primeira ainda pareceu ter algum futuro com sua visível adoração pelos Ramones. Já a segunda mostrou um hardcore / hiphop que carece ainda de muita, mas muita maturação para dizer algo de relevante.

Os paraibanos Dead Nomads levaram seu hardcore tipicamente californiano para o palco da Rua do Chile. Até aí, mais do que compreensível. Duro de engolir mesmo foi a versão que fizeram para “Bigmouth Strikes Again”. Mesmo assim foi um bom show.

Já a apresentação do local Karpus foi constrangedora. Começaram o show pedindo paz no mundo e carregando uma bandeira do Líbano. Até aí, tudo bem. O problema teve início quando começaram a tocar seu hardcore melódico insosso, ingênuo (no pior sentido) e muito mal feito. Mas, é bom deixar registrado, a molecada adorou.

Quem também teve problemas foi o Astronautas. Com nova formação, desfalcados de uma guitarra, o som do grupo ficou um pouco vazio e perdeu muito de sua pegada. A qualidade do som também não ajudou. Ainda assim a banda teve uma bela recepção do público potiguar. Mas ficou claro que o formato em trio não foi feito para eles.

Curioso mesmo foi o show do Allface. Justo na estréia de Ana Morena envergando o baixo da banda, eis que o dito cujo resolve falhar e ficar mudo logo no início do show. Depois a uruca foi geral e deu pane em todo o palco. Por incrível que pareça, nada poderia ter sido melhor para eles. Assim que ajeitaram o palco a banda começou a tocar com uma raiva, raça e agressividade que fizeram com que sua apresentação ficasse extremamente interessante, mesmo para quem, assim como eu, não é lá muito fã do estilo deles.

O paulistano Aditive é nome de forte apelo em Natal. Mas faz um sonzinho bobo e chocho. Como Natal parece ser uma cidade muito afeita à hardcore melódico e ao emo, foram extremamente bem recebidos.

Fenômeno mesmo é o Jane Fonda. Banda mais popular de Natal, o grupo parece aumentar cada vez mais o seu fã clube. Lembro que no ano passado achei a banda mais madura e pesada. Este ano a impressão foi inversa: achei seu new metal imaturo, apesar de bem tocado e trabalhado. Enfim, foi um dos shows mais concorridos da noite. Mas continuo achando o Jane Fonda um mistério a ser solucionado.

O Devotos entrou no palco e com eles a roda-de-pogo se fez presente durante todo o show. Cannibal ainda reclamou do público, que, segundo brincadeira dele, era “um bando de frouxo que estava com medo de entrar na roda”. Priorizaram acertadamente o repertório do “Agora tá Valendo”, álbum de estréia da banda, e tocaram a nova “Rádio Comunitária pra Informar”, presente no mais recente álbum deles, “Flores Com Espinhos para o Rei”. O final com “Punk rock hardcore Alto José do Pinho” foi apoteótico, fechando aquele que foi o melhor show da segunda edição do DoSol.

Dead Fish, parte um: a banda está cada dia mais parecida com o CPM 22, comparação longe de ser elogiosa. Está aprendendo a jogar com as regras da indústria debaixo do braço. Ou seja, estão dispostos a abrir mão do peso para conquistar mais público e dinheiro. O esquema MTV, sabe? Enfim, os mais xiitas podem chamá-los de vendidos sem o menor constrangimento.

Dead Fish, parte dois: o vocalista Rodrigo é um sujeito inteligente, dono de boas letras e carismático até a alma. A banda fez um show tecnicamente perfeito, sem nenhum problema, levando o público de Natal ao delírio. Enfim, marcas de uma banda que permanece em cima do muro, mas que cai cada vez mais para o lado da opacidade musical imprimida pela indústria da música jovem no Brasil.

Considerações finais: quero deixar registrado que viajamos à convite da produção do festival e tornar público nosso agradecimento ao Anderson Foca e à toda a produção do evento. Ressaltar que ele (o festival) permanece muito bem organizado, apesar das falhas no som dos shows de algumas bandas, coisa normal para um evento que comporta mais de 40 bandas em sua programação. Talvez um enxugamento no número de bandas no próximo ano fosse interessante. No mais, minha única queixa é que os três dias do Festival doSol passaram rápido demais…

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – SEGUNDO DIA

Admito: quando me dei conta de que dezesseis bandas se apresentariam no segundo dia do festival me bateu uma preguiça daquelas, e por pouco não fico no hotel dormindo. Ainda bem que não o fiz. Paradoxalmente, o melhor dia do evento acabou sendo o de menor público: apenas mil pessoas. Felizardas, diga-se. A festa começou ainda de tarde e terminou madrugada adentro. Três bandas locais abriram os trabalhos no Bar DoSol. Destaques para o rock duro da boa Drunk Driver e para o pop consistente do Doris, comandado pela vocalista Ana Morena. Fortes candidatos ao palco da Rua do Chile no próximo ano.

O cearense 2Fuzz foi a primeira banda a tocar nos palcos principais. Apresentou um new metal / grunge que não acrescenta e também não compromete. Ou seja, pouco relevante.

Depois foi a vez da Carfax fazer uma apresentação impecável que pouquíssima gente viu. O som estava cheio e pesado. E a segurança de palco que eles adquiriram com o tempo só fez melhorar o que já era muito bom. O destaque ficou para a nova “Nitroglicerina”, que encerrou o show deles.

A partir daí começou uma série de shows fantásticos, cada um melhor do que o outro. Primeiro foi o baiano do Los Canos, que apresentou um rockão despojado, irreverente, inteligente, pé-na-jaca e largado. Rock com gosto de cerveja gelada, mulher bonita e diversão. Precisa mais?

Em seguida veio o Bugs, que considero a melhor banda de Natal. Eles misturam rock de garagem com psicodelia, alcançando resultados surpreendentes, inesperados e extremamente criativos e climáticos. Só vendo e ouvindo para ter idéia.

Quando o brasiliense Bois de Gerião começou a tocar ficou no ar a sensação de se tratar de uma banda que trilha o caminho já percorrido pelos Los Hermanos em sua primeira fase. Mas o grupo vai muito além. Com um naipe de metais poderoso, a banda tem a manha de colocar sopros no Led Zeppelin sem parecer pretensioso ou ridículo. E, melhor, suas composições são intensas, bonitas e extremamente simples de tão complexas.

O Walverdes contribuiu para a perda de audição de boa parte dos presentes. Com apenas três integrantes em sua formação, os gaúchos, que possuem treze anos de carreira, fazem um barulho dos diabos. E barulho dos bons: casca grossa, macho, sujo, raivoso. Saiu de cena como forte candidato ao título de melhor show do festival. Em uma palavra: foda! Se nunca ouviu, ouça!

