« Voltar | Início » Posts tagged "recife rock"

FESTIVAL DOSOL MÚSICA CONTEMPORÂNEA É HOJE!: ENTREVISTA – ELMA (SP)

Confira a entrevista com Ricardo Lopes, baixista da Elma, feita pelo pessoal do Recife Rock. A banda toca hoje aqui em Natal no Festival Dosol Música Contemporânea e amanhã em Recife em festa do Coquetel Molotov.

Quando tocaram aqui no No Ar 2007 vocês tiveram uma ótima resposta do público, teve até bis. Acham que o público está mais receptivo à sons mais “difíceis” e incomuns?
Quando tocamos em Recife pela primeira vez, não somente pelo Bis, mas pelo número de comentários em blogs e sites relacionados ao festival, as entrevista que demos e até pelas conversas com algumas pessoas que assistiram ao show, fiquei impressionado com o interesse pelo nosso som e por bandas relacionadas ao que fazemos. Parecia que todo mundo que conversamos conhecia neurosis, High on Fire, a relapse, ipecac, Boris, Pelican, fossil, isis, sunO))) e sabiam falar sobre cada uma dessas bandas ou selos relacionados e diferenciar tudo isso dentro dos devidos contextos. Conheci uma pessoa que tinha nossa demo de 2004, na ocasião prensamos alguns 300 ou 400 desses manualmente. Não acho que se trata de ser um som tão difícil e sabemos que não é tão comum mas o que parecia é que por conhecerem todo esse universo onde essas outras bandas estão orbitando, ninguem vinha com perguntas do tipo: “mas aí, porque que não tem vocal?”

Que lugares no Brasil você enxerga um caminho nesse sentido, de maior abertura ao novo?
Acho que dos lugares que tivemos a oportunidade de tocar Recife e Goiânia foram onde mais me impressionou nesse sentido, em GO acontecia um pouco diferente, os festivais pareciam ser mais responsáveis por apresentar as bandas para o público que estava super ligado em tudo o que estava acontecendo ali. No outro dia, blogs e mais blogs criticavam (+ ou -) minunciosamente tudo que aconteceu na noite passada. Em Recife ficava claro que não era o Festival que estava apresentando aquelas bandas. Continuar lendo

ENTREVISTA: GABRIEL CAETANO (LUMO COLETIVO)

Conteúdo original do Recife Rock

Por Hugo Montarroyos

Uma das iniciativas mais bacanas a surgir no Recife nos últimos tempos é a criação do Lumo Coletivo. Como o próprio nome indica, trata-se de um coletivo formado por músicos, produtores, jornalistas, roadies e etc que compartilham de um mesmo ideal: viabilizar a circulação da música independente pernambucana nos âmbitos local, nacional (e, por que não, até mundial?), dando suporte para produção de eventos e criando um espaço para discussão de idéias e de fomentação de todos os processos que envolvem a cadeia produtiva da música independente. Com sede baseada em Setúbal, O Lumo Institucional está produzindo sua primeira festa, que acontece nessa sexta-feira, dia 12 de setembro, no Quintal do Lima, com shows da Nuda e da Camarones Orquestra Guitarrística, de Natal. Entrevistei por e-mail Gabriel Caetano, responsável pelo Núcleo de Planejamento do Coletivo, que falou das principais idéias e intenções do Lumo. Abaixo, a conversa com Gabriel, o release oficial do Coletivo e o serviço da festa.

Lumo Coletivo

Trocando em miúdos, o que é o Lumo Coletivo?
O Lumo Coletivo é uma união de pessoas em prol de um objetivo comum. Essas pessoas são bandas, fotórgrafos, designers, produtores, jornalistas, técnicos em áudio, videomakers, roadies, administradores, engenheiros, publicitários, dentre outras funções (incluindo barman, haha). E esse objetivo comum é a vontade desse pessoal de ver toda essa cadeia da qual participam fluindo de forma coerente, sustentável e produtiva. Continuar lendo

ROCK PERNAMBUCANO: COMO FOI O MATANZA EM RECIFE

Conteúdo retirado do site Recife Rock

Por Hugo Montarroyos 

Parece que finalmente deu certo. A Nox, boate que se transforma numa das melhores casas de shows do Recife, ao que tudo indica, virou o novo point roqueiro da cidade. Foi tremendamente gratificante ver tal local ser inundado por rodas-de-pogo, mosh e toda a bagunça organizada que costuma caracterizar todo velho e bom show de rock. Mas foi tamanha a “desordem” que Jimmy quase sai do sério e perde a esportiva – logo ele – com o público local.

Outro feito digno de nota foi que dessa vez não ficamos enclausurados vítimas dos fumantes. Estes podiam aplacar a secura no andar superior, com teto aberto e ambiente mais adequado para soltarem a fumaça que tanto impregna os pulmões alheios. LEIA O RESTANTE DO TEXTO CLICANDO AQUI.

RECIFE ROCK INDICA OS PREFERIDOS NO DOSOL

A partir de hoje começamos oficialmente os trabalhos de cobertura do Festival DoSol, que será realizado em Natal nos dias 3, 4 e 5 de agosto. Resolvemos, de início, fazer um guia básico das bandas que o RecifeRock recomenda. A intenção é situar o público potiguar com algumas atrações que não são assim tão conhecidas por lá, e, claro, deixar um gosto de inveja e de água na boca em que não vai.

VAMOZ (PE)

Motivos para não perder o show: Fez uma apresentação primorosa na primeira edição do festival; está trabalhando o recém-lançado segundo disco, Damned Rock n’ Roll; ao vivo a banda acentua ainda mais seu rock duro calcado numa espécie de Neil Young mais pesadão.
(Hugo Montarroyos)

THE SINKS (RN)

Motivos para não perder o show: Projeto capitaneado entre outros por Anderson Foca, vocalista do Allface que aqui toca baixo. Banda com influências de Weezer, Teenage Fanclub e até Ramones. Não se limitam a copiar os ídolos, e se esforçam (e muitas vezes conseguem) em criar uma sonoridade própria.

VOLVER (PE)

Motivos para não perder o show: A banda estava escalada para a primeira edição do DoSol, mas precisou cancelar a apresentação devido a uma pneumonia sofrida pelo vocalista Bruno Souto; eles estão lançando seu segundo disco, intitulado Acima da Chuva, que mostra um Volver flertando com elementos mais pesados e menos líricos; os shows da banda costumar ser rápidos e diretos, sem embromação e consistentes como os de todas as bandas de rock deveriam ser. (Hugo Montarroyos)

CASCADURA (BA)

Motivos para não perder o show: Eles tocaram no Abril pro Rock de 1996. Na época, faziam um som com os dois pés afundados na sonoridadade dos anos 70. Hoje, onze anos depois, engordaram as guitarras, angustiaram os vocais e começaram a fazer a linha Queens of The Stone Age de ser. Bandaça. (Hugo Montarroyos)

ZEFIRINA BOMBA (PB)

Motivos para não perder o show: A melhor das bandas “novas” do Brasil. Trio paraibano que leva o Nirvana ao sertão nordestino, e que prova que a viola pode ser o mais punk dos instrumentos. Saldo do show deles no Rec-Beat deste ano: viola destruída e vocalista ensagüentado saindo do palco direto para o hospital. Imperdível. (Hugo Montarroyos)

OS BONNIES (RN)

Motivos para não perder o show: Moleques, chegaram caladinhos no Abril pro Rock deste ano e fizeram o melhor show do festival. E em uma edição que contou com Mutantes e Marky Ramone! Adicionam peso, psicodelia e urgência ao rockabilly. Das melhores surgidas no Brasil nos anos 00. (Hugo Montarroyos)

MOPTOP (RJ)

Motivos para não perder o show: Moptop é o nosso representante do tal “novo rock”, lançado lá fora por bandas do calibre do Strokes. Sinônimo para guitarras acima de qualquer volume e refrão viciante. (Bruno Nogueira)

BUGS (RN)

Motivos para não perder o show: Melhor banda de Natal, ao lado de Os Boonies, o Bugs tem uma sonoridade absolutamente peculiar. Faz rock de garagem com uso de psicodelia, distorção e pegada punk. Ao vivo, tamanha combinação resulta entre o denso e o lírico, como se a sujeira ganhasse um tratamento psicodélico ainda mais sujo. (Hugo Montarroyos)

FESTIVAL DOSOL NO RECIFE ROCK!

Mais de 24 horas de rock!
47 Bandas de 11 estados diferentes e uma gringa.
RN, PB, CE, PE, BA, RJ, RS, SP, MG, GO, DF e Austrália
3 bandas Pernambucanas: Vamoz!, Volver e Insurrection Down.

SEXTA-FEIRA (03 DE AGOSTO)
20h00 – Brand New Hate (RN)
20h30 – Baby Please (RN)
21h00 – Motherhell (PB)
21h30 – Vitrola (CE)
22h00 – Monophone (CE)
22h30 – Peixe Coco (RN)
23h00 – Distro (RN)
23h30 – Vamoz (PE)
00h00 – The Sinks (RN)
00h30 – Volver (PE)
01h00 – Cascadura (BA)
01h30 – Moptop (RJ)
02h00 – Bugs (RN)
02h30 – Cachorro Grande (RS)

SÁBADO (04 DE AGOSTO)
15h30 – Toy Gunz (RN)
16h00 – Lotus (RN)
16h30 – Secks Collin (SP)
17h00 – Fliperama (RN)
17h30 – Joseph K? (CE)
18h00 – Enne (MG)
18h30 – Arquivo (RN)
19h00 – Stellabella (RJ)
19h30 – Red Run (CE)
20h00 – Allface (RN)
20h30 – Rockefellers (GO)
21h00 – Jane Fonda (RN)
21h30 – Zero8quatro (RN)
22h00 – Violins (GO)
22h30 – Lucy and The Popsonics (DF)
23h00 – The Honkers (BA)
23h30 – Zefirina Bomba (PB)
00h00 – Supergalo (DF)
00h30 – Os Bonnies (RN)
01h00 – Rock Rocket (SP)

DOMINGO (05 DE AGOSTO)
15h30 – Traumam (RN)
16h00 – Psicomancia (RN)
16h30 – Ravanes (RN)
17h00 – Comando Etílico (RN)
17h30 – Verdade Suprema (RN)
18h00 – Ataque Periferico (RJ)
18h30 – Insurrection Down (PE)
19h00 – Jason (RJ)
19h30 – The Nation Blue (Australia)
20h00 – Levante (RN)
20h30 – Expose Your Hate (RN)
21h00 – Drunk Driver (RN)
21h30 – Matanza (RJ)

Links:
http://www.festivaldosol.com
http://www.dosol.com.br

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – TERCEIRO DIA

O terceiro e último dia do Festival DoSol provou que o público de Natal gosta mesmo é de hardcore. Um público estimado em três mil pessoas compareceu à Rua do Chile, em um bonito desfile de camisetas pretas ostentadas por uma molecada sedenta por barulho.
Como no dia anterior, três bandas locais tocaram no final da tarde no DoSol Rock Bar. Destaque absoluto para o Ravanes, que incendiou o local com seu poderoso thrash metal. Abriram com “Intro”, do Sepultura, e fecharam o show com “Roots, Bloody Roots”. Entre as duas músicas, o Ravanes mostrou uma porradaria só, responsável por moshs, rodas e uma saudável insanidade por parte do público. Ano que vem com certeza estarão no palco da Rua do Chile. Já a Fliperama e o Pots se mostraram ainda bem verdes. A primeira ainda pareceu ter algum futuro com sua visível adoração pelos Ramones. Já a segunda mostrou um hardcore / hiphop que carece ainda de muita, mas muita maturação para dizer algo de relevante.

Os paraibanos Dead Nomads levaram seu hardcore tipicamente californiano para o palco da Rua do Chile. Até aí, mais do que compreensível. Duro de engolir mesmo foi a versão que fizeram para “Bigmouth Strikes Again”. Mesmo assim foi um bom show.

Já a apresentação do local Karpus foi constrangedora. Começaram o show pedindo paz no mundo e carregando uma bandeira do Líbano. Até aí, tudo bem. O problema teve início quando começaram a tocar seu hardcore melódico insosso, ingênuo (no pior sentido) e muito mal feito. Mas, é bom deixar registrado, a molecada adorou.

Quem também teve problemas foi o Astronautas. Com nova formação, desfalcados de uma guitarra, o som do grupo ficou um pouco vazio e perdeu muito de sua pegada. A qualidade do som também não ajudou. Ainda assim a banda teve uma bela recepção do público potiguar. Mas ficou claro que o formato em trio não foi feito para eles.

Curioso mesmo foi o show do Allface. Justo na estréia de Ana Morena envergando o baixo da banda, eis que o dito cujo resolve falhar e ficar mudo logo no início do show. Depois a uruca foi geral e deu pane em todo o palco. Por incrível que pareça, nada poderia ter sido melhor para eles. Assim que ajeitaram o palco a banda começou a tocar com uma raiva, raça e agressividade que fizeram com que sua apresentação ficasse extremamente interessante, mesmo para quem, assim como eu, não é lá muito fã do estilo deles.

O paulistano Aditive é nome de forte apelo em Natal. Mas faz um sonzinho bobo e chocho. Como Natal parece ser uma cidade muito afeita à hardcore melódico e ao emo, foram extremamente bem recebidos.

Fenômeno mesmo é o Jane Fonda. Banda mais popular de Natal, o grupo parece aumentar cada vez mais o seu fã clube. Lembro que no ano passado achei a banda mais madura e pesada. Este ano a impressão foi inversa: achei seu new metal imaturo, apesar de bem tocado e trabalhado. Enfim, foi um dos shows mais concorridos da noite. Mas continuo achando o Jane Fonda um mistério a ser solucionado.

O Devotos entrou no palco e com eles a roda-de-pogo se fez presente durante todo o show. Cannibal ainda reclamou do público, que, segundo brincadeira dele, era “um bando de frouxo que estava com medo de entrar na roda”. Priorizaram acertadamente o repertório do “Agora tá Valendo”, álbum de estréia da banda, e tocaram a nova “Rádio Comunitária pra Informar”, presente no mais recente álbum deles, “Flores Com Espinhos para o Rei”. O final com “Punk rock hardcore Alto José do Pinho” foi apoteótico, fechando aquele que foi o melhor show da segunda edição do DoSol.

Dead Fish, parte um: a banda está cada dia mais parecida com o CPM 22, comparação longe de ser elogiosa. Está aprendendo a jogar com as regras da indústria debaixo do braço. Ou seja, estão dispostos a abrir mão do peso para conquistar mais público e dinheiro. O esquema MTV, sabe? Enfim, os mais xiitas podem chamá-los de vendidos sem o menor constrangimento.

Dead Fish, parte dois: o vocalista Rodrigo é um sujeito inteligente, dono de boas letras e carismático até a alma. A banda fez um show tecnicamente perfeito, sem nenhum problema, levando o público de Natal ao delírio. Enfim, marcas de uma banda que permanece em cima do muro, mas que cai cada vez mais para o lado da opacidade musical imprimida pela indústria da música jovem no Brasil.

