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BRUNO NOGUEIRA (PE): QUATRO APOSTAS PARA 2010

Por Bruno Nogueira

nevilton

Nevilton é do Paraná. As vezes é o nome desse cara no canto direito, mas também é o nome da banda dele. Talvez a idéia soasse mais arrogante se não fosse um nome tão esquisito. A música que ele me entregou em um CD-R envolto numa folha de papel já parecia ser incrivelmente pop e promissora, mas de uma forma que jamais poderia provar o quanto incrível seria o show no dia seguinte ao primeiro encontro no Festival Calango, em Cuiabá. É excelente no grau para sair da amarra independente e viciar quem escute, com um pacote completo de boas letras e poesias.

minibox

A gente sabe que a música existe em qualquer canto do mundo, mas é difícil imaginar que venha até do Amapá. O Mini Box Lunar vem de lá e, o melhor, em 2009 não precisaram se mudar de lá para São Paulo para poder rodar em alguns festivais chave como o Goiânia Noise e o Se Rasgum (no Pará) que fizeram chamar atenção pelo som deles. A banda é, como já foi melhor definido por outros, o resultado mais provável caso os Mutantes fosse surgir apenas hoje. A referência psicodélica faz a comparação inevitável, mas o som do Mini Box tem personalidade própria. Ainda falta uma boa gravação para eles, mas isso se resolve em 2010.

caldodepiaba

Caldo de Piaba vem do Acre, longe assim. São uma banda instrumental que mistura Carimbó com a guitarrada do Pará. Mas a mistura que eles fazem ainda passa por ska e brega, samba rock e Beatles. As releituras são uma parte importante do trabalho do Caldo que, na medida em que começa a aparecer na programação de festivais, também leva a composição tradicional do Acre para novo público. São uma daquelas bandas que, quando você vê ao vivo, precisa de uns três ou quatro minutos para se recompor.

vendo147

Aliás, instrumental vai deixar de ser uma tendência para se tornar uma regra próximo ano. A Vendo 147 consegue o que parecia impossível: ser relevante, sem vocalista, na terra do Retrofoguetes. O espanto vem do impacto ao vivo, com duas baterias siamesas destruindo tudo. É rock sem firulas, com um repertório que vai do surf ao skate nos nomes e referências visuais. Vai se acostumando ai com a música deles – e das outras três bandas acima – que elas vão aparecer na grande maioria da programação dos festivais. Possivelmente até mais que isso…

DISSEMINAÇÃO POR REDES SOCIAIS

BRUNO REDES

Por Bruno Nogueira

A idéia de redes sociais é antiga. É anterior a própria internet. A rede é uma metáfora para observar padrões de conexão entre um grupo social. É uma estrutura social, formada por atores e suas conexões. No mundo offline, esse ator somos nós, o indivíduo e as pessoas que temos contato direto. No online, essa idéia de ator fica mais complexa. Passa a ser uma representação do individuo.

Essas representações são os blogs, os fotologs, nossa conta no twitter e no orkut. Porque é assim que nós conseguimos nos materializar dentro da internet. São nossos lugares de fala. E os blogs e fotologs são ferramentas que ajudam a construir nossa identidade na rede. São uma forma de narração do eu, porque quando estamos lá, estamos sempre falando e expondo a nós mesmos antes de qualquer coisa.

É preciso ser visto para existir no ciberespaço. A primeira grande diferença entre uma rede social offline e uma online, é que para que a gente se socialize na rede, a gente precisa ser visto.

Esses atores, ou suas representações, constituem uma rede social através dos laços que eles criam através de várias ferramentas. Podem ser laços associativos, como decidir ser amigo de alguém no Orkut ou trocar links no fotolog. Ou laços dialógicos, como conversar com alguém no MSN ou trocar scraps no Orkut. Laços que dependem da reação de outros atores. Ambos são laços de relação complexa. Afinal, não basta fazer parte de sua rede, tem gente que você vai se relacionar mais ou melhor que outras, pessoas que tem amizade mais antiga, etc. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): COMO FOI FEIRA MÚSICA BRASIL?

fmb

Por Bruno Nogueira

Acabou que não falei nada sobre a Feira Música Brasil aqui. O evento foi tão desorganizado no começo, somando um ano inteiro de disputa entre produtoras, entidades, ministério, funarte e quem mais se aproximasse de tanto dinheiro, que a programação só foi divulgada na prorrogação do segundo tempo. O nome dos palestrantes dos painéis, por exemplo, só saiu um dia antes deles acontecerem. Mas o evento aconteceu bem, mesmo assim. Bem parecido com a edição anterior, só que dessa vez dialogando com um mercado maior de música. Se na FMB passada tinha stand para vender doce de leite, nesse o espaço foi ocupado com a presença de representante de majors, agentes e cerca de 500 convidados para o evento.

Também não acompanhei o desdobrar da abertura e os primeiros dias. Só cheguei no Recife no último dia da Feira, direto para uma oficina que dei no Centro Cultural dos Correios sobre Redes Sociais. Foi tempo suficiente para receber uma tonelada de CD’s, encontrar um monte de gente e ficar a par do que andava acontecendo. Fiz a mesma pergunta para todo mundo que esbarrei. “A feira está sendo proveitosa para você?”, quem arriscou responder que sim, não soube explicar porque. Com exceção a quem visitava a cidade pela primeira vez.