O Revolver, que no ano passado havia tocado no bar Do Sol, não se intimidou com um palco maior. Desfilou seu rockabilly desencanado com extrema desenvoltura. Eis outra banda de Natal que promete.

O Memória Rom foi outra boa surpresa local. Daquelas bandas que, de tão boas, são difíceis de rotular. Entendi pouquíssimo de seu som, e foi justamente isso o que mais me agradou na banda. Me pareceu bem diferente do trivial, o que, por si só, já é muita coisa.

Chovia. Fazia frio. Todo mundo já estava bem cansado, se protegendo da água e bem longe do palco. Foi aí que entrou em cena o carisma de Fabrício Nobre e a força do som calcado no AC/DC praticado pelo seu MQN. Fabrício se entregou de tal forma no palco que chegou a passar mal após o show. Nada demais. Apenas o retrato de uma banda que consegue unir competência, raça e espírito visceral. Não resisti e comprei o disco deles depois do show. Desconfio que muita gente fez o mesmo.

Sobrou um abacaxi dos diabos para o regular Zero8quatro descascar: se apresentar depois de uma seqüência impecável de shows. Acabaram não dando conta do recado, o que já era esperado para quem já conhecia a ordem da programação.

O Autoramas tem hoje um dos melhores show do Brasil. Rápido, bem trabalhado, grudento e com uma presença de palco absurda de seus integrantes. Coisas como “Você Sabe” são difíceis de tirar da cabeça. Assim como as coreografias esquizofrênicas de Gabriel, Selma e Bacalhau. O tipo de banda que qualquer elogio só faz chover ainda mais no molhado. Rock até o caroço.

Com um baita disco debaixo do braço chamado “Standy By D.A N. C.E”, o Forgotten Boys prestou uma bela homenagem em forma de repertório autoral à nomes trejeitos sonoros que vão da pegada do Kiss e do AC/DC até os riffs dos Rolling Stones. Show impecável que me fez desembolsar uma grana na aquisição de mais um disco. Odeio clichês jornalísticos, mas vou me render a um: se você só tiver dinheiro para comprar um disco nos próximos meses, compre o do Forgotten Boys. Melhor show da noite? Ainda estou em dúvida. E pensar que cogitei a possibilidade de ficar dormindo no hotel…

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – PRIMEIRO DIA

A história, segundo alguns filósofos, não passa de mera repetição de fatos que um dia foram passado e que acabam se reencontrando no presente. Vejamos: três dias de um festival que privilegia o circuito independente realizado em um local aberto e de fácil acesso que aglomera fãs de música, fanzineiros, produtores, imprensa especializada e selos. Uma cena emergente que está prestes a galgar espaço no país. Pensou nos primórdios do Abril pro Rock? Agora troque a década de 90 pelos anos 00 e Recife por Natal. O Festival DoSol, assim como no ano passado, seguiu direitinho a cartilha do Abril pro Rock em seu início de carreira e fez o que todo centro deveria fazer: um evento que chama a atenção para a sua cena local se utilizando de bandas já consagradas no circuito independente como recheio. O resultado poderá ser colhido nos próximos anos. Fica o exemplo para as demais praças.

Programação eclética (no bom sentido), o primeiro dia do Festival do Sol contou com um público de duas mil pessoas e foi aberto pelo sensacional Os Poetas Elétricos. Trio que dialoga com música, tecnologia e, principalmente, com a força e a ênfase de bons versos, a banda consegue chamar a atenção pelo ótimo casamento entre discursos verbal e não-verbal. Bases eletrônicas, telão com imagens futuristas e guitarra sólida amparam construções poéticas do calibre de canções como “O Dito Erudito” e “A Moça de Moçambique”. Coisa fina, diferente e das mais criativas a surgir no país nos últimos tempos.

Se para o público a estrutura do DoSol em relação ao intervalo mínimo entre os shows, para os jornalistas que o cobrem é um inferno. Dois palcos de mesma estrutura ladeados. Quase não há interrupção entre os shows, o que torna o ritmo dinâmico e por vezes frenético. E de uma saudável esquizofrenia ao casar atrações que vão da mais ousada das inovações até o puro conservadorismo, caso da talentosa Simona Talma, cantora que passeia por tangos, boleros, mpb e quetais. Talvez tenha sido ofuscada pelos Poetas Elétricos. Ou talvez tenha sido o nervosismo. O fato é que ficou a impressão de que poderia render mais. Mas ninguém reclamou, muito pelo contrário.

Quem se deu mal mesmo foi o Parafusa, primeira das seis bandas pernambucanas a se apresentar no evento. Com um som mais do que precário, não restou outra opção à banda a não ser brigar com os equipamentos. Uma pena, pois tinha tudo para ser um grande show. Infelizmente não há o que falar sobre a apresentação deles. Aliás, há: o som do palco não os deixou tocar.

Depois veio o medonho Mad Dogs, de Natal. Para quem é de Recife, a banda cria em seu show um clima de “Downtown ao ar livre”, fazendo blues mauricinho e querendo soar forçosamente engraçadinho e descolado. Não deu. Ou melhor, não dá.

Mas indigesto mesmo é o Seu Zé. De uma forçada de barra que beira os limites da pseudoantropologia. Trata-se de um atestado definitivo de falsificação ideológica: rapazes de classe média-alta bancando os jagunços famintos. E o discurso sonoro é ainda pior. Tentam misturar metal com sertão, resultando numa dialética da “caveira com maxixe” que simplesmente não cola. Tudo parece milimetricamente calculado para soar como “a banda dos intelectuais modernos que valorizam o nordeste a partir de sonoridades pesadas”. Não tem nada a ver, mas deu saudades do Raimundos, que era tosco, burro e maravilhosamente espontâneo. Aliás, espontaneidade é um artigo raro na música hoje em dia. Candidato forte ao posto de pior show do festival.

Uma boa surpresa acabou sendo o Bonsucesso Samba Clube. Tocando fora de casa e para um público extremamente receptivo, a banda soube contornar os problemas de som que teve e fez um belo show, colocando todo o público, em especial o feminino, para dançar.

O potiguar DuSouto é uma das coisas mais estranhas e fascinantes (no bom e no mau sentido) que este escriba já testemunhou. À primeira vista pareceu mais um subproduto do mangue. Depois descambou para uma interessantíssima pegada eletrônica, que acabou transformando boa parte da rua do Chile em uma enorme rave. E, no final, deixou mais dúvida do que certezas. Em suma, pode ser desagradável e ao mesmo tempo muito bom, qualidades dignas das personalidades que nos despertam fascínio e repulsa, ambas na mesma dose.

