Clipping – Festival Dosol no Mulheres no FDS (RN)

A garra do Festival DoSol

Mesmo sem patrocínio, o festival Dosol foi confirmado e vai ocorrer entre os dias 3 e 5 de agosto na rua Chile, Ribeira. A estrutura do evento, no entanto, será alterada. Em vez de utilizar o largo, as 56 bandas se revezarão este ano entre dois palcos localizados no Dosol Rock Bar – com capacidade para 500 pessoas – e num galpão ao lado onde cabem 1500 pessoas.

Clipping – Festival Dosol no Mallabares (RN)

Festa da música independente
Mesmo com a falta de apoio da lei Câmara Cascudo Festival DoSol acontecerá em agosto

A falta de patrocínio não impedirá a realização da terceira edição do Festival DoSol. Neste ano o evento não está sendo amparado pela lei estadual Câmara Cascudo de incentivo à cultura, já que os R$ 4 milhões destinados a renúncia fiscal estão comprometidos. Mesmo assim, Anderson Foca, idealizador do evento, afirma que o público pode se preparar para curtir o som de 56 bandas de 10 estados brasileiros, entre os dias 03 e 05 de agosto, na rua Chile, Ribeira.

Não é apenas a falta de patrocínio da lei estadual que mudará na edição de 2007 do festival. As bandas não irão mais se apresentar no largo e sim em dois palcos localizados no DoSol Rock Bar, com capacidade para 500 pessoas, e em um galpão ao lado, esse bem maior, com capacidade para 2.500 pessoas.

A edição deste ano está orçada em R$ 35 mil, o que está bem abaixo do que foi gasto em 2006. Além da mudança de local, foi decisivo para isso a mobilização das bandas. As 27 atrações potiguares abriram mão do cachê e alguns grupos de outros estados ficaram nas casas de músicos locais.

A falta do patrocínio da Câmara Cascudo dificulta a vinda de patrocinadores para o festival, uma vez que com a lei eles ganhariam em renuncia fiscal. Foca afirma que a mudança de estrutura já estava prevista para 2007, independente de apoio, e que a realização do festival também é uma forma de deixar claro que a cultura potiguar não depende de lei para ser mostrada.

A mudança de local também foi motivada pela dificuldade que os produtores culturais potiguares enfrentam para entrar em acordo com os donos de estabelecimentos do largo da rua Chile, segundo afirma Anderson Foca.

Música em debate ? Pela segunda vez, o Festival DoSol leva ao público, além de muita música, um ciclo de palestras, nos dias 02 e 03 de agosto, intitulada ?Pensando Música ? Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar?, com palestrantes de todo país. A programação do evento ainda engloba lançamento de Cds, produção de videoclipes, feira mix, entre outras ações.

Neste domingo, dia 17, acontecerá o lançamento do festival, no DoSol Rock Bar, a partir das 18h. A atração principal da noite será a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. Também tocarão as bandas Lafusa (DF) e Michel Heberton irá discotecar. As senhas para essa festa serão vendidas na hora pelo preço promocional de R$ 10,00.

As prévias oficiais do evento rolam nos dia 14 e 15 de julho no DoSol Rock Bar, com a presença das bandas Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar e Adriano Azambuja no dia 14, e Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco, Drive Out e Superia no dia 15.

PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL

Sexta-feira (03/08) ? início as 20h

Brand New Hate (RN)
Baby Please (RN)
Motherhell (PB)
Vitrola (CE)
Monophone (CE)
Peixe Coco (RN)
Distro (RN)
The Sinks (RN)
Vamoz (PE)
Volver (PE)
Cascadura (BA)
Bugs (RN)
Moptop (RJ)

Sábado (04/08) ? início as 15h30

Toy Gunz (RN)
Lotus (RN)
Secks Collin (SP)
Fliperama (RN)
Joseph K? (CE)
Enne (MG)
Arquivo (RN)
Stellabella (RJ)
Lucy And The Popsonics (DF)
Red Run (CE)
Violins (GO)
Allface (RN)
Rockfellers (GO)
Zero8quatro (RN)
Jane Fonda (RN)
Supergalo (DF)
The Honkers (BA)
Os Bonnies (RN)
Rock Rocket (SP)

Domingo (05/08) ? início as 15h30

Traumam (RN)
Ravanes (RN)
Psicomancia (RN)
Verdade Suprema (RN)
Comando Etílico (RN)
Drunk Driver (RN)
Levante (RN)
Jason (RJ)
The Nation Blue (AUS)
Ataque Periferico (RJ)
Expose Your Hate (RN)
Insurrection Down (PE)
Matanza (RJ)

Clipping – Festival Dosol no Diário De Natal (RN)

Selo DoSol promove festival independente
O Selo DoSol mostra organização e articulação com bandas da cena independente brasileira e realiza o Festival DoSol 2007 com a festa de lançamento do evento domingo, às 18h no Dosolrockbar com show das bandas brasilienses Lafusa (DF), Móveis Coloniais de Acaju e com discotecagem de Michel Heberton.

O Festival DoSol chega na sua terceira edição que vai deste final até os dias 3, 4 e 5 de agosto, quando acontece o evento propriamente dito. Nas prévias ainda passarão bandas como Ludov (SP), 2fuzz (CE), Sugar Kane (PR), Stellabela (RJ) , Matanza (RJ), The Sinks (RN) entre outras.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol e suas prévias 28 bandas do RN e 27 bandas de vários estados brasileiros, além de uma atração internacional, o The Nation Blue da Austrália. Este é um número recorde de participação de bandas potiguares em festivais locais assim como também é recorde o número total de artistas que se apresentarão. O foco na cena local e na ocupação do espaço da Ribeira é prioridade para a produção do evento, ?Estamos bastante felizes com a formatação final do Festival Dosol para esse ano, teremos uma dezena de lançamentos locais, uma gama muito grande de artistas se apresentando, várias prévias e a novidade de usarmos estruturas que já existem para realizar os shows. Isso vai trazer mais verdade ao festival, deixar as bandas mais a vontade além de não nos preocuparmos com chuva ou coisas do tipo já que 80% da área do festival será coberta. A Ribeira precisa disso e estamos dando nossa contribuição?, diz Anderson Foca, idealizador e produtor do festival.

Além da maratona de shows, o Festival DoSol também promove pela segunda vez um ciclo de debates e palestras entre nos dias 2 e 3 de agosto, antes do Festival em si, intitulada ?Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar?, a reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado. Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

No dia 3 de agosto o Festival DoSol começa sua programação às 20h. Já no sábado e domingo (4 e 5/08), a programação inicia às 15h30.

FESTA
As ações do Festival DoSol 2007 já começam neste domingo com a festa de lançamento do festival que vai ter como atração principal o Móveis Coloniais de Acaju (DF), um dos melhores shows do rock independente nacional, além do Lafusa (DF) e da discotecagem de Michel Heberton, tudo isso no palco do dosolrockbar.

As prévias oficiais do evento serão sábado e domingo no DoSol Rock Bar com a presença das bandas Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar e Adriano Azambuja no dia 14 e Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco, Drive Out e Superia no dia 15.

Festa de Lançamento do Festival Dosol
Data: Domingo
Horário: 18H
Local: Dosolrockbar, Ribeira
Ingressos: R$ 10,00

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – TERCEIRO DIA

Último dia do Festival DoSol 2006

Dia 6 de agosto de 2006. Rua Chile, Ribeira. Último dia do Festival DoSol 2006. Após 26 bandas nos dois primeiros dias, cheguei ao local da grande celebração para acompanhar os onze últimos grupos e deu pra perceber: a música está viva!

Cheguei às 16:40 e tinha acabado de começar, no Rock Bar, a primeira atração da tarde/noite, Fliperama. Pontual, ótimo sinal. Eu tinha visto um ensaio da banda quando ainda se chamava Green Side, mas nada comparado ao visto ali. Bem entrosados, cozinha organizada com baixo casando com o bumbo da bateria, guitarras que preenchem o espaço e um vocal que me agradou muito devido a originalidade do timbre de Antônio. Entre os destaques, ficam aí “Jaqueta Preta”, “Sessão da tarde”, “A vingança de Mary Kate contra o mundo” e o encerramento com Willynelson, participação especial do organizador do evento, Anderson Foca. Tão boa apresentação que passou despercebido o fato de uma corda do baixo ter quebrado.

Por motivos pessoais acabei perdendo a segunda atração no qual eu gostaria muito de ter visto: Ravanes. Mês que vem eles estarão tocando em um festival na Zona Norte e eu farei o possível pra estar lá. Após o Ravanes, foi a vez da boa banda Pots. Som pesado, bem feito e com músicos tarimbados. Jucian (ex-Surto) e Jeff (ex-Base Livre) são alguns deles. Nesse momento, o Rock Bar já estava lotado e parecido com um “inferninho”.

Às 18:35, já no Largo, direto de João Pessoa, Dead Nomades. A galera ainda chegava mas os presentes já partivipavam da festa, formando a prim eira roda de pogo da noite. E não foi qualquer roda, e sim, uma gigante, que tomava a frente dos dois palcos. O vocalista, com sua gravata amarela ainda entoou junto com os presentes o hino “Hei, Ho, Let’s go!”, dos Ramones. Só bastou isso pra ganhar Natal!

A primeira natalense a tocar em um dos palcos grandes foi o Karpu’s. Depois de um tempo sumidos, voltaram aos palcos em um show marcado pela briga do vocalista André com alguns chatos na platéia que cismavam em xingá-lo e entoar gritos como “Emo, emo, emo!”. “Viado é isso aqui, brother”, bradou André, segurando seus órgãos genitais. Mais tarde ainda soltou: “Essa música aqui vai pras nossas dançarinas aí na frente”, se referindo aos babacas anteriores. E, pra finalizar: “A minha banda está aqui, e a de vocês não”. Isso revoltou até algumas pessoas que não tinham nada a ver com a história. Musicalmente falando, tocaram seu som característico que fez com que ganhassem muitos fãs na cidade e fossem indicados como revelação do RN em 2005 pelo júri do I Prêmio Rock Potiguar.

E chega o primeiro grande show da noite, um dos melhores de todo o festival: Astronautas, de Recife. André Frank e cia, que estão radicados em São Paulo, soltaram o omelhor que há em rock eletrônico, fazendo uso de computador e os instrumentos tradicionais. “Revolver #3”, “Tecnologia”, “Não faço nada”, “Máquinas” e “Cidade Cinza” foram os hits que fizeram todos os mortais ali presentes (inclusive eu) pularem feito loucos. “Nós conseguimos viver só da música, mas isso é um trabalho muito difícil. As vezes é pior do que estar atrás de um computador no escritório ou roubar em Brasília”, desabafou o vocalista. Espero vê-los mais vezes por aqui.

Chegando a vez dos “chefes”, Allface, o público já estava mais que empolgados com aquela surra de música que estava acontecendo. Já entraram em campo com o jogo ganho e executaram hits como “Baque Forte”, “Espinafre”, “Tudo te Incomoda”, “6 mil anos”, com participação de Rodrigo BS, do Jane Fonda, e encerraram com “Ícaru”, que acho que ninguém deixou de cantar.

Mais um grande show da noite, onde muitas pessoas só foram para vê-los: Aditive. Com o seu hard core simples e direto fizeram os fãs cantarem e ficarem amontoados em frente ao palco para curtir aquele que, pra eles, era “o show”. Uma palavra em relação ao que vi: loucura!

Após a primeira música da Jane Fonda, percebi que o vocalista, Rodrigo BS, era inútil ali (a não ser pra dar autógrafos na saída), pois a multidão se prontificou a cantar todas as canções da banda. “Caroline”, “Insônia”, “Gatos e Cães”, “Saliva” e “Vossa Excelência” foram algumas. Um dos melhores shows da banda nos últimos tempos, ajudados pela excelente qualidade do som e pelo grande público.

A primeira “head line” da noite não colou. Um som bastante pesado desse power trio mas que, fora uma ou outra roda de pogo, não chegou a fazer diferença alguma. Mas o melhor estava por vir.

Alguém aí conhece Dead Fish? Pois é, foram esses caras vindos do Espírito Santo que ficaram com a responsabilidade de fechar o festival. Poucas pessoas deixaram o largo (sinto muito por vocês!) e a multidão que ficou curtiu um show memorável, com muitos moshes, rodas de pogo, alegria e diversão. A batera louca de Nô e a presença de palco de Rodrigo, que não para um só minuto são algo sempre presentes nos shows. Eu mesmo fui agarrado pela camisa e quase fui puxado para o palco, pelo vocalista Rodrigo, enquanto tirava minhas fotos tranquilamente. O repertório contou com sucessos do CD antigo, “Zero e Um”, e músicas do novo CD, “Um homem só”. Você não vai perder o próximo, vai?

Três dias, muito rock, 37 bandas. Ano que vem tem de novo e você fica na obrigação de ir. Eu gostaria de deixar uma nota aqui: nesta quinta-feira, dia 3, fizeram dois anos da morte do Rafael Cego (Calibre e Zero8Quatro) e nenhuma banda sequer lembrou disso (talvez pela alta adrenalina nos shows). Valeu Cego, você continua presente em nossos corações!

Veja as fotos da noite.

Por Rodrigo Cruz
rodrigo @rockpotiguar.com.br
08/08/06

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – SEGUNDO DIA

Festival DoSol, segundo dia |

Abrindo o segundo dia do Festival no palco do DoSol Rock Bar, as 17h20, a banda Drunk Driver apresenta ao bom público já presente seu dito Stoner Rock. As influências são diversas e levam a um rock direto sem virtuoses. Já na segunda música a corda de uma das guitarras quebra. Rafael do Distro acode a banda. Seguem-se músicas do disco de estréia que contém nove músicas, todas rápidas, pesadas e cantadas em inglês. A banda agradou quem estava presente.

A segunda a subir ao placo foi a Distro. Rafael, Beloni, Arthur e Vinícius fazem um som que de cara soa hardcore melódico, apesar da banda dizer que sofre influências do punk e do power/pop da década de 90. O público continuou tão bom e atento quanto antes.

A terceira e última banda a se apresentar no palco do bar foi a banda Doris. A banda tem como vocalista Ana Morena, também produtora do festival. A linha que a banda segue é de surf music e punk rock. E em alguns momentos até me lembrou Ultraje a Rigor com suas músicas rápidas e de letras escrachadas. Mais uma vez corda de guitarra quebrada, dessa vez de Vinícius. E logo após trocar rapidamente, eis que ela quebra de novo e assim permanece até o fim da apresentação.

DeadFunnyDays foi a banda que abriu os trabalhos na rua, no palco principal. Guitar band de músicas rápidas e atitude de palco. A banda lembra At the Drive-In e bandas que seguem o estilo. A essa altura o público começava a chegar, ao que parecia ser em peso. Mas apenas parecia. A frente do palco os amigos e admiradores curtiam o som de guitarras altas e vocal alternado. Hora lento e calmo, hora gritado. E esse é o quesito que ainda me deixa reticente, tem momentos que não entendo o que é cantado.

2 Fuzz veio do Ceará para mostrar um rock sem rótulos. Ao escutar a banda se tem a impressão de que estão misturados grunge, new metal, progressivo e outras tendências. Apesar de bom instrumental e letra bem cantadas em inglês, a banda não teve boa receptividade do público.

Já a banda carfax veio de Pernambuco. E para confirmar que nem só de mangue vive a cidade. A banda assume influências diversas como: samba, funk e eletrônica. O que resulta num rock diversificado com vocal masculino e feminino. Todos os integrantes tocam vestidos de vermelho e preto. Um som peculiar que também não esboçou grandes reações do público.

Os Los Canos veio da Bahia e trouxe consigo seu punk rock bubble gum. Ramones e Carbona são lembrados ao ouvir a banda. Apesar do som ser ao estilo punk, as letras são açucaradas e engraçadas. Uma, por exemplo, fala duma menina que o cara está afim, mas ela não gosta de garotos. O público se revela através de aplausos e gritos. A trupe do Autoramas chega ao local e Gabriel pára e curte um pouco. O vocalista da banda, Dudu de Carvalho, revelou antes do show que ainda este ano o disco deve sair. Não saiu ainda porque está sendo gravado “de favor”.

Em seguida mais uma potiguar, o primeiro power-trio da noite: Bugs. A banda continua com o rock barulhento que a caracteriza, e Paolo apresentou-se mais solto, com o baixo a frente da guitarra de Denilton. Na bateria Augusto (DeadFunnyDays, Automatics) continua o bom trabalho de seu antecessor Joab. O público continuou se esquentando para as bandas que viriam a seguir. E o Bugs fez sala da melhor qualidade.

O que poderia destoar no segundo dia do festival terminou tornando-se uma grata surpresa. A banda de ska-rock Bois de Gerião. Alternando o peso das guitarras com o suingue do metal (sax e trumpete), a banda fez uma apresentação que contou até com versão do The Clash, outra banda que gostava muito do ska e do reggae. Uma coisa que chamou a atenção foi a semelhança da voz de Rafael Farret com a de Samuel Rosa. A banda tocou até uma versão para o tema de Batman em ska, muito bom. Precisamos de mais bandas de ska, principalmente em Natal, onde a onda hardcore impera.

Em seguida a banda mais aguardada do festival por muitos. Walverdes. O trio completou na noite de apresentação 13 anos de atividades e presenteou o público com peso, muito peso. Mais uma banda que não se pode rotular. Fica em evidência influências de hard rock, grunge, punk. O baixo, assim como no Bugs, soa tão alto quanto a guitarra, o trio formado por Patrick, Mini e Marcos continuou a série de apresentações que mexeram com o público. Rafael “Farinha” do DeadFunnyDays era um dos mais entusiasmados com a banda, agradeceu algumas vezes em forma de cusparadas de cerveja, o que fez os seguranças se mexerem um pouco. “Classe média baixa records/Refrões ao lado” talvez tenha sido a música do dia. Ela possui uma das melhores introduções que conheço no rock nacional. E por fim, a banda mostrou de onde vem a guitarra tão pesada, uma música do Black Sabbath.

Quem viesse depois teria um jogo duro pela frente. E foi a potiguar Revolver. Todos trajando o velho uniforme preto com gravatas. A banda, com Felipe dos Grogs no baixo, tocou as músicas do disco de estréia e fez o público dançar ao som do velho rock sessentista. Juntamente com “Rock blues bar” e outras canções do disco de estréia. A banda trouxe também uma fina chuva para esfriar a sequência de pedradas e dar fôlego para o que vinha pela frente.

E quem veio foi mais uma potiguar. A nova velha banda Memória Rom. Banda de Rômulo Tavares que surgiu nos anos 90 e deu uma parada. Voltando agora e já com um disco. O som é calcado nos anos 80, com mais peso em algumas músicas. O único titular é o próprio Rômulo que conta com auxílio de outros músicos a cada show. Um dos presentes nesse show foi Paulo Milton do Trio Sam, banda de jazz muito boa.

A chuva deu uma trégua para o MQN mandar seu hard-stoner-rock. Fabrício Nobre, do selo Monstro Discos, encarna muito bem o espírito da banda. Boa presença de palco dele e do baixista que cuspia pra cima de vez em quando. O próprio Fabrício entre uma música e outra tratava de instigar o povo que a essa altura tinha esfriado um pouco. “Talvez por causa da “massa” potiguar que ele disse ser muito boa. E entre uma cerveja derramada na cabeça e jogada ao público e mais uma cusparada de Rafael Farinha veio “Burn, baby, burn” e outras da banda goiana. Aquecimento para o encerramento com Autoramas e Forgotten Boys. Mas antes tinha Zero8Quatro.

A banda potiguar foi escalada no momento crucial do evento, entre três grandes atrações nacionais. Para não desapontar, mandaram as músicas do disco de estréia, pularam muito sobre o palco e, a exemplo do MADA, Magdiel desceu para cantar junto do público. Improvisou um rap e agradou os fãs da banda presentes. Fim de mais uma apresentação num grande festival, a banda, que divide opiniões com seu rock-rap-new metal, parte agora para o eixo Rio-São Paulo para testar seu som por lá.

Em seu terceiro show em Natal, a banda carioca Autoramas mostrou mais uma vez seu som pop de primeira. Coreografias, simpatia, rock rápido e pesado com pitadas de pop fizeram a alegria de muita gente a frente do palco. Punk, New Wave, Jovem Guarda e rock sessentista em geral. A banda passou recentemente pela Europa e trouxe na bagagem a experiência de como são os festivais de lá. O baixo saturado, a guitarra hora pesada, hora rápida e rasteira como a bateria de Bacalhau deram vida a hits que não tocam nas rádios como “Carinha triste”, “Fale mal de mim”, “Nada a ver” e muitos outros. Botaram muitos para dançar e cantar as músicas dos três discos já gravados. Tocaram também uma do quarto que sai este ano e quando pediram uma do Guitar Wolf, Gabriel respondeu: olha que eu sei hein…Mas preferiu tocar um sucesso chamado “Blue Shoede Shoes” de um tal Carl Perkins. Fim de mais uma ótima apresentação.

A última banda contou com um público reduzido, mas quem ficou deve te gostado do que viu. A banda Forgotten Boys está estourada por todo o Brasil, mas esteve pel
a primeira vez em Natal. Com nove anos de carreira e alguns discos na bagagem a banda soltou os sucessos deles e do mais recente chamado “Stand by de D.A.N.C.E.”, nome também da música que abriu a apresentação. Tocaram também “Cumm On”, “Também não vou ficar”, “5 mentiras” e muitas outras inspiradas em Ramones, T-Rex, Dead Boys, Stooges e tudo que remete ao rock rápido do punk e adjacências. Beirava as duas horas da manhã e a maratona que começou as 17h20 fazia a cada instante mais perdedores. Pra quem foi embora mais cedo, perdeu bons shows. Quem ficou foi presenteado e saiu satisfeito.

O ponto negativo do dia fica pelo público abaixo do que eu esperava, afinal, excelentes bandas dos mais variados estilos passaram pelo palcos. Mas isso é normal, fica evidente o caráter alternativo do festival em vez de festivo. O bom disso é que só vai quem gosta. O Rock Potiguar entrevistou o pessoal do Autoramas e passou duas horas com o Forgotten Boys, onde até caranguejo eles comeram. Nas próximas semanas tudo isso vai ao ar.

Veja as fotos da noite.

Por Hugo Morais
hugo @rockpotiguar.com.br
08/08/06

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – ROCKPOTIGUAR.COM.BR – PRIMEIRO DIA

O sol começou a brilhar!

Foi dada a largada para o 2º Festival DoSol. A festa começou nessa sexta feira dia 04 e foi aberta com chave de ouro. Rua cheia, stands com CD’s independentes, imprensa de todo o país. Foi com essa força total e uma estrutura de palco e iluminação mais fortes que a do ano passado que o Festival deu seu pontapé inicial.

A banda que foi escolhida para dar as boas vindas ao público foi Os Poetas Elétricos (RN). Acompanhei até o meio do show do lado de fora e pude me ligar mais no som. Uma proposta interessante e inusitada. Poemas declamados ao som da mais bem instrumentada música. Um vocal feminino dava mais identidade ao som proposto pelos Poetas. E além de todos os recursos musicais, quando entrei pude reparar que eles também usam a imagem para complementar a forma de expressar sua arte. Eles usaram um telão que ficava passando imagens interessantes. Esse foi meu primeiro show deles e me causou uma bela impressão. Boa música junto com poesia. Não poderia haver escolha melhor. E como o festival já começou bem, chegou a vez da também potiguar Simona Talma segurar a boa impressão que me foi causada. E ela se saiu muito bem. Com seu blues e MPB, ela empolgou os poucos presentes. Digo poucos presentes porque o público de Natal tem um costume muito feio: chegar muito tarde aos eventos. E acabam perdendo muita coisa boa por causa disso. Mas voltemos à música. Solos de guitarra, um teclado bem marcado e um vocal que às vezes me lembrava Elza Soares. Enfim, uma bela apresentação e uma boa aposta do Festival ao colocar duas atrações que estão mais para MPB (não uma MPB retinha, sem sal). Pela resposta do público, o resultado foi positivo.

Saindo da praia potiguar e parando na pernambucana, sobem ao palco os meninos da Parafusa. Eu conhecia o trabalho deles pelas mp3 que eles disponibilizaram na internet e estava curiosa para saber como era o show deles. Eles começaram com “Certo de Estar”, seguiram por “A história do boi Tatau” e passaram pelo “Asfalto”. O que pude notar foi a atenção que o pessoal estava dando ao novo som apresentado. Quando já estavam mais familiarizados, arriscaram uns passinhos e já na bela canção “Maria”, demonstraram uma satisfação pelo som mostrado pelos pernambucanos. Até o problema com o teclado (sim, o famoso problema técnico apareceu no show deles) não deixou a peteca cair. Mas vamos ao som da banda. À medida que ia ouvindo as canções, notei uma nuance de Jovem Guarda nos teclados e no ritmo. Pode ter sido impressão minha, mas se essa for influência da banda, eles souberam usar muito bem e deu uma característica ao som. Outra coisa interessante são as letras que falam de amor. As bandas independentes fazem canções de amor sem serem piegas ou caírem no lugar comum. Esse é outro ponto favorável à Parafusa. Ao fim da apresentação, os aplausos e gritos de “ahhh, acabou”, devem ter deixado uma boa impressão aos pernambucanos.

Mudando de Pernambuco, voltamos ao Rio Grande do Norte. E é a vez dos Mad Dogs animarem a noite. Com todo seu blues, animação e belo repertório autoral, eles mostraram a força das bandas potiguares. O repertório dos cachorros loucos foi desde as autorais, passando por Jorge Benjor e culminando nos Beatles, que foi inspiração para um álbum no qual o Mad Dogs fez versões da banda inglesa. E para fechar a celebração ao rock com blues, eles tocaram o hit “Alguém no Bar”, que foi entoado por uma maior quantidade de gente que já havia chegado ao Largo da rua Chile.

Ainda ficando em terreno potiguar, surge o SeuZé. Com seu repertório já conhecido pelo público fiel que comparece aos shows, dessa vez os meninos resolveram dar cara nova às suas canções. E estão colocando em teste a nova música de trabalho. Até que está sendo bem aceita pelo pessoal. O público cantou, dançou e celebrou todas, preparando o terreno para os pernambucanos do Bonsucesso Samba Clube. Com uma mistura de samba, reaggae, mangue beat e rock, eles levaram a galera ao requebro. Fica clara a influência das bandas da terra do frevo no trabalho deles. Dá para saber que tem um pitaco de Nação Zumbi e Mombojó, mas nada que vá tirar a identidade deles. Pelo contrário, contribui para marcar a personalidade musical.

Uma coisa que marcou o primeiro dia do festival foi o pouco tempo entre uma banda e outra. Seguindo o mesmo esquema do MADA, com os dois palcos e uma banda logo seguindo a outra, o que deu uma agilidade e nem restava tempo para a famosa descansada entre as bandas. E nesse pouco intervalo de tempo chega outra banda potiguar, a DuSouto. Com seu rock misturado com música eletrônica, eles conseguiram manter a energia começada pelo Bonsucesso. Eles tocaram de tudo, desde as autorais até o queridinho da Europa, o brasileiro Sérgio Mendes. E logo após o Dusouto outra potiguar aparece, o Experiência Ápyus. Com uma formação que pegou músicos do SeuZé (Lipe Tavares) e Kassava (Ticiano D’Amore), eles colocaram o povo para dançar de vez. O que me chamou mais a atenção no show deles foi novamente o vocalista Gil Oliveira que com sua performance forte e voz possante deu uma vida a mais à apresentação do Ápyus, vibrante. Um vozeirão que me lembrou Tim Maia.

Depois das apresentações das bandas nordestinas, chega a vez da paulista Ludov encantar os fãs presentes e aqueles que não conheciam o som da banda. Com um carisma contagiante eles mostraram porque vieram pela segunda vez a Natal e estão conquistando mais fãs em terras potiguares. Começando o show com “Estrelas”, eles levantaram a galera e colocaram os fãs para cantar. Seguindo as estrelas veio o “Gramado”. E os fãs que estavam há mais de um ano sem show deles por aqui (o primeiro foi na prévia do mesmo Festival DoSol do ano passado) aproveitaram para curtir o som. Mas foi com o hit “Princesa” que o público teve seu primeiro delírio. A música foi cantada a plenos pulmões e a satisfação dos músicos ao apresentarem suas canções era clara. Contudo, foi mesmo em “Kriptonita” que o pessoal se entregou à melodia. Além de mostrar as canções do CD “O Exercício de Pequenas Coisas”, eles apresentaram a inédita “Ciência”, que vai estar no novo CD da banda, que está sendo trabalhado. Mas o que realmente chama a atenção no show deles, além da simpatia e competência dos músicos são os fãs. Nada daquela gritaria louca ou fanatismo exagerado.

Enfim, foi uma bela festa, com a rua Chile cheia, preparando para o encerramento com a pernambucana Mundo Livre S/A, que chegou com seu samba rock para agitar a galera que não foi embora após o show do Ludov. Com todo o balanço característico o Mundo Livre colocou mais uma vez a galera para dançar e mostrou canções de seus cinco CD’s lançados, desde “Bolo de Ameixa” até as atuais. Um show que fechou com chave de ouro (a mesma chave com que foi aberta) a primeira noite do Festival DoSol. E que venha a segunda noite!

Veja as fotos da noite.