Considerações finais: quero deixar registrado que viajamos à convite da produção do festival e tornar público nosso agradecimento ao Anderson Foca e à toda a produção do evento. Ressaltar que ele (o festival) permanece muito bem organizado, apesar das falhas no som dos shows de algumas bandas, coisa normal para um evento que comporta mais de 40 bandas em sua programação. Talvez um enxugamento no número de bandas no próximo ano fosse interessante. No mais, minha única queixa é que os três dias do Festival doSol passaram rápido demais…

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – SEGUNDO DIA

Admito: quando me dei conta de que dezesseis bandas se apresentariam no segundo dia do festival me bateu uma preguiça daquelas, e por pouco não fico no hotel dormindo. Ainda bem que não o fiz. Paradoxalmente, o melhor dia do evento acabou sendo o de menor público: apenas mil pessoas. Felizardas, diga-se. A festa começou ainda de tarde e terminou madrugada adentro. Três bandas locais abriram os trabalhos no Bar DoSol. Destaques para o rock duro da boa Drunk Driver e para o pop consistente do Doris, comandado pela vocalista Ana Morena. Fortes candidatos ao palco da Rua do Chile no próximo ano.

O cearense 2Fuzz foi a primeira banda a tocar nos palcos principais. Apresentou um new metal / grunge que não acrescenta e também não compromete. Ou seja, pouco relevante.

Depois foi a vez da Carfax fazer uma apresentação impecável que pouquíssima gente viu. O som estava cheio e pesado. E a segurança de palco que eles adquiriram com o tempo só fez melhorar o que já era muito bom. O destaque ficou para a nova “Nitroglicerina”, que encerrou o show deles.

A partir daí começou uma série de shows fantásticos, cada um melhor do que o outro. Primeiro foi o baiano do Los Canos, que apresentou um rockão despojado, irreverente, inteligente, pé-na-jaca e largado. Rock com gosto de cerveja gelada, mulher bonita e diversão. Precisa mais?

Em seguida veio o Bugs, que considero a melhor banda de Natal. Eles misturam rock de garagem com psicodelia, alcançando resultados surpreendentes, inesperados e extremamente criativos e climáticos. Só vendo e ouvindo para ter idéia.

Quando o brasiliense Bois de Gerião começou a tocar ficou no ar a sensação de se tratar de uma banda que trilha o caminho já percorrido pelos Los Hermanos em sua primeira fase. Mas o grupo vai muito além. Com um naipe de metais poderoso, a banda tem a manha de colocar sopros no Led Zeppelin sem parecer pretensioso ou ridículo. E, melhor, suas composições são intensas, bonitas e extremamente simples de tão complexas.

O Walverdes contribuiu para a perda de audição de boa parte dos presentes. Com apenas três integrantes em sua formação, os gaúchos, que possuem treze anos de carreira, fazem um barulho dos diabos. E barulho dos bons: casca grossa, macho, sujo, raivoso. Saiu de cena como forte candidato ao título de melhor show do festival. Em uma palavra: foda! Se nunca ouviu, ouça!

O Revolver, que no ano passado havia tocado no bar Do Sol, não se intimidou com um palco maior. Desfilou seu rockabilly desencanado com extrema desenvoltura. Eis outra banda de Natal que promete.

O Memória Rom foi outra boa surpresa local. Daquelas bandas que, de tão boas, são difíceis de rotular. Entendi pouquíssimo de seu som, e foi justamente isso o que mais me agradou na banda. Me pareceu bem diferente do trivial, o que, por si só, já é muita coisa.

Chovia. Fazia frio. Todo mundo já estava bem cansado, se protegendo da água e bem longe do palco. Foi aí que entrou em cena o carisma de Fabrício Nobre e a força do som calcado no AC/DC praticado pelo seu MQN. Fabrício se entregou de tal forma no palco que chegou a passar mal após o show. Nada demais. Apenas o retrato de uma banda que consegue unir competência, raça e espírito visceral. Não resisti e comprei o disco deles depois do show. Desconfio que muita gente fez o mesmo.

Sobrou um abacaxi dos diabos para o regular Zero8quatro descascar: se apresentar depois de uma seqüência impecável de shows. Acabaram não dando conta do recado, o que já era esperado para quem já conhecia a ordem da programação.

O Autoramas tem hoje um dos melhores show do Brasil. Rápido, bem trabalhado, grudento e com uma presença de palco absurda de seus integrantes. Coisas como “Você Sabe” são difíceis de tirar da cabeça. Assim como as coreografias esquizofrênicas de Gabriel, Selma e Bacalhau. O tipo de banda que qualquer elogio só faz chover ainda mais no molhado. Rock até o caroço.

Com um baita disco debaixo do braço chamado “Standy By D.A N. C.E”, o Forgotten Boys prestou uma bela homenagem em forma de repertório autoral à nomes trejeitos sonoros que vão da pegada do Kiss e do AC/DC até os riffs dos Rolling Stones. Show impecável que me fez desembolsar uma grana na aquisição de mais um disco. Odeio clichês jornalísticos, mas vou me render a um: se você só tiver dinheiro para comprar um disco nos próximos meses, compre o do Forgotten Boys. Melhor show da noite? Ainda estou em dúvida. E pensar que cogitei a possibilidade de ficar dormindo no hotel…

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – RECIFE ROCK (PE) – PRIMEIRO DIA

A história, segundo alguns filósofos, não passa de mera repetição de fatos que um dia foram passado e que acabam se reencontrando no presente. Vejamos: três dias de um festival que privilegia o circuito independente realizado em um local aberto e de fácil acesso que aglomera fãs de música, fanzineiros, produtores, imprensa especializada e selos. Uma cena emergente que está prestes a galgar espaço no país. Pensou nos primórdios do Abril pro Rock? Agora troque a década de 90 pelos anos 00 e Recife por Natal. O Festival DoSol, assim como no ano passado, seguiu direitinho a cartilha do Abril pro Rock em seu início de carreira e fez o que todo centro deveria fazer: um evento que chama a atenção para a sua cena local se utilizando de bandas já consagradas no circuito independente como recheio. O resultado poderá ser colhido nos próximos anos. Fica o exemplo para as demais praças.

Programação eclética (no bom sentido), o primeiro dia do Festival do Sol contou com um público de duas mil pessoas e foi aberto pelo sensacional Os Poetas Elétricos. Trio que dialoga com música, tecnologia e, principalmente, com a força e a ênfase de bons versos, a banda consegue chamar a atenção pelo ótimo casamento entre discursos verbal e não-verbal. Bases eletrônicas, telão com imagens futuristas e guitarra sólida amparam construções poéticas do calibre de canções como “O Dito Erudito” e “A Moça de Moçambique”. Coisa fina, diferente e das mais criativas a surgir no país nos últimos tempos.

Se para o público a estrutura do DoSol em relação ao intervalo mínimo entre os shows, para os jornalistas que o cobrem é um inferno. Dois palcos de mesma estrutura ladeados. Quase não há interrupção entre os shows, o que torna o ritmo dinâmico e por vezes frenético. E de uma saudável esquizofrenia ao casar atrações que vão da mais ousada das inovações até o puro conservadorismo, caso da talentosa Simona Talma, cantora que passeia por tangos, boleros, mpb e quetais. Talvez tenha sido ofuscada pelos Poetas Elétricos. Ou talvez tenha sido o nervosismo. O fato é que ficou a impressão de que poderia render mais. Mas ninguém reclamou, muito pelo contrário.

Quem se deu mal mesmo foi o Parafusa, primeira das seis bandas pernambucanas a se apresentar no evento. Com um som mais do que precário, não restou outra opção à banda a não ser brigar com os equipamentos. Uma pena, pois tinha tudo para ser um grande show. Infelizmente não há o que falar sobre a apresentação deles. Aliás, há: o som do palco não os deixou tocar.

Depois veio o medonho Mad Dogs, de Natal. Para quem é de Recife, a banda cria em seu show um clima de “Downtown ao ar livre”, fazendo blues mauricinho e querendo soar forçosamente engraçadinho e descolado. Não deu. Ou melhor, não dá.

Mas indigesto mesmo é o Seu Zé. De uma forçada de barra que beira os limites da pseudoantropologia. Trata-se de um atestado definitivo de falsificação ideológica: rapazes de classe média-alta bancando os jagunços famintos. E o discurso sonoro é ainda pior. Tentam misturar metal com sertão, resultando numa dialética da “caveira com maxixe” que simplesmente não cola. Tudo parece milimetricamente calculado para soar como “a banda dos intelectuais modernos que valorizam o nordeste a partir de sonoridades pesadas”. Não tem nada a ver, mas deu saudades do Raimundos, que era tosco, burro e maravilhosamente espontâneo. Aliás, espontaneidade é um artigo raro na música hoje em dia. Candidato forte ao posto de pior show do festival.

Uma boa surpresa acabou sendo o Bonsucesso Samba Clube. Tocando fora de casa e para um público extremamente receptivo, a banda soube contornar os problemas de som que teve e fez um belo show, colocando todo o público, em especial o feminino, para dançar.

O potiguar DuSouto é uma das coisas mais estranhas e fascinantes (no bom e no mau sentido) que este escriba já testemunhou. À primeira vista pareceu mais um subproduto do mangue. Depois descambou para uma interessantíssima pegada eletrônica, que acabou transformando boa parte da rua do Chile em uma enorme rave. E, no final, deixou mais dúvida do que certezas. Em suma, pode ser desagradável e ao mesmo tempo muito bom, qualidades dignas das personalidades que nos despertam fascínio e repulsa, ambas na mesma dose.

Já o Experiência Aypus, também de Natal, parece cada ano melhor. Eles conseguem modernizar a MPB sem cair em nenhum clichê pasteurizado que tanto assola nove entre nove artistas que se dedicam a tal tarefa. Descrevê-los é trabalho complicado. Digamos que psicodelia e samba em doses discretas e bem trabalhadas. Olho neles…

O Ludov é uma banda estranha. Não em sua sonoridade, que é simples e despojada, mas em sua trajetória. O grupo beliscou o mainstream, parecia que iria chegar lá e acabou não chegando, o que gerou um certo ranço em seus integrantes. Talvez o Ludov seja menos pop do que imagina. Suas músicas não possuem refrões, e poucas delas grudam de fato na cabeça. E, ao mesmo tempo, passa a impressão de ser uma banda independente com atitude mainstream, um tanto arrogante, talvez até mesmo inconscientemente. No fim das contas fez um show correto, nada mais do que isso, e que, certamente, será facilmente esquecido.

O Mundo Livre acabou sem querer explicando em seu show como é sórdida a indústria da música. Em apresentação que primou por várias releituras e novos arranjos para velhas composições, o grupo mostrou que está mais coeso e entrosado do que nunca. A reação do público foi extremamente positiva.
O problema? Zeroquatro tem vontade de regravar essas canções com novas roupagens. Acontece que, como os quatro primeiros discos do Mundo Livre foram gravados por uma major, o grupo não tem qualquer controle sobre sua própria obra. É ultrajante, mas é verdade. O que explica muito da patifaria que reina no planeta chamado mercado musical. A bola do jogo às vezes é pesada demais no mundo livre da livre iniciativa.

SITE WWW.RECIFEROCK.COM.BR

Seis bandas do Recife foram escaladas para o Festival DoSol, em Natal. São elas: Parafusa, Bonsucesso Samba Clube, Mundo Livre S/A, Carfax, Astronautas e Devotos.
Festival acontecerá entre os dias 4 e 6 de agosto, no largo da Rua Chile, em Natal.

Fique ligado no Reciferock! para mais novidades…

release:
FESTIVAL DOSOL 2006 – RELEASE COMPLETO

FESTIVAL DOSOL SE PREPARA PARA SEGUNDA EDIÇÃO EM AGOSTO

Depois da ótima repercussão em 2005, o Festival DoSol anuncia para os dias 04, 05 e 06 de agosto a sua segunda edição. Realizado com a intenção de celebrar todas as vitórias do Rock Independente no Brasil, o festival mantém a postura de trazer importantes nomes do cenário independente e também projetar as bandas locais para fora do Estado.

Com um dia a mais na programação, o evento acontece novamente no Largo da Rua Chile, no bairro da Ribeira, contando com três palcos e estrutura para receber até 4.000 pessoas por dia.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol 38 bandas de 11 Estados do Brasil. O foco são as bandas do próprio Rio Grande do Norte, representado por 19 atrações dos mais diferentes estilos musicais. “O Festival DoSol é feito e gerido por pessoas que estão diretamente envolvidas com a propagação da música do RN. Para nós, é uma honra poder escalar um número tão grande de bandas locais. Todas elas são ótimas no que se propõe e não vão de deixar a desejar com relação as bandas de outros estados que participarão do evento”, diz Anderson Foca, idealizador e produtor do festival.

Além da maratona de shows, o Festival DoSol junto com o selo Mudernage e a Agência Cultural do Sebrae promove um ciclo de debates e palestras entre os dias 02 e 04 de agosto, antes do Festival em si, intitulada “Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar”, a reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado.

Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

O Festival DoSol é uma realização do selo DoSol e conta com o patrocínio do Banco do Brasil, Skol, Lei Djalma Maranhão, Lei Câmara Cascudo, Prefeitura Municipal de Natal, Governo do Estado, além do apoio da Digizap.

Quem quiser acompanhar os acontecimentos que antecedem o evento, pode acessar o site oficial que já está no ar: http://www.dosol.com.br/festivaldosol com informações da edição 2006 e retrospectiva de 2005.

ESTRUTURA

Em 2006, a produção mantém a estrutura de 3 palcos, sendo um dentro do DoSol Rock Bar, e dois palcos principais, que estarão montados no Largo da Rua Chile. Na sexta-feira (04/08), somente os palcos externos vão servir ao festival, com as apresentações começando pontualmente às 21h.

Já no sábado e domingo (05 e 06/08), com a programação iniciando ás 16h, o Festival começa no palco do Rock Bar, um formato que deu certo e foi elogiado pelo público e bandas.

Na rua Chile, haverá estandes de artigos direcionados à cena musical. Cds, instrumentos musicais, Fanzines, entre outros estarão presentes no evento. Além disso, os bares e restaurantes da rua estarão servindo de suporte para o evento.

EVENTOS PARALELOS

O Festival DoSol fará uma festa para convidados no próximo dia 20 de junho, no Budda Pub, para lançar oficialmente a edição 2006.

A prévia oficial do evento será no dia 23 de julho no DoSol Rock Bar com a presença de muitas das melhores bandas independentes do país gravando o programa Banda Antes MTV. No line up da prévia estão Zefirina Bomba (PB), Vanguart (MT), Daniel Beleza e Corações em Fúria (SP), Feicheclers (PR) e Rock Rocket (SP). A banda de natal convidada para participar das gravações é o Allface.

Durante o Festival, dois eventos farão a diferença: o encontro pessoal do Grupo Nordeste Independente, que mantém há algum tempo através de contato na internet, uma discussão sobre o cenário da música independente do Brasil; a reunião de Fanzines, com pessoas que produzem este importante meio de comunicação pelo país afora para troca de idéias e informações.

10 minutos rock

Realizado com sucesso em 2005, o 10 Minutos Rock está de volta, e já tem a sua estréia prevista para julho em TV ainda a ser definida. O programa produzido pela DoSol Image tem periodicidade semanal.

Serão dez programas com o objetivo de divulgar as novidades do cenário musical local, exibindo videoclipes, entrevistas e tendo a participação das bandas locais também contando fatos curiosos dos bastidores de shows.