Já o Experiência Aypus, também de Natal, parece cada ano melhor. Eles conseguem modernizar a MPB sem cair em nenhum clichê pasteurizado que tanto assola nove entre nove artistas que se dedicam a tal tarefa. Descrevê-los é trabalho complicado. Digamos que psicodelia e samba em doses discretas e bem trabalhadas. Olho neles…

O Ludov é uma banda estranha. Não em sua sonoridade, que é simples e despojada, mas em sua trajetória. O grupo beliscou o mainstream, parecia que iria chegar lá e acabou não chegando, o que gerou um certo ranço em seus integrantes. Talvez o Ludov seja menos pop do que imagina. Suas músicas não possuem refrões, e poucas delas grudam de fato na cabeça. E, ao mesmo tempo, passa a impressão de ser uma banda independente com atitude mainstream, um tanto arrogante, talvez até mesmo inconscientemente. No fim das contas fez um show correto, nada mais do que isso, e que, certamente, será facilmente esquecido.

O Mundo Livre acabou sem querer explicando em seu show como é sórdida a indústria da música. Em apresentação que primou por várias releituras e novos arranjos para velhas composições, o grupo mostrou que está mais coeso e entrosado do que nunca. A reação do público foi extremamente positiva.
O problema? Zeroquatro tem vontade de regravar essas canções com novas roupagens. Acontece que, como os quatro primeiros discos do Mundo Livre foram gravados por uma major, o grupo não tem qualquer controle sobre sua própria obra. É ultrajante, mas é verdade. O que explica muito da patifaria que reina no planeta chamado mercado musical. A bola do jogo às vezes é pesada demais no mundo livre da livre iniciativa.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – TRAMA VIRTUAL (SP)

Festival Do Sol incendiou Natal com shows de Walverdes, Mundo Livre SA, Forgotten Boys e Autoramas, entre outros

10/08/2006

“É do caralho!”. Cerca de três mil pessoas, sendo que a grande maioria provavelmente usava fraldas quando a música foi composta, completavam os versos de “Punk Rock Hard Core Alto José do Pinho”, clássico dos Devotos (PE), penúltima atração do último dia do festival Do Sol, realizado em Natal no último fim de semana, resumindo em três palavras a atmosfera reinante.

Duas noites antes, sob fina chuva, os locais Poetas Elétricos iniciavam a maratona e, de cara, ficava evidente a receptividade do público potiguar. Bandas locais, muitas delas desconhecidas no resto do Brasil, tinham suas músicas entoadas por boa parte da audiência. O destaque entre as pratas da casa ficou por conta do DuSouto. Composta por membros da extinta General Junkie, pilar do rock independente da cidade, a banda chamou a atenção com um dub’n’bass chapado, repleto de referências ao mangue beat.

Deu o tom para as duas melhores apresentações da primeira noite: Bonsucesso Samba Clube e Mundo Livre SA, as duas de Pernambuco. Faces da mesma moeda, cunhadas com uma década de intervalo, mostraram cada um a seu modo o estágio em que andam suas perversões do samba. No caso, a primeira se deu melhor. Pegou o filé do horário, com arena cheia e menininhas doidas pra gingar. Aí foi só deixar rolar. E rolou bem. Já o Mundo Livre pagou o preço de ser headliner. Devido a uma série de atrasos, o show só começou depois das três da manhã, quando boa parte do público já havia debandado – principalmente após a apresentação do Ludov. Quem ficou, no entanto, se deu bem. Ganhou como recompensa a empolgação da banda, que não deixou de fazer bis apesar do horário avançado.

A noite de sábado, mais focada no rock’n’roll, foi a que levou os melhores shows
Os gaúchos do Walverdes
e o menor público ao festival. Em dez horas, os presentes puderam assistir a uma série de 16 bandas tocando ininterruptamente. As três primeiras atrações tocaram ainda de tarde no bar Do Sol, palco reservado aos novatos da cena local, como o Doris, que chacoalhou a audiência com um rock básico com vocal feminino.

Nos palcos principais – isso, palcos, eram dois, um ao lado do outro, o que eficientemente evitou intervalos entres os shows – seguiu-se uma série de ótimas apresentações. Los Canos (BA) divertiu com boas letras e rock cru; Bois de Gerião (DF) levou metais ao grunge; sempre ótimo, o Walverdes (RS) massacrou ouvidos com porrada atrás de porrada – incluindo uma cover de Rocket from the Crypt; o MQN (GO) promoveu o inferno na Terra; Autoramas (RJ) compilou um “best of” com perfeição; Forgotten Boys (SP), com baixista substituto, mostrou a tradicional eficiência e fez a meninada cantar junto.

Mais voltado ao punk rock, o domingo trouxe a atração mais esperada pelo público do festival. “Quem tá falando aqui é a maior banda emo do Brasil”, divertiu-se o vocalista Rodrigo, no mesmo dia em que o Gugu levava ao ar uma antológica reportagem sobre o estilo ao ar. Emo ou não, o Deadfish (SP) mostrou no palco que é de longe a mais interessante entre as mais populares bandas do hardcore nacional. Com um show compacto, garantiu a alegria dos presentes e o recorde de stage dives do evento.

A bateção de cabeça, entretanto, já havia começado bem antes, com um gigantesco circle pit no show dos paraibanos do Dead Nomads que, jogando pra torcida, soltaram um medley de hits dos Ramones. Os potiguares Jane Fonda e Allface, banda de Anderson Foca, organizador do festival, também foram aprovados em massa, com hits locais na boca na molecada. Entre as duas, o Aditive (SP) fez a festa dos mais emocionáveis. Mas, como na primeira noite, foram duas bandas de Pernambuco que roubaram a cena. Primeiro, os Astronautas, peixes fora d’água numa noite punk que, com um show impressionante, saíram do palco como estrelas, cercados por caçadores de autógrafos. A outra, claro, foi aquela do começo do texto, que fez o público sintetizar em coro os três dias de rock em Natal.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – MATRIZ ON LINE (RJ)

Às vezes minha cabeça é invadida pela certeza de que algo premonitório sobre o rock’n roll passou pela mente de Nitzchie quando ele disse que “a arte existe para que a verdade não nos destrua”.

Diante de verdades na maioria das vezes duras e indigestas, o som distorcido de algumas guitarras e adjacentes abre pontes e, como a qualquer manifestação artística, dá-se as opções de simples entretenimento ou de uma arma política. É muito do que eu preciso para viver com uma taxa mínima de (in)sanidade.

A grande sacada do rock foi firmar-se como algo capaz de mudar a vida das pessoas e ao mesmo tempo ser cínico o suficiente para não exigir grandes explicações filosóficas, numa ponta. Na outra utilizou a enorme empatia que a música imprime nas pessoas para servir de instrumento politizado e de protesto contra duras verdades. Unir num curto espaço de tempo as duas coisas é de lavar a alma.

Meninos eu vi o MQN e o Mundo Livre ao vivo, em shows que me fizeram mandar às favas a imparcialidade de quem estava lá a trabalho e deveria tecer comentários blasés, típicos de jornalistas de música que costumam ver shows com uma “pose de bienal” impagável.