Me parece que ainda falta algo para essas feiras funcionarem. Do primeiro Porto Musical até hoje, a sensação que tive é que todo mundo já se conheceu e essa fase do networking já passou. Continua agora sendo um evento de músicos para músicos / produtores para produtores. Cada um reclamando para o outro sobre como o negócio anda mal. Quem vem de fora, vem para falar de uma realidade que não existe no Brasil, como um club de Nova York que pertence ao mesmo selo que lançou o disco de Otto por lá. E faz show lotados de música brasileira a ingressos que demandam um público seleto. Nem quem ganha dinheiro com nossa música lá fora consegue ter uma idéia de como vamos fazer para ganhar aqui.

Com exceção de poucas provocações necessárias, como a que Miranda fez para quem ainda acredita na rádio – ele disse, basicamente, que quem escuta rádio hoje em dia é otário  - a Feira faz poucas engrenagens da cadeia produtiva girar. É cada vez mais um evento social que de negócios. Afinal, todos já se conhecem. Na rodada de negócios, donos de casas de shows só fizeram negar presencialmente a participação de quem já negavam por e-mail. As gravadoras tiveram oportunidade de dizer cara a cara que não se interessam pela produção independente e teve até blogueiro tentando conseguir anuncio para seu site, sem sucesso, das mesmas pessoas que já tinham negado antes. Até eu, nesse último dia, recebi uma penca de discos que, com exceção de dois, já tinha recebido o link para baixar em MP3.

A Feira é boa como confraternização, mas falta foco. De tudo que presenciei esse ano, o ponto vai para a boa intenção da Conexão Vivo. Não só pela boa programação que fizeram por fora, mas por que fizeram isso sem viciar o mercado local em shows de graça. Infelizmente, só não teve bom resultado, em parte pela obsessão dos shows de graça. Esse ano, nem o metal, um dos poucos gêneros alternativos que ainda conseguia cobrar ingresso no Recife, ficou de fora. Sepultura lotou, foi bonito, mas tomara que isso não complique para quem quiser contratar o show deles em breve e receber um “vai ter de graça”, do público, como os outros produtores tanto recebem nessa cidade.

FESTIVAL DOSOL 2009 REPERCUSSÃO: POPUP (PE)

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Foto: Danko Jones no Festival Dosol 2009, por Rafael Passos

Por Bruno Nogueira

http://www.popup.mus.br/2009/11/16/dosol-2009-cobertura-parte-dois/

Já completou uma semana que o último amplificador desligado e o apagar das luzes anunciavam o encerramento da quinta edição do festival DoSol em Natal. Ainda assim, a experiência de dois dias de algo que presenciei nascer no Rio Grande do Norte continua martelando constantemente na memória. O que se viu ali foi mais do que uma mostra de bandas e uma celebração a boa música, mas um vislumbre rápido do futuro, no Nordeste, de um formato clássico de consumo de música. Pode-se dizer que o DoSol conseguiu não apenas legitimar uma nova experiência em festival, mas dar uma identidade muito mais brasileira a esse tipo de evento e também associar a um método de trabalho muito mais complexo para que aquelas dois dias de música aconteçam.

Em um cenário onde a maioria dos festivais – inclusive o vizinho Mada – só diminuem, o DoSol consegue o incrível feito de crescer. No lugar do ambicioso palco gigantesco que aguarda pelo menos uma dezena de milhares de pessoas, a rua fechada no centro histórico de Natal reserva duas casas de show para a maratona de 30 bandas. Com a modéstia de quem reconhece que o rock independente tem um nicho pequeno de público, o sucesso do DoSol é justamente atingir um público que é selecionado. Não deixa de lembrar, de certo modo, o mote do “Think Different” que a Apple lançou uma vez para lembrar que as vezes é bom estar do lado de uma minoria criativa e vanguardista.

E é desse público que vem o melhor do festival. Mesmo em uma área distante da via costeira de Natal, sem nenhuma lembrança da maravilhosa praia da cidade, o DoSol se enfurna em uma rua estreita e traz um dos melhores climas para confraternizar com amigos. Estar ali chega a ser mais divertido, certas vezes, que assistir alguns shows. Como todo festival deveria ser, na verdade. O que é irônico de pensar que, justamente o festival que acontece em uma área mais apertada é o que menos te obriga a assistir todos os shows. E clima, tratando-se de festival, é algo que vale ouro. Bom humor, companhia dos amigos e cerveja sempre gelada consegue fazer até banda ruim ficar boa.

O formato menor – aliás, diria até “o formato sensato” – do DoSol seria suficiente para colocar esse como um dos cinco melhores eventos de música hoje no Nordeste. Mas o festival acontece cercado por um contexto que é ainda mais importante de ser citado. Estar ali é presenciar também um trabalho de continuidade. Enquanto cerca de 80 a 90% dos festivais hoje acontecem como uma nave espacial que desce na cidade durante três dias, depois sobe e só volta no ano seguinte, as ações ao longo de vários fins de semana que acontecem no Centro Cultural DoSol Rockbar é o que garante esse público tão selecionado. A formação nasce ali e não na internet.

Esse contexto todo com cara de enrolação acima é importante por dois motivos. O primeiro é para entender porque uma programação que cobra ingresso e onde a figura mais famosa a circular entre o público é o vocalista Cannibal da banda Devotos, consegue reunir um público de mais de 3 mil pessoas. E o segundo, mais importante, é para compreender que apenas em um ambiente desses – e com o trabalho de continuidade – que Natal hoje consegue ter uma coisa que parecia impossível assistindo edições passadas do Mada e até as primeiras edições do DoSol: banda boa.

PRIMEIRA NOITE
O DoSol é um festival que começa cedo. Quando o relógio marca 14h, as bandas já estão passando som na Ribeira, centro histórico de Natal que fede a peixe sem dó de quem passa por perto. Mais educados que eles, só mesmo o público, que também chega na hora marcada para ver as primeiras atrações. Claro que ainda é um público formado principalmente por amigos, namoradas e até parentes. Mas se esses não chegassem lá – e não chegam na maioria dos casos – o DoSol já teria problemas demais para dar conta. Para Flaming Dogs, Driveout e Venice Under Water, abrir os trabalhos não apenas uma obrigação burocrática.

Para os educados em atrasos e festivais que varam a madrugada, como eu, chegar no DoSol às 18h significa perder sete shows. Dois deles, ainda bem, já tinha visto duas semanas antes no Calango, em Cuiabá. Era O Melda, projeto de one-man-band de Claudão Pilha, mesmo que toca Aobra e o Campeonato Mineiro de Surf; e a outra o catársico Cassim e Barbária, um show que mesmo ainda recente na memória, fez falta ter perdido. Foi agradecer a sorte de pegar os momentos finais do Bugs, banda que joga na primeira divisão do rock potiguar. Show surpreendente, que diria muito sobre o restante da noite.

Diria muito, mas não tanto quanto a banda que tocaria logo depois. Vendo 147 é a grande revelação do DoSol. Instrumental de Salvador, com duas baterias que tocam se encarando, mandam de trilha sonora de Caverna do Dragão a versões mashup de Iron Maiden e Black Sabbath, mas fazem o queixo cair mesmo nas faixas autorais. É quase uma face skate-rock do que o Retrofoguetes já faz com a Surf Music. Não vai ser surpresa ler o nome da Vendo repetidas vezes próximo ano nos calendários dos festivais, porque se tivesse que apostar todas as minhas fichas agora, diria que essa é a grande banda da vez.

Junto com o Bugs, os Bonnies e Rejects completam esse teoria de que Natal já é uma terra de ótimas bandas. A segunda, em edições anteriores, não passava de uma curiosa bandinha mod com uma gurizada de terno arriscando um rock sujo. Agora estão mais velhos, mais sujos e com uma força rock destrutiva que é contagiante. Quem chegava perto do palco já tirava a camisa e pulava feito pipoca de um jeito contagiante. Já a última é o time da casa, banda de Anderson Foca, produtor do festival. Destrutivamente alta, daquela que você considera duas vezes se quer ou não perder um pouco do timpano só para estar no mesmo ambiente. Mas a guitarra sempre é mais convidativa que o bom senso.

Sem contar claro, com o melhor show da noite, que foi da banda Retrofoguetes - o que soa redundante. Não tenho dúvida que eles sempre vão ser o melhor show onde quer que toquem – a primeira noite do DoSol chamou ainda atenção para como é grande o público psychobilly no Nordeste. Uma ótima surpresa ver a casa totalmente lotada para a apresentação do Sick Sick Sinners e impossível não se deixar contagiar pela insanidade de todo o sindicato do suor que se reunia lá dentro. Desconforto compensado com o momento mais divertido da noite.

Teve mais, claro. Danko Jones, com seu hard rock moderninho, conquistou a maior parte do público que era formada por quem ainda não conhecia sua música. E teve também a ótima idéia de mudança de público na meia noite, quando o rock deu espaço ao Baile Barulhinho Bom. Eddie antecipou o carnaval em Natal e não aceitou sair do palco antes das 4h da manhã, com um de seus repertórios mais completos, mostra que está em uma de suas melhores fases. Teve até cover de Ramones.

SEGUNDA NOITE
Clima criado no sábado parecia até mais fácil para as bandas locais tocarem na última noite do DoSol. Destaque para a Fliperama e Distro, que parecem até que se transformaram em novas bandas, se comparadas com os shows que faziam há quatro anos. Boas a ponto de poder circular sem medo pelas cidades vizinhas em outros festivais e, finalmente, livres das referências ao hardcore melódico que inevitavelmente apareciam vez ou outra em suas músicas. São duas bandas que amadureceram e cresceram junto com o DoSol.

Em uma noite marcada principalmente por bandas pesadas ao extremo, acabou chamando atenção quem fez menos barulho. Como a Norueguense (e parte brasileira) Pulverhund e o Devotos. A local Calistoga parece ter encontrado seu real lugar no mundo vegan, mas essa fase piano da banda continua a pessoalmente achar ela cada vez mais esquisita no palco. Estão mais racionais, com um pouco menos daquela energia que marcava os primeiros shows. A exceção a essa regra toda é a Mugo, de Gôiania, que no quesito barulho conseguiu fazer uma das apresentações mais memóraveis do festival.

Mas, programação a parte, essa era a noite do Exploited. E o DoSol conseguiu entrar para a história do rock no Nordeste trazendo uma das maiores lendas do punk para tocar pela primeira vez na região. O sorriso estampado no rosto do vocalista Wattie Buchan era a tradução mais simples e direta sobre tudo que foi dito aqui sobre clima e que nem ele, com seu sotaque escocês indecifrável, conseguiria explicar. A banda só tocou os sucessos mais conhecidos, que arrancaram um “ah, é a banda dessa música, é?” do público desavisado ao ouvir “Sex and Violence”. E da mesma forma que começou cedo, o festival terminou antes da madrugada, como tem que ser um bom domingo.

COMO FOI? FESTIVAL CALANGO 2009

O jornalista pernambuncano Bruno Nogueira, parceiro do Portal Dosol e editor do blog Popup, esteve em Cuiabá para cobrir o Festival Calango. Além de textos que ainda estão por vir Bruno postou vídeos dos dois primeiros dias do evento. Confira como foi, inclusive com participação do quinteto local Calistoga:

Calango 2009 – Parte um from Bruno Nogueira on Vimeo.

Calango 2009 – Parte dois from Bruno Nogueira on Vimeo.

Calango 2009 – Parte três from Bruno Nogueira on Vimeo.

Calango 2009 – Parte quatro from Bruno Nogueira on Vimeo.

BRUNO NOGUEIRA (PE): PERIFERIA CONECTADA

LANBAHIA

A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está ou não em destaque. Uma das saídas mais honestas parece ter sido a da mídia tradicional de dar mais atenção ao próprio público e onde eles estão clicando na internet em buscas de novidades. “Parece”, porque em termos concretos, a mídia parece estar sempre atenta ao público errado.

Um dos melhores exemplos é o da cantora paulista Mallu Magalhães, que sempre aparece nas matérias de revistas precedida de “fenômeno da internet” por ter conseguido somar 1 milhão de visitas em sua página no MySpace em nove meses. Nada mal, de fato, mas pouco se considerado que bandas como a baiana Parangolé ou a dupla MC Bill e Bolinho conseguem duas vezes mais acessos em menos da metade desse tempo. Ao contrário do retrato feito em matérias, a periferia é muito mais conectada que o centro.

Diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, o professor Ronaldo Lemos sempre pontua suas idéias sobre o assunto com o dado de que “as classes A, B e C são apenas 15% da população no Brasil”. Segundo ele, que é co-autor do livro Tecnobrega – O Pará Reinventando o Negócio da Música. “Quando vemos um YouTube e Redes P2P sendo usadas por artistas da classe A e B, vemos inovação; mas quando a gente vê a periferia usando essas ferramentas, pensamos pirataria, mal gosto e uma série de defeitos”, diz. Continuar lendo

MINC PROMOVE PALESTRAS EM NATAL

bruno

Foto: Jornalista pernambucano Bruno Nogueira, ministra workshop em Natal

O Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria de Políticas Culturais (SPC) e da Representação Regional Nordeste (RRNE), e a Fundação Nacional de Artes (Funarte), em parceria com a Fundação José Augusto , o Sebrae-RN e a Fundação Gilberto Freyre, convidam artistas e produtores da música a participarem das Oficinas de Negócios da Música. As oficinas irão acontecer em Natal e Mossoró no período de 09 a 13/11/2009.

As oficinas fazem parte do projeto de Capacitação em Negócios da Música que o MinC e a Funarte estão realizando nos estados da região com o Fórum Nordeste de Gestores de Cultura das SECULTs e SEBRAEs para a Música . O objetivo é informar os participantes sobre os conteúdos e os métodos de negócios abordados nas feiras de música nacionais e internacionais, a exemplo da Feira Música Brasil, que este ano acontecerá novamente em Recife, entre os dias 9 e 13 dezembro. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): SWEET FANNY ADAMS EM NY

sfadams

Uma das bandas favoritas aqui do Pop up está de malas prontas para se apresentar pela primeira vez em Nova York. A Sweet Fanny Adams vai se apresentar no CMJ Music Marathon, junto com a River Raid. O CMJ, por sinal, está lançando uma coletânea especial apenas com bandas de Pernambuco e da Bahia e eu acabei participando da conversa que ajudou a definir ambas as listas. Para quem não conhece o festival, já passaram por lá nomes como Arcade Fire, Beastie Boys, Brian Wilson, David Bowie, The Killers, REM, TV on the Radio, Strokes, Guided by Voices, Wilco e Rage Against the Machine. Tá de bom tamanho, né? Tomara que não seja apenas uma passagem pontual e eles aproveitem para trazer boas notícias de lá!

COMO FOI? FESTIVAL MUNDO (PB) – SEGUNDO DIA

mundo livre pb

Por Bruno Nogueira

O segundo dia do Festival Mundo começou cedo. Antes dos shows, a Usina Energisa já recebia público para o debate marcado às 15h com os produtores Paulo André – da banda Mundo Livre S/A e do Abril Pro Rock – e Fabrício Ofuji – da banda Móveis Coloniais de Acaju e o festival Móveis Convida – sobre auto-gestão no mercado independente. O papo foi mediado por Arthur, da banda Cabruêra, e teve presença principalmente de bandas locais, além de Ivan Ferraro – da Feira da Música de Fortaleza – e o pessoal do Lumo Coletivo, do Recife. O fio condutor da conversa foi sobre como as bandas precisam de jogo de cintura para se dar bem nessa cena.

O papo encerrou já na hora do primeiro show. A ressaca do dia anterior indo embora com o sol fraquinho do fim de tarde e as idéias trocadas na sala do debate escondiam a expectativa de como esse dia seria importante na história do festival. Não apenas por reservar a melhor parte da programação, mas também pelos eventos que se desenrolariam ao longo do dia e contribuiriam para a história dos festivais independentes no Nordeste.

Quem abriu os trabalhos foi a Blue Sheep. Banda bem nova da cidade, formada só por meninas que estão entre 18 e 20 anos de idade. O pouco tempo não impediu elas de terem referências de fazer inveja a muita banda por ai. Tem ecos de Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, Chuck Berry e toda essa primeira geração do rock na música delas. Aliás, não só nas músicas – próprias, todas cantadas em inglês – mas também na energia do palco. Elas correm de uma ponta a outra, dançam e se divertem de um jeito que não tem como ignorar a presença delas ali. Diversão pura e, sem dúvidas, um dos melhores shows do festival. Continuar lendo

COMO FOI? FESTIVAL MUNDO – PRIMEIRO DIA

cerva

Por Bruno Nogueira

Assim com o segundo disco é para as bandas, parece que as quintas edições são cabalísticas na nova safra de festivais independentes. Cinco anos tem sido o espaço ideal para os eventos começarem como foco de resistência, encontrarem seu formato, se articularem com produções vizinhas e, por fim, re-surgir com algo maior, definitivo e fundamental para a cidade onde acontecem. O Festival Mundo confirmava a teoria para qualquer um que entrasse na Usina Energisa durante as duas noites que aconteceu em João Pessoa.

Uma das melhores impressões do festival neste ano foi também uma das piores. O espaço é perfeito, amplo e com áreas de circulação suficientes paras as pessoas irem despreocupadas em ver ou não os shows. Dava para usar o festival de mote apenas para sair de casa e se encontrar com amigos e conhecer gente nova – com o impressionante ingresso de R$ 8. Mas o deslumbre tinha que dar espaço para a notícia que aquele pode ser o último show realizado ali, porque a Usina é próxima demais a um hospital e a prefeitura pretende proibir eventos no local.

Comparado com a edição passada, esse ano o Festival Mundo foi mais plural. Teve hip hop, samba rock e música regional, além do Heavy Metal que abriu a edição 2009. R.I.D., Soturnus e Dissidium representam bem o gênero rock mais popular no Nordeste. Tem a simplicidade de quem nunca precisou se preocupar com uma apresentação maior – o que resulta numa experiência visual, que é tão fundamental ao metal, mais fraca – mas conquista respeito pela coerência na música. Estão no ponto para sair da Paraíba e tocar em cidades vizinhas. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): A MAIS COMPLETA COBERTURA DO COQUTEL MOLOTOV

milton

Nosso parceiro em Recife, Bruno Nogueira fez uma cobertura sensacional do No Ar: Coquetel Molotov. Acompanhem tudo.

http://www.popup.mus.br/2009/09/23/coquetel-de-publico-e-atracoes/

http://www.popup.mus.br/2009/09/23/coquetel-molotov-2009-segundo-dia-parte-dois/

http://www.popup.mus.br/2009/09/23/coquetel-molotov-2009-segundo-dia-parte-um/

http://www.popup.mus.br/2009/09/23/coquetel-molotov-2009-primeiro-dia-parte-dois/

http://www.popup.mus.br/2009/09/23/coquetel-molotov-2009-primeiro-dia-parte-um/

BRUNO NOGUEIRA (PE): REDE MÚSICA BRASIL

reuniao

Apesar de ser o maior setor de produção cultural do país, a música nunca foi o exemplo mais organizado. Ao contrário do audiovisual, que descobriu mais cedo a importância dos festivais e de legitimar um circuito que não vem das grandes multinacionais, apenas agora que começa a aparecer maturidade no debate entre artistas do campo da música e políticas públicas no Brasil. Um começo tardio, mas que está em ritmo acelerado na formação do que está sendo chamado de Rede Música Brasil. Um movimento social que reúne todas as forças ligadas a música no país, com a participação e chancela do Ministério da Cultura, para traçar o futuro do investimento nesse setor no país.

A Rede não foi idéia de uma pessoa específica ou de um grupo. Mas a convergência de várias idéias em comum, entre diferentes áreas, sobre uma necessidade de se organizar melhor. Principalmente com a chegada da Conferência da Cultura que terá uma segunda edição promovida em 2010 pelo Ministério da Cultura. Um encontro para definir o Plano Nacional de Cultura, que rege as políticas do Minc. No Porto Musical, evento que aconteceu em Recife, grupos como os coletivos Fora do Eixo, já chamavam atenção da importância de uma conferência específica da música que acontecesse antes, para preparar articulações, discursos e juntar forças para dialogar com o governo. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): BLACK DRAWING CHALKS

bdc

De: Goiânia
Selo: Monstro Discos
Para quem gosta de: King’s of Leon, MQN e The Datsuns

Quando o Black Drawing Chalks começou, em Goiânia, não tinha nem a pretensão de ser uma banda. Imagina, então, de serem logo a banda mais legal hoje no Brasil. Eles eram apenas um pretexto para que Victor (guitarra e voz), Douglas (bateria) e Marco Bauer (ex-guitarrista) brincassem com material gráfico e identidade visual na faculdade de Design. Era tipo amigo imaginário e o nome não podia ser melhor. Em inglês, traduz o giz usado para desenhar no quadro negro. Só após abaixar a poeira da desgastante corrida pela próxima grande coisa que aparecesse do cenário independente – quando após uns cinco/seis anos todos se deram conta de que isso não existiria – eles foram uma das poucas bandas de verdade a resistir.

Seguindo a cartilha MQN do rock – a principal banda da cidade – eles nem sequer eram a melhor aposta. Quando o primeiro disco foi lançado, disputou atenção com uma das favoritas de Goiânia, o Violins, junto com a Valentina, outra que vinha na linha de lapidar ainda mais a música pós-CSS, com direito a produção de Iuri Freiberger. Mas o Black Drawing Chalks – que na sua formação atual ainda conta com Renato (guitarrista) e Denis (baixista) – provou mais uma vez que a despretensão é a melhor fórmula para o sucesso. Sempre bem quietos e se divertindo, eles passaram da programação de um festival local para outro vizinho. E de lá para outro mais distante, até chegarem nos Estados Unidos e Canadá com o título de “Brazil’s Best Loud Music Export”.

Depois do Macaco Bong, eles são um dos principais modelos do novo método de trabalho da cena independente, onde não tem espaço para preguiçosos. E com a ajuda do bom-mocismo do quarteto, estão avançando devagar e com sucesso contra a barreira que separa eles da programação dos festivais independentes para a da MTV. Renato, guitarrista da banda, respondeu a entrevista abaixo:

A pergunta que tenho feito sempre a todas as bandas. O que é que vocês andam ouvindo quando não estão ensaiando ou no palco?

A gente ouve bandas de todos os gêneros e tipos praticamente. Cada um tem seu gosto. O Denis, por exemplo, gosta muito de músicas pesadas, o Victor gosta de muita coisa da década de 80, o Douglas é mais diversificado, eu gosto muito de rock da década de 60 e 70, mas de alguma forma a gente se entende, o resultado de nossas músicas sempre nos agrada. Para citar bandas, particularmente ando ouvindo muito Queens of the Stone Age, Kings of Leon, Franz Ferdinand, Cage the Elephant, AMP, MQN, Led Zeppelin, CCR, e por aí vai.

Essa fama de Goiânia como terra prometida do rock só cresce. E a impressão cada vez maior é que banda de rock se dá bem ai no Centro Oeste. Como é isso na prática? Vocês tocam mto na cidade? Dá para pagar as contas tocando rock ai?

Realmente a cena de rock aqui é incrível, mas sempre há onde melhorar. A gente toca bastante por aqui, mas são raros os casos em que somos remunerados. Ultimamente tem surgido algumas casas onde é possível ganhar uma porcentagem da bilheteria, mas isso não garante o sustento da banda. Todos nós temos trabalhos além da música, infelizmente isso é uma realidade. Hoje posso dizer que pelo menos os gastos que envolvem a banda a gente consegue suprir com o dinheiro que a própria banda faz. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): A REVOLTA DE ACAJU

moveis

Semestre passado, durante uma disciplina que eu dei na graduação da UFBA, um aluno perguntou “professor, você só conhece jornalista ruim, né?”, de tanto exemplo que eu trazia na aula. Mas eu tive que explicar que o abusrdo já fazia de certa forma parte da profissão, por mais grosseiro que certas coisas soassem. E agora, a Época, da editora Globo, descobriu com atraso maior do que já foi permitido que o jornalismo cultural brasileiro – inclusive o praticado por ela própria – é preguiçoso e retardado ao ponto extremo da vergonha alheia.

Se Andrew Keen – aquele cara que previu que o apocalipse da terra seria anunciado no MySpace – lesse as notícias brasileiras, talvez estivesse se masturbando agora de tanta alegria. Porque a banda Móveis Coloniais de Acaju disse que o nome deles era uma homenagem a “Revolta do Acaju”, uma que eles leram sobre na internet. E mesmo que essa fosse uma história que envolvia em uma mesma sentença coisas como “ilha do bananal” e “índios javaés”, a revista simplesmente publicou. E decidiu verificar apenas um mês depois. E quando descobriu, deu como justificativa nada menos o fato de que “outras revistas e jornais também o fizeram”.

O que leva a pensar que, de todas as coisas absurdas que chegam todos os dias em redações através de releases elaborados por gravadoras, que garantem uma pseudo-autenticidade a bandas de mentira lançadas por Rick Bonadio, foi um nome engraçado que fez a dupla de jornalistas se questionar pela primeira vez sobre o que estavam vendendo como verdade. Seria uma comédia trágica suficiente, não tivessem tido eles a espirituosa idéia de publicar uma “investigação” conduzida para descobrir a verdade sobre algo tão revelante a música brasileira como a fonte do nome de uma banda de brasília.

Talvez em todos os ensaios e reuniões que o Móveis teve com seu time de integrantes, eles jamais conseguissem pensar numa estratégia viral tão boa e divertida quanto essa. Porque ao tentar provar uma mentira, a Época acabou transformando a Revolta do Acaju em verdade. Uma que já está sendo espalhada por twitter, blog, fãs da banda e curiosos do acaso. Todos afirmando o “#euacredito”, que talvez nem seja retwittado pelo Ashton Kutcher e vire um Trending Topic, mas dá um pouco de graça a navegação entendiante do dia a dia, em busca de uma boa novidade musical. No mínimo, um mote legal para batizar o primeiro DVD deles, quem sabe?

E você? Acredita na #revoltadoacaju? #euacredito

BRUNO NOGUEIRA (PE): ZÉ CAFOFINHO

zecafofinho

Zé Cafofinhoo nosso próprio Beirut? – está nos finalmentes para lançar seu segundo disco, que vai se chamar Pra eles, pra elas. As passagens que fez pelo Sudeste fizeram muito bem a Tiago Cavalcanti, nome do cujo fora dos palcos. Não apenas o levou para o restrito circuito dos desfiles de moda, onde fez apresentações para a marca Seaweay, como fez com que sua música circulasse em outras camadas do repertório nacional. Uma parte do resultado disso está em A Dança da Noite, música que gravou com Arnaldo Antunes e que vai estar no novo CD.

É uma balada soturna, onde se escuta menos de sua rabeca, mas que é carregada pela característica voz falada, em tom quase ebrio, que deu identidade as faixas do primeiro disco. A participação do Titã é bem dosada, fazendo uma orquestra cantada por graves que contrapõe com a cozinha. É viciante, muito viciante. E dá uma ansiedade para saber o que mais vai ter no disco, que está programado para ser lançado ainda esse semestre. Além de Arnaldo Antunes, tem participação especial de Rildo Hora e músicos que passaram por outras bandas de Tiago, como o Songo e Variant TL.

E para aguçar a ansiedade, a Dança da Noite:

http://www.popup.mus.br/2009/08/24/a-danca-da-noite/

BRUNO NOGUEIRA (PE): EDITORIAL – OS PRÊMIOS

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Existe uma regra geral na música brasileira que manda você desconfiar, o máximo possível, de qualquer premiação. Isso valia até para o impecável e hoje saudoso prêmio Tim. Talvez essa regra tenha nascido daquele tipo mais comum de artista, o que pensa que o sucesso só chega quando outra pessoa trabalha por você, afinal, a premissa da desconfiança é que certamente aquele troféu foi comprado por alguém. Mesmo entre os que estão ali no palco, perto de receber a homenagem, vai ter que concorde com essa idéia. E o fato que, no fim das contas, nem ao menos importa tanto assim se isso é verdade ou mentira.

Lembro que, em 2006, eu e um amigo de Natal, o Yuno, entramos meio que de penetra no prêmio Multishow. Tivemos que assistir tudo do palco, para não esbarrar em nenhum segurança. Ontem, com bem menos glamour, eu acompanhei o evento via o Twitter de quem tem TV a Cabo. Pensando bem, não é o choro dos perdedores que dá força a essa teoria de que os prêmios no Brasil não tem muito valor; mas sim resultados como esses. Afinal, tirando talvez Marisa Monte que de fato lançou um ótimo DVD, os vencedores de praticamente todas as categorias são incrivelmente questionáveis.

Perdi pouco tempo refletindo o que tinha feito de Seu Jorge o melhor cantor do Brasil inteiro ano passado. Porque, entre as idéias, veio a tal revelação Banda Cine. Não tenho nada contra emocore – aliás, passei boa parte da minha adolescencia ouvindo bandas como Millencolin e Nofx, que tem uma certa semelhança com essa turma – mas não apenas o grupo é expressivamente irrelevante em qualquer contexto de “revelação”, como é incrivelmente ruim. Nunca senti tanta falta de 20 segundos perdidos na minha vida como aqueles que se foram ouvindo o começo de uma música dessa banda.

Com isso tudo, fui curioso ver os indicados do VMB Brasil, o prêmio da MTV, o próximo do calendário. E tive uma ótima surpresa. Não apenas tem uma seleção bem coerente – com direito até a Banda Cine, de novo, em revelação – como está com novas e saudáveis divisões. Se você curte premiações – quem não curte, né? – recomendo gastar um bom tempo entre os indicados de lá, porque o voto é totalmente popular (assim como o do Multishow). Tem uma verdadeira batalha de titãs entre os instrumentais, com Pata de Elefante, Macaco Bong, Hurtmold e Retrofoguetes; além da atestação do óbvio, que são os Móveis Coloniais de Acaju com o melhor show do ano.

Aqui vão minhas sugestões / apostas:

Revelação: Copacabana Club.
Aposta MTV: Black Drawing Chalks
Melhos show: Móveis Coloniais de Acaju
Blog do ano: Brainstorm 9
Guitarrista: Lúcio Maia (Nação Zumbi)
Baixista: Dengue (Nação Zumbi)
Baterista: Pupilo (Nação Zumbi)
Rock: Autoramas
Rock Alternativo: Black Drawing Chalks
Hardcore: Devotos
MPB: Céu
Samba: Casuariana
Instrumental: Pata de Elefante
Eletrônico: The Twelves

RESENHA DE DISCO: PITTY – CHIASROSCURO

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Por Bruno Nogueira

Com sorte, talvez Priscilla Leone nunca tenha parado um dia sequer para pensar na crise de identidade imposta a ela pelo restante da indústria da música, mesmo quando está com o modo Pitty ativado. Mas desde Anacrônico que ela permaneceu a única sobrevivente relevante de uma geração inteira de artistas independentes que tinham entrado para alguma gravadora. A encruzilhada é formada por um público que não pode envelhecer, o próprio coro dos independentes que hoje a perde como atração para os festivais de verão e a questão do qual é, afinal de contas, a atual cara do rock brasileiro? Chiaroscuro, lançado pela Deckdisc, infelizmente ainda não responde nenhuma dessas questões.

O disco guarda esse tom quase autista de quem diz “deixa eu fazer como eu sei” e, por isso, segue exatamente o mesmo ritmo do trabalho anterior, mesmo sendo lançado com quase cinco anos de diferença. É interessante notar que essa tem sido uma opção comum a todos os artistas de publico jovem da Deckdisc, em não dar nenhum passo a frente ou recuar a experiência musical, mas continuar no caminho que é mais conhecido pelo público como uma forma de procurar segurança. Foi assim com a Nação Zumbi em Fome de Tudo e está sendo assim com a Pitty. Vale lembrar que ela, junto com o Matanza e o Cachorro Grande, já seguiam caminhos mais cuidados escolhando lançar ao vivos no lugar de inéditas nos últimos dois anos.

Mesmo nesse ritmo mais lento, de quem não consegue surpreender com o esforço de 11 faixas, Chiaroscuro é um bom disco. Tem pelo menos quatro grandes músicas, incluindo o atual single Me Adora, que está com clipe na MTV. Descontruindo Amélia, Fracasso e Assombra completam a parte boa de ouvir bem alto, como a própria cantora tem instigado os fãs em seu blog. Mesmo assim, não chegam a justificar um álbum inteiro. Mas, novamente, experiementar um formato menor não era algo esperado do contexto dela e da gravadora que está no momento. Talvez um reflexo de um resultado negativo dos dualdisc – aqueles discos duplos com DVD – e os singles em vinil.

Mesmo que essas sejam escolhas pessoais – o que é bem provável, conhecendo a desprentensão que a própria Pitty tem no sucesso gritado ao seu redor – Chiaroscuro levanta questões. Em um ambiente que atinge grande público, é um dos poucos discos rock “de resistência” ao modelo Bonadio que fechou até a tampa do caixão dos Titãs. Mas se essas músicas são o nosso rock sério, elas não causam mais o mesmo impacto naquele fã do disco Anacrônico, hoje na faixa dos 20 anos de idade. Pitty continua dialogando melhor com um público mais jovem que, por sua vez, não parece ser o mesmo interessado no clima de grêmio estudantil dos festivais independentes.

Sem querer, ela acaba traduzindo um monte da postura mal resolvida da música jovem brasileira. Uma que prega uma autenticidade difícil de ser encontrada. E quando uma cantora como Pitty consegue demonstrar, mesmo que em quatro ou cinco faixas de um disco inteiro, só expõe mais complicações. É rock melhor e mais autentico que um NxZero, mas ouvido pelo mesmo público, sem a originalidade de um Cidadão Instigado, mas ouvido pelo mesmo público. Só por levantar tantas questões sem fazer nenhum esforço, seguindo o autismo do “como sei fazer”, Chiaroscuro já é um disco que vale a pena ouvir com atenção.

BRUNO NOGUEIRA (PE): LIVROS SOBRE MUSIC BUSINNES

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Post “emprestado” do site Hypebot, que publicou recentemente um top cinco principais livros que falam sobre música e negócios e estão disponíveis totalmente de graça na internet. Como livros sobre o assunto costumam fazer mais sucesso aqui no Pop up que os discos que volta e meia estão aqui para download, achei que seria legal reunir aqui também as indicações. Também porque um dos livros da lista, o 20 coisas que você precisa saber sobre música online, já estava aqui e está perto de completar os 2 mil downloads.

THE WORD OF MOUTH MANUAL VOL. 2 – Por David Balter. Não é apenas sobre músicas, mas sim um guia essêncial sobre a forma mais popular de divulgação no mundo, o “boca a boca”.

The Word of Mouth Manual, Vol2 – 2.41 MB
Downloads: 36

20 THINGS YOU NEED TO KNOW ABOUT MUSIC ONLINE – Por Andrew Dubber. Esse já é um clássico, mesmo com pouco mais de um ano lançado. É uma coleção de dicas simples e diretas para fazer o marketing online de música.

20 coisas que você precisa saber sobre música online -
Downloads: 1798

MUSIC 2.0 – Por Gerd Leonhard, que também escreveu o livro O Futuro da Música. É um livro com 228 páginas, mas que vale a leitura de cada uma delas não apenas pelas dicas, mas pela reflexão que ele cria sobre o mercado independente e as estratégias online.

Music 2.0 – 7.74 MB
Downloads: 29

THE PIRATE’S DILEMMA – HOW THE YOUTH CULTURE REINVENTED CAPITALISM – Por Matt Mason. “Como a cultura jovem reinventou o capitalismo” foi lançado no modelo Radiohead. Você não vai encontrar o download aqui, mas no site oficial, onde você paga quanto quiser por ele. Inclusive nada.

UNLEASHING THE IDEAVIRUS – Por Seth Godin. Foi lançado em 2001 e ele traz todas as idéias que inspiraram o modelo viral que a internet funciona hoje.

Unleashing the Ideavirus – 893.75 KB
Downloads: 24