Por Sandra Regina
sandrinha@rockpotiguar.com.br
08/08/06

PEPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – DIÁRIO DE NATAL

Uma visão sobre shows internacionais

No segundo dia do ciclo de palestras promovido pelo Festival do Sol foi relatada a experiência de Fabiana Batistella, produtora de shows internacionais. Fabiana foi responsável por trazer e produzir/co-produzir bandas internacionais como Pixies, Weezer e Super Grass. Também estiveram presentes o jornalista Alexandre Matias e o editor da revista Outra Coisa, Adilson Pereira.

Agenda lotadíssima e dificuldades financeiras foram as maiores dificuldades apresentadas por Fabiana para se trazer uma banda gringa ao Brasil. ‘‘As bandas americanas, por exemplo, ao vir para cá deixam de fazer quatro shows nos Estados Unidos. Na média eles cobram 20 mil dólares de cachê, ou seja, perdem uns 180 mil reais só por estarem viajando’’, explica. Ela ainda passou os custos de um show como o do Placebo, vindo recentemente ao país para a turnê do Claro que é rock.‘‘O cachê custou 40 mil dólares. Passagens foram mais 30 mil reais. Quando adicionamos gastos com vistos, som e iluminação o custo total atingiu R$ 182.500’’. Fabiana diz não ter tido muitos problemas com exigências dos músicos, mas reclama do comportamento dos produtores. ‘‘Tenho mais problemas com os tour managers. Eles são muito afetados. O manager do Weezer era um ‘pé no saco’. Ficou afetado com um aglomerado de fãs no hotel em que estavam exigiu a saída deles. Mas o curioso é que os fãs não era do Weezer, mas sim da Avril Lavigne’’.

O jornalista Alexandre Matias, além de fazer uns free-lances para a Folha de São Paulo e revista Bizz, é o editor do blog Trabalho Sujo. Ele ressaltou a importância dessa nova mídia para a divulgação da cena independente do rock. ‘‘O Trabalho Sujo para mim é prioridade. Eu sou blogueiro em primeiro lugar, depois vem o trabalho para os outros meios’’, afirma Matias que também trabalha na gravadora Trama. Ele salientou que só no blog seus publicados de modo integral. ‘‘Embora cortem pouco, há sempre umas ‘limpezas’ dos meus textos da Folha e da Bizz’’, conclui.

Adilson Pereira, editor da revista Outra Coisa, contou sobre a nova experiência de distribuição proporcionada pelo veículo. ‘‘No que diz respeito às vendas, o problema não é vender centenas de milhares de cópias, mas sim achar que o que não vende centenas de milhares não é legal. Nosso formato deu certo e temos orgulho do trabalho feito com a banda Cachorro Grande, que começou a ser conhecida depois de encartado o seu CD na quinta edição da revista. Como diria Lobão, nosso principal garoto-propaganda, a Outra Coisa é projeto híbrido de cultura independente e guerrilha poética’’, coclui Pereira.

Durante três dias o Festival do Sol reuniu na Ribeird bandas como Mundo Livre SA, Ludov, Dead Fish e Autoromas. Nomes locais como o Du Souto e Simona Talma impressionaram o público. Também foi gravado um especial Banda Antes MTV e vários jornalistas da mídia especializada no país estiveram presentes.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – TRIBUNA DO NORTE (RN)

Sob o sol da liberdade

Isaac Ribeiro, Rafael Duarte e Tádzio França – repórteres

O Largo da rua Chile foi mais do que suficiente para acolher o público da segunda edição do Festival DoSol, realizado no último fim de semana, na Ribeira. Espaço para circular não faltou, pois o público não foi dos maiores — uma média de mil pessoas por noite. Mas a estrutura do evento melhorou com relação ao ano passado; exceto o som dos dois palcos interligados, que comprometeu o show de várias bandas, principalmente na sexta-feira e no domingo.

O primeiro dia de festival foi o da “diversidade”. Os Poetas Elétricos (RN) abriram o festival com sua música performática, seguidos pela cantora potiguar Simona Talma, estreante em festivais de rock. Depois vieram Parafusa (PE), Mad Dogs (RN) e Seu Zé (RN). A recepção do público ainda era fria e o som continuava a não colaborar. Com a entrada dos olindenses do Bonsucesso Samba Clube, o som melhorou um pouco.

A platéia só esquentou mesmo com a entrada do DuSouto no palco. Os problemas técnicos não foram suficientes para atrapalhar a energia da banda, que vive um dos seus melhores momentos e acaba de lançar CD em nível nacional, remasterizado pela gravadora Nikita. Os potiguares mostraram mais uma vez que estão prontos para palcos maiores e melhores — e com som profissional de verdade.

Experiência Ápyus (RN) não conseguiu fugir do anticlímax. O Ludov (SP) fez um show bem chatinho. E longo.

Programado inicialmente para entrar em cena a 1h30, o Mundo Livre S/A, bastião do movimento manguebeat, começou seu show às 3h45. Quem agüentou, viu a banda alternar clássicos de sua carreira com canções mais recentes. Viu também os primeiros raios de sol iluminarem a Ribeira. Cai o pano. (IR)

A noite mais “indie” foi a de menor público

Pode-se dizer que o sábado foi o dia “indie” do festival. Boa parte das bandas possuíam regulares carreiras no “underground”, com certo respaldo de crítica e público, algumas com CDs lançados, e todas com downloads gratuitos para serem ouvidas em banda larga ou pulsos discados. Talvez por isso, tenha sido o dia de menor público do evento, em torno de 600 pessoas.

A festa começou em clima de matinê hardcore: pesada, barulhenta, mas, “emotiva”, por volta das 16h30. Assim foram Drunk Driver, Doris e Distro, no palco interno do bar. Cantando em inglês – mas mantendo o peso e a “emotividade” – o Deadfunnydays abriu os trabalhos nos palcos externos. Mas o público do largo só deu sinais de vida quando o baiano Los Canos disparou seu rock direto e ‘garageiro’ no recinto.

Os Bugs mostraram as novas – e boas – canções de seu EP “Exílio”, seguidos pelo brasiliense Bois de Gerião, que elevou o astral da área ao acrescentar metais, Clash e Led Zep no seu receituário pop. Desafiando os tímpanos presentes, os gaúchos Walverdes destacaram-se ao tocar alto – vale repertir, bem ALTO! O barulho, no entanto, envolve ao destilar The Who e Kinks (suas maiores influências) de forma distorcida e bem resolvida.

A mais longa noite do DoSol seguiu até o fim, de forma irregular. Destaques: o humor e a demência com causa do Autoramas (RJ), instaurou o clima “trilha sonora de Tarantino” no local, enquanto os aguardados Forgottens Boys (SP) deram o que seus fãs queriam: garage rock no talo, Stones anabolizado, e “hits” subterrâneos. (TF)

Devotos levantou a poeira do largo

No domingo, como era previsível, o hardcore instigou a molecada e atraiu o maior público do festival. Mas foi o desfile de adereços impostos pelo estilo HC que chamou a atenção. O calor das rodas de pogo, por exemplo, não evitou que uma figura tirasse do armário um sobretudo!? De resto, aquela coisa de sempre: cabelos moicanos coloridos, pulseras e correntes. Tudo em nome da tal da atitude.

Depois da galera bater cabeça na penumbra do Dosol Rock Bar com Fliperama, Ravanes e Pots, a coisa variou entre o melódico e a sujeira HC nos palcos externos. O DeadNomades (PB) fazia um início de show sem muita empolgação até surgir com Hey Ho, Let’s Go, do Ramones. O resultado foi uma imensa roda de pogo no meio da galera. Após uma passagem sem criatividade do Karpus (RN), o Astronautas (PE) subiu ao palco com uma expectativa positiva deixada no show da banda realizado no MADA, em 2005. No entanto, à exceção de duas ou três músicas, o rock industrial dos caras não contagiou. O Alface (RN) teve problemas com dois amplificadores e a rouquidão do vocalista Anderson Foca. De fato, a galera só veio responder, com espasmos de histeria diga-se de passagem, quando o Jane Fonda apareceu. Lançando o primeiro CD ao vivo, a banda potiguar emplacou os hits que não deixam nada a desejar aos temas dos casais moderninhos em crise das novelas Globais. Lá pelas 21h, o Devotos (PE) fez o melhor show da noite. Cannibal mostrou um carisma que nem de longe se via nas outras bandas e deixou parte do público à vontade para provocar os capixabas do Dead Fish. Apresentando o repertório do novo trabalho “Um homem só”, a banda sentiu que não ia ter vida fácil até o fim do show. Xingamentos dos dois lados à parte, o festival Dosol terminou com um saldo positivo: mostrou muito do que estava escondido na cena independente do país. Que venha a versão 2007 com mais força! (Mas com um som de primeira categoria). (RD)

Eu não estou nem aqui!

Os problemas com o som do festival não chegaram a tirar o sono de Anderson Foca, que eximiu a produção de responsabilidade. “A gente montou o palco e estava tudo pronto para a passagem de som das bandas, mas ninguém apareceu. Então, eu não tenho nada a ver com isso”, disse se referindo, principalmente, às três primeiras bandas de sexta-feira.

Solto na ponte aérea

O guitarrista e vocalista da banda natalense DuSouto, Gustavo Lamartine, veio do Rio de Janeiro especialmente para a apresentação no festival, retornando em seguida para a Cidade Maravilhosa. Gustavo faz curso na área de design e está adorando a temporada no Jardim Botânico.

Dividindo tudo

Na noite de sexta-feira, havia muita reclamação das meninas na fila do banheiro químico. O problema é que instalaram três cabines para homens e apenas duas para mulheres. “Estamos em desvantagem, pois os meninos fazem xixi em qualquer lugar, e nós não!”, desabafava uma garota. Algumas, dicidiram quebrar o protocolo e dividiam a mesma fila com os garotos. Fez sentido… no último dia, o número de banheiros aumentou para 4 e 4, para alívio do público.

À procura do som perfeito

Nem o Alface, banda do diretor do festival Anderson Foca, passou incólume às falhas do som. Na segunda música do show, no domingo, dois amplificadores, literalmente, apagaram no palco. A reação do vocalista foi imediata: atirou o microfone no chão. “É a lei de Murph, porra!”, desabafou.

Trombadinha rocker

O guitarrista das bandas Dóris e Distro, Vinícius Menna, teve os pedais roubados durante o festival. O equipamento estava no camarim localizado atrás do palco do Dosol Rock Bar. De acordo com o músico, o prejuízo foi de mais de mil reais. Até o fim do festival o larápio não tinha sido encontrado.

Tapete vermelho

Mal acabou o show do Devotos, a banda capixaba Dead Fish já sentiu a recepção do público. Ainda sob a aura punk-rock de Cannibal e cia, que fez um grande show, a galera em coro mandou um sonoro: “Ei, Dead Fish, vai tomar no…!” mas apesar dos protestos, o número de fãs da banda capixaba era grande.

The original

O mundo muda e a MTV também. Depois de Fábio Massari, Gastão, Soninha e Edgar Piccoli, o canal musical teen atacou este ano, no Mada e DoSol, com os VJs Carla Lamarca e André Vasco. O “queridinho” do programa Chapa Coco foi mais requisitado que as bandas!
Para variar, as fãs destilaram um repertório de frases originais: “Você é lindo! Te vejo todo dia na TV!”.

Menino buchudo

No final do show do Karpus, o vocalista André decidiu provocar algum amiguinho que não gosta da banda e subiu nas tamancas. “A minha banda está no palco, véio! E a sua, não”, disse o menino buchudo ao microfone deixando a galera sem entender nada da pendenga.

Contatos imediatos

Para quem acha que circula muita grana nos festivais com a venda de CDs, errou feio. O idealizador do selo Mudernage Diskos, Vlamir Cruz, contou que a média de venda por dia varia entre três e cinco CDs. Segundo ele, o rock dos bastidores é fazer contato com a imprensa e os produtores.

TRIBUNA DO NORTE (RN)

Que soem as guitarras: o festival de música (rock) independente DoSol começa oficialmente sua segunda edição nesta sexta-feira, com programação agora estendida por três dias, de hoje até domingo. O largo da rua Chile se transforma num imenso palco para exibir a diversidade da cena rocker brasileira, que corre por fora das grandes gravadoras. Serão ao todo, 38 bandas de 11 estados do Brasil, com riffs para todos os gostos.

A produção 2006 manteve a estrutura de três palcos, sendo um dentro do bar DoSol, e dois palcos principais na rua Chile. A programação da sexta-feira é a seguinte: às 21h, Poetas Elétricos (RN); às 21h30, Simona Talma (RN); às 22h, Parafusa (PE); às 22h30, Mad Dogs (RN); às 23h, SeuZé (RN); às 23h30, Bomsucesso Samba Clube; às 0h, DuSolto (RN); às 0h30, Experiência Ápyus (RN); às 01h, Ludov (SP); às 01h 40, o aguardado Mundo Livre s/a (PE).

No sábado, o dia de maior número de atrações: às 16h30, tem Drunk Driver (RN); às 17h, Distro (RN); às 17h30, Doris (RN); às 18h, Deadfunnydays (RN); às 18h30, 2Fuzz (CE); às 19h, Carfax (PE); às 19h30, Los Canos (BA); às 20h, Bugs (RN); às 20h30, Bois de Gerião (DF); às 21h, Walverdes (RS); às 21h30, Revolver (RN); às 22h, Memória Rom (RN); às 22h30, MQN (GO); às 23h, Zero8Quatro (RN); às 23h30, Autoramas (RJ); e às 0h10, os aguardados Forgotten Boys (SP).

O último dia do festival, ao domingo, começa mais cedo em clima de matinê. Mas bem pesada. Às 16h 30 tem Fliperama (RN); às 17h, Ravanez (RN); às 17h30, Pots (RN); às 18h, Dead Nomads (PB); às 18h30, Karpus (RN); às 19h, Astronautas (PE); às 19h30, Allface (RN); às 20h, Aditive (SP); às 20h30, Jane Fonda (RN); às 21h, Devotos (PE), e às 21h40, Dead Fish (ES).

O festival também preparou suas atrações paralelas. Termina hoje (sexta), o ciclo de palestras “Pensando Música”, no Solar Bela Vista.

Serviço:

Festival DoSol. De sexta a domingo, no largo da rua Chile, Ribeira. Preços: R$12 (dia) e R$30 (temporada). Tel.: 3642-1520.

TRIBUNA DO NORTE (RN)

Rafael Duarte – Repórter

O rock volta a respirar o charme das ruas escuras e imundas da velha Ribeira de guerra. Abandonado pelas autoridades, o segundo bairro mais antigo da cidade ganha poder de fogo a partir de hoje quando abre passagem para a segunda edição do Festival DoSol, que ocorre até domingo no largo da rua Chile.

Ao todo, 37 bandas representando 11 estados do país devem se apresentar nos três palcos do evento, dois externos e um menor, localizado no bar Dosol. Do Rio Grande do Norte, 20 grupos se preparam para mostrar a quantas andas a produção independente local. Hoje, a festa começa às 21h. Nos outros dois dias, o som começa a rolar a partir das 16h30. Além do rock, a produção confirmou a feira de zines e exposição dos principais produtos dos selos locais e nacionais. De acordo com o idealizador do festival, Anderson Foca, a maioria das bandas está lançando novos trabalhos ou em turnê divulgando a produção recente. “Estamos realizando o festival numa data muito boa, pegando a galera na época de lançamentos de CDs. Tanto aqui como fora tem gente lançando trabalho novo, como Simona Talma, Doris, Fliperama, Ravanes, Dead Fish…”, disse.

Ele lembra que a produção recebeu mais de 800 trabalhos de bandas locais e de outros Estados. “Teve material que a gente nem conseguiu ver por conta da quantidade e do tempo que tínhamos para fechar a programação. Vimos os shows de quase todas as bandas que vieram para o DoSol”, afirmou.

O vocalista da banda potiguar SeuZé, Lipe Tavares, afirma que tocar no festival credencia as bandas a entrarem no circuito nacional independente. Depois da apresentação no DoSol, o SeuZé deve parar e começar a pensar no próximo CD, que deve ser lançado no segundo semestre do próximo ano. “Estamos começando a compor, não tem nada definido ainda. Participamos ano passado do DoSol, da feira da música em Fortaleza, do festival Mada. Se a gente quiser reconhecimento nacional temos que obedecer a seqüência de festivais. Para tocar nos festivais de fora, temos que mostrar em casa primeiro porque vem imprensa de fora, além do trabalho de divulgação feito pelos jornais locais”, analisou.

Estreante em festivais de rock, Simona Talma está apreensiva com a oportunidade de dar de cara com a galera. Mesmo com um trabalho calcado no blues, ela não sabe como será a reação do público. “Tem um pouco de medo da reação do público, mesmo sabendo que será a noite mais leve do festival. Não é um trabalho tão novo, mas o fato de ser meu primeiro festival de rock me deixa apreensiva. Espero que dê certo”, disse.

Serviço:

Festival DoSol, 4 a 6 de agosto, no largo da rua Chile. Preços: R$12 (um dia) R$ 30 (temporada). Informações: 3642.1520. Patrocínio: Prefeitura, Banco do Brasil, Skol e Governo do Estado.

JORNAL DE HOJE (RN)

“Pensando Música” começa hoje

Élida Mercês
Repórter – elidamerces@oi.com.br

Seguindo a tendência dos festivais de música independente de todo o país, o Festival DoSol realiza até sexta-feira, no auditório do Solar Bela Vista, o “Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar”. As discussões precedem as apresentações das bandas que vão tocar no largo da rua Chile, de 4 a 8 de agosto.

O produtor cultural e organizador do Festival DoSol, Anderson Foca, explica que os três dias de palestras são voltados para músicos, produtores e jornalistas culturais que queriam trocar idéias com pessoas dos mais diversos estados do Brasil. “É uma boa oportunidade para conhecermos o que está sendo feito nas outras regiões do país, o que deu certo e o que não deu, assim como unir forças para viabilizar projetos em comum”, diz.

Foca observa que as pessoas que fizeram a pré-inscrição, através do site do festival, terão prioridade. “Os interessados podem se inscrever no local, basta levar um livro, que será doado a uma instituição a ser definida. O ‘Pensando Música’ contará com palestrantes do cenário musical nacional e vai abordar temas que envolvem músicos e produtores do Rio Grande do Norte”,

Segundo Anderson Foca serão três dias e seis temas para debates, com a intenção de promover e qualificar a cena local. “É uma oportunidade única de compartilhar experiências, esclarecer dúvidas com pessoas que lidam em todas as áreas de música e produção”, diz. Os temas que se abordados no ciclo são: áudio básico para músico, produtores, roadies e interessados; manutenção de instrumentos musicais guitarras e contrabaixos; selos independentes e produção fonográfica; mercado independente e o circuito de festivais; shows internacionais no Brasil; e mídia impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.

Um dos palestrantes de amanhã é o presidente da Associação Brasileira de festivais Independentes (Abrafin), Fabrício Nobre, integrante de um dos maiores selos independentes do país, a Monstro Discos, e organizador de dois festivais em Goiânia, o ‘Bananada’ e o ‘GoiâniaNoise’. Para ele é importante que as pessoas saibam que o festival não é apenas um final de semana. “É muito trabalho envolvido e discutir isso em um ciclo de palestras e debates é essencial para que haja uma maior repercussão do evento, das bandas e do cenário musical independente. A Abrafin foi fundada em novembro de 2005 e, apesar de estar engatinhando, já reúne cerca de vinte festivais nos quais tem incentivado a realização de debates”, ressalta Fabrício Nobre.

Há pouco tempo, revela Nobre, a Abrafin esteve reunida com o Ministério da Cultura solicitando a publicação de um edital específico para os festivais de música. “Dessa forma teremos mais respaldo junto às empresas e todos saem ganhando. Estamos mostrando que trabalhamos com seriedade, trocando idéias e experiências visando articular ainda mais espaços para as bandas nacionais”, observa.
Fabrício Nobre também se apresenta no Festival DoSol, com sua banda ‘MQN’. “A nosso estilo é o mais puro rock. Vamos completar dez anos de estrada em novembro e estamos gravando um novo disco que vem cheio de novidades. Nossa participação no festival será no sábado, com o mesmo show que estamos apresentando por outras cidades do Nordeste e que tem como base um álbum que foi lançado no ano passado”.

O Festival
A segunda edição do Festival DoSol vai reunir 38 bandas, de 11 estados, que vão se revezar em três palcos montados em uma estrutura com capacidade para 4 mil pessoas. A organização enfatiza que o foco do evento é o potiguar, representado por 19 atrações dos mais diferentes estilos musicais.

Anderson Foca observa que o Festival DoSol é feito e gerido por pessoas que estão diretamente envolvidas com a propagação da música local. “Para nós, é uma honra poder escalar um número tão grande de bandas potiguares. Todas elas são ótimas no que se propõe e não vão de deixar a desejar com relação às bandas de outros Estados que participarão do evento”, diz.

Dentro o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de mini-turnês nordestinas com algumas das atrações convidadas. “No primeiro dia do Festival os shows começarão pontualmente às 21h. Já no sábado e domingo (05 e 06/08), com a programação iniciando às 16h, o Festival começa no palco do Rock Bar, um formato que deu certo e foi elogiado pelo público e bandas. Na rua Chile, haverá estandes de artigos direcionados à cena musical. CDs, instrumentos musicais, Fanzines, entre outros estarão presentes no evento. Além disso, os bares e restaurantes da rua estarão servindo de suporte para o evento”, explica o produtor cultural.

O Festival DoSol é uma realização do selo DoSol e conta com o patrocínio do Banco do Brasil, Skol, Lei Djalma Maranhão, Lei Câmara Cascudo, Prefeitura Municipal de Natal, Governo do Estado, além do apoio da Digizap.

Confira a programação do
“Pensando Música”:
Hoje:
14horas
Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados.
- Eduardo Pinheiro
16 horas
Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos
- Ministrado pela equipe da De Oliveira.

Quinta-feira
(3 de agosto)
14horas
Selos independentes e produção fonográfica
- Fabrício Nobre [GO] – Monstro Discos
- Anderson Foca [RN} - DoSol
- Vlamir Cruz [RN] – Mudernage
16 horas
Mercado Independente e o circuito de Festivais
- Paulo André (PE) – Festival Abril Pro Rock Festival / Porto Musical, vice-presidente da ABRAFIN,
- Fabrício Nobre (GO) – Festival Bananada e GoiâniaNoise, presidente da ABRAFIN,
- Jomardo Jomas – Festival Mada
- Anderson Foca – Festival DoSol

Sexta-feira
(4 de agosto)
14 horas
Shows internacionais no Brasil
- Fabiana Batistela [SP] – Inker Squat, Mondo 77, produtora de shows internacionais.
16 horas
Mídia Impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.
- Adilson Pereira [RJ] – Editor da revista impressa Outracoisa
- Alexandre Matias [SP] – Blogueiro e jornalista. Participa do Trama Universitário, e colabora na Folha de São Paulo e diversos outros veículos.
- Fabiana Batistela [SP] – Revista Bizz, Inker

Programação dos shows:

4 de Agosto
(Sexta-feira)
Palcos Externos: Poetas Elétricos (RN), Simona Talma (RN), Parafusa (PE), Mad Dogs (RN), Seu Zé (RN), Bonsucesso Samba Clube (PE), DuSolto (RN), Experiência Ápyus (RN), Ludov (SP) e Mundo Livre (PE).

5 de Agosto
(Sábado)
DoSol Rock Bar: Drunk Driver (RN), Distro (RN), Doris (RN).
Palcos Externos: DeadFunny Days (RN), 2Fuzz (CE), Carfax (PE), Los Canos (BA), Bugs (RN), Bois de Gerião (DF), Walverdes (RS), Revolver (RN), Memória Rom (RN), MQN (GO), Zero8Quatro (RN), Autoramas (RJ) e Forgotten Boys (SP).

6 de Agosto
(Domingo)
DoSol Rock Bar: Fliperama (RN), Ravanez (RN), Pots (RN).
Palcos Externos: Dead Nomads (PB), Karpus (RN), Astronautas (PE), Allface (RN), Aditive (SP), Jane Fonda (RN), Devotos (PE) e Dead Fish (RN).

CORREIO DA TARDE (RN)

COLUNA LUIS HENRIQUE
Paulo André
Criador e organizador do tradicional Abril pro Rock, Paulo André foi um dos responsáveis pela propagação do Mangue Beat pelo mundo. Empresário de visão além do alcance, uma de suas últimas sacadas foi genial: o retorno aos palcos dos Mutantes. Pois bem, amigo leitor, anos de experiências e histórias à disposição amanhã às 16h no Solar Bela Vista, durante o painel sobre o mercado independente e o circuito de festivais, que acontece dentro do ciclo palestras e debates da música potiguar “Pensando Música”. Paulo vai debater com o Foca (DoSol), Jomardo (MADA) e
Fabrício Nobre (GoiâniaNoise).

Festival…
E quando a sexta chegar e Festival DoSol começar, convém prestar atenção às letras líricas da Parafusa, banda proveniente da terra do frevo, uma mescla de Chico Buarque com banda de rock.

…do Sol
Há ainda muita coisa boa. Dá só uma sacada: Poetas Elétricos (RN), Simona Talma (RN), Parafusa (PE), Mad Dogs (RN), Seu Zé (RN), Bonsucesso Samba Clube (PE), DuSolto (RN), Experiência Ápyus (RN), Ludov (SP) e Mundo Livre (PE).
Show de bola! Fora de Controle! Imperdível!

CORREIO DA TARDE (RN)

Festival DoSol promove ciclo de palestras e debates para o crescimento da Música Potiguar

O trabalho de um músico requer muito conhecimento sobre o seu instrumento, as possibilidades de gravar um disco, as alturas e timbres em uma passagem de som, seu estudo diário, além das noções de produção. Para contemplar esse universo, o Festival DoSol junto com o selo Mudernage e a Agência cultural do Sebrae, promovem, a partir de hoje até a próxima sexta-feira, o Projeto Pensando em Música, um ciclo de palestras e debates para o crescimento da música potiguar. A reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro abordando temas que envolvem os músicos e os produtores de todo o Estado.

São palestras sobre áudio básico, manutenção de instrumentos musicais, selos independentes e produção fonográfica, mercado independente e o circuito de festivais, shows internacionais no Brasil; mídia impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.

Os palestrantes são referências em todo o mundo, como o Produtor Paulo André (PE) do Festival Abril pro Rock e vice-presidente da ABRAFIN, Porto Musical, que ministrará a palestra “Mercado independente e o circuito de festivais”, e a Fabiana Batistela (SP), produtora de shows internacionais no Brasil como: Pixies (EUA), Weezer (EUA), ministrando a palestra “Shows internacionais no Brasil”. Entre músicos, produtores, programadores de áudio. Um leque aberto para a música.

As inscrições para participação nas palestras e debates serão trocadas por um livro. Cada pessoa pode assistir quantas palestras quiser, escolhendo previamente aquela que lhe interessar. Para garantir a sua inscrição via Internet, preencha os seguintes dados e mande email para mudernage@yahoo.com.br: Nome completo, identidade, e-mail, dizendo a palestra que deseja assistir.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Novo hardcore capixaba

Chega às lojas nesta semana “Um Homem Só’’, sexto disco da banda capixaba Dead Fish,que se açresenta domingo no Largo da Rua Chile, no II Festival DoSol . Na estrada há 16 anos, o grupo é veterano do hardcore nacional mas só neste álbum teve oportunidade de experimentar uma produção grandiosa.

“Ficamos um ano fazendo este disco. Seis meses só compondo as canções e conectando as faixas. É um disco conceitual, pudemos nos empenhar em desenvolver este conceito, em produzir o disco da maneira que a gente imaginou’’, conta o vocalista, Rodrigo.

O Dead Fish, que sempre foi uma banda independente e custeou seus álbuns, ganhou alvará -e dinheiro- da gravadora Deck para passar bastante tempo no estúdio produzindo as canções de “Um Homem Só’’, que estão tão maduras quanto a voz de Rodrigo, com o mesmo peso de sempre. “Existiu diálogo. A gente pôde se focar na música, trabalhar só nisso’’, diz Rodrigo.

As letras tratam de temas todos costurados pelas críticas à solidão, ao egoísmo, às derrotas e à egolatria causados pelo mundo mesquinho em que vivemos. Mas nada de emocore. “Essa história de “emo’ pra cá, “emo’ pra lá vulgarizou valores. Eles [os rotuladores] nem sabem mais o que dizem, nem do que gostam. E eu acho que as coisas só vão mudar para pior’’, critica Rodrigo.

CORREIO DA TARDE (RN)

COLUNA LUIS HENRIQUE

Novo Mês

E que venha agosto, mês do desgosto para alguns terráqueos providos de superstição e conspirações históricas aguçadas.

Aqui, o agosto de 2006 será saudado em solo potiguar como o mês do Festival DoSol. Tão bacana, tão importante para a cultura independente. Em solo nacional, que venha a Festa Internacional Literária de Parati, a FLIP 2006.

Agosto é ainda o mês do advogado e do começo do horário eleitoral gratuito na tevê. Saudações astrais…

Festival…

O grande evento do mês em Natal, o Festival DoSol, começa amanhã com uma sacada show de bola! O ciclo palestras e debates da música potiguar “Pensando Música”, parceria entre a DoSol Records, a Mudernage Diskos e a Agência Cultural Sebrae.

…DoSol

O ciclo tem início às 14h no Solar Bela Vista com a palestra de Eduardo Pinheiro sobre “Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados”, seguida pelo bate-papo sobre “Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos”, a ser ministrado pela equipe da De Oliveira.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Bandas tocam em palcos na Ribeira

De sexta-feira a domingo será realizado a sua segunda edição do Festival DoSol. Com um dia a mais na programação, o evento acontece novamente no Largo da Rua Chile, no bairro da Ribeira, contando com três palcos e estrutura para receber até quatro mil pessoas por dia.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol 38 bandas de 11 Estados do Brasil. O foco são as bandas do próprio Rio Grande do Norte, representado por 19 atrações dos mais diferentes estilos musicais. “O Festival DoSol é feito e gerido por pessoas que estão diretamente envolvidas com a propagação da música do RN. Para nós, é uma honra poder escalar um número tão grande de bandas locais. Todas elas são ótimas no que se propõe e não vão de deixar a desejar com relação as bandas de outros estados que participarão do evento‘‘, diz Anderson Foca, idealizador e produtor do festival.

Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Festival debate o panorama do rock

Com o intuito de crescer a cena local, o Festival Do Sol promove a partir de hoje no Solar Bela Vista um ciclo de palestras e debates da música potiguar “Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar‘‘,realizado em pareceria com o selo Mudernage e a Agência Cultural Sebrae. A reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado.

‘‘Serão três dias e seis temas para debates, com a intenção de promover e qualificar a cena local. Uma oportunidade única de compartilhar experiências, esclarecer dúvidas com pessoas que lidam em todas as áreas diretas de música e produção.

Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados; Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos; Selos independentes e produção fonográfica; Mercado Independente e o circuito de Festivais; Shows internacionais no Brasil; Mídia Impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias serão os temas abordados no ciclo’’, afirma Anderson Foca do Selo Dosol

As inscrições para palestras e debates estão abertas no site do evento www.dosol.com.br/festival , e é de livre participação. Basta enviar um e-mail para o endereço mudernage@yahoo.com.br , informando o nome completo, na da identidade, e-mail de contato e palestras que deseja assistir. A produção do evento está pedindo aos participantes que levem 1 livro para cada dia de palestras, que serão doados a uma instituição a ser definida.

Hoje será debatido na Agência Cultural a partir das 14h, Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados com Eduardo Pinheiro. Ás 16h será apresentado o tema Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos Ministrado pela equipe da De Oliveira.

Amanhã às 14h o tema é Selos independentes e produção fonográfica com – Fabrício Nobre (GO) – Monstro Discos, Anderson Foca (RN) DoSol, e Vlamir Cruz (RN). Às 16h, será debatido Mercado Independente e o circuito de Festivais com – Paulo André (PE) – Festival Abril Pro Rock Festival / Porto Musical, vice-presidente da ABRAFIN,- Fabrício Nobre (GO) – Festival Bananada e GoiâniaNoise, presidente da ABRAFIN, – Jomardo Jomas – Festival Mada e – Anderson Foca – Festival DoSol e Yuno Silva ( Overmundo / RN).

TRIBUNA DO NORTE (RN)

“Pensando Música” começa hoje
02/08/2006 – Tribuna do Norte

Antes do som começar a rolar na Ribeira, a pedida é pensar o rock. O festival DoSol, que ocorre entre os dias 4 e 6 de agosto, prepara os ouvidos públicos com um ciclo de debates sobre os bastidores da música.

O “Pensando Música – ciclo de palestras e debates para o crescimento da Música Potiguar” começa hoje, a partir das 14h e segue até a próxima sexta-feira com o apoio do selo Mudernage e Agência Cultural Sebrae. As discussões ocorrem no Solar Bela Vista. As inscrições deve ser feitas no local em troca de 1 livro.

Durante os três dias serão discutidos a linguagem áudio básico para músicos, a manutenção de instrumentos, os selos independentes, o mercado e os festivais de música, a viabilização de shows internacionais no Brasil e a mídia cultural. O evento contará com a presença de especialistas potiguares e de outros Estados. Hoje, o produtor musical Eduardo Pinheiro explica, a partir das 14h, os conhecimentos básicos de sonorização nos shows, enquanto a equipe da empresa potiguar De Oliveira fala, às 16h, sobre a conservação e manutenção dos instrumentos.

De acordo com o produtor e idealizador do festival, Anderson Foca, embora alguns temas sejam específicos para quem trabalha na área, o evento deve despertar o interesse de leigos. “Pode ter produtor em potencial no público que precisa apenas de um estímulo. Na verdade, não é um debate, mas uma reunião, um encontro entre as pessoas que gostam de música e querem se aperfeiçoar. Quem se inscreveu pela internet ou antes terá a preferência, mas quem estiver interessado ainda pode ir”, avisou.

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Rafael Duarte – Repórter

A batida do vento que sopra na direção da banda potiguar DuSouto é eletrônica. Criado em 2005 pelos músicos Paulo e Gabriel Souto após o fim do Sangueblues, o grupo absorveu a filosofia da grande rede e ganhou o mundo. No contrato garimpado com a gravadora carioca Nikita Records, o DuSouto foi parar na Copa da Alemanha ao incluir a música Ie Mae Jah no game FIFA SOCCER 2006. Mês passado outro bônus: “Ie Mae Jah” e “Do outro lado de lá” foram incluídas na coletânea de músicas brasileiras “Busta Brasileira” (algo como a melhor música brasileira) comercializada no Japão.

Empolgada com os frutos do primeiro CD “DuSouto”, a banda volta aos palcos sexta-feira, 4 de agosto, no primeiro dia de rock do festival Dosol. O baixista Paulo Souto, 35 anos, conversou com a TRIBUNA DO NORTE. Ele do passado, do presente e do futuro:

O Momento

“O que a gente está vivendo hoje é incrível, estamos muito mais maduros do que quando lançamos o CD no ano passado. Esse contrato com a Nikita, a distribuição das músicas na game da FIFA e numa coletânea de músicas brasileiras no Japão, a “Busta Brasileira”, nos pegou de surpresa. A certeza que temos é de que o segundo vai ser ainda melhor que o primeiro. Começamos a nova parte de edição de imagens do DuSouto, temos vários músicas prontas que já vamos mostrar no show do festival Dosol.”

Processo de produção

É uma coisa quase que fisiológica. Um dia desse fiz uma música em dez minutos durante uma caminhada da minha casa para a casa da minha mãe. Outras demoro uns dois ou três meses para terminar. Eu e o Gustavo compomos desde os 13 anos de idade. Aprendi a tocar violão nessa época e via que naqueles cadernos de música só tinha Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia… não era a minha língua. No começo dos anos 80 também não tinha nada. Foi aí que decidimos fazer nossas próprias músicas.

Início

De uma forma ou de outra o General Junkie foi a semente do DuSouto. Mas na verdade a banda começou comigo e com o Gabriel depois que saí do Sangueblues. Passamos um ano e meio fazendo interpretações com uma pegada eletrônica de outros músicos até que o Gustavo chegou e disse que se a gente tocava Otto poderíamos fazer nossas próprias músicas. E colocamos a idéia para frente.

Mercado

A chegada da Nikita foi massa porque antes de lançar o CD, já nos colocou no mercado com o game e a coletânea no Japão. Conseguimos pagar a nossa parte no contrato. Tinha ficado combinado que bancaríamos a remasterização e com a grana que rolou quitamos tudo e empatamos o jogo. No mais, acho que a abertura que isso deu na mídia foi importante. O feedback também está legal. Em Recife e João Pessoa a galera comenta, a gente descobre muitos jogadores do game da FIFA de plantão nos shows.

Remasterização

Agora é outra história, outra qualidade. É um CD mesmo. Não parece mais uma demo. Tem todos os requisitos: material gráfico de primeira e uma diferença grande na gravação das músicas. Antes por não termos finalizado direito, a gente sentia que algumas faixas davam uma capengada, principalmente quando comparávamos com outro CD. Hoje está pau.

Futuro

Gustavo (Lamartine) está no Rio de Janeiro fazendo uns cursos, volta agora para tocar no festival Dosol e vai de novo. Devemos ir em setembro para o Rio iniciar uma turnê porque o próprio Lerena (Felipe Lerena, diretor da Nikita) disse que se a gente não começasse a pegar a estrada a coisa não ia andar só pela gravadora. A idéia é começar os contatos e fazer Rio, São Paulo e o sul.

Nikita Records

A Nikita não é uma gravadora, mas uma editora. No nosso contrato, eles têm autorização para trabalhar com as músicas por cinco anos. A impressão do CD é deles e por isso a gente recebe uma porcentagem mínima. Na verdade, a Nikita é um contato entre o artista e um distribuidor.

Estrutura

É pequena. Tem umas quatro pessoas apenas trabalhando para o Lerena, e todo terceirizados. Um cara na web, outro na remasterização e edição e mais dois ou três caras… é parecido com a forma como a gente trabalha.

Filosofia

É mais ou menos a filosofia do “vale quanto pesa”. Por exemplo: se o Los Hermanos vem fazer um show aqui e cobra R$ 30 mil, tem que levar muita gente para o show. No contrato da gente agora, o Lerena falou que ia fazer uma tiragem mínima de cinco mil exemplares porque quem diz se é bom é o público. Outro coisa é que o cara está apostando na internet. O CD está a venda nos sites submarino, imusica, msnmusic…

Mainstream

É um sonho, mas com os dois pés no chão. A gente não sabe quando nem onde isso vai acontecer. Ninguém pretende abandonar os afazeres, mas no dia em que a música estiver mais solicitada que o nosso trabalho diário vamos abandoná-lo e buscar a música. Não temos uma gravadora para pagar jabá nas rádios… O que me importa é que se eu levar uma vaia vou me sentir péssimo, vai ter que mudar tudo. Agora, quando a galera pede bis estou no céu. Cansamos desse oba oba, de esperar acontecer… Ficamos no oba oba com o General durante 10 anos e quando fomos gravar não tinha mais sentido. O meu mainstreain é dinheiro no bolso para poder viver.

General Junkie

O General durou o tempo que tinha que durar. Gravamos o disco mais como um registro porque não tinha mais nada a ver com que estávamos querendo fazer. Não fazia mais sentido interpretar músicas que escrevemos sete anos atrás, sabe… não era aquilo que a gente estava a fim de dizer. Sentíamos dificuldade em renovar. O General era muito rock in roll, mas a gente não se apega tanto a isso. Somos músicos. O DuSouto está soando eletrônico hoje, mas não tenho a mínima idéia do que pode acontecer no próximo disco.

Gabriel Souto

O Gabriel Souto (DJ da banda) é um gênio. Ele foi imprescindível na formação atual e na proposta da banda. Chegou com o novo, aprendeu edição de áudio, de imagem, a parte de web. Isso tudo com 23 anos de idade. No início passava umas coisas para ele, mas o moleque está me dando aula! A gente tentou colocá-lo no General (Junkie) mas ficou meio fora de contexto. Com o DuSouto foi diferente, essa pegada eletrônica tem tudo a ver com a idéia.

Estilo

A gente nunca seguiu nada. Mesmo quando tínhamos 16, 17 anos, nunca fomos punk, metaleiros, darks, sempre fomos mais para o junkie. Preferi curtir a vida sem essa idiotisse de segmentar a coisa. Nos anos 80, 70% dos meus amigos tinham cabelo grande e usavam roupa preta. Era uma coisa muito demodê!. Para mim, os anos 80 foram péssimos culturalmente. Essa coisa do manguebeat também não curti muito. Eu sou gente normal. Para mim, os anos 90 foi a melhor fase porque desmistificou esse lance de casta na música.

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O Festival DoSol já começou. Depois de uma pequena prévia no DoSol Rock Bar com shows de seis das melhores bandas independentes do cenário nacional, mais a local Allface, para a gravação do programa MTV Banda Antes, a cidade já pede por mais. Começa a contagem regressiva para os três dias de música independente que irão rolar nos dias 04, 05 e 06 de agosto, no Largo da Rua Chile. A equipe do Rock Potiguar esteve na casa do produtor Anderson Foca para saber mais sobre o Festival que, embora ainda esteja em sua segunda edição, já promete se equiparar a outros grandes eventos musicais dos grandes centros brasileiros.

Qual a principal diferença entre o Festival desse ano e o do ano anterior, em relação à estrutura? Houve uma evolução?

Anderson Foca – Houve uma evolução técnica já de cara, de um dia a mais. Ano passado a gente fez um sábado e um domingo e esse ano já estamos começando na sexta-feira. Isso já é uma evolução muito grande. E também a prévia, que a gente conta como um dia oficial do Festival. Ano passado a gente teve uma banda, que foi o Ludov e teve o Base Livre lançando cd. Esse ano a gente teve seis bandas de fora e mais o Allface, gravando programa pra MTV. Isso já foi um avanço bacana, já deixou a cidade com cara de que está pronta pra um grande evento, um grande festival. Em relação a estrutura, é muito parecida com a do ano passado. Os shows vão começar no DoSol Rock Bar, com exceção da sexta que já começa lá fora, dois palcos grandes… Agora, a gente tem um upgrade na estrutura física do pessoal do fornecimento. Esse ano a luz é de Castelo Casado, que é a melhor luz do estado, o palco vai ser maior… Na questão de som, amplificadores, também foi feito um upgrade. Esse ano vamos ter uma ambientação melhor no Largo (da Rua Chile) também, uma luz especial pro evento.

E qual o critério de seleção para as bandas entrarem no Festival?

É basicamente o mesmo de todos os festivais de música independente do Brasil. A gente recebe alguns cds e assiste muito show. Eu tive a oportunidade esse ano de ir pro Goiânia Noise, Senhor Festival, pro Porto Musical…Então, pude ver vários shows Brasil afora. Porque se você ouvir só o cd é complicado. As vezes você escala uma banda pelo cd e a banda não responde a bronca no palco, então você tem que ter um lastro maior. E como eu tenho uma rede de informação muito grande entre produtores musicais e artísticos, toda banda que a curadoria do Festival se interessava, a gente ia perguntar sobre essa banda, o que ela tava fazendo, onde tava tocando. Acho também que é muito salutar pros festivais que haja um rodízio. Em relação às bandas de fora, a gente não repetiu nenhuma que veio no Festival passado por uma questão de estética nossa. E nem repetimos bandas de fora que tocaram no MADA, até para dar a possibilidade das pessoas daqui terem um leque maior de bandas que elas possam assistir. E pras bandas locais, a gente deu prioridade às bandas que tão lançando ou lançaram cd esse ano, que já estão com um trabalho mais atualizado, que tão na correria, tocando. Quase todas que estão lançando disco, estão no Festival.

Quantos discos você recebe por mês, em média, pra avaliação?

Por mês eu não sei te dizer, cara. Mas esse ano a gente bateu um recorde, que foi foda: recebemos cerca de 800 cds. Do Goiânia Noise, eu voltei com uns 150. Do Porto Musical, eu saí com mais uns 70, 80. E como a gente não tem um período de inscrição – a gente só diz quando vai sair a escalação oficial, mas recebemos material o ano inteiro – batemos essa casa de quase 800 cds. E dentre esses muita coisa boa, que infelizmente não entrou no Festival.

Teve alguma em especial que deu uma pena de deixar de fora?

Ah, várias. Várias mesmo. Sapatos Bicolores mandou cd, que é uma banda fudida de Brasília. O Eskimó, que é a banda do Patrick Laplan (ex-Rodox e ex- Los Hermanos), que é do Rio e pra mim foi um dos melhores EPs que eu ouvi no ano passado. Terminal Guadalupe, que foi o material mais curioso que eu recebi. Muitas bandas ótimas, o Rollin’ Chamas, de Goiânia, Violins…Putz, tem tantas.

Como é que a mídia local vem tratando o Festival? Há um apoio, ou ainda existe aquela mentalidade de que o que é daqui não vale a pena?

Acho que nos últimos quatro ou cinco anos a gente tem quebrado um pouco esse paradigma de que se é daqui não é bom, as pessoas não consomem ou não funciona. A mídia tem dado muito espaço, a gente tem conseguido bastante espaço nos cadernos de cultura…Porque o Festival não é só um festival em si: tem a prévia, tem o Pensando Música… tudo isso foi gerando pautas. O resultado está muito satisfatório, o clipping de tudo que já saiu até agora é muito grande e a tendência é aumentar. E nas TVs, com essa coisa da prévia, acho que fomos em todas, dar entrevista, falar sobre o Festival…Algumas vieram com uma curiosidade a mais, outras mais rasteiras, mas sempre dando espaço. Eu acredito que a mídia dá espaço a partir do momento em que você torna a sua ação importante. E isso em qualquer área: economia, política, cultura… Se as pessoas da cidade estão dando uma importância ao Festival, então a mídia reflete o que as pessoas querem ver.

Então, a mídia local hoje dá mais apoio do que anos anteriores?

Eu acho que sim. Hoje a gente tem programa de TV, que é pago pelo projeto da lei do Festival, mas o pessoal da RedeTV cedeu o espaço, vendeu bem mais barato, viabilizou para que o programa pudesse ir pro ar. Só isso já é foda, né? É uma coisa bem incomum pra Natal. O espaço está sendo bem mais satisfatório, então a tendência é a gente preencher os espaços. Não é só porque agora é o Festival que todo mundo dá espaço e depois vai esquecer. Depois do Festival vai ter banda lançando disco, gravando, fazendo clip…E esse material precisa ser veiculado.

O Festival DoSol já pode ser considerado uma vitrine nacional?

Vocês que têm que dizer isso na verdade, né? Quem tem que dizer isso são as bandas, as pessoas que trabalham na área…O meu papel não é esse. Agora, me orgulha receber bandas de fora que sabem o que está acontecendo por aqui. Como foi na prévia, por exemplo: todas as bandas que tocaram, foram bandas que a gente já conhece de outros lugares, que já sabem o que a gente faz, que já sabem o que esperar. E hoje em dia, o circuito Nordeste é o mais aguardado pelas bandas. E isso é o reflexo do que a gente faz aqui que chega até lá. Antigamente, pra eu conseguir que a MTV viesse aqui eu tinha que ir até São Paulo, bater na porta deles, apresentar o projeto. Hoje não, eles já mandam e-mail, perguntando se podem vir cobrir o Festival DoSol. Isso é uma diferença muito grande, de referencial. É por isso que a gente precisa entender um pouco mais o momento. Esses shows que estão acontecendo aqui em Natal nos últimos três, quatro anos, incluindo o MADA, têm sido um negócio absurdo. Hoje o cara que está aqui em Natal, viu os melhores shows independentes do Brasil dentro da cidade, sem precisar sair. Sem contar as bandas daqui, que não estão fazendo vergonhas às que vem.

Então Natal já é um pólo do cenário independente? As pessoas de fora têm prestado atenção no que se produz aqui?

Claro. Compare: ano passado, saindo do Festival DoSol, o Allface foi tocar no Goiânia Noise e Os Bonnies no Bananada, graças à presença do Fabrício (Nobre, produtor) por aqui, que viu os shows e chamou as bandas pra tocar lá. O Experiência Ápyus tocou no FMI, em Maceió, junto com Wando, Tom Zé, Bomsucesso Samba Clube. O Jane Fonda também fez alguns festivais… Então, a tendência é que a gente desperte cada vez mais curiosidade. Olha quem vem pro Festival esse ano: o Fabrício vem de novo, O Paulo André (do Abril Pro Rock e Porto Musical), a Fabiana Batistela, que faz o Curitiba Rock Festival E vem gente daq
ui do Nordeste também, Alagoas, Paraíba…

Que banda da cena potiguar que já não existe mais você queria ter no Festival?

O General Junkie. Eu gravei eles, produzi o disco deles. Ano passado a gente até cogitou gravar um segundo disco, mas infelizmente não foi possível. E tem também o Groisman, que tinha como vocalista o Roberto Sadovski, que hoje é editor geral da SET e é um potiguar. Seria muito bom se eles fossem ativos e pudessem aproveitar esse momento.

Por Alexis Peixoto e Henrique Pereira
29/07/2006