O hard rock mais “farofa com coração de frango” possível, as chupadas mais descaradas dos bons discos do AC/DC com leves pitadas de Deep Purple e Black Sabbath e aquela euforia que só Paradise City, do Gun’s Roses, dá na gente – mesmo que você negue que um dia o fez. Junte tudo isso e encontre o MQN.

É a face mais divertida e uma das mais instigantes do rock. Com direito a banho de cerveja no palco e letras profundas como a pia de um boteco sujo, com uns discos empoeirados para ouvir e que a gente quase não encontra hoje em dia.

Cantar “Cold Queen” a plenos pulmões me fez esquecer por instantes a verdade de mais um dia de trabalho que me esperava algumas horas adiante. Foi uma experiência e tanto.

Então, já que algumas verdades ultrapassam o nosso cotidiano tedioso e dão conta de um mundo que muitas vezes passa incólume no Jornal Nacional, sem nenhuma reação de nossa parte, meros expectadores, o rock criou o Mundo Livre S/A.

Eu posso – e isso ocorre de fato – não concordar com muita coisa do discurso do Mundo Livre e ZeroQuatro e achar na maioria das vezes que um show panfletário, mesmo utilizando discursos musicados, corre o risco de ser algo muito chato. No entanto, o que eu vi e ouvi sob o comando de um dos arquitetos do Manguebit, não me dá a liberdade de ignorar a categoria como ele distribui o seu panfleto sonoro.

Quando digo que o Mundo Livre é rock, falo na famigerada “atitude”. Isso que a cada rocker que você pedir um conceito, vai ouvir mil e uma explicações, mas no fundo, a melhor forma de aferir é em cima de um palco e a forma como alguém utiliza o microfone. ZeroQuatro tem isso. ZeroQuatro tem culhões. ZeroQuatro não vai ser visto na sua TV fazendo comercial de cerveja com Carlinhos Brown. Isso se chama coerência e o rock precisa disto.

O sistema contra o qual o Mundo Livre luta, conciliando swing e política, é o mesmo que criou figuras como Sting e Bono Vox (pós-Sunday Bloody Sunday), tão convincentes quanto Maluf fazendo caridade com dinheiro público.

Os motivos da luta do Mundo Livre são geralmente dispersos, pulverizados e contra um inimigo comum mesmo que por razões diversas. Isso dependendo de como se exponha, pode parecer burrice. Não é o caso.

Unir no palco um cover de London Calling – um grito de sufoco de uma juventude inglesa abatida em pleno vôo – com a sagrada tábua de esmeraldas revisitada pelo cheiro da lama de Recife, é para poucos. E quando você sai da música e tenta encontrar uma brecha contra o dircurso, encontra uma declaração de independência num EP lançado longe das grandes gravadoras com músicas cada vez mais afiadas. Esqueça. Eles são o que cantam.

A verdade, porquê às vezes é dura demais para ser encarada de frente, necessita de alguns escudos. Seja para esquecer que ela pode nos destuir, ou para lembrar sempre disso. MQN faz muito bem aquilo. Isto, ninguém no rock brasileiro atualmente, faz melhor que o Mundo Livre. Quando eu precisar de alguma das suas opções, já sei o que fazer

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ESPAÇO CUBO (MS) – SEGUNDO DIA

Segunda Noite: Festival DoSol
Por Renata Marques (Natal/RN)
Especial à Imprensa EC

A programação da segunda noite do Festival DoSol mostrou a simplicidade e o peso das guitarras destorcidas, baixo e bateria – um rock puro e seco!. A noite mais Indie do Festival começou a tardinha com três bandas locais no palco Do Sol Rock Bar: Distro, Drunk Driver e Doris. E parece que não empolgou muito o público potiguar, que só veio começar a aparecer mesmo lá pelas dez horas da noite, mas muito timidamente.

No cair da noite, a movimentação dos palcos maiores teve início com Deadfunnydays (RN), que lançou no festival, pelo Lado[R], o split com os baianos do A Sangue Frio, distribuído pelo selo Estopim (BA): “Procuramos encontrar outra maré no mercado. Fizemos 200 tiragens e estamos distribuindo para a galera e os amigos que ainda curtem vinil, fita e tal”, conta o guitarrista da banda, Dimetrius Ferreira.

Depois foi a vez do 2Fuzz (CE) e Carfax (PE) subirem ao palco seguidos pelo Los Canos (BA) e Bugs (RN). O público pequeno estava um tanto disperso. Mas quando a vivacidade do rock com influëncia jamaicanas e a boa performance dos músicos do Bois de Gerião (DF) mostraram a cara, a galera chegou junto. Trabalhando com a divulgação do segundo CD “Nunca mais monotonia”, a próxima parada do grupo é no Festival do Laboratório Pop, no Rio de Janeiro. “Nos festivais de rock encontramos um público direcionado. Embora seja pequeno, quem tá ali sabe o que quer ouvir. Outro bom aspecto é os contatos que conseguimos fazer com as bandas de outros locais, sempre rola novos convites”, conta o trompetista Gus.

Internet e gráfico sonoro
Do outro lado do Rio Grande diretamente para os palcos do DoSol – coincidentemente para comemorar o aniversário de 13 anos de estrada: a banda Walverdes (RS). Já com o quarto CD (“Playback”) em mãos, a banda está participando de diversos festivais divulgando o trabalho. E sobre essa trajetória, o vocalista da banda, Gustavo Mini, comenta: “O caminho que trilhamos é o comum das bandas independentes: precisamos de uma boa dose de paciência! (risos) Durante esse anos já passamos por várias fases do ‘boom’ ao ostracismo. Percebo que depois da Internet tudo está melhorando, as pessoas começaram a fazer mais contato, mais festivais estão sendo criados e saindo dos pólos, dos eixos… isso significa mais lugares para tocar, é muito bom!”

Na seqüência da programação, o que chamo de ‘um gráfico sonoro’ de altos e baixos mostrando que alguma bandas do rock potiguar destoam do que está sendo produzido pelo Brasil afora. No gráfico: sobe o bom rock anos 60 do Revolver (RN), desce com o Memória Rom (RN), sobe no MQN (GO) com uma boa pegada, desce o ‘conjunto’ Zero8quatro (RN), sobe o surf-rock acelerado Autoramas (RJ). E a segunda noite do DoSol, fecha em alta, com o show do Forgotten Boys (SP).

Selos, fanzines e vanguarda
Além de música, quem foi ao festival também pôde conferir os stands de alguns selos, comprar camisetas e bottons e dar uma sacada numa mostra de fanzines com mais de 150 edições do Brasil e do mundo, organizada pelo pessoal do Lado[R]. Aproveitando a deixa, eles aproveitaram para lançar o zine nº4, recheado de quadrinhos.

Os selos Mudernage Diskos (RN), Xubba Music (RN), Do Sol (RN) e Monstro Discos (GO) também participaram do feira disponibilizando o material da maioria das bandas que participaram do festival. “Um festival é um espaço pra se trocar informações sobre o independente. As palestras do Pensando Música (evento que fez parte da programação do festival), por exemplo, é uma ótima iniciativa porque trata de assuntos inerentes a quem está envolvido com a cena, não tem como fugir.

As conversas, as trocas de experiência com pessoas de vanguarda ajudam a traçar os caminhos o trabalho de quem está começando agora como a Xubba”, conta Artur Araújo, um dos diretores do selo.

Logo logo entra no ar a cobertura completa também do terceirto dia de festival DoSol, enquanto isso para conhecer outras resenhas do mesmo festival:

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ESPAÇO CUBO (MS) – PRIMEIRO DIA

Primeira Noite: Festival DoSol
Por Renata Marques (Natal/RN)
Especial à Imprensa EC

A primeira noite do Festival DoSol começou com duas estréias. Quem deu as boas vindas foi o som experimental d’Os Poetas Elétricos (RN) que mostraram algumas músicas do próximo CD “Estirado no Estirâncio” – previsão de lançamento em meados de dezembro.

“O novo trabalho vem com mais lirismo, tanto no temas como nos arranjos sonoros”, conta Carito, compositor e vocal do trio: “Já nos apresentamos como dupla, banda, agora nos encontramos como ‘tripla’. A participação de Michele só veio a somar. Encontramos a peça que faltava”.

Outra estreante no palco de um festival foi a cantora potiguar Simona Talma. Cantando blues ela encantou o público que chegava timidamente por causa de uma chuva fina que insistia em cair. Sobre a participação no festival, a cantora, que costuma fazer shows mais intimistas em teatros e bares comenta: “Sempre tive muita vontade de participar. essa foi uma boa oportunidade. Gostei, quero mais!”

Com um público mais numeroso, foi a vez do Parafusa (PE) se apresentar. Mas a banda teve problemas no som. “O teclado da banda ficou mais de metade do show sem funcionar. A estrutura de som oferecida pelo festival tem alguns problemas. Mas como hoje foi o primeiro dia, acho que as coisas ainda estão se acertando”, diz Marcílio Moura, técnico de som do Parafusa vindo do Recife.

Upgrade, termômetro e suingue
Depois rolou o blues rock do Mad Dogs (RN), com o show do CD “Bar doce lar”. Seu Zé (RN), com um show redondinho só que muito parecido com o que fez no Mada este ano. A banda é boa, mas está precisando de upgrade, dar uma variada!

Em seguida o suingue dos olindenses do Bonsucesso Samba Clube (PE), que estão trabalhando o segundo CD “Tem arte na barbearia”. Embora o som também tenha prejudicado o inicio do show dos caras a galera dançou e cantou junto. “Esse é o termômetro de um show”, conta Rogério Homem, vocalista e compositor da banda pernambucana.

“Um festival é importante porque mobiliza atenção do público e da mídia com mais força. E como tem muitos estilos temos a oportunidade de tocar pra quem não iria ao nosso show ou não conhece o nosso trabalho, por exemplo”. Após o festival, eles vão à Fortaleza participar da Feira da Música.

Quem quiser conferir o som dos caras pode baixar no site www.bonsucessosambaclube.com

Games, fanta e fronteiras
Já era madrugada de sábado quando Dusouto (RN) começou a fazer um som pra não deixar ninguém parado. No telão, as imagens do VJ Julio Castro casadas com o ritmo frenético da groovebox do DJ Gabriel Souto. Muito bom! Com o CD relançado pela Nikita Music a banda está se preparando pra começar uma tour pelo sul do país depois de emplacar música no game Fifa 2006 e coletânea lançada no Japão. Fiquem atentos! Há quem aposte que eles serão a primeira banda potiguar a se destacar no cenário nacional.

Depois se apresentaram Experiência Ápyus (RN) e Ludov (SP) com um ‘pop-fanta-bonitinho’. E para encerrar a primeira noite, Mundo Livre S.A, fazendo todo undo ‘mexer’ e com a novidade? estarão participando uma coletânea de um Selo de Nova York com a música “Maroca”. É a música atravessando fronteiras nacionais e internacionais … Salve, Salve !

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – TERCEIRO DIA

Último dia do Festival DoSol 2006

Dia 6 de agosto de 2006. Rua Chile, Ribeira. Último dia do Festival DoSol 2006. Após 26 bandas nos dois primeiros dias, cheguei ao local da grande celebração para acompanhar os onze últimos grupos e deu pra perceber: a música está viva!

Cheguei às 16:40 e tinha acabado de começar, no Rock Bar, a primeira atração da tarde/noite, Fliperama. Pontual, ótimo sinal. Eu tinha visto um ensaio da banda quando ainda se chamava Green Side, mas nada comparado ao visto ali. Bem entrosados, cozinha organizada com baixo casando com o bumbo da bateria, guitarras que preenchem o espaço e um vocal que me agradou muito devido a originalidade do timbre de Antônio. Entre os destaques, ficam aí “Jaqueta Preta”, “Sessão da tarde”, “A vingança de Mary Kate contra o mundo” e o encerramento com Willynelson, participação especial do organizador do evento, Anderson Foca. Tão boa apresentação que passou despercebido o fato de uma corda do baixo ter quebrado.

Por motivos pessoais acabei perdendo a segunda atração no qual eu gostaria muito de ter visto: Ravanes. Mês que vem eles estarão tocando em um festival na Zona Norte e eu farei o possível pra estar lá. Após o Ravanes, foi a vez da boa banda Pots. Som pesado, bem feito e com músicos tarimbados. Jucian (ex-Surto) e Jeff (ex-Base Livre) são alguns deles. Nesse momento, o Rock Bar já estava lotado e parecido com um “inferninho”.

Às 18:35, já no Largo, direto de João Pessoa, Dead Nomades. A galera ainda chegava mas os presentes já partivipavam da festa, formando a prim eira roda de pogo da noite. E não foi qualquer roda, e sim, uma gigante, que tomava a frente dos dois palcos. O vocalista, com sua gravata amarela ainda entoou junto com os presentes o hino “Hei, Ho, Let’s go!”, dos Ramones. Só bastou isso pra ganhar Natal!

A primeira natalense a tocar em um dos palcos grandes foi o Karpu’s. Depois de um tempo sumidos, voltaram aos palcos em um show marcado pela briga do vocalista André com alguns chatos na platéia que cismavam em xingá-lo e entoar gritos como “Emo, emo, emo!”. “Viado é isso aqui, brother”, bradou André, segurando seus órgãos genitais. Mais tarde ainda soltou: “Essa música aqui vai pras nossas dançarinas aí na frente”, se referindo aos babacas anteriores. E, pra finalizar: “A minha banda está aqui, e a de vocês não”. Isso revoltou até algumas pessoas que não tinham nada a ver com a história. Musicalmente falando, tocaram seu som característico que fez com que ganhassem muitos fãs na cidade e fossem indicados como revelação do RN em 2005 pelo júri do I Prêmio Rock Potiguar.

E chega o primeiro grande show da noite, um dos melhores de todo o festival: Astronautas, de Recife. André Frank e cia, que estão radicados em São Paulo, soltaram o omelhor que há em rock eletrônico, fazendo uso de computador e os instrumentos tradicionais. “Revolver #3”, “Tecnologia”, “Não faço nada”, “Máquinas” e “Cidade Cinza” foram os hits que fizeram todos os mortais ali presentes (inclusive eu) pularem feito loucos. “Nós conseguimos viver só da música, mas isso é um trabalho muito difícil. As vezes é pior do que estar atrás de um computador no escritório ou roubar em Brasília”, desabafou o vocalista. Espero vê-los mais vezes por aqui.

Chegando a vez dos “chefes”, Allface, o público já estava mais que empolgados com aquela surra de música que estava acontecendo. Já entraram em campo com o jogo ganho e executaram hits como “Baque Forte”, “Espinafre”, “Tudo te Incomoda”, “6 mil anos”, com participação de Rodrigo BS, do Jane Fonda, e encerraram com “Ícaru”, que acho que ninguém deixou de cantar.

Mais um grande show da noite, onde muitas pessoas só foram para vê-los: Aditive. Com o seu hard core simples e direto fizeram os fãs cantarem e ficarem amontoados em frente ao palco para curtir aquele que, pra eles, era “o show”. Uma palavra em relação ao que vi: loucura!

Após a primeira música da Jane Fonda, percebi que o vocalista, Rodrigo BS, era inútil ali (a não ser pra dar autógrafos na saída), pois a multidão se prontificou a cantar todas as canções da banda. “Caroline”, “Insônia”, “Gatos e Cães”, “Saliva” e “Vossa Excelência” foram algumas. Um dos melhores shows da banda nos últimos tempos, ajudados pela excelente qualidade do som e pelo grande público.

A primeira “head line” da noite não colou. Um som bastante pesado desse power trio mas que, fora uma ou outra roda de pogo, não chegou a fazer diferença alguma. Mas o melhor estava por vir.

Alguém aí conhece Dead Fish? Pois é, foram esses caras vindos do Espírito Santo que ficaram com a responsabilidade de fechar o festival. Poucas pessoas deixaram o largo (sinto muito por vocês!) e a multidão que ficou curtiu um show memorável, com muitos moshes, rodas de pogo, alegria e diversão. A batera louca de Nô e a presença de palco de Rodrigo, que não para um só minuto são algo sempre presentes nos shows. Eu mesmo fui agarrado pela camisa e quase fui puxado para o palco, pelo vocalista Rodrigo, enquanto tirava minhas fotos tranquilamente. O repertório contou com sucessos do CD antigo, “Zero e Um”, e músicas do novo CD, “Um homem só”. Você não vai perder o próximo, vai?

Três dias, muito rock, 37 bandas. Ano que vem tem de novo e você fica na obrigação de ir. Eu gostaria de deixar uma nota aqui: nesta quinta-feira, dia 3, fizeram dois anos da morte do Rafael Cego (Calibre e Zero8Quatro) e nenhuma banda sequer lembrou disso (talvez pela alta adrenalina nos shows). Valeu Cego, você continua presente em nossos corações!

Veja as fotos da noite.

Por Rodrigo Cruz
rodrigo @rockpotiguar.com.br
08/08/06

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – SEGUNDO DIA

Festival DoSol, segundo dia |

Abrindo o segundo dia do Festival no palco do DoSol Rock Bar, as 17h20, a banda Drunk Driver apresenta ao bom público já presente seu dito Stoner Rock. As influências são diversas e levam a um rock direto sem virtuoses. Já na segunda música a corda de uma das guitarras quebra. Rafael do Distro acode a banda. Seguem-se músicas do disco de estréia que contém nove músicas, todas rápidas, pesadas e cantadas em inglês. A banda agradou quem estava presente.

A segunda a subir ao placo foi a Distro. Rafael, Beloni, Arthur e Vinícius fazem um som que de cara soa hardcore melódico, apesar da banda dizer que sofre influências do punk e do power/pop da década de 90. O público continuou tão bom e atento quanto antes.

A terceira e última banda a se apresentar no palco do bar foi a banda Doris. A banda tem como vocalista Ana Morena, também produtora do festival. A linha que a banda segue é de surf music e punk rock. E em alguns momentos até me lembrou Ultraje a Rigor com suas músicas rápidas e de letras escrachadas. Mais uma vez corda de guitarra quebrada, dessa vez de Vinícius. E logo após trocar rapidamente, eis que ela quebra de novo e assim permanece até o fim da apresentação.

DeadFunnyDays foi a banda que abriu os trabalhos na rua, no palco principal. Guitar band de músicas rápidas e atitude de palco. A banda lembra At the Drive-In e bandas que seguem o estilo. A essa altura o público começava a chegar, ao que parecia ser em peso. Mas apenas parecia. A frente do palco os amigos e admiradores curtiam o som de guitarras altas e vocal alternado. Hora lento e calmo, hora gritado. E esse é o quesito que ainda me deixa reticente, tem momentos que não entendo o que é cantado.

2 Fuzz veio do Ceará para mostrar um rock sem rótulos. Ao escutar a banda se tem a impressão de que estão misturados grunge, new metal, progressivo e outras tendências. Apesar de bom instrumental e letra bem cantadas em inglês, a banda não teve boa receptividade do público.

Já a banda carfax veio de Pernambuco. E para confirmar que nem só de mangue vive a cidade. A banda assume influências diversas como: samba, funk e eletrônica. O que resulta num rock diversificado com vocal masculino e feminino. Todos os integrantes tocam vestidos de vermelho e preto. Um som peculiar que também não esboçou grandes reações do público.

Os Los Canos veio da Bahia e trouxe consigo seu punk rock bubble gum. Ramones e Carbona são lembrados ao ouvir a banda. Apesar do som ser ao estilo punk, as letras são açucaradas e engraçadas. Uma, por exemplo, fala duma menina que o cara está afim, mas ela não gosta de garotos. O público se revela através de aplausos e gritos. A trupe do Autoramas chega ao local e Gabriel pára e curte um pouco. O vocalista da banda, Dudu de Carvalho, revelou antes do show que ainda este ano o disco deve sair. Não saiu ainda porque está sendo gravado “de favor”.

Em seguida mais uma potiguar, o primeiro power-trio da noite: Bugs. A banda continua com o rock barulhento que a caracteriza, e Paolo apresentou-se mais solto, com o baixo a frente da guitarra de Denilton. Na bateria Augusto (DeadFunnyDays, Automatics) continua o bom trabalho de seu antecessor Joab. O público continuou se esquentando para as bandas que viriam a seguir. E o Bugs fez sala da melhor qualidade.

O que poderia destoar no segundo dia do festival terminou tornando-se uma grata surpresa. A banda de ska-rock Bois de Gerião. Alternando o peso das guitarras com o suingue do metal (sax e trumpete), a banda fez uma apresentação que contou até com versão do The Clash, outra banda que gostava muito do ska e do reggae. Uma coisa que chamou a atenção foi a semelhança da voz de Rafael Farret com a de Samuel Rosa. A banda tocou até uma versão para o tema de Batman em ska, muito bom. Precisamos de mais bandas de ska, principalmente em Natal, onde a onda hardcore impera.

Em seguida a banda mais aguardada do festival por muitos. Walverdes. O trio completou na noite de apresentação 13 anos de atividades e presenteou o público com peso, muito peso. Mais uma banda que não se pode rotular. Fica em evidência influências de hard rock, grunge, punk. O baixo, assim como no Bugs, soa tão alto quanto a guitarra, o trio formado por Patrick, Mini e Marcos continuou a série de apresentações que mexeram com o público. Rafael “Farinha” do DeadFunnyDays era um dos mais entusiasmados com a banda, agradeceu algumas vezes em forma de cusparadas de cerveja, o que fez os seguranças se mexerem um pouco. “Classe média baixa records/Refrões ao lado” talvez tenha sido a música do dia. Ela possui uma das melhores introduções que conheço no rock nacional. E por fim, a banda mostrou de onde vem a guitarra tão pesada, uma música do Black Sabbath.

Quem viesse depois teria um jogo duro pela frente. E foi a potiguar Revolver. Todos trajando o velho uniforme preto com gravatas. A banda, com Felipe dos Grogs no baixo, tocou as músicas do disco de estréia e fez o público dançar ao som do velho rock sessentista. Juntamente com “Rock blues bar” e outras canções do disco de estréia. A banda trouxe também uma fina chuva para esfriar a sequência de pedradas e dar fôlego para o que vinha pela frente.

E quem veio foi mais uma potiguar. A nova velha banda Memória Rom. Banda de Rômulo Tavares que surgiu nos anos 90 e deu uma parada. Voltando agora e já com um disco. O som é calcado nos anos 80, com mais peso em algumas músicas. O único titular é o próprio Rômulo que conta com auxílio de outros músicos a cada show. Um dos presentes nesse show foi Paulo Milton do Trio Sam, banda de jazz muito boa.

A chuva deu uma trégua para o MQN mandar seu hard-stoner-rock. Fabrício Nobre, do selo Monstro Discos, encarna muito bem o espírito da banda. Boa presença de palco dele e do baixista que cuspia pra cima de vez em quando. O próprio Fabrício entre uma música e outra tratava de instigar o povo que a essa altura tinha esfriado um pouco. “Talvez por causa da “massa” potiguar que ele disse ser muito boa. E entre uma cerveja derramada na cabeça e jogada ao público e mais uma cusparada de Rafael Farinha veio “Burn, baby, burn” e outras da banda goiana. Aquecimento para o encerramento com Autoramas e Forgotten Boys. Mas antes tinha Zero8Quatro.

A banda potiguar foi escalada no momento crucial do evento, entre três grandes atrações nacionais. Para não desapontar, mandaram as músicas do disco de estréia, pularam muito sobre o palco e, a exemplo do MADA, Magdiel desceu para cantar junto do público. Improvisou um rap e agradou os fãs da banda presentes. Fim de mais uma apresentação num grande festival, a banda, que divide opiniões com seu rock-rap-new metal, parte agora para o eixo Rio-São Paulo para testar seu som por lá.

Em seu terceiro show em Natal, a banda carioca Autoramas mostrou mais uma vez seu som pop de primeira. Coreografias, simpatia, rock rápido e pesado com pitadas de pop fizeram a alegria de muita gente a frente do palco. Punk, New Wave, Jovem Guarda e rock sessentista em geral. A banda passou recentemente pela Europa e trouxe na bagagem a experiência de como são os festivais de lá. O baixo saturado, a guitarra hora pesada, hora rápida e rasteira como a bateria de Bacalhau deram vida a hits que não tocam nas rádios como “Carinha triste”, “Fale mal de mim”, “Nada a ver” e muitos outros. Botaram muitos para dançar e cantar as músicas dos três discos já gravados. Tocaram também uma do quarto que sai este ano e quando pediram uma do Guitar Wolf, Gabriel respondeu: olha que eu sei hein…Mas preferiu tocar um sucesso chamado “Blue Shoede Shoes” de um tal Carl Perkins. Fim de mais uma ótima apresentação.

A última banda contou com um público reduzido, mas quem ficou deve te gostado do que viu. A banda Forgotten Boys está estourada por todo o Brasil, mas esteve pel
a primeira vez em Natal. Com nove anos de carreira e alguns discos na bagagem a banda soltou os sucessos deles e do mais recente chamado “Stand by de D.A.N.C.E.”, nome também da música que abriu a apresentação. Tocaram também “Cumm On”, “Também não vou ficar”, “5 mentiras” e muitas outras inspiradas em Ramones, T-Rex, Dead Boys, Stooges e tudo que remete ao rock rápido do punk e adjacências. Beirava as duas horas da manhã e a maratona que começou as 17h20 fazia a cada instante mais perdedores. Pra quem foi embora mais cedo, perdeu bons shows. Quem ficou foi presenteado e saiu satisfeito.

O ponto negativo do dia fica pelo público abaixo do que eu esperava, afinal, excelentes bandas dos mais variados estilos passaram pelo palcos. Mas isso é normal, fica evidente o caráter alternativo do festival em vez de festivo. O bom disso é que só vai quem gosta. O Rock Potiguar entrevistou o pessoal do Autoramas e passou duas horas com o Forgotten Boys, onde até caranguejo eles comeram. Nas próximas semanas tudo isso vai ao ar.

Veja as fotos da noite.

Por Hugo Morais
hugo @rockpotiguar.com.br
08/08/06

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – PRIMEIRO DIA

O sol começou a brilhar!

Foi dada a largada para o 2º Festival DoSol. A festa começou nessa sexta feira dia 04 e foi aberta com chave de ouro. Rua cheia, stands com CD’s independentes, imprensa de todo o país. Foi com essa força total e uma estrutura de palco e iluminação mais fortes que a do ano passado que o Festival deu seu pontapé inicial.

A banda que foi escolhida para dar as boas vindas ao público foi Os Poetas Elétricos (RN). Acompanhei até o meio do show do lado de fora e pude me ligar mais no som. Uma proposta interessante e inusitada. Poemas declamados ao som da mais bem instrumentada música. Um vocal feminino dava mais identidade ao som proposto pelos Poetas. E além de todos os recursos musicais, quando entrei pude reparar que eles também usam a imagem para complementar a forma de expressar sua arte. Eles usaram um telão que ficava passando imagens interessantes. Esse foi meu primeiro show deles e me causou uma bela impressão. Boa música junto com poesia. Não poderia haver escolha melhor. E como o festival já começou bem, chegou a vez da também potiguar Simona Talma segurar a boa impressão que me foi causada. E ela se saiu muito bem. Com seu blues e MPB, ela empolgou os poucos presentes. Digo poucos presentes porque o público de Natal tem um costume muito feio: chegar muito tarde aos eventos. E acabam perdendo muita coisa boa por causa disso. Mas voltemos à música. Solos de guitarra, um teclado bem marcado e um vocal que às vezes me lembrava Elza Soares. Enfim, uma bela apresentação e uma boa aposta do Festival ao colocar duas atrações que estão mais para MPB (não uma MPB retinha, sem sal). Pela resposta do público, o resultado foi positivo.

Saindo da praia potiguar e parando na pernambucana, sobem ao palco os meninos da Parafusa. Eu conhecia o trabalho deles pelas mp3 que eles disponibilizaram na internet e estava curiosa para saber como era o show deles. Eles começaram com “Certo de Estar”, seguiram por “A história do boi Tatau” e passaram pelo “Asfalto”. O que pude notar foi a atenção que o pessoal estava dando ao novo som apresentado. Quando já estavam mais familiarizados, arriscaram uns passinhos e já na bela canção “Maria”, demonstraram uma satisfação pelo som mostrado pelos pernambucanos. Até o problema com o teclado (sim, o famoso problema técnico apareceu no show deles) não deixou a peteca cair. Mas vamos ao som da banda. À medida que ia ouvindo as canções, notei uma nuance de Jovem Guarda nos teclados e no ritmo. Pode ter sido impressão minha, mas se essa for influência da banda, eles souberam usar muito bem e deu uma característica ao som. Outra coisa interessante são as letras que falam de amor. As bandas independentes fazem canções de amor sem serem piegas ou caírem no lugar comum. Esse é outro ponto favorável à Parafusa. Ao fim da apresentação, os aplausos e gritos de “ahhh, acabou”, devem ter deixado uma boa impressão aos pernambucanos.

Mudando de Pernambuco, voltamos ao Rio Grande do Norte. E é a vez dos Mad Dogs animarem a noite. Com todo seu blues, animação e belo repertório autoral, eles mostraram a força das bandas potiguares. O repertório dos cachorros loucos foi desde as autorais, passando por Jorge Benjor e culminando nos Beatles, que foi inspiração para um álbum no qual o Mad Dogs fez versões da banda inglesa. E para fechar a celebração ao rock com blues, eles tocaram o hit “Alguém no Bar”, que foi entoado por uma maior quantidade de gente que já havia chegado ao Largo da rua Chile.

Ainda ficando em terreno potiguar, surge o SeuZé. Com seu repertório já conhecido pelo público fiel que comparece aos shows, dessa vez os meninos resolveram dar cara nova às suas canções. E estão colocando em teste a nova música de trabalho. Até que está sendo bem aceita pelo pessoal. O público cantou, dançou e celebrou todas, preparando o terreno para os pernambucanos do Bonsucesso Samba Clube. Com uma mistura de samba, reaggae, mangue beat e rock, eles levaram a galera ao requebro. Fica clara a influência das bandas da terra do frevo no trabalho deles. Dá para saber que tem um pitaco de Nação Zumbi e Mombojó, mas nada que vá tirar a identidade deles. Pelo contrário, contribui para marcar a personalidade musical.

Uma coisa que marcou o primeiro dia do festival foi o pouco tempo entre uma banda e outra. Seguindo o mesmo esquema do MADA, com os dois palcos e uma banda logo seguindo a outra, o que deu uma agilidade e nem restava tempo para a famosa descansada entre as bandas. E nesse pouco intervalo de tempo chega outra banda potiguar, a DuSouto. Com seu rock misturado com música eletrônica, eles conseguiram manter a energia começada pelo Bonsucesso. Eles tocaram de tudo, desde as autorais até o queridinho da Europa, o brasileiro Sérgio Mendes. E logo após o Dusouto outra potiguar aparece, o Experiência Ápyus. Com uma formação que pegou músicos do SeuZé (Lipe Tavares) e Kassava (Ticiano D’Amore), eles colocaram o povo para dançar de vez. O que me chamou mais a atenção no show deles foi novamente o vocalista Gil Oliveira que com sua performance forte e voz possante deu uma vida a mais à apresentação do Ápyus, vibrante. Um vozeirão que me lembrou Tim Maia.

Depois das apresentações das bandas nordestinas, chega a vez da paulista Ludov encantar os fãs presentes e aqueles que não conheciam o som da banda. Com um carisma contagiante eles mostraram porque vieram pela segunda vez a Natal e estão conquistando mais fãs em terras potiguares. Começando o show com “Estrelas”, eles levantaram a galera e colocaram os fãs para cantar. Seguindo as estrelas veio o “Gramado”. E os fãs que estavam há mais de um ano sem show deles por aqui (o primeiro foi na prévia do mesmo Festival DoSol do ano passado) aproveitaram para curtir o som. Mas foi com o hit “Princesa” que o público teve seu primeiro delírio. A música foi cantada a plenos pulmões e a satisfação dos músicos ao apresentarem suas canções era clara. Contudo, foi mesmo em “Kriptonita” que o pessoal se entregou à melodia. Além de mostrar as canções do CD “O Exercício de Pequenas Coisas”, eles apresentaram a inédita “Ciência”, que vai estar no novo CD da banda, que está sendo trabalhado. Mas o que realmente chama a atenção no show deles, além da simpatia e competência dos músicos são os fãs. Nada daquela gritaria louca ou fanatismo exagerado.

Enfim, foi uma bela festa, com a rua Chile cheia, preparando para o encerramento com a pernambucana Mundo Livre S/A, que chegou com seu samba rock para agitar a galera que não foi embora após o show do Ludov. Com todo o balanço característico o Mundo Livre colocou mais uma vez a galera para dançar e mostrou canções de seus cinco CD’s lançados, desde “Bolo de Ameixa” até as atuais. Um show que fechou com chave de ouro (a mesma chave com que foi aberta) a primeira noite do Festival DoSol. E que venha a segunda noite!

Veja as fotos da noite.

Por Sandra Regina
sandrinha@rockpotiguar.com.br
08/08/06