BRUNO NOGUEIRA: CONEXÃO VIVO

Marcelo Jeneci

Eles estão chamando de “apoteose”. A referência vem do samba, claro, mas na realidade a palavra tem seu sentido ligado a endeusar, dar o status de divindade, a alguém. Talvez o paraíso seja uma metafora exagerada, mas nesse bolo confuso que se encontra a produção independente, onde o outrora perseguido patrocínio público se transformou em pesadelo – e Ana de Hollanda, na voz de alguns, o verdadeiro capeta – podemos dizer que é, no mínimo, um milagre. O nível de comprometimento com a produção independente que a Vivo tem demonstrado já supera o caráter de jogada de marketing. O negócio é sério mesmo.

Desde a semana santa que a plataforma Conexão Vivo vem realizando shows em Belo Horizonte. Sem partidos, sem siglas, associações ou embates políticos. Apenas boa música, para quem estiver interessado em algumas breves horas de catarse. Foram 94 shows até agora. E nessa “apoteose” o número quase dobra. Vão ser mais 60 atrações entre os dias 25 e 29 de maio. Tem Marcelo Jeneci, na foto acima, e também Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Móveis Coloniais de Acaju, Autoramas e até shows de “encontros”, como Graveola e o Lixo Polifônico + Jard Macalé (!).

Programação

Parque Municipal
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Domingo, dia 29, a entrada é gratuita.

Dia 25, quarta-feira, às 19h30
Capim Seco (MG) convida Siba (PE)
Porcas Borboletas (MG) convida Paulo Miklos (SP)
Deco Lima e o Combinado (MG) convida Fred 04 (PE), Angu Stero Club (MG) e Anderson Guerra (MG)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)

Dia 26, quinta-feira, às 19h30
Felipe José (MG) convida Elísio Pascoal (AL)
Karina Buhr (PE)
Vitor Santana (MG) convida Pedro Sá (RJ) e Marcos Suzano (RJ)
Tulipa Ruiz (SP)
Zé da Guiomar (MG) convida Wilson das Neves (RJ)

Dia 27, sexta-feira, às 19h30
The Hell’s Kitchen Project (MG) convida Autoramas (RJ)
Julgamento convida Nathy Faria e Marku Ribas (MG)
Lucas Avelar convida Affonsinho (MG)
Gilvan de Oliveira (MG) convida Armandinho (BA)
Marcelo Jeneci (SP)

Dia 28, sábado, às 19h30
Babilak Bah convida Juarez Moreira (MG)
Senta a Pua! (MG) convida Eduardo Neves (RJ)
Black Sonora (MG) convida Di Melo (PE)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG) convida Jards Macalé (SP)
Renegado convida Maria Alcina (MG)

29 de maio, às 10h – Programação gratuita
Catibiribão (MG)
Wilson Dias e Pereira da Viola convidam Patrícia Sene (MG)
Cléber Alves convida Nivaldo Ornelas, Mauro Rodrigues (MG) e Teco Cardoso (SP)
Juarez Moreira (MG) convida Diego Figueiredo (SP)
Suíte para os Orixás convida Renato Motha (MG)
Juarez Maciel e Grupo Muda (MG) convidam Barbatuques (SP)
Warley Henrique convida Aline Calixto (MG)

Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes
Dia 25, quarta-feira, às 19h
Lise convida L_AR (MG)

Dia 26, quinta-feira, às 19h
Ezequiel Lima convida Glaucus Linx (MG)

Dia 28, sábado, às 19h
Limão convida Wilson Lopes (MG)

Dia 29, domingo, às 19h
Thiago Pethit convida Cida Moreira (SP)

Music Hall
Dia 28, sábado, à 0h
Gustavo Maguá (MG) convida Marco Mattoli (SP)
Orquestra Cabaré (MG) convida Hyldon (RJ)

BRUNO NOGUEIRA: DEZ ANOS A MIL

 

Foi publicado essa semana o Dez anos a mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet. Ele é organizado por Jeder Janotti Jr – meu orientador no doutorado – em conjunto com Tatiana Lima e Victor Nobre, que também são orientados por ele. É uma reunião de artigos de diversos pesquisadores. Entre os já citados, tem também um texto meu, sobre a função crítica dos blogs de MP3. É um texto mais, digamos, polêmico. Tem ainda contribuições de Simone Sá, Thiago Soares, Nadja Vladi, Felipe Trotta e Micael Herschmann também.

É um e-book gratuito. Então você não precisa de muito esforço para ter acesso a ele, além de um simples clique. O legal é que, além do PDF básico para todos, ele também está disponível em formato ePub, que pode ser lido no iPad ou Galaxy Tab, por exemplo, além de estar no formato do Kindle. Tem artigos sobre assuntos diversos. Desde Lady Gaga, passando por práticas auditivas, cenas musicais como mediadoras de consumo e até um sobre critérios de qualidade na música brasileira.

Vale a pena. Dá uma chegada lá no site e baixa o seu!

BRUNO NOGUEIRA: DESALMA (PE)

Desalma por Priscila Lima

Vou correr o risco de ser polêmico aqui e dizer de cara que eu não acredito muito em Thrash Metal. Aliás, em nenhum tipo de metal extremo. Mas calma aí que eu vou me explicar. Sempre que escuto uma banda nova ou então desconhecida, respondo com um suspiro carregado de desdém. Penso na primeira geração da nova onda do metal britânico – Motorhead, Iron Maiden, Judas Priest – e na geração que foi influenciada e formada com base no que eles fizeram. Estou falando da turma da Bay Area. Metallica, Megadeth, Testament, Machine Head. O Slayer, que era tipo um vizinho da turma. Pode ser excesso de pseudo-saudosismo, mas nada, principalmente no Brasil, me faz pensar que vai chegar na metade desse caminho.

Ouvir o Desalma, que foi formada no Recife em 2007 apenas, é como levar um tapa forte na cara. Daqueles que deixam a bochecha vermelhona, ouvindo só o zumbido do “deixe de frescura, hômi”. São três caras que, fora do palco, parecem meio desengonçados e bobões. Estão sempre rindo e curtindo a noite, com camisa preta de banda e aquela cara de menino bom, criado pela avó em prédio sem varanda. Você imagina que uma visita lá na casa deles é acompanhada por três toneladas de álbum de fotos de bebês. “Essa aqui foi quando ele ganhou a primeira roupinha de super homem e ficava correndo o tempo inteiro pela casa”.

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BRUNO NOGUEIRA: POR TRÁS DE UM FESTIVAL

Vista do backstage no Abril Pro Rock. Foto de Rafael Passos

Durante todos os anos que trabalhei como jornalista, sempre escrevendo sobre cultura e principalmente música, me incomodou um fato: o silêncio constante que envolve o universo dos festivais de música. Eu acreditava que em 2011 eu completaria uma espécie de transição completa. Deixaria de ser jornalista, de estar do lado da pergunta, para virar produtor e ficar do lado da resposta. Mas isso não aconteceu. As coisas não são tão preto e branco assim e me descobri nessa região cinza que tanto critiquei no passado de pessoa envolvida em várias etapas do processo da música. E perceber isso me deixou bem mais a vontade para falar (e não encerrar de vez esse blog).

Após essa maratona de um mês inteiro de shows do Abril Pro Rock, preciso fazer justiça aqui e explicar que esse silêncio que existe e que me incomodava tem um só motivo: DÁ UMA BAITA CANSEIRA fazer um troço desses. Comecei no APR em 2008 como curador do festival, já naquele próprio ano me arriscando em uma ou outra colaboração com os bastidores. Quatro anos depois, fiz de quase tudo que tem para se fazer no evento. De negociação de cachês a captação de patrocínio, assessoria de imprensa e até um pouquinho de montagem e direção de palco. Mandando banda correr para sair, outra correr para entrar, mudar luz, cenário, entrar vinheta e… de lá sair correndo para ajudar um gringo quase morrendo de ensolação no calor desgraçado do Nordeste.

A produção de um evento como o Abril Pro Rock começa sempre no público. São 19 anos de festival e por isso existem histórias, lendas e construções simbólicas de quem espera muito da programação. Antes de acontecer uma edição, já começam a falar das atrações do ano seguinte no Orkut. A maioria artistas que, sozinhos, custam mais caro que o festival inteiro. Outros que não tem nada a ver mesmo mas fazem parte daquela ansiedade que só quem é fã entende como funciona. Isso é culpa daquele tal silêncio. Ninguém sabe quanto custam as coisas, como as bandas circulam, como funciona o processo.

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COMO FOI? AMY WINEHOUSE EM RECIFE/PE

Mãozinhas para cima para Mayer. Foto de Dudu Schnaider

Por Bruno Nogueira

Teve um tempo que eu bocejei forte para aquele papo datado de que música, assim como toda forma moderna de expressar alguma arte, entrou em um abismo de repetição e reprodução. Um loop infinito de mais do mesmo. Mas aos poucos eu começo a perceber que a cumplicidade do público vai além da domesticação feita pela padronização imposta por rádios e gravadoras. O público quer se sentir seguro, muito mais do que impressionado pelo artista. E é isso o que explica dois fenômenos interessantes na apresentação de Amy Winehouse no Recife na quinta-feira 13. O público não a queria ver cantar, mas sim “beber, cair e levantar”. E a imprensa em geral, formada por gente que também é público, ansiava tanto por isso que até noticiou um tropeço como sendo um “tombo”.

Essa expectativa em ver algo se repetir – Amy tropeçar, Janelle Monae dançar igual ao clipe e Mayer Howthorne “ser fofo” – garante que o mais do mesmo deu ao público o que eles precisavam para uma ótima noite. É o que explica, por exemplo, o desagrado do público em outras praças pela apresentação de Winehouse, que subiu no palco e só cantou, sem tropeçar ou errar. Uma conjunção que daria o argumento perfeito ao mais chato ouvinte de Bach de que “nada disso é música”. Mas é. Música que emociona mais pela teatralidade que pelas próprias canções, mas que cumpre suas centenas de funções que vão de combustão a escapismo social.

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COMO FOI? NO AR COQUETEL MOTOLOV (RECIFE/PE)

Por Bruno Nogueira

Essa cobertura deveria ter sido publicada, originalmente, no jornal A Tarde. Até agora não tive resposta de porque não saiu. Aqui ela segue em versão maior, com alguns comentários em primeira pessoa também.

Crescer é um processo sempre complicado. Sempre penso nisso, quando penso no festival No Ar Coquetel Molotov. Para que essa sétima edição, que teve sua etapa Recife entre os dias 24 e 25 últimos, fosse também um sinônimo de fôlego para o evento, o mesmo precisou dar passos estratégicos para trás. Voltou para o Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, com capacidade de 500 pessoas a menos que o anterior do Centro de Convenções, onde aconteceu ano passado. A programação, entretanto, garantiu que o volume a menos não fosse equivalente a diversidade proposta pelo festival.

Os patrocínios da Petrobras e Vivo permitiram que o festival tivesse sua edição mais histórica. Talvez demore de seis meses ou mais para que a passagem da lendária banda Dinosaur Jr. seja totalmente compreendida pelo público local. Com um repertório montado com carinho para os fãs, a banda tocou sucessos mais antigos como Out There (de 1993) e até sua versão para Just Like Heaven, do The Cure. Entre danças, pulos e olhares fixos nos longos cabelos brancos do vocalista J. Mascis, teve até quem chorou. Continuar lendo

PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO JAMBOLADA 2010 (UBERLÂNDIA/MG)


Por Bruno Nogueira
Matanza. Foto de Arthur Garcia

Em duas semanas um monte de coisa pode mudar no mundo da música independente. O Jambolada anunciou a sua programação de bandas para 2010, mas os shows, dessa vez, vão se tornar apenas música de fundo para outra duas coisas interessantes que acontecem no evento. O primeiro é que essa será a última edição do festival com o nome de Jambolada. Depois de um desentendimento entre os sócios, o festival teve cada noite organizada por uma vertente do pensamento música / política. O segundo, mais importante, é que será a eleição da nova chapa da Abrafin, a associação nacional dos festivais. E o boato de bastidores é que muita coisa – mesmo – vai mudar. Eu vou estar lá, fazendo cobertura, e mandando tudo aqui para o Pop up :)

15/10 – Acrópole

01:30 Otto (PE)
00:50 Emicida (SP)
00:10 Autoramas (RJ)
23:40 Falso Conejo (ARG)
23:00 Cabruera (PB)
22:30 Erika Machado (MG)
22:00 Monograma (MG)
21:30 Pedro Morais (MG)
21:00 Banda de Joseph Tourton
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Manos de Responsa (MG)
19:30 A170 (MG)
19:00 Desalma (PE)

16/10 – Acrópole

01:20 Matanza (RJ)
00:40 Vanguart (MT)
00:00 Copacabana Club (PR)
23:30 Vespas Mandarinas (SP)
23:00 Seu Juvenal (MG)
22:30 The Folsoms (MG)
22:00 Krow (MG)
21:30 Baba de Mumm-Rá (TO)
21:00 Gritando HC (SP)
20:30 Animais na Pista (MG)
20:00 Mata Leão (MG)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Leave Me Out (MG)

17/10 Palco Conexão Vivo (Praça Sérgio Pacheco)

15:00 Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
16:00 The Hell Kitchen Project (MG)
17:00 Quarteto de Olinda (PE)
18:00 Ophelia and the tree (MG)
19:00 Indiada Magneto (MG)
20:00 Nina Becker (RJ)
21:00 Porcas Borboletas convida Paulo e Arrigo Barnabé (MG/SP)

BRUNO NOGUEIRA: A BANDA DE JOSEPH TOURTON

Pensando no que falar sobre o lançamento do disco da Banda de Joseph Tourton, fui buscar o histórico de passagens deles aqui pelo blog. Ainda em 2008, quando surgiram no Microfonia, foram finalistas com outras 15 bandas novas do Recife. Nesse curto espaço de tempo de dois anos, pelo menos dez grupos da lista encerraram atividade. Algumas outras, seja por azar ou algum outro motivo, não chegaram a dar nenhum passo adiante de onde estavam. Isso diz muita coisa sobre a cena de uma cidade e porque algumas bandas dão certo e outras não.

Apenas dois anos se passaram e, daquela lista inteira, talvez por exceção da Candeias Rock City, a Banda de Joseph Tourton de hoje parece ter uns dez anos de experiência a frente de todas. O disco deles chega em formato virtual, onde você pode baixar inclusive as faixas abertas para remix. Algo quase nunca praticado nesse mundo pós-Creative Commons. Tem participação dos Mombojós, os metais do Móveis Coloniais de Acaju e Vitor Araújo. Uma mistura de quase tudo que presta hoje no independente nacional.

A produção de Felipe S e Marcelo do Mombojó poderia soar perigosa, já que antes o som da Tourton já mostrava uma influência pesada do grupo. Mas, pelo contrário, eles conseguiram ajudar a nova banda a lapidar uma identidade própria em cada música. Se antes dizia que a banda soava como X ou Y, a partir desse disco é capaz de vislumbrar que novas bandas vão surgir inspiradas por Joseph Tourton. Além disso, eles trazem uma contribuição fundamental para a cena instrumental nacional, que é saber soar experimental, sem ser cansativo, chato e complicado. Existe uma amarra pop por trás de tudo, que faz a degustação de cada faixa ser bem mais prazerosa.

O disco tem patrocínio da Petrobras. Por sinal, fiz parte da comissão desse edital e, vendo o resultado, fico feliz de ter contribuído para algo tão positivo. Tomara que os outros contemplados cheguem nesse mesmo nível. As músicas, fotos e demais novidades estão no novo site da banda: www.josephtourton.com.br

BRUNO NOGUEIRA (PE): INICIATIVA INÉDITA NO RIO DE JANEIRO

Miike Snow

A banda na foto acima é o Miike Snow. É tipo uma dessas “banda da vez”, que a gente vai cansar de ouvir até o final do ano. O Miike Snow está de passaporte marcado para o Brasil, onde se apresenta em São Paulo e Porto Alegre. O Rio de Janeiro, inicialmente, estava no trajeto. Mas os produtores que levariam a banda até a cidade desistiram da empreitada alegando uma frase que é cada vez mais ouvida pelos cariocas fãs de música: “não tem público”. Afinal, em terra onde até sapo e barata entram em lista VIP, todo mundo desacostuma a pagar ingresso para ver um show.

Daí que Bruno Natal (do URBe) e Pedro Seiler (Indie Rock Festival) estão propondo uma ação de crowdfounding na cidade. Para quem nunca ouviu falar disso, é quando o público decide financiar seu artista favorito. Eles abriram a tabela de custos do show, que ficaria em torno dos R$ 20 mil, e estão oferecendo 100 cotas de patrocínio por R$ 200. Cotas, lembrando, pagas pelo próprio público. Se alguma empresa quiser entrar na história, pode comprar um mínimo de 10 cotas. Se bater o valor, a banda faz um show, o ingresso é dividido entre todo mundo que investiu e todos voltam felizes para casa. Caso não aconteça, o dinheiro volta direto para o bolso de quem investiu.

A ação já tem como parceiro o Circo Voador, que decidiu assumir os custos da casa (aluguel de equipamentos, funcionários, limpeza, segurança) e dividir uma parte dos ingressos. A conta fica assim: com 800 ingressos vendidos (por R$ 50), todo mundo tem o investimento de volta. Ou seja: se cada dono de cota – que já terá seu ingresso garantido – convencer oito amigos a irem ao show, todo mundo sai ganhando. A cota pode ser comprada via Paypal no link a seguir: http://bit.ly/paypalmiikesnow

Se der certo, eles prometem mais. No contexto maior essa é uma verdadeira revolução na cadeia produtiva da música do Rio de Janeiro que pode inspirar todo o Brasil a cortar mais um intermediário. Depois das gravadoras, agora o produtor. No contexto menor, uma boa maneira de você não ficar apenas reclamando que a banda que você curte nunca toca na cidade e ninguém nunca faz nada por isso. Vai ficar de fora?

Aliás, isso me lembra de postar uma matéria que fiz sobre crowdfounding…

BRUNO NOGUEIRA: CLIP DO NEVILTON (PR)

Nevilton é, sem dúvida, o maior hit-maker de toda essa geração da música independente brasileira. Cada uma de suas músicas é perigosamente viciante e traz algo de incrivelmente necessário para essa cena de festivais, coletivos e muito bate-boca: ótimas canções. “Morno”, o clipe acima, foi lançado para celebrar o dia do Rock. Tem cena da passagem deles pelo Nordeste, no Abril Pro Rock, Espaço Mundo (JP) e Maceió. Escuta ai e confirma a teoria!

PS: O Nevilton está confirmado pro Festival Dosol 2010.

ENTREVISTA: LUCIO MAIA (PE)

Chega uma hora que toda grande banda não consegue mais dar conta de todo seu potencial criativo. São tantas idéias e propostas, que inevitavelmente seus integrantes começam a fazer projetos paralelos para dar conta de todas as vontades que sentem em se expressar musicalmente. A Nação Zumbi talvez seja um dos melhores exemplos nacionais. Praticamente todos seus integrantes – até a turma da percussão – tem projetos a parte. De todos esses, além do 3naMassa do baterista Pupilo, o Maquinado é um dos que chama mais atenção. Em entrevista ao N’Agulha, Lúcio Maia – talvez o mais polêmico de todos integrantes da Nação – falou sobre o disco novo, trabalho e música.

No Maquinado, de certa forma, você começa do zero. Dá para sentir muita diferença de um artista montando sua carreira solo agora, com o que se passa com um grupo como a Nação Zumbi? Falo em questão de conseguir shows, espaços, venda de disco, etc.

Não dá pra comparar uma banda com vinte anos de carreira pelo mundo todo com um projeto de apenas dois discos. Covardia. Claro, a Nação tem o nicho próprio do ano todo, que conquistamos com bons shows e discos condizentes. Mas sinto uma semelhança muito grande com os dois começos. Tanto a Nação quanto o Maquinado, os show são frequentados por entusiastas da música. Ou seja, gente que procura coisas diferentes. Sendo assim, posso até ter uma boa perspectiva se continuar trabalhando sério.

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MÚSICA PARA EMPREENDEDORES

Livro Música Ltda

Por Bruno NogueiraRecife Rock

Foi lançado nessa segunda-feira (31) o livro Música Ltda – O Negócio da Música para empreendedores, de Leo Salazar, durante uma coletiva no Sebrae. O material é a versão ampliada e revisada da monografia de conclusão de uma especialização em Gestão em Negócios que Salazar já tinha disponibilizado no Overmundo. Também é o resultado final do curso – de mesmo nome – que ele ministrou recentemente, que chegou a atrair até grandes nomes da música local, como Zé da Flauta e Geraldo Maia. É um material até então inédito e extremamente fundamental para quem quer viver profissionalmente de música.

O livro chega talvez no seu momento mais oportuno. Enquanto órgãos como a Prefeitura do Recife e a Fundarpe sofrem para pagar artistas que não emitem nota fiscal, abrindo uma enorme brecha ilegal na contratação de músicos em Pernambuco, o livro ensina todos os passos para se criar um CNPJ, como estruturar e manter uma firma e, o mais interessante, como aproveitar vantagens que estão disponíveis para micro-empresários. Com a idéia de que a banda É uma micro-empresa, Salazar chama atenção que é possível o uso do cartão do BNDES, por exemplo, para gravar um disco ou organizar uma turnê.

São quatro partes: o negócio da música, empreendedorismo, finanças e marketing. No final o livro ainda traz um modelo de plano de negócios para uma banda, mostrando passo a passo do registro do nome e da empresa, a um guia para cálculo de cachê – considerando quanto cada um pretende receber, quem está envolvido na apresentação e custos adicionais que recaem sobre a banda. Segundo Salazar – que já trabalhou como produtor das bandas Devotos, Eddie e Mula Manca, entre outras – a parte financeira ainda é a maior dificuldade que os artistas tem para trabalhar.

Música Ltda está a venda por R$ 15 na internet no site www.musicaltda.com.br. Segundo o autor, ainda esse mês o livro estará a venda nas livrarias Cultura, Saraiva e Fenac.

OPINIÃO: SELOS AINDA TOPAM PATROCÍNIOS

Escritório da Monstro Discos, em GoiâniaPor Bruno Nogueira

A banda lançada desta vez pelo Álbum Virtual se chama Pata de Elefante. Um grupo instrumental do Rio Grande do Sul que é bastante cultuado no cenário independente. Eles já passaram por festivais como Goiânia Noise, Abril Pro Rock e a Virada Cultural de São Paulo. Antes disso, os primeiros dois discos do trio teve o selo da Monstro Discos, gravadora de Goiânia que, estatísticamente comprovado, é uma das gravadoras que mais lança discos hoje no Brasil. O Retrofoguetes, da Bahia, teve seus primeiros discos lançados por lá.

Apesar de ter artistas em comum, o modelo da Trama não parece algo muito amigável para os selos que andam próximos da gravadora. “Não pensamos em operar assim não. O esquema é muito legal e tal, mas acho que não é o jeito que a Monstro pretende”, comenta o diretor comercial da Monstro, Leo Bigode. “Eu particularmente acho que você acaba ficando refém de um esquema que não é o real, não é o verdadeiro. Depender de um patrocinador todo mês em um país burro com a cultura como o Brasil é arriscado demais para mim”, provoca. Continuar lendo

REPORTAGEM: E SE PATROCINAREM O CONSUMO?

João Marcelo, da Trama: “Tivemos sucesso com o Álbum Virtual”. Foto de Rogério Alonso

Por Bruno Nogueira

Gravar, reproduzir e distribuir: o problema que as gravadoras e editoras conseguiam resolver até metade da década de 90, já deixou de ser um problema. Enquanto uma considerável parcela dos artistas brasileiros ainda estão atrás de subsídios para dar conta dessa primeira etapa do processo, a gravadora Trama comemora dois anos de um formato diferente, que aposta exatamente no patrocínio pelo consumo. O Álbum Virtual, como é chamado, tem o slogan “de graça para você, remunerado para o artista”.

Sócio fundador e atual presidente da gravadora, João Marcelo Boscolli tem sempre cuidado de responder, ao longo da entrevista, “nada contra patrocínio público”. “Fácil não é”, avalia João, que vem de uma linhagem de músicos que desenha a própria música popular brasileira – seus pais, Ronaldo Boscolli e Elis Regina, dispensam apresentações assim como a irmã, Maria Rita – “mas se você considerar que [em um ano] o mercado lançou declarados 64 álbuns, nos estamos lançando 14”.

É um modelo que está bem longe de ser inédito, como admite o próprio Boscolli. “Nada mudou desde 1928, data de lançamento do primeiro programa de jazz apresentado coast to coast nos Estados Unidos, que era patrocinado pela Nabisco”, lembra o músico. “As pessoas ouviram de graça, patrocinados por uma marca, que olham sempre audiência e envolvimento emocional das pessoas com música”. Com essa proposta, a Trama já conseguiu aproximar empresas como Volkswagen, Audi e Brandili. A última, no ramo de tecelagem, aproveitou o patrocínio para lançar uma linha de camisas de artistas novos, a Xtreme Days. Continuar lendo

OPINÃO: QUEM QUER DINHEIRO?

Por Bruno Nogueira

Quando o baterista do Trio Mocotó, João Parahyba, descobriu sobre a existência e o resultado das ações da Rede Música Brasil, iniciou-se um grande debate entre músicos, produtores, público e jornalistas na internet. Ainda hoje, o seu texto de desabafo, publicado no site Scream & Yell (www.screamyell.com.br), acumula comentários de gente que concorda e discorda de suas considerações preocupadas com a figura do músico não ser a central na cadeia produtiva da música. Parahyba reclama que o coeficiente mais importante na equação não é o público, mas o artista.

A Rede, para quem ainda não ouviu falar dela, é uma aglutinação de todas as associações relacionadas a música existentes no país, que até então nunca dialogavam. Um esforço para unificar o discurso de gravadoras, rádios, músicos e todos os envolvidos nesse processo. O resultado obtido a partir do relatório publicado pela rede Música Brasil não é exatamente inédito. Ele apenas amplia a realidade vigente no mercado de música do país, ao pedir um aumento de políticas públicas que patrocinem a produção nacional.

Como resultado, órgãos como a Funarte ampliaram seus fundos e programas de fomento a cultura com uma atenção especial a música, igual como era feito até então com o cinema. Parahyba é categórico. Esse dinheiro vai para o produtor, que muitas vezes não paga quanto o músico gostaria – e acredita que merece – receber. Do outro lado, os produtores defendem um artista que entenda que seu valor se mede em público, e que um cachê alto só se justifica através de uma grande quantidade de ingressos vendidos. Mesmo quando o evento é patrocinado e não depende da venda de ingressos. Continuar lendo

OPINIÃO: FABRÍCIO NOBRE EM “FAÇAMOS JUNTOS”

Fabrício Nobre discute o atual momento da produção e cenário musical brasileiro

Por Fabrício Nobre

Ao final deste ano se completarão 5 anos que estou literalmente a frente da discussão (e da ação) que diz respeito ao rumo da produção e do desenvolvimento de um renovado cenário pra musica brasileira. Na verdade desde que saí da puberdade estou envolvido nesta até o último fio de cabelo, que continuam crescendo e agora começam a ficar brancos bem lentamente, ainda bem…

Já fiz tantas palestras, participei de tantas mesas, escrevi em tantas comunidades virtuais, participei de um sem fim de eventos em todos os cantos do país (e cada vez mais em muitos cantos do planeta, uma vez que o Brasil se torna referencia em várias ações no mesmo sentido mundo a fora) tratando deste e de outros assuntos relacionados, que muitas vezes me furto a tentar dar uma opinião mais pontual sobre cada coisa, responder cada blog, texto na imprensa, entrar em cada treta e, na real, o tempo e desgaste que se tem fazendo isso pode tirar o foco principal da minha função e trabalho que é, representando meus pares, realmente desenvolver uma ação cada vez mais sólida e uma plataforma mais eficiente para a fruição deste novo momento da música do Brasil.

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ABRIL PRO ROCK ROCK: CLUB, FESTVIAL, WORHOPS, ENCONTROS…

nevilton
Por Bruno Nogueira

Mais um ano, mais um Abril Pro Rock que contou com minha participação na curadoria. Depois de três anos, inevitávelmente, começo a me envolver com mais coisas da produção do festival, junto com Guilherme Moura. Do tempo que estou lá, esse ano foi o mais apertado de todos, mas o que conseguimos o melhor resultado. Programação gigante e que cabe bem num orçamento menor, com a novidade de agora serem nove noites de festival. Fora as oficinas, que esgotaram rapidinho o número de vagas, transformando as antigas palestras em algo mais pró-ativo.

Abaixo está a programação. Podem falar mal, mas também aceitamos elogios :)

APR CLUB | 15.04 – Festa do APR | A partir das 22h

Instituto Mexicano del Sonido | MEX
DJ Dolores | PE
Diversitrônica | PE
DJ Rodrigo Lariu | RJ
DJ Seba | ARG

Pavilhão do Centro de Convenções | 16.04 | Abertura dos portões: 20h

Inner Demons Rise | PE
Alkymenia | PE
The Mullet Monster Mafia | SP
Agent Orange | EUA
Claustrofobia | SP
Eminence | MG
Varukers | Ing
Ratos de Porão | SP
Terra Prima | PE
Blaze Bayley | UK

Pavilhão do Centro de Convenções | 17.04 | Abertura dos portões: 17h

Anjo Gabriel | PE
Mini Box Lunar | AP
Plástico Lunar | SE
Bugs | RN
Vendo 147 | BA
River Raid | PE
Zeca Viana | PE
Instituto Mexicano del Sonido | MEX
Nevilton | PR
Afrika Bambaataa | EUA
Plastique Noir | CE
3naMassa | PE/SP
Wado | AL
Pato Fu | MG

APR CLUB | 20.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Orquestra Contemporânea de Olinda | PE
Bongar | PE
Combo Percussivo de Olinda | PE

APR CLUB | 22.04 – Noite Radio Antena 3 | A partir das 22h

The Legendary Tigerman | POR
Dead Combo | POR
Chambaril | PE

APR CLUB | 23.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Siba | PE
Alessandra Leão | PE
Ylana | PE

APR CLUB | 24.04 | A partir das 22h

Mundo Livre S/A | PE
Burro Morto | PB
Camarones Orquestra Guitarristica | RN

APR Club | 30.04 | A partir das 22h

Dead Fish | ES
Love Toys | PE

APR Club | 01.05 | A partir das 18h

Dead Fish | ES
Rotten Flies | PB

ENTREVISTA: SUPERGUIDIS (RS)

Conversamos com a banda gaucha sobre o terceiro disco da banda

Andrio, vocalista e guitarrista do Superguidis, nem sabia o que eram os Trending Topics do Twitter quando o terceiro disco, homônimo, da banda foi lançado. Mas assim que as músicas “vazaram” em MP3, logo após o selo brasiliense SenhorF divulgar um link apenas para jornalistas, a banda gaucha se transformou naquele dia em um dos assuntos mais comentados da internet brasileira. Agora, no dia 20 de março eles preparam o primeiro show de lançamento e correm o risco de, com a divulgação gratuita promovida pelos fãs – encontrar um público na linha de frente do palco que já sabe cantar todas as músicas sem errar a letra. Coisas de tempos modernos, que também promoveram rapidamente o quarteto a status de “poetas da geração twitter”.

Decorar as músicas não vai ser o trabalho mais difícil dessa turma. Os Guidis continuam uma verdadeira maquina de hits e, algumas músicas do novo repertório já possuem efeito instantâneo de repeat-mental (a resenha com as opiniões do Nagulha chega na terça-feira). Enquanto o Superguidis prepara o começo dessa nova turnê nós conversamos com eles sobre cachês, ambições e o futuro da banda. Quem respondeu foi o próprio Andrio, que também é quem escreve boa parte das músicas.

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BRUNO NOGUEIRA: SOPRO DE NOVIDADE EM RECIFE

radistae1

Por Bruno Nogueira – Popup

A entresafra no Recife estava entrando naquele estado crítico onde começavam a surgir shows da “volte de” alguma banda que todos já tinham esquecido e a formação de super grupos (banda + banda) no desespero de que algo novo aparecesse nos palcos da cidade. Agora o fôlego para novos sons parece ter sido recupado e dado forma a novas bandas que, aos poucos, começam a chamar atenção em curtas apresentações e movimentam o burburinho – sem trocadilho – na noite.

Radistae, essa da foto, encabeça esse time de novidades. É formada por Yuri Queiroga – que recentemente chegou até o Grammy Latino, quando produziu o disco de Elba Ramalho – Chico Tchê, Gabriel Melo e Pernalonga. Junto nesse quarteto tem o dna de DJ Dolores e Aparelhagem, Academia da Berlinda, Bonsucesso Sambaclube e Faces do Suburbio, só para citar algumas. O nome é referência a um antigo pico de surf em Olinda, o que completa a equação para decifrar o surf music feito por eles. Apesar de carregarem uma forte referência a Dick Dale e The Pops, o repertório deles vai de Kraftwerk a Luiz Gonzaga em versões próprias. Aliás, porque é que até agora não tinha uma banda de surf music assim no Recife?
Para ouvir: www.myspace.com/radistae

Ex-Exus: Talvez seja difícil para quem é da cidade observar os Ex Exus como uma banda nova. O processo de transição da antiga banda “Comuna Experimental” para “Ex-Comuna” e, por fim, “Ex-Exus”, foi tão rápido que o desatento que os vê no palco demore a perceber diferenças entre elas. Eu já fui um desses desatentos e, por isso, demorei a conhecer de fato o som e o show da banda. Ao contrario das bandas que deram origem, que eram experimentalistas ao cubo, o Ex Exus arredondou as bordas da música e faz um rock provocador e divertido. É criativo sem cair no clichê do inteligente e harmonioso para se ouvir até sem pensar.
Para ouvir: www.myspace.com/exexus
Para baixar: Terroristas Freelancers (EP)

Albuquerques: Já se foi o tempo que podiamos dizer que o Recife não era uma cidade roqueira. A Albuquerques, formada por Vinicius Del Toro, Leo Bresani, Walman, Igor Capozzoli e Chaps, segue ao pé da letra a cartilha do stoner rock. As quatro músicas disponíveis no MySpace deles trazem de efeito colateral uma grande necessidade por mais. Eles chamam ainda mais atenção no repertório por ele estar todo em português, coisa difícil de fazer quando se pensa em Queens of the Stone Age e Danko Jones. Parece bobo, mas é uma diferença que pode fazer eles chegarem bem mais longe que as vizinhas Amