Clipping – Festival Dosol no Diário De Natal (RN)

Selo DoSol promove festival independente
O Selo DoSol mostra organização e articulação com bandas da cena independente brasileira e realiza o Festival DoSol 2007 com a festa de lançamento do evento domingo, às 18h no Dosolrockbar com show das bandas brasilienses Lafusa (DF), Móveis Coloniais de Acaju e com discotecagem de Michel Heberton.

O Festival DoSol chega na sua terceira edição que vai deste final até os dias 3, 4 e 5 de agosto, quando acontece o evento propriamente dito. Nas prévias ainda passarão bandas como Ludov (SP), 2fuzz (CE), Sugar Kane (PR), Stellabela (RJ) , Matanza (RJ), The Sinks (RN) entre outras.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol e suas prévias 28 bandas do RN e 27 bandas de vários estados brasileiros, além de uma atração internacional, o The Nation Blue da Austrália. Este é um número recorde de participação de bandas potiguares em festivais locais assim como também é recorde o número total de artistas que se apresentarão. O foco na cena local e na ocupação do espaço da Ribeira é prioridade para a produção do evento, ?Estamos bastante felizes com a formatação final do Festival Dosol para esse ano, teremos uma dezena de lançamentos locais, uma gama muito grande de artistas se apresentando, várias prévias e a novidade de usarmos estruturas que já existem para realizar os shows. Isso vai trazer mais verdade ao festival, deixar as bandas mais a vontade além de não nos preocuparmos com chuva ou coisas do tipo já que 80% da área do festival será coberta. A Ribeira precisa disso e estamos dando nossa contribuição?, diz Anderson Foca, idealizador e produtor do festival.

Além da maratona de shows, o Festival DoSol também promove pela segunda vez um ciclo de debates e palestras entre nos dias 2 e 3 de agosto, antes do Festival em si, intitulada ?Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar?, a reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado. Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

No dia 3 de agosto o Festival DoSol começa sua programação às 20h. Já no sábado e domingo (4 e 5/08), a programação inicia às 15h30.

FESTA
As ações do Festival DoSol 2007 já começam neste domingo com a festa de lançamento do festival que vai ter como atração principal o Móveis Coloniais de Acaju (DF), um dos melhores shows do rock independente nacional, além do Lafusa (DF) e da discotecagem de Michel Heberton, tudo isso no palco do dosolrockbar.

As prévias oficiais do evento serão sábado e domingo no DoSol Rock Bar com a presença das bandas Ludov (SP), 2Fuzz (CE), EletroBilhar e Adriano Azambuja no dia 14 e Sugar Kane (PR), Oitavada (CE), Bode Rocco, Drive Out e Superia no dia 15.

Festa de Lançamento do Festival Dosol
Data: Domingo
Horário: 18H
Local: Dosolrockbar, Ribeira
Ingressos: R$ 10,00

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – CINJFORM (SE)

II FESTIVAL DOSOL Por Rafael Jr*

Quando: dias 4,5 e 6 de Agosto
Onde: Natal/RN
37 bandas, sendo 20 locais
Público: cerca de 6.000 pessoas nos 3 dias
www.dosol.com.br/festival

A segunda edição do Festival Do Sol, realizada em Natal/RN nos dias 4 a 6 de agosto, reuniu uma boa amostra do que tem rolado na cena alternativa nacional, equilibrando em sua programação bandas já consagradas e revelações, com ênfase na rica cena local e amparado por uma rede de comunicadores que se deslocaram de várias partes do país para cobrirem a festança rock que mais tem crescido e se consolidado no Nordeste.
Braço da Do Sol Produtora – que engloba ainda um sêlo, um estúdio e um bar com shows semanais -, o festival fluiu com ótima estrutura e organização eficiente, premissa básica para um evento que recebeu nesse ano 17 bandas de 8 estados diferentes e dezenas de jornalistas, produtores e donos de sêlos independentes, que trocaram experiências através de um ciclo de palestras e debates sobre produção de shows, mercado fonográfico independente e mídia impressa e eletrônica. Entre os palestrantes, o produtor pernambucano Paulo André, do festival Abril Pro Rock, Fabrício Nobre da gravadora Monstro Discos de Goiânia e os jornalistas Adilson Pereira (Revista Outracoisa), Fabiana Batistela e Alexandre Matias, ambos da Revista Bizz.
A capital potiguar, conhecida como “cidade do sol”, guarda várias semelhanças com nossa Aracaju. É um pouco maior (cerca de 800 mil habitantes), mas o trânsito não é caótico, as praias são belas e o povo é acolhedor como o aracajuano. Em síntese, é uma cidade tranquila, limpa e organizada. Em relação ao rock, está muito à frente de Aracaju em termos de articulação, estrutura e viabilidade, graças ao trampo sério de gente como o produtor Anderson Foca, responsável pela Do Sol Produtora. O reflexo do trabalho a longo prazo está nos 5 sêlos locais com lançamentos constantes (os destaques são a Solaris Discos e a Mudernage Diskos), os shows semanais em várias casas noturnas e principalmente os 2 grandes festivais anuais, o Do Sol e o MADA – Música Alimento da Alma -, que acontece no mês de maio.

OS SHOWS

Nesse ano nenhuma banda sergipana foi escalada para o festival, diferente de 2005, quando a Snooze viajou até Natal representando Sergipe. A programação da sexta começou com pouquíssimo atraso (mais um ponto positivo na organização) com os locais Poetas Elétricos e Simona Talma. O primeiro faz colagens sonoras em cima de poesia concreta, um projeto experimental e multimídia que inclui ainda projeções num telão. Já a cantora Simona Talma traz uma sonoridade jazzística para a MPB, com baixo acústico e uma pegada bluesy. A primeira atração de fora veio do Recife. O Parafusa tem um CD na praça e se alinha à geração Los Hermanos, aproximando melodias e arranjos pop à tradição da nossa música popular. Os locais Mad Dogs introduziram pitadas de diversão e humor alcoólico à sua apresentação, enquanto o Seu Zé decepcionou um pouco, com um show apenas correto. Seu CD “Festival do Desconcerto” (Mudernage Diskos) está sendo muito elogiado pela crítica especializada. O Bonsucesso Samba Clube é uma dissidência do ótimo grupo Eddie, de Olinda, e não deixa nada a dever a seus antigos parceiros. No caldeirão do CD “Tem Arte Na Barbearia” e do show, os ingredientes são dub, reggae, afrobeat e drum’n’bass orgânico, com muita percussão brasileira botando os rockers pra dançar. Na sequência o DuSouto, de Natal, também seguiu na onda dançante dub/drum’n’bass, mas com uma sonoridade mais eletrônica e a presença de um DJ. Experiência Ápius, última atração potiguar, ficou espremido entre novidades dançantes e a ansiedade dos fãs do Ludov, e apesar das boas músicas samba-funk-rock, o show não funcionou como na primeira edição do festival. Os paulistanos do Ludov, que têm emplacado vários hits nas FMs e MTV, fizeram um show competente e profissional, com direito a côro dos vários fãs presentes. O encerramento da primeira noite coube ao experiente Mundo Livre S/A, líder da geração mangue bit junto com a Nação Zumbi. Unindo rock groovado e Jorge Ben circa 74 com maestria, o grupo deu uma aula de samba-punk politizado, numa pincelada geral nos seus 6 discos. Não dá pra ficar parado em pérolas como “Bolo de Ameixa” ou “Mexe, Mexe”.
O segundo dia foi batizado de “noite indie” por trazer grupos mais desconhecidos (mas não menos legais) da cena rock nacional, e foi a noite com público mais fraco: 800 pessoas, contra 2.000 rockers que compareceram na sexta. Entre os destaques locais, o punk old school da Drunk Driver, o emo da Distro e o hardcore desacelerado da Dead Funny Days representaram bem, mas o grande destaque foi o power trio psicodélico Bugs, pela originalidade e competência. O Dead Funny lembra bandas excelentes como Garage Fuzz e Fugazi, já o Bugs tem cara própria e o EP que acabaram de lançar confirma isso. São duas das melhores bandas de Natal junto com o Automatics, que não tocou no festival. O 2 Fuzz foi a primeira atração “estrangeira”, diretamente de Fortaleza/CE. Fazem rock pesado que remete à cena grunge de Seattle, em composições densas e arrastadas, um pouco difícil de digerir pelo público médio, tanto é que os aplausos foram tímidos. Os baianos da Los Canos trouxeram na bagagem um rock mais divertido e acessível, contagiando a galera. A despretensão punk de canções bubblegum como “Eu Sou Mal” são impagáveis! Excelente banda. De Brasília veio o Bois de Gerião, com 12 anos de carreira misturando rock e ska, com naipe de metais. Tocaram meu coração com uma ótima versão de “Virginia” dos Mutantes e o cover de “Revolution Rock”, imortalizada pelo The Clash no clássico “London Calling”, disco duplo de 1979. Os gaúchos Walverdes fizeram o show mais barulhento de todo o festival, um esporro garageiro que deixou muita gente de queixo caído. Ainda fizeram covers de Rocket From The Crypt e Black Sabbath, fora os ótimos rocks de seus 3 CDs. Com certeza um dos melhores shows de todo o evento. O MQN, de Goiânia, também tem raízes garageiras mas mistura isso com hard rock/metal tipo AC/DC, gerando um som poderoso e pesado. O frontman Fabrício Nobre é insano: insulta o público, xinga, berra ao microfone, dá banho de cerveja no baixista headbanger. O grand finale inclui pratos da bateria lançados ao chão. A maratona seguiu com mais rock de primeira, do performático power trio carioca Autoramas. Canções ganchudas de riffs rockabilly, coreografias chupadas do Devo, surf rock e interatividade com o público em clássicos do underground brasuca como “Fale Mal de Mim” e “Auto-destruição”. Rock! A última banda pegou o público cansado mas fez bonito no palco. A competência do Forgotten Boys, de São Paulo, salta aos olhos. Misturando glam rock com punk ’77 e hard rock, o quarteto mandou muito bem, com som perfeito e energia de sobra.
O domingo, último dia de festival, concentrou mais bandas no estilo punk-emo-hardcore, e logo no começo da noite já se registrava um público de 3.000 pessoas, com faixa etária média de 18 anos no máximo. Isso graças à popularidade de bandas como Dead Fish (ES) e Devotos (PE), as principais atrações de fora, e a local Jane Fonda, que segue o estilo new-metal e possui um público fiel e numeroso na cidade. A outra exceção estilística da noite, além do Jane Fonda, foi dos pernambucanos Astronautas, que fazem space-rock pesado e se deram bem com o diferencial. A venda nas banquinhas de CD e de comidas explodiu, a molecada se divertiu e as primeiras rodas de pogo se formaram no show dos paraibanos Dead Nomads, continuando nas apresentações do Karpus e Allface de Natal e Aditive de São Paulo, todas seguindo a trinca punk-emo-HC.

ARTICULAÇÃO

O Festival Do Sol é um exemplo de competência e articulação, com uma equipe coesa
e profissional que ajuda o rock a girar na cidade. Um exemplo para ações mais concretas em Sergipe, onde tivemos apenas uma edição do Rock-SE e o mais bem sucedido festival local, o PUNKA, deixou de acontecer há 2 anos. Cabe registrar também que o evento só é viável graças a duas leis de incentivo, uma municipal e outra estadual, que fazem a ponte entre grandes empresas e o patrocínio do Governo do Rio Grande do Norte e da Prefeitura de Natal, viabilizando o apoio logístico (hotel, passagens, alimentação e translado) e a estrutura com 2 palcos, som e luz de primeira. Isso é política cultural, bem diferente do que ocorre em terras de Serigy. Próximo ano estarei lá de novo!

* Rafael Jr é músico e colaborador do Caderno Olho Vivo. Viajou a Natal a convite da produção do festival e com apoio do Cinform.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – A TARDE (BA)

Universo independente em Natal
Agosto 10th, 2006 by Luciano

Natal tem pouco menos de 800 mil habitantes e é mais conhecida por seus atrativos turísticos. Um novo aspecto vem, no entanto, chamando atenção da cidade e colocando a capital do Rio Grande do Norte no foco de revistas especializadas de músicas e caderno culturais de todo país.
É a música independente, que vem sendo contemplada com dois bons eventos durante o ano e nesse último fim-de-semana levou quase seis mil pessoas para as ruas da Ribeira (o centro antigo da cidade) para assistir 37 bandas no Festival do Sol. Em dois palcos principais e um menorzinho, uma grande maioria de bandas de rock mostraram em três dias que há muita vida inteligente além das rádios e gravadoras.
Para quem não conhecia, a surpresa foi a banda baiana Los Canos, que, com seu punk rock poser despretensioso, conquistou público e crítica. Um pouco mais pesados que de costume, mas com a mesma veia pop e a capacidade de criar canções pop, singelas e até românticas. No final, saíram consagrados com os jornalistas presentes os colocando entre os melhores shows.
Um festival como antigamente, que, sem ser nostálgico, reuniu num mesmo espaço tudo que um evento desse porte pede. Música boa rolando, um público bastante jovem circulando, feira de CDs, camisetas e bottoms, mostra de fanzines, discussões sobre o mercado de discos e muito rock, sem brigas, completamente na paz.
Mesmo Natal não tendo ainda uma cena musicalmente consistente, da quantidade e diversidade de estilos e bandas que circulam nos três dias do Do Sol devem aparecer bons resultados. A ausência de um artista de expressão da cidade – o nome mais conhecido talvez seja o cantor Gilliard – ainda faz muita falta. A circulação musical vista nos festivais, porém, traz um fato novo, a informação circula, a garotada vê novidades, conhece opções e se influencia.
Misturas – Se ainda não há um nome de grande expressão, dois grupos despontam como boas apostas na cidade. Uma foi destaque no Do Sol do ano passado – os garotos d’Os Bonnies -, a outra foi a grande surpresa da edição desse ano, DuSouto. Um grupo que faz música contemporânea de qualidade, rezando na cartilha de misturas.
No palco, na primeira noite do festival, mostraram com competência que Natal está sintonizado com o que de melhor anda se fazendo com a junção de música brasileira com batidas eletrônicas. Melhor, sem soar clichê. Uma estrutura convencional de baixo-guitarra-bateria mesclado a programações, samples, scratches, beats e bits.
Côco, samba, reggae e baião à base de drum’n bass, dub, jungle e raggamuffin. Som para dançar, com referências de Luiz Gonzaga e Jorge Ben, e que fez o DuSouto transformar o festival, eminentemente de rock, numa grande rave-terreiro-funk. A melhor surpresa do evento.
E, se o grande papel de um festival independente é mesmo apresentar bandas para o público, o Do Sol cumpriu muito bem esse papel. Foi a oportunidade do público local assistir a grupos de quase todo o Brasil (11 estados estavam representados). AlLém do Rio Grande do Norte, Pernambuco era o estado com maior número de representantes (seis grupos), incluindo desde o Mangue Beat do Mundo Livre S/A até o punk do Devotos.
Um dos maiores acertos do evento este ano foi a ampliação de um dia, com a criação de uma noite dedicada a sons menos rock. Valia de tudo, da eletrônica já citada do DuSouto, passando pelo experimentalismo de poesia e guitarras d’Os Poetas Elétricos e do Blues com MPB da cantora Simona Talma até o blues rock do Mad Dogs e o pop do Ludov e do Parafusa.

Mundo Livre S/A e Bonsucesso mostraram o excelente nível da música independente pernambucana. A primeira se embasando cada vez mais em revisitar e recriar o repertório próprio. Fazendo versões de sim mesma, com o flerte do punk com o samba. Foi um grande show, que incluiu alguns de seus hits e versões e referências a banda inglesa The Clash.
Já o Bonsucesso Samba Clube mostrou como pegar referências diversas – carimbó, côco, dub, reggae, funk, rock – e embalar numa música particular. Misturas bem azeitadas herdeiras do Mangue Beat.
Misturas que já viraram uma fórmula seguida Brasil afora e que, em Natal, tem como maior representante a banda SeuZé, que fez um show regular, meio perdida em tentar ser Mangue Beat ou seguir um caminho mais em direção ao rock popular brasileiro do Los Hermanos. Rumo já definido por outra banda local, Experiência Ápyus, que, com o violão em destaque, fez um show competente mas sem muito brilho.
Os paulistas do Ludov já têm uma certa fama graças à MTV, mas não dá para destacar uma banda pop que não consegue emplacar canções marcantes e refrões que façam o público sair cantando. Mais um grupo que tem uma musicalidade de qualidade, faz um show competente, mas não consegue ir além disso.

Rock e hardcore – Os outros dois dias tiveram foco maior no rock. No sábado, um desfile de bandas visitantes, entre elas a baiana Los Canos. Grande destaque e supresa foi a Bois de Gerião, de Brasília. Sem muito alarde, ganharam a todos com uma formção que se destacava pelo vocal de Rafael Farret, o trabalho de guitarras e o naipe de sopros. No som, punk rock, ska, boas canções e diversão, com direito a recriações bem interessantes de músicas do Clash, dos Mutantes e do Led Zeppelin. Uma excelente surpresa.

Os shows mais rock’n’roll do festival viriam a seguir. Seja com os gaúchos do power trio Walverdes, que comemoraram 13 anos de estrada com um punk rock envenenado e uma guitarra suja e alta até o talo, que deixaram os ouvidos apitando durante os dois dias seguintes. Seja com o som infernal e brutal do MQN, quase uma banda de metal de tão sórdido. Muito bom.
Seja ainda com o Forgotten Boys, a principal atração da noite. Os paulistas comprovaram a fama, num show de nível internacional supercompetente. Hard rock, duas guitarras, postura clássica de rock-star para roqueiro nenhum botar defeito.
Antes, no entanto, os cariocas do Autoramas já tinham colocado público e bandas no bolso. O grupo despertou todo mundo e mostrou como se fazer rock simples, direto, dançante, apenas com guitarra, baixo e bateria. O melhor exemplo possível de como unir rock, pop, new wave, surf music e boas canções. Mesmo sem frequentar rádios e vivendo absolutamente no universo independente, o grupo teve as músicas acompanhadas em coro. Daqueles shows que você poderia no dia seguinte sem enjoar. Ia dançar e curtir da mesma forma. Melhor show de ROCK do país

Sem muita graça – Mas nem todo mundo tem a capacidade de criar canções com tamanha competência. É o caso de algumas bandas que passaram pelo festival sem brilhar justamente por não apresentar a dose cancioneiro rocker suficiente, mesmo com um bom instrumental. Caso da local Dead Funny Days e Memória Rom e das visitantes Carfax (de Pernambuco).
A potiguar Jane Fonda também ainda falha na pretensão de soar pop utilizando os caminhos sujos do rock. Fizeram um grande show, mas muito mais devido a impressionante sintonia com o público – que cantava todas as músicas, para surpresa de quem não era de Natal – do que pela sonoridade.
No domingo, foi mais marcante a capacidade de não aproveitar a possibilidade de fazer canções, mas a idéia dos grupos nesse dia era mais fazer barulho. Era noite de hardcore. Bem feito por grupos como os locais do Allface, que vem evoluindo bastante, e os paulistas do Aditive.
Além dos dois palcos, colocados lado a lado, o bar Do Sol servia como um laboratório para bandas iniciantes que vislumbravam ganhar destaque nas próximas edições do festival.
Duas bandas do palco principal, Revolver e Karpus, haviam passado pelo teste no ano passado. A primeira não repetiu o bom show de 2005, com seu som sessentista e integrantes vestidos de preto e com gravatinhas, não empolgaram tanto.
A segunda enfrentou o público de
skatistas, que se divertia dançando e gritando ironicamente “Emo! Emo!” (se referindo ao estilo em voga atualmente, o emo-core), além de outros impropérios não publicáveis. Foi a parte mais divertida do show.
Os paraibanos do Dead Nomads foram os primeiros a abrir as rodas de pogo com um hardcore correto, enquanto os pernambucanos do Astronautas acertaram em cheio com seu rock-urbano-tecnológico.
O destaque desse último dia ficou por conta do punk-rock-hardcore do Devotos. Sem falatório, sem dar satisfação, sem grandes invenções, a banda tascou uma porrada sonora. Com o rasta Canibal à frente, e um som tosco de tão simples, fez girar as enorme rodas de pogo sob letras que aclamavam por igualdade social.
Os capixabas do Dead Fish finalizaram o festival com seu hardcore melódico, num show sem supresas, que agradou ao público jovem, mas que não somou muitos pontos na vida de ninguém. Nessa semana, talvez ninguém mais se lembre muito dessa apresentação, mas o festival segue seu papel de mostrar possibilidades e influenciar uma cidade que nunca se destacou na música nacional, mas que vem mostrando como dar atenção e espaço às novidades, sem se preocupar com modismos.

Destaques
Público – Além da primorosa organização, caprichada em todos os aspectos, o maior destaque do festival foi o público. Impressionava especialmente três coisas. Primeiro a média de idade da platéia. Garotada com média de 18 anos. O que dá uma sobrevida a cena local mesmo se tudo desse errado a partir de agora, já há um público imenso de meninos e meninas atrás de rock fora do padrão totalmente mainstream. Segundo aspecto é a quantidade de gente em Natal disposta a sair de casa para ver bandas independentes. Não havia nenhuma banda assídua freqüentadora de rádio, uma ou outra que freqüenta a MTV e 99% totalmente desconhecidas para os pais de qualquer um presente ali. O outro aspecto é o mais surpreendente. Como poucas vezes já vi, o público valoriza bastante as bandas locais, vai para frente do palco, aplaude e o melhor, canta a maioria das músicas em coro. Destaque nesse caso para Allface e especialmente para a Jane Fonda que parecia ser uma mega banda tão era a vibração do público, Tudo bem que toca muito na rádio, mas ai é só mais um mérito da cena local.

Programação – Acertada, bem equilibrada e que agradou. Sem medalhões e valorizando tanto a cena local quanto apresentando novidades de outros estados. A primeira noite mais “adulta” e não tão rock agradou e pode ser o melhor caminho para diversificar o público. Aprovado com louvor. Não à toa reuniu mais de duas mil pessoas com Mundo Livre S/A, Bonsucesso Samba Clube e Ludov dividindo as atenções com atrações principais. O sábado foi mais fraco, com cerca de mil pessoas. O que era esperado, já que não havia uma banda de apelo maior. Forgotten Boys ainda não é tão grande, mas já tem seu público e Autoramas é “apenas” a maior banda independente de fato do Brasil. No domingo, a união de bandas locais fortes, Dead Fish e Devotos foi o tempero perfeito para atrair uma multidão. Umas três mil pessoas compareceram. Muito bom. Isso poruqe na última hora os responsáveis pelo Tributo ao Ramones deu para trás, mas o Fetsival do Sol estava com tudo acertado para receber no último dia a turnê que reunia Marky Ramone, The Queers e Tequila baby.

Emos – A maior surpresa do festival foi a reação hilária de um bando de garotos no show da Karpus. Assim que começou a apresentação, uma parte significativa da platéia (uns skatistas de seus 18 anos) começou a chamar a banda aos berros de “Emo! Emo!” e dançavam de forma hilária. Provocou o ódio do vocalista da banda que bradou contra a postura das “dançarinas”, com ele revidou. Piorou. A cada fim de música, os gritos se alternavam entre “Emo!”, “Gay!” e “Viado”. No maior bom humor, o garotos insatisfeitos e talvez começaram a decretar em Natal o fim da onda chatona do emo-core.

Feira – Difícil achar algum lugar que além dos stands com selos, bancas de CDs (que tiveram boas vendas e renderam sorrisos dos vendedores), camisetas e bottons, tenha ainda uma mostra de zines na feira. Além de lembrar bons anos onde a informação corria pelas revistinhas xerocadas, é saber que é um meio que resiste firme com uma importante função no meio independente. Durante o Do Sol vários deles estavam em exposição disponível para o público. Trabalhos velhos e novos. Teve até lançamento do número 4 do Lado R, do produtivo colega Dimetrius Ferreira. Zine bacana, feito com aquele papel marrom reciclado e que chega a quarta edição trazendo contos, quadrinhos, textos sobre música, fanzines etc. Outro zine local interessante é o Barulhoscópio, de outro parceiro, Alexandre Alves, da Solaris. Em formato A4 traz resenhas de CDs e textos sobre bandas, entrevistas, tudo em torno do universo indie (respeitando o termo como era usado na época áurea dos zines de papel, ou seja, guitar bands e afins). O melhor (mais nostálgico ainda) foi encontrar na feira uma fita demo, sim, isso mesmo, demo em cassete. Acreditem, isso ainda existe. O lançamento faz parte dos projetos do pessoal do Lado R e traz um lado da banda potiguar Dead Funny Days e do outro os baianos da A Sangue Frio. O resultado é interessante, com um trabalho gráfico de qualidade (o som ainda não ouvi) feito por Leo Villas.

Pensando música – Além de músic apara ouvir, dançar, cantar, pular e comprar, o Do Sol desse ano uniu forças com o selo Mudernage e o Sebrae local e promoveu um encontro de gente que faz no meio independente para discutir o mercado e os pilares do mercado indepedente. Selos, festivais e mídia foram os principais focos das mesas, que reuniu nomes como o produtor Paulo André (Abril Pro Rock e Porto Musical), o joranlista Alexandre Matias (editor do Trabalho Sujo e colaborador da Bizz e da Folha de São Paulo), Fabrício Nobre (festival Goiânia Noise e selo Monstro), Fabiana Batistela (Bizz, Inker e Mundo 77), entre outros. Discussões interessantes e a conclusão que o universo independente cada vez mais deixa o ranço de desorganizado e se profissionaliza.

Algumas das melhores notícias – Entre as informações que circularam no Fetsival do Sol algumas boas notícias correram. A melhor delas é que a ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes) conseguiu uma importante conquista junto ao Ministério da Cultura. Está sendo criado um edital específico para os festivais independentes. Na proposta o Ministério irá selecionar alguns dos eventos pelo Brasil e dará um aporte de R$ 50 mil. Um reforço e tanto. Outra boa nova é a respeito da Feira de Música que o Ministério vai promover na semana pré-carnavalesca de Recife, provavelmente ampliando a idéia do Porto Musical. Parece bacana. Entre as bandas, a snovidades são o novo disco da banda Vamoz!, de Pernambuco. O novo trabalho será duplo e tarrá um disco de inéditas e o outro com um show acústico gravado, além da inclusão de clipes e making of. Isso é um dos caminhos para tornar o produto CD interessante. Por outro caminho, o MQN vai lançar o novo disco em vinil, com 12 música sque também serão disponível na internet. Snooze e Allace foram as bandas nordestinas que acertaram os ponteiros para lançar discos novos pela Monstro. Por lá também se falou da vinda do Nofx ao Brasil, que inicialmente iria tocar apenas no eixo Rio-São Paulo, mas que pode ter a turnê esticada até Natal.

Festivais pelo Nordeste – O Do Sol não era o único festival a rolar no Nordeste neste fim-de-semana. Além de Natal, João Pessoa e Fortaleza realizavam seus eventos. Sem a mesma grandiosidade que o Do Sol já tem, mas com um bom começo, eles aproveitaram as grandes atrações do festival potiguar para fazer suas programações com bandas locais. Em Fortaleza rolou o Festival Ponto.CE e em João Pessoa o Aumenta que é Rock, que contou ainda com b
andas maiores, como Retrofoguetes (BA) e Relespública (PR).

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – JORNAL DO COMÉRCIO (PE)

Pernambuco onipresente em Natal
Publicado em 08.08.2006

Em seu segundo ano, o festival DoSol abriu espaço para a produção musical independente

CONCEIÇÃO GAMA

A segunda edição do Festival DoSol, realizada no último fim-de-semana (da sexta ao último domingo), mostrou que o evento tem potencial para se tornar um dos maiores do gênero no País. Em três dias, cerca de 9 mil pessoas compareceram ao Largo da Rua do Chile, em Natal, para prestigiar o trabalho de 38 bandas independentes vindas de 11 estados diferentes, sendo seis grupos pernambucanos: Parafusa, Bonsucesso, Carfax, Astronautas e Devotos. O grande destaque do festival ficou por conta dos pernambucanos da Devotos, que fizeram um show magistral no último dia do evento.
Quando Canibal e companhia subiram ao palco, parecia que um furacão havia tomado conta do festival DoSol. Formou-se uma roda de pogo gigante – coisa rara em Natal – e quem ficou de fora também se sentiu tentado a entrar. O bom e velho “punk rock hardcore lá do Alto José do Pinho” mostrou que ficou ainda melhor depois de dez anos de estrada. Enquanto Canibal gritava “vamos arrodear, arrodear, arrodear!”, o público potiguar entrava em êxtase.

Outro destaque do evento ficou por conta dos potiguares da Poetas Elétricos, que abriram o festival. O som da banda, como sugere o seu nome, é uma mistura de poesia com música eletrônica. Letras que poderiam perfeitamente pertencer a Tom Zé ou a Arnaldo Antunes se encaixam no som barulhento e perturbador da banda, que transforma qualquer ruído em música. A performance do grupo engloba computadores em cena, indumentárias hight-tech e um telão com imagens urbanas redesenhadas em pop-art. O show foi um grande pastiche pós-moderno muito bonito de se ver.

FÃS – A Mundo Livre S/A, que fechou o primeiro dia do evento, fez um show dançante e contagiante. E quem disse que Fred 04 não arrastava grandes multidões fora do Recife se enganou. O público potiguar tinha todas as músicas na ponta da língua e, mesmo com a maratona cansativa de muitas bandas se apresentando em um único dia, ficou até o final para prestigiar a apresentação, uma retrospectiva de carreira.

A Carfax, que se apresentou no segundo dia do festival, também fez um show correto e contagiante. O repertório da banda foi todo composto por músicas do primeiro disco da banda, O gosto antigo da novidade. Os vocais poderosos de Iana Beckman não precisaram de covers para cativar o público. A banda mostrou que tem potencial e conquistou a platéia.

Os paraibanos da Dead Nomads fizeram um dos shows mais legais do último dia do festival. A banda tocou seu punk rock autoral, com destaque para 1945 e Resposta, músicas cantadas em coro pela platéia. A banda fez ainda um cover de Blitzkrieg bop, dos Ramones, e uma versão hardcore de Bigmouth strikes again, dos Smiths, que levaram o público ao êxtase absoluto.

O festival DoSol cumpriu bem o papel de mostrar a cena independente brasileira, sobretudo a nordestina. Ele foi o retrato de que, para se fazer música boa neste País, não é necessário MTV e nem FM, apenas técnica, criatividade e carisma.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – FOLHA DE PERNAMBUCO

NATAL – “Excutcha…”. A sala de imprensa estava cheia de gente “fazendo hora”, quando um desses turistas típicos abriu e forçou um português enrolado para fazer uma pergunta. Ele queria saber por que o domingo do Festival DoSol, terceiro dia do evento que reuniu 37 atrações na rua Chile – uma espécie de Pátio de São Pedro Potiguar – estava com tão mais pessoas que no primeiro dia. Ninguém soube explicar muito bem. Natal ainda é, sob muitos aspectos, uma cidade bastante peculiar e única.

Esse traço é mais marcante no público, quase seis mil pessoas somando os três dias. Das 37 bandas que tocaram, o interesse maior de todos não era por quem vinha de fora, mas pelos próprios grupos locais. Como evento novo, o DoSol ainda se permite experimentar – e errar – com um pouco de freqüência. O tratamento mais folgado com algumas bandas acabou fazendo com que algumas não fizessem passagem de som. Na sexta-feira isso fez mais diferença. Parafusa teve o show prejudicado pelos equipamentos, não conseguiu sequer tocar três músicas usando todos os instrumentos.

No primeiro dia, cerca de duas mil pessoas davam um tom mais florido ao festival. Era um momento mais samba-rock, com mais cerveja servindo de motor para dancinhas sossegadas. Vale a pena anotar o nome do DuSouto, banda potiguar que faz um samba-rock bonzão para churrasco e praia. Joga baixo – bem baixo – tocando um Jorge Ben aqui e ali, mas também tem mérito próprio na conquista do público. Do Recife, o Bonsucesso Samba Clube fez uma troca boa com quem fazia questão de mostrar que conhecia todas as letras da banda. A empolgação da galera ajudou a melhorar um show que também não estava nos seus melhores dias.

Mas o que vale mesmo é anotar na agenda o seguinte lembrete: não perder o próximo show do Mundo Livre. ZeroQuatro e cia deram arranjos novos para vários clássicos da banda. Na boca do povo, era o melhor momento da noite. Já era bem tarde, passando das 2h, quando o DoSol começava a dar os sinais de que estava apenas começando.

A noite “rrrock!” do sábado também teve publico tímido. Igual aconteceu ano passado, o DoSol Rock Bar – casa noturna que faz parte do coletivo do festival – mostrou umas boas promessas da cena potiguar. Drunk Drive e Doris fogem do estigma que a cidade está perto de ganhar – explicado abaixo – com um som próprio.

O DoSol traz uma característica própria que é apostar no mercado do rock independente. Neste sentido, não existem os tais “medalhões”, encerrando a noite. Nem aquele público mais chato do Abril pro Rock reclamando a falta de um Detonautas ou de uma outra banda impossível de se bancar. Com isso, consegue favorecer uma programação que é boa de verdade. Autoramas (RJ) e Forgotten Boys (SP) estão entre os melhores shows de rock hoje no país.

Antes dessas, MQN (GO), Walverdes (RS), Bois de Gerião (DF), Los Canos (BA) e Bugs (RN) são uma escalação que daria certo em qualquer cidade do país hoje. E deu certo lá, mesmo para público pequeno e sempre afugentado pela chuva. O esquema cedo do festival, que abre as portas pontualmente às 16h30, prejudica só um pouco algumas bandas. A Carfax fez um show bem instigante, mas para poucos privilegiados.

Hardcore
Não tem para onde fugir. Natal é mesmo uma cidade 100% hardcore. Os dois elementos que mais podem prejudicar um show – ser feito no domingo e em horário muito cedo – não fez a menor diferença. Cerca de 2500 pessoas davam o clima de “lotado” na rua Chile. Todos para ver os shows do Devotos e Dead Fish. Esta última, ainda, era o principal alvo de tietagem. O pessoal subindo pelas janelas do bar DoSol, que servia de camarim, para conseguir um autografo e uma foto com o vocalista Rodrigo.

O prenúncio do sucesso desta noite foi dado às 18h. O Dead Nomads executou a fórmula secreta do sucesso para um show adolescente. Cover de “Blitzkrieg Bop”, do Ramones, para abrir a noite com uma enorme roda de pogo. Depois dela, até uma sofrível – e bota sofrível nisso – versão para “Bigmouth Strikes Again”, do Smiths, funcionou.

A noite foi empurrada por uma seqüência de bons shows, começados pelos Astronautas e seguido pela “banda do dono”, a Allface, com o vocalista Anderson Foca, organizador do DoSol, a paulista Aditive, a herói local – de longe o público mais cativo – Jane Fonda e, então, a Devotos e Dead Fish. Todo mundo voltou para casa suado e sem fôlego, cheio de disco novo debaixo do braço. Sim, tem isso, lá eles compram disco de verdade.

* A viagem foi a convite do evento

PEPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – DIÁRIO DE NATAL

Uma visão sobre shows internacionais

No segundo dia do ciclo de palestras promovido pelo Festival do Sol foi relatada a experiência de Fabiana Batistella, produtora de shows internacionais. Fabiana foi responsável por trazer e produzir/co-produzir bandas internacionais como Pixies, Weezer e Super Grass. Também estiveram presentes o jornalista Alexandre Matias e o editor da revista Outra Coisa, Adilson Pereira.

Agenda lotadíssima e dificuldades financeiras foram as maiores dificuldades apresentadas por Fabiana para se trazer uma banda gringa ao Brasil. ‘‘As bandas americanas, por exemplo, ao vir para cá deixam de fazer quatro shows nos Estados Unidos. Na média eles cobram 20 mil dólares de cachê, ou seja, perdem uns 180 mil reais só por estarem viajando’’, explica. Ela ainda passou os custos de um show como o do Placebo, vindo recentemente ao país para a turnê do Claro que é rock.‘‘O cachê custou 40 mil dólares. Passagens foram mais 30 mil reais. Quando adicionamos gastos com vistos, som e iluminação o custo total atingiu R$ 182.500’’. Fabiana diz não ter tido muitos problemas com exigências dos músicos, mas reclama do comportamento dos produtores. ‘‘Tenho mais problemas com os tour managers. Eles são muito afetados. O manager do Weezer era um ‘pé no saco’. Ficou afetado com um aglomerado de fãs no hotel em que estavam exigiu a saída deles. Mas o curioso é que os fãs não era do Weezer, mas sim da Avril Lavigne’’.

O jornalista Alexandre Matias, além de fazer uns free-lances para a Folha de São Paulo e revista Bizz, é o editor do blog Trabalho Sujo. Ele ressaltou a importância dessa nova mídia para a divulgação da cena independente do rock. ‘‘O Trabalho Sujo para mim é prioridade. Eu sou blogueiro em primeiro lugar, depois vem o trabalho para os outros meios’’, afirma Matias que também trabalha na gravadora Trama. Ele salientou que só no blog seus publicados de modo integral. ‘‘Embora cortem pouco, há sempre umas ‘limpezas’ dos meus textos da Folha e da Bizz’’, conclui.

Adilson Pereira, editor da revista Outra Coisa, contou sobre a nova experiência de distribuição proporcionada pelo veículo. ‘‘No que diz respeito às vendas, o problema não é vender centenas de milhares de cópias, mas sim achar que o que não vende centenas de milhares não é legal. Nosso formato deu certo e temos orgulho do trabalho feito com a banda Cachorro Grande, que começou a ser conhecida depois de encartado o seu CD na quinta edição da revista. Como diria Lobão, nosso principal garoto-propaganda, a Outra Coisa é projeto híbrido de cultura independente e guerrilha poética’’, coclui Pereira.

Durante três dias o Festival do Sol reuniu na Ribeird bandas como Mundo Livre SA, Ludov, Dead Fish e Autoromas. Nomes locais como o Du Souto e Simona Talma impressionaram o público. Também foi gravado um especial Banda Antes MTV e vários jornalistas da mídia especializada no país estiveram presentes.

REPERCUSSÃO FESTIVAL DOSOL – TRIBUNA DO NORTE (RN)

Sob o sol da liberdade

Isaac Ribeiro, Rafael Duarte e Tádzio França – repórteres

O Largo da rua Chile foi mais do que suficiente para acolher o público da segunda edição do Festival DoSol, realizado no último fim de semana, na Ribeira. Espaço para circular não faltou, pois o público não foi dos maiores — uma média de mil pessoas por noite. Mas a estrutura do evento melhorou com relação ao ano passado; exceto o som dos dois palcos interligados, que comprometeu o show de várias bandas, principalmente na sexta-feira e no domingo.

O primeiro dia de festival foi o da “diversidade”. Os Poetas Elétricos (RN) abriram o festival com sua música performática, seguidos pela cantora potiguar Simona Talma, estreante em festivais de rock. Depois vieram Parafusa (PE), Mad Dogs (RN) e Seu Zé (RN). A recepção do público ainda era fria e o som continuava a não colaborar. Com a entrada dos olindenses do Bonsucesso Samba Clube, o som melhorou um pouco.

A platéia só esquentou mesmo com a entrada do DuSouto no palco. Os problemas técnicos não foram suficientes para atrapalhar a energia da banda, que vive um dos seus melhores momentos e acaba de lançar CD em nível nacional, remasterizado pela gravadora Nikita. Os potiguares mostraram mais uma vez que estão prontos para palcos maiores e melhores — e com som profissional de verdade.

Experiência Ápyus (RN) não conseguiu fugir do anticlímax. O Ludov (SP) fez um show bem chatinho. E longo.

Programado inicialmente para entrar em cena a 1h30, o Mundo Livre S/A, bastião do movimento manguebeat, começou seu show às 3h45. Quem agüentou, viu a banda alternar clássicos de sua carreira com canções mais recentes. Viu também os primeiros raios de sol iluminarem a Ribeira. Cai o pano. (IR)

A noite mais “indie” foi a de menor público

Pode-se dizer que o sábado foi o dia “indie” do festival. Boa parte das bandas possuíam regulares carreiras no “underground”, com certo respaldo de crítica e público, algumas com CDs lançados, e todas com downloads gratuitos para serem ouvidas em banda larga ou pulsos discados. Talvez por isso, tenha sido o dia de menor público do evento, em torno de 600 pessoas.

A festa começou em clima de matinê hardcore: pesada, barulhenta, mas, “emotiva”, por volta das 16h30. Assim foram Drunk Driver, Doris e Distro, no palco interno do bar. Cantando em inglês – mas mantendo o peso e a “emotividade” – o Deadfunnydays abriu os trabalhos nos palcos externos. Mas o público do largo só deu sinais de vida quando o baiano Los Canos disparou seu rock direto e ‘garageiro’ no recinto.

Os Bugs mostraram as novas – e boas – canções de seu EP “Exílio”, seguidos pelo brasiliense Bois de Gerião, que elevou o astral da área ao acrescentar metais, Clash e Led Zep no seu receituário pop. Desafiando os tímpanos presentes, os gaúchos Walverdes destacaram-se ao tocar alto – vale repertir, bem ALTO! O barulho, no entanto, envolve ao destilar The Who e Kinks (suas maiores influências) de forma distorcida e bem resolvida.

A mais longa noite do DoSol seguiu até o fim, de forma irregular. Destaques: o humor e a demência com causa do Autoramas (RJ), instaurou o clima “trilha sonora de Tarantino” no local, enquanto os aguardados Forgottens Boys (SP) deram o que seus fãs queriam: garage rock no talo, Stones anabolizado, e “hits” subterrâneos. (TF)

Devotos levantou a poeira do largo

No domingo, como era previsível, o hardcore instigou a molecada e atraiu o maior público do festival. Mas foi o desfile de adereços impostos pelo estilo HC que chamou a atenção. O calor das rodas de pogo, por exemplo, não evitou que uma figura tirasse do armário um sobretudo!? De resto, aquela coisa de sempre: cabelos moicanos coloridos, pulseras e correntes. Tudo em nome da tal da atitude.

Depois da galera bater cabeça na penumbra do Dosol Rock Bar com Fliperama, Ravanes e Pots, a coisa variou entre o melódico e a sujeira HC nos palcos externos. O DeadNomades (PB) fazia um início de show sem muita empolgação até surgir com Hey Ho, Let’s Go, do Ramones. O resultado foi uma imensa roda de pogo no meio da galera. Após uma passagem sem criatividade do Karpus (RN), o Astronautas (PE) subiu ao palco com uma expectativa positiva deixada no show da banda realizado no MADA, em 2005. No entanto, à exceção de duas ou três músicas, o rock industrial dos caras não contagiou. O Alface (RN) teve problemas com dois amplificadores e a rouquidão do vocalista Anderson Foca. De fato, a galera só veio responder, com espasmos de histeria diga-se de passagem, quando o Jane Fonda apareceu. Lançando o primeiro CD ao vivo, a banda potiguar emplacou os hits que não deixam nada a desejar aos temas dos casais moderninhos em crise das novelas Globais. Lá pelas 21h, o Devotos (PE) fez o melhor show da noite. Cannibal mostrou um carisma que nem de longe se via nas outras bandas e deixou parte do público à vontade para provocar os capixabas do Dead Fish. Apresentando o repertório do novo trabalho “Um homem só”, a banda sentiu que não ia ter vida fácil até o fim do show. Xingamentos dos dois lados à parte, o festival Dosol terminou com um saldo positivo: mostrou muito do que estava escondido na cena independente do país. Que venha a versão 2007 com mais força! (Mas com um som de primeira categoria). (RD)

Eu não estou nem aqui!

Os problemas com o som do festival não chegaram a tirar o sono de Anderson Foca, que eximiu a produção de responsabilidade. “A gente montou o palco e estava tudo pronto para a passagem de som das bandas, mas ninguém apareceu. Então, eu não tenho nada a ver com isso”, disse se referindo, principalmente, às três primeiras bandas de sexta-feira.

Solto na ponte aérea

O guitarrista e vocalista da banda natalense DuSouto, Gustavo Lamartine, veio do Rio de Janeiro especialmente para a apresentação no festival, retornando em seguida para a Cidade Maravilhosa. Gustavo faz curso na área de design e está adorando a temporada no Jardim Botânico.

Dividindo tudo

Na noite de sexta-feira, havia muita reclamação das meninas na fila do banheiro químico. O problema é que instalaram três cabines para homens e apenas duas para mulheres. “Estamos em desvantagem, pois os meninos fazem xixi em qualquer lugar, e nós não!”, desabafava uma garota. Algumas, dicidiram quebrar o protocolo e dividiam a mesma fila com os garotos. Fez sentido… no último dia, o número de banheiros aumentou para 4 e 4, para alívio do público.

À procura do som perfeito

Nem o Alface, banda do diretor do festival Anderson Foca, passou incólume às falhas do som. Na segunda música do show, no domingo, dois amplificadores, literalmente, apagaram no palco. A reação do vocalista foi imediata: atirou o microfone no chão. “É a lei de Murph, porra!”, desabafou.

Trombadinha rocker

O guitarrista das bandas Dóris e Distro, Vinícius Menna, teve os pedais roubados durante o festival. O equipamento estava no camarim localizado atrás do palco do Dosol Rock Bar. De acordo com o músico, o prejuízo foi de mais de mil reais. Até o fim do festival o larápio não tinha sido encontrado.

Tapete vermelho

Mal acabou o show do Devotos, a banda capixaba Dead Fish já sentiu a recepção do público. Ainda sob a aura punk-rock de Cannibal e cia, que fez um grande show, a galera em coro mandou um sonoro: “Ei, Dead Fish, vai tomar no…!” mas apesar dos protestos, o número de fãs da banda capixaba era grande.

The original

O mundo muda e a MTV também. Depois de Fábio Massari, Gastão, Soninha e Edgar Piccoli, o canal musical teen atacou este ano, no Mada e DoSol, com os VJs Carla Lamarca e André Vasco. O “queridinho” do programa Chapa Coco foi mais requisitado que as bandas!
Para variar, as fãs destilaram um repertório de frases originais: “Você é lindo! Te vejo todo dia na TV!”.

Menino buchudo

No final do show do Karpus, o vocalista André decidiu provocar algum amiguinho que não gosta da banda e subiu nas tamancas. “A minha banda está no palco, véio! E a sua, não”, disse o menino buchudo ao microfone deixando a galera sem entender nada da pendenga.

Contatos imediatos

Para quem acha que circula muita grana nos festivais com a venda de CDs, errou feio. O idealizador do selo Mudernage Diskos, Vlamir Cruz, contou que a média de venda por dia varia entre três e cinco CDs. Segundo ele, o rock dos bastidores é fazer contato com a imprensa e os produtores.

TRIBUNA DO NORTE (RN)

Que soem as guitarras: o festival de música (rock) independente DoSol começa oficialmente sua segunda edição nesta sexta-feira, com programação agora estendida por três dias, de hoje até domingo. O largo da rua Chile se transforma num imenso palco para exibir a diversidade da cena rocker brasileira, que corre por fora das grandes gravadoras. Serão ao todo, 38 bandas de 11 estados do Brasil, com riffs para todos os gostos.

A produção 2006 manteve a estrutura de três palcos, sendo um dentro do bar DoSol, e dois palcos principais na rua Chile. A programação da sexta-feira é a seguinte: às 21h, Poetas Elétricos (RN); às 21h30, Simona Talma (RN); às 22h, Parafusa (PE); às 22h30, Mad Dogs (RN); às 23h, SeuZé (RN); às 23h30, Bomsucesso Samba Clube; às 0h, DuSolto (RN); às 0h30, Experiência Ápyus (RN); às 01h, Ludov (SP); às 01h 40, o aguardado Mundo Livre s/a (PE).

No sábado, o dia de maior número de atrações: às 16h30, tem Drunk Driver (RN); às 17h, Distro (RN); às 17h30, Doris (RN); às 18h, Deadfunnydays (RN); às 18h30, 2Fuzz (CE); às 19h, Carfax (PE); às 19h30, Los Canos (BA); às 20h, Bugs (RN); às 20h30, Bois de Gerião (DF); às 21h, Walverdes (RS); às 21h30, Revolver (RN); às 22h, Memória Rom (RN); às 22h30, MQN (GO); às 23h, Zero8Quatro (RN); às 23h30, Autoramas (RJ); e às 0h10, os aguardados Forgotten Boys (SP).

O último dia do festival, ao domingo, começa mais cedo em clima de matinê. Mas bem pesada. Às 16h 30 tem Fliperama (RN); às 17h, Ravanez (RN); às 17h30, Pots (RN); às 18h, Dead Nomads (PB); às 18h30, Karpus (RN); às 19h, Astronautas (PE); às 19h30, Allface (RN); às 20h, Aditive (SP); às 20h30, Jane Fonda (RN); às 21h, Devotos (PE), e às 21h40, Dead Fish (ES).

O festival também preparou suas atrações paralelas. Termina hoje (sexta), o ciclo de palestras “Pensando Música”, no Solar Bela Vista.

Serviço:

Festival DoSol. De sexta a domingo, no largo da rua Chile, Ribeira. Preços: R$12 (dia) e R$30 (temporada). Tel.: 3642-1520.

TRIBUNA DO NORTE (RN)

Rafael Duarte – Repórter

O rock volta a respirar o charme das ruas escuras e imundas da velha Ribeira de guerra. Abandonado pelas autoridades, o segundo bairro mais antigo da cidade ganha poder de fogo a partir de hoje quando abre passagem para a segunda edição do Festival DoSol, que ocorre até domingo no largo da rua Chile.

Ao todo, 37 bandas representando 11 estados do país devem se apresentar nos três palcos do evento, dois externos e um menor, localizado no bar Dosol. Do Rio Grande do Norte, 20 grupos se preparam para mostrar a quantas andas a produção independente local. Hoje, a festa começa às 21h. Nos outros dois dias, o som começa a rolar a partir das 16h30. Além do rock, a produção confirmou a feira de zines e exposição dos principais produtos dos selos locais e nacionais. De acordo com o idealizador do festival, Anderson Foca, a maioria das bandas está lançando novos trabalhos ou em turnê divulgando a produção recente. “Estamos realizando o festival numa data muito boa, pegando a galera na época de lançamentos de CDs. Tanto aqui como fora tem gente lançando trabalho novo, como Simona Talma, Doris, Fliperama, Ravanes, Dead Fish…”, disse.

Ele lembra que a produção recebeu mais de 800 trabalhos de bandas locais e de outros Estados. “Teve material que a gente nem conseguiu ver por conta da quantidade e do tempo que tínhamos para fechar a programação. Vimos os shows de quase todas as bandas que vieram para o DoSol”, afirmou.

O vocalista da banda potiguar SeuZé, Lipe Tavares, afirma que tocar no festival credencia as bandas a entrarem no circuito nacional independente. Depois da apresentação no DoSol, o SeuZé deve parar e começar a pensar no próximo CD, que deve ser lançado no segundo semestre do próximo ano. “Estamos começando a compor, não tem nada definido ainda. Participamos ano passado do DoSol, da feira da música em Fortaleza, do festival Mada. Se a gente quiser reconhecimento nacional temos que obedecer a seqüência de festivais. Para tocar nos festivais de fora, temos que mostrar em casa primeiro porque vem imprensa de fora, além do trabalho de divulgação feito pelos jornais locais”, analisou.

Estreante em festivais de rock, Simona Talma está apreensiva com a oportunidade de dar de cara com a galera. Mesmo com um trabalho calcado no blues, ela não sabe como será a reação do público. “Tem um pouco de medo da reação do público, mesmo sabendo que será a noite mais leve do festival. Não é um trabalho tão novo, mas o fato de ser meu primeiro festival de rock me deixa apreensiva. Espero que dê certo”, disse.

Serviço:

Festival DoSol, 4 a 6 de agosto, no largo da rua Chile. Preços: R$12 (um dia) R$ 30 (temporada). Informações: 3642.1520. Patrocínio: Prefeitura, Banco do Brasil, Skol e Governo do Estado.

FOLHA DE PERNAMBUCO (PE)

Segunda edição do festival DoSol

Bruno Nogueira

Dê criatividade a sua noção do que seria utópico numa cena local de música. Um grupo de bandas que fez um bar para poder tocar. Depois juntaram uma grana e fizeram um estúdio, uma gráfica para prensagem, um selo e uma produtora de vídeo. Parece demais? Então some ainda um festival de porte regional e você tem o império potiguar DoSol. A segunda edição deste festival começa hoje, em Natal, com o que deve ser um dos melhores recortes do rock independente do País. Três dias de shows, com seis bandas de Pernambuco.

“É uma espécio de grande aniversário do bar, onde trazemos para a cidade o melhor da música independente do Brasil se congregando com o que rola de melhor em Natal”, explica o cabeça de toda essa idéia, o produtor e músico Anderson “Foca”. Essa associação ajuda também a movimentar o mercado de música local, já que o outro festival da cidade, o Mada, não costuma escalar muitas bandas locais na sua programação. O DoSol chega com 19 nomes potiguares, que vão de MPB a hardcore. A maioria com disco lançados pelo próprio selo dessa coperativa, alguns de outros selos locais que agora encontram onde descarregar seus artistas.

JORNAL DO COMÉRCIO (PE)

Seis bandas pernambucanas na grade do Festival DoSol
Publicado em 04.08.2006

Festival potiguar de música independente, que começa hoje, traz 38 atrações de 11 Estados

CONCEIÇÃO GAMA

Seis bandas pernambucanas estão na grade de programação da 2ª edição do Festival DoSol, que começa hoje, em Natal. Bonsucesso Samba Clube, Parafusa e Mundo Livre S/A se apresentam hoje. Amanhã é a vez da Carfax e, no domingo, Astronautas e Devotos.
A escalação do considerável time de bandas pernambucanas mostra a importância que a música independente do Estado tem para o cenário do País. Na primeira edição do evento, realizada no ano passado, apenas a Mombojó e a Vamoz entraram na programação. Este ano, Pernambuco é o Estado mais representativo no evento em número de bandas, perdendo apenas para o próprio Rio Grande do Norte, que teve 19 escalações.

Segundo o idealizador e produtor do festival, Anderson Foca, o aumento do número de músicos pernambucanos na grade do festival se deveu, sobretudo, a um intercâmbio cultural intenso. “Estive, no início do ano, no Porto Musical e recebi material de muitas bandas. Além disso, assisti a shows de alguns desses artistas em festivais independentes de diversas cidades do Brasil e pude constatar a excelente qualidade musical dos grupos”, conta.

Foca explica que, além da qualidade musical das bandas, também foi levada em consideração a região de origem. “O festival se propõe a ser uma vitrine da nova música do Brasil, sobretudo da música nordestina”, afirma. De acordo com ele, a produção do festival recebeu material de cerca de 800 bandas do Brasil inteiro. “Infelizmente não pudemos trazer todas as bandas que gostamos. Muita gente boa ficou fora da programação”, lamenta.

A escolha das 38 bandas, vindas de 11 Estados, foi feita por uma curadoria da produtora DoSol. “A grande característica do festival é priorizar a nova música brasileira. Não temos interesse em trazer medalhões como Skank ou O Rappa, por exemplo. Queremos mostrar o trabalho de artistas que não têm tanto espaço na grande mídia”, explica.

Este ano, o Festival DoSol será realizado em três dias, um a mais que na primeira edição do evento. A estrutura terá dois palcos principais e um Rock Bar onde também haverá shows, totalizando um espaço para receber até 4 mil pessoas por dia.

Dentro da programação do evento, além dos shows, estão previstos lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

INTERATIVIDADE – A produção do Festival DoSol produziu programas semanais televisivos com 30 minutos cada, com o objetivo de divulgar as novidades do cenário musical local, exibindo videoclipes, entrevistas e tendo a participação das bandas locais.

Os programas estão indo ao ar semanalmente, em um canal de TV pago e em um aberto em Natal. O público que está fora de Natal também pode assistir aos programas, fazendo o download pelo site do festival ( www.dosol.com.br/festival).

Ao todo são cinco programas. No dia 12 de agosto irá ao ar um compacto dos shows do festival. Quem visitar o site pode ainda ler as novidades do evento, baixar músicas das bandas participantes e ouvir a rádio online exclusiva do Festival, também disponível para download. Outros vídeos e clipes de bandas participantes também estão disponíveis no endereço.

JORNAL DE HOJE (RN)

“Pensando Música” começa hoje

Élida Mercês
Repórter – elidamerces@oi.com.br

Seguindo a tendência dos festivais de música independente de todo o país, o Festival DoSol realiza até sexta-feira, no auditório do Solar Bela Vista, o “Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar”. As discussões precedem as apresentações das bandas que vão tocar no largo da rua Chile, de 4 a 8 de agosto.

O produtor cultural e organizador do Festival DoSol, Anderson Foca, explica que os três dias de palestras são voltados para músicos, produtores e jornalistas culturais que queriam trocar idéias com pessoas dos mais diversos estados do Brasil. “É uma boa oportunidade para conhecermos o que está sendo feito nas outras regiões do país, o que deu certo e o que não deu, assim como unir forças para viabilizar projetos em comum”, diz.

Foca observa que as pessoas que fizeram a pré-inscrição, através do site do festival, terão prioridade. “Os interessados podem se inscrever no local, basta levar um livro, que será doado a uma instituição a ser definida. O ‘Pensando Música’ contará com palestrantes do cenário musical nacional e vai abordar temas que envolvem músicos e produtores do Rio Grande do Norte”,

Segundo Anderson Foca serão três dias e seis temas para debates, com a intenção de promover e qualificar a cena local. “É uma oportunidade única de compartilhar experiências, esclarecer dúvidas com pessoas que lidam em todas as áreas de música e produção”, diz. Os temas que se abordados no ciclo são: áudio básico para músico, produtores, roadies e interessados; manutenção de instrumentos musicais guitarras e contrabaixos; selos independentes e produção fonográfica; mercado independente e o circuito de festivais; shows internacionais no Brasil; e mídia impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.

Um dos palestrantes de amanhã é o presidente da Associação Brasileira de festivais Independentes (Abrafin), Fabrício Nobre, integrante de um dos maiores selos independentes do país, a Monstro Discos, e organizador de dois festivais em Goiânia, o ‘Bananada’ e o ‘GoiâniaNoise’. Para ele é importante que as pessoas saibam que o festival não é apenas um final de semana. “É muito trabalho envolvido e discutir isso em um ciclo de palestras e debates é essencial para que haja uma maior repercussão do evento, das bandas e do cenário musical independente. A Abrafin foi fundada em novembro de 2005 e, apesar de estar engatinhando, já reúne cerca de vinte festivais nos quais tem incentivado a realização de debates”, ressalta Fabrício Nobre.

Há pouco tempo, revela Nobre, a Abrafin esteve reunida com o Ministério da Cultura solicitando a publicação de um edital específico para os festivais de música. “Dessa forma teremos mais respaldo junto às empresas e todos saem ganhando. Estamos mostrando que trabalhamos com seriedade, trocando idéias e experiências visando articular ainda mais espaços para as bandas nacionais”, observa.
Fabrício Nobre também se apresenta no Festival DoSol, com sua banda ‘MQN’. “A nosso estilo é o mais puro rock. Vamos completar dez anos de estrada em novembro e estamos gravando um novo disco que vem cheio de novidades. Nossa participação no festival será no sábado, com o mesmo show que estamos apresentando por outras cidades do Nordeste e que tem como base um álbum que foi lançado no ano passado”.

O Festival
A segunda edição do Festival DoSol vai reunir 38 bandas, de 11 estados, que vão se revezar em três palcos montados em uma estrutura com capacidade para 4 mil pessoas. A organização enfatiza que o foco do evento é o potiguar, representado por 19 atrações dos mais diferentes estilos musicais.

Anderson Foca observa que o Festival DoSol é feito e gerido por pessoas que estão diretamente envolvidas com a propagação da música local. “Para nós, é uma honra poder escalar um número tão grande de bandas potiguares. Todas elas são ótimas no que se propõe e não vão de deixar a desejar com relação às bandas de outros Estados que participarão do evento”, diz.

Dentro o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de mini-turnês nordestinas com algumas das atrações convidadas. “No primeiro dia do Festival os shows começarão pontualmente às 21h. Já no sábado e domingo (05 e 06/08), com a programação iniciando às 16h, o Festival começa no palco do Rock Bar, um formato que deu certo e foi elogiado pelo público e bandas. Na rua Chile, haverá estandes de artigos direcionados à cena musical. CDs, instrumentos musicais, Fanzines, entre outros estarão presentes no evento. Além disso, os bares e restaurantes da rua estarão servindo de suporte para o evento”, explica o produtor cultural.

O Festival DoSol é uma realização do selo DoSol e conta com o patrocínio do Banco do Brasil, Skol, Lei Djalma Maranhão, Lei Câmara Cascudo, Prefeitura Municipal de Natal, Governo do Estado, além do apoio da Digizap.

Confira a programação do
“Pensando Música”:
Hoje:
14horas
Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados.
- Eduardo Pinheiro
16 horas
Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos
- Ministrado pela equipe da De Oliveira.

Quinta-feira
(3 de agosto)
14horas
Selos independentes e produção fonográfica
- Fabrício Nobre [GO] – Monstro Discos
- Anderson Foca [RN} - DoSol
- Vlamir Cruz [RN] – Mudernage
16 horas
Mercado Independente e o circuito de Festivais
- Paulo André (PE) – Festival Abril Pro Rock Festival / Porto Musical, vice-presidente da ABRAFIN,
- Fabrício Nobre (GO) – Festival Bananada e GoiâniaNoise, presidente da ABRAFIN,
- Jomardo Jomas – Festival Mada
- Anderson Foca – Festival DoSol

Sexta-feira
(4 de agosto)
14 horas
Shows internacionais no Brasil
- Fabiana Batistela [SP] – Inker Squat, Mondo 77, produtora de shows internacionais.
16 horas
Mídia Impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.
- Adilson Pereira [RJ] – Editor da revista impressa Outracoisa
- Alexandre Matias [SP] – Blogueiro e jornalista. Participa do Trama Universitário, e colabora na Folha de São Paulo e diversos outros veículos.
- Fabiana Batistela [SP] – Revista Bizz, Inker

Programação dos shows:

4 de Agosto
(Sexta-feira)
Palcos Externos: Poetas Elétricos (RN), Simona Talma (RN), Parafusa (PE), Mad Dogs (RN), Seu Zé (RN), Bonsucesso Samba Clube (PE), DuSolto (RN), Experiência Ápyus (RN), Ludov (SP) e Mundo Livre (PE).

5 de Agosto
(Sábado)
DoSol Rock Bar: Drunk Driver (RN), Distro (RN), Doris (RN).
Palcos Externos: DeadFunny Days (RN), 2Fuzz (CE), Carfax (PE), Los Canos (BA), Bugs (RN), Bois de Gerião (DF), Walverdes (RS), Revolver (RN), Memória Rom (RN), MQN (GO), Zero8Quatro (RN), Autoramas (RJ) e Forgotten Boys (SP).

6 de Agosto
(Domingo)
DoSol Rock Bar: Fliperama (RN), Ravanez (RN), Pots (RN).
Palcos Externos: Dead Nomads (PB), Karpus (RN), Astronautas (PE), Allface (RN), Aditive (SP), Jane Fonda (RN), Devotos (PE) e Dead Fish (RN).

CORREIO DA TARDE (RN)

COLUNA LUIS HENRIQUE
Paulo André
Criador e organizador do tradicional Abril pro Rock, Paulo André foi um dos responsáveis pela propagação do Mangue Beat pelo mundo. Empresário de visão além do alcance, uma de suas últimas sacadas foi genial: o retorno aos palcos dos Mutantes. Pois bem, amigo leitor, anos de experiências e histórias à disposição amanhã às 16h no Solar Bela Vista, durante o painel sobre o mercado independente e o circuito de festivais, que acontece dentro do ciclo palestras e debates da música potiguar “Pensando Música”. Paulo vai debater com o Foca (DoSol), Jomardo (MADA) e
Fabrício Nobre (GoiâniaNoise).

Festival…
E quando a sexta chegar e Festival DoSol começar, convém prestar atenção às letras líricas da Parafusa, banda proveniente da terra do frevo, uma mescla de Chico Buarque com banda de rock.

…do Sol
Há ainda muita coisa boa. Dá só uma sacada: Poetas Elétricos (RN), Simona Talma (RN), Parafusa (PE), Mad Dogs (RN), Seu Zé (RN), Bonsucesso Samba Clube (PE), DuSolto (RN), Experiência Ápyus (RN), Ludov (SP) e Mundo Livre (PE).
Show de bola! Fora de Controle! Imperdível!

CORREIO DA TARDE (RN)

Festival DoSol promove ciclo de palestras e debates para o crescimento da Música Potiguar

O trabalho de um músico requer muito conhecimento sobre o seu instrumento, as possibilidades de gravar um disco, as alturas e timbres em uma passagem de som, seu estudo diário, além das noções de produção. Para contemplar esse universo, o Festival DoSol junto com o selo Mudernage e a Agência cultural do Sebrae, promovem, a partir de hoje até a próxima sexta-feira, o Projeto Pensando em Música, um ciclo de palestras e debates para o crescimento da música potiguar. A reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro abordando temas que envolvem os músicos e os produtores de todo o Estado.

São palestras sobre áudio básico, manutenção de instrumentos musicais, selos independentes e produção fonográfica, mercado independente e o circuito de festivais, shows internacionais no Brasil; mídia impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias.

Os palestrantes são referências em todo o mundo, como o Produtor Paulo André (PE) do Festival Abril pro Rock e vice-presidente da ABRAFIN, Porto Musical, que ministrará a palestra “Mercado independente e o circuito de festivais”, e a Fabiana Batistela (SP), produtora de shows internacionais no Brasil como: Pixies (EUA), Weezer (EUA), ministrando a palestra “Shows internacionais no Brasil”. Entre músicos, produtores, programadores de áudio. Um leque aberto para a música.

As inscrições para participação nas palestras e debates serão trocadas por um livro. Cada pessoa pode assistir quantas palestras quiser, escolhendo previamente aquela que lhe interessar. Para garantir a sua inscrição via Internet, preencha os seguintes dados e mande email para mudernage@yahoo.com.br: Nome completo, identidade, e-mail, dizendo a palestra que deseja assistir.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Novo hardcore capixaba

Chega às lojas nesta semana “Um Homem Só’’, sexto disco da banda capixaba Dead Fish,que se açresenta domingo no Largo da Rua Chile, no II Festival DoSol . Na estrada há 16 anos, o grupo é veterano do hardcore nacional mas só neste álbum teve oportunidade de experimentar uma produção grandiosa.

“Ficamos um ano fazendo este disco. Seis meses só compondo as canções e conectando as faixas. É um disco conceitual, pudemos nos empenhar em desenvolver este conceito, em produzir o disco da maneira que a gente imaginou’’, conta o vocalista, Rodrigo.

O Dead Fish, que sempre foi uma banda independente e custeou seus álbuns, ganhou alvará -e dinheiro- da gravadora Deck para passar bastante tempo no estúdio produzindo as canções de “Um Homem Só’’, que estão tão maduras quanto a voz de Rodrigo, com o mesmo peso de sempre. “Existiu diálogo. A gente pôde se focar na música, trabalhar só nisso’’, diz Rodrigo.

As letras tratam de temas todos costurados pelas críticas à solidão, ao egoísmo, às derrotas e à egolatria causados pelo mundo mesquinho em que vivemos. Mas nada de emocore. “Essa história de “emo’ pra cá, “emo’ pra lá vulgarizou valores. Eles [os rotuladores] nem sabem mais o que dizem, nem do que gostam. E eu acho que as coisas só vão mudar para pior’’, critica Rodrigo.

CORREIO DA TARDE (RN)

COLUNA LUIS HENRIQUE

Novo Mês

E que venha agosto, mês do desgosto para alguns terráqueos providos de superstição e conspirações históricas aguçadas.

Aqui, o agosto de 2006 será saudado em solo potiguar como o mês do Festival DoSol. Tão bacana, tão importante para a cultura independente. Em solo nacional, que venha a Festa Internacional Literária de Parati, a FLIP 2006.

Agosto é ainda o mês do advogado e do começo do horário eleitoral gratuito na tevê. Saudações astrais…

Festival…

O grande evento do mês em Natal, o Festival DoSol, começa amanhã com uma sacada show de bola! O ciclo palestras e debates da música potiguar “Pensando Música”, parceria entre a DoSol Records, a Mudernage Diskos e a Agência Cultural Sebrae.

…DoSol

O ciclo tem início às 14h no Solar Bela Vista com a palestra de Eduardo Pinheiro sobre “Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados”, seguida pelo bate-papo sobre “Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos”, a ser ministrado pela equipe da De Oliveira.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Bandas tocam em palcos na Ribeira

De sexta-feira a domingo será realizado a sua segunda edição do Festival DoSol. Com um dia a mais na programação, o evento acontece novamente no Largo da Rua Chile, no bairro da Ribeira, contando com três palcos e estrutura para receber até quatro mil pessoas por dia.

Ao todo passarão pelos palcos do Festival DoSol 38 bandas de 11 Estados do Brasil. O foco são as bandas do próprio Rio Grande do Norte, representado por 19 atrações dos mais diferentes estilos musicais. “O Festival DoSol é feito e gerido por pessoas que estão diretamente envolvidas com a propagação da música do RN. Para nós, é uma honra poder escalar um número tão grande de bandas locais. Todas elas são ótimas no que se propõe e não vão de deixar a desejar com relação as bandas de outros estados que participarão do evento‘‘, diz Anderson Foca, idealizador e produtor do festival.

Dentro da programação que envolve o Festival, também acontecerão lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

DIÁRIO DE NATAL (RN)

Festival debate o panorama do rock

Com o intuito de crescer a cena local, o Festival Do Sol promove a partir de hoje no Solar Bela Vista um ciclo de palestras e debates da música potiguar “Pensando Música – Ciclo de Palestras e Debates para o crescimento da Música Potiguar‘‘,realizado em pareceria com o selo Mudernage e a Agência Cultural Sebrae. A reunião contará com palestrantes do Brasil inteiro e abordará temas que envolvem os músicos e produtores do Estado.

‘‘Serão três dias e seis temas para debates, com a intenção de promover e qualificar a cena local. Uma oportunidade única de compartilhar experiências, esclarecer dúvidas com pessoas que lidam em todas as áreas diretas de música e produção.

Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados; Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos; Selos independentes e produção fonográfica; Mercado Independente e o circuito de Festivais; Shows internacionais no Brasil; Mídia Impressa, eletrônica e divulgação com novas tecnologias serão os temas abordados no ciclo’’, afirma Anderson Foca do Selo Dosol

As inscrições para palestras e debates estão abertas no site do evento www.dosol.com.br/festival , e é de livre participação. Basta enviar um e-mail para o endereço mudernage@yahoo.com.br , informando o nome completo, na da identidade, e-mail de contato e palestras que deseja assistir. A produção do evento está pedindo aos participantes que levem 1 livro para cada dia de palestras, que serão doados a uma instituição a ser definida.

Hoje será debatido na Agência Cultural a partir das 14h, Áudio Básico para músico, produtores, roadies e interessados com Eduardo Pinheiro. Ás 16h será apresentado o tema Manutenção de instrumentos musicais Guitarras e Contrabaixos Ministrado pela equipe da De Oliveira.

Amanhã às 14h o tema é Selos independentes e produção fonográfica com – Fabrício Nobre (GO) – Monstro Discos, Anderson Foca (RN) DoSol, e Vlamir Cruz (RN). Às 16h, será debatido Mercado Independente e o circuito de Festivais com – Paulo André (PE) – Festival Abril Pro Rock Festival / Porto Musical, vice-presidente da ABRAFIN,- Fabrício Nobre (GO) – Festival Bananada e GoiâniaNoise, presidente da ABRAFIN, – Jomardo Jomas – Festival Mada e – Anderson Foca – Festival DoSol e Yuno Silva ( Overmundo / RN).

TRIBUNA DO NORTE (RN)

“Pensando Música” começa hoje
02/08/2006 – Tribuna do Norte

Antes do som começar a rolar na Ribeira, a pedida é pensar o rock. O festival DoSol, que ocorre entre os dias 4 e 6 de agosto, prepara os ouvidos públicos com um ciclo de debates sobre os bastidores da música.

O “Pensando Música – ciclo de palestras e debates para o crescimento da Música Potiguar” começa hoje, a partir das 14h e segue até a próxima sexta-feira com o apoio do selo Mudernage e Agência Cultural Sebrae. As discussões ocorrem no Solar Bela Vista. As inscrições deve ser feitas no local em troca de 1 livro.

Durante os três dias serão discutidos a linguagem áudio básico para músicos, a manutenção de instrumentos, os selos independentes, o mercado e os festivais de música, a viabilização de shows internacionais no Brasil e a mídia cultural. O evento contará com a presença de especialistas potiguares e de outros Estados. Hoje, o produtor musical Eduardo Pinheiro explica, a partir das 14h, os conhecimentos básicos de sonorização nos shows, enquanto a equipe da empresa potiguar De Oliveira fala, às 16h, sobre a conservação e manutenção dos instrumentos.

De acordo com o produtor e idealizador do festival, Anderson Foca, embora alguns temas sejam específicos para quem trabalha na área, o evento deve despertar o interesse de leigos. “Pode ter produtor em potencial no público que precisa apenas de um estímulo. Na verdade, não é um debate, mas uma reunião, um encontro entre as pessoas que gostam de música e querem se aperfeiçoar. Quem se inscreveu pela internet ou antes terá a preferência, mas quem estiver interessado ainda pode ir”, avisou.

WWW.TRIBUNADONORTE.COM.BR (RN)

Rafael Duarte – Repórter

A batida do vento que sopra na direção da banda potiguar DuSouto é eletrônica. Criado em 2005 pelos músicos Paulo e Gabriel Souto após o fim do Sangueblues, o grupo absorveu a filosofia da grande rede e ganhou o mundo. No contrato garimpado com a gravadora carioca Nikita Records, o DuSouto foi parar na Copa da Alemanha ao incluir a música Ie Mae Jah no game FIFA SOCCER 2006. Mês passado outro bônus: “Ie Mae Jah” e “Do outro lado de lá” foram incluídas na coletânea de músicas brasileiras “Busta Brasileira” (algo como a melhor música brasileira) comercializada no Japão.

Empolgada com os frutos do primeiro CD “DuSouto”, a banda volta aos palcos sexta-feira, 4 de agosto, no primeiro dia de rock do festival Dosol. O baixista Paulo Souto, 35 anos, conversou com a TRIBUNA DO NORTE. Ele do passado, do presente e do futuro:

O Momento

“O que a gente está vivendo hoje é incrível, estamos muito mais maduros do que quando lançamos o CD no ano passado. Esse contrato com a Nikita, a distribuição das músicas na game da FIFA e numa coletânea de músicas brasileiras no Japão, a “Busta Brasileira”, nos pegou de surpresa. A certeza que temos é de que o segundo vai ser ainda melhor que o primeiro. Começamos a nova parte de edição de imagens do DuSouto, temos vários músicas prontas que já vamos mostrar no show do festival Dosol.”

Processo de produção

É uma coisa quase que fisiológica. Um dia desse fiz uma música em dez minutos durante uma caminhada da minha casa para a casa da minha mãe. Outras demoro uns dois ou três meses para terminar. Eu e o Gustavo compomos desde os 13 anos de idade. Aprendi a tocar violão nessa época e via que naqueles cadernos de música só tinha Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia… não era a minha língua. No começo dos anos 80 também não tinha nada. Foi aí que decidimos fazer nossas próprias músicas.

Início

De uma forma ou de outra o General Junkie foi a semente do DuSouto. Mas na verdade a banda começou comigo e com o Gabriel depois que saí do Sangueblues. Passamos um ano e meio fazendo interpretações com uma pegada eletrônica de outros músicos até que o Gustavo chegou e disse que se a gente tocava Otto poderíamos fazer nossas próprias músicas. E colocamos a idéia para frente.

Mercado

A chegada da Nikita foi massa porque antes de lançar o CD, já nos colocou no mercado com o game e a coletânea no Japão. Conseguimos pagar a nossa parte no contrato. Tinha ficado combinado que bancaríamos a remasterização e com a grana que rolou quitamos tudo e empatamos o jogo. No mais, acho que a abertura que isso deu na mídia foi importante. O feedback também está legal. Em Recife e João Pessoa a galera comenta, a gente descobre muitos jogadores do game da FIFA de plantão nos shows.

Remasterização

Agora é outra história, outra qualidade. É um CD mesmo. Não parece mais uma demo. Tem todos os requisitos: material gráfico de primeira e uma diferença grande na gravação das músicas. Antes por não termos finalizado direito, a gente sentia que algumas faixas davam uma capengada, principalmente quando comparávamos com outro CD. Hoje está pau.

Futuro

Gustavo (Lamartine) está no Rio de Janeiro fazendo uns cursos, volta agora para tocar no festival Dosol e vai de novo. Devemos ir em setembro para o Rio iniciar uma turnê porque o próprio Lerena (Felipe Lerena, diretor da Nikita) disse que se a gente não começasse a pegar a estrada a coisa não ia andar só pela gravadora. A idéia é começar os contatos e fazer Rio, São Paulo e o sul.

Nikita Records

A Nikita não é uma gravadora, mas uma editora. No nosso contrato, eles têm autorização para trabalhar com as músicas por cinco anos. A impressão do CD é deles e por isso a gente recebe uma porcentagem mínima. Na verdade, a Nikita é um contato entre o artista e um distribuidor.

Estrutura

É pequena. Tem umas quatro pessoas apenas trabalhando para o Lerena, e todo terceirizados. Um cara na web, outro na remasterização e edição e mais dois ou três caras… é parecido com a forma como a gente trabalha.

Filosofia

É mais ou menos a filosofia do “vale quanto pesa”. Por exemplo: se o Los Hermanos vem fazer um show aqui e cobra R$ 30 mil, tem que levar muita gente para o show. No contrato da gente agora, o Lerena falou que ia fazer uma tiragem mínima de cinco mil exemplares porque quem diz se é bom é o público. Outro coisa é que o cara está apostando na internet. O CD está a venda nos sites submarino, imusica, msnmusic…

Mainstream

É um sonho, mas com os dois pés no chão. A gente não sabe quando nem onde isso vai acontecer. Ninguém pretende abandonar os afazeres, mas no dia em que a música estiver mais solicitada que o nosso trabalho diário vamos abandoná-lo e buscar a música. Não temos uma gravadora para pagar jabá nas rádios… O que me importa é que se eu levar uma vaia vou me sentir péssimo, vai ter que mudar tudo. Agora, quando a galera pede bis estou no céu. Cansamos desse oba oba, de esperar acontecer… Ficamos no oba oba com o General durante 10 anos e quando fomos gravar não tinha mais sentido. O meu mainstreain é dinheiro no bolso para poder viver.

General Junkie

O General durou o tempo que tinha que durar. Gravamos o disco mais como um registro porque não tinha mais nada a ver com que estávamos querendo fazer. Não fazia mais sentido interpretar músicas que escrevemos sete anos atrás, sabe… não era aquilo que a gente estava a fim de dizer. Sentíamos dificuldade em renovar. O General era muito rock in roll, mas a gente não se apega tanto a isso. Somos músicos. O DuSouto está soando eletrônico hoje, mas não tenho a mínima idéia do que pode acontecer no próximo disco.

Gabriel Souto

O Gabriel Souto (DJ da banda) é um gênio. Ele foi imprescindível na formação atual e na proposta da banda. Chegou com o novo, aprendeu edição de áudio, de imagem, a parte de web. Isso tudo com 23 anos de idade. No início passava umas coisas para ele, mas o moleque está me dando aula! A gente tentou colocá-lo no General (Junkie) mas ficou meio fora de contexto. Com o DuSouto foi diferente, essa pegada eletrônica tem tudo a ver com a idéia.

Estilo

A gente nunca seguiu nada. Mesmo quando tínhamos 16, 17 anos, nunca fomos punk, metaleiros, darks, sempre fomos mais para o junkie. Preferi curtir a vida sem essa idiotisse de segmentar a coisa. Nos anos 80, 70% dos meus amigos tinham cabelo grande e usavam roupa preta. Era uma coisa muito demodê!. Para mim, os anos 80 foram péssimos culturalmente. Essa coisa do manguebeat também não curti muito. Eu sou gente normal. Para mim, os anos 90 foi a melhor fase porque desmistificou esse lance de casta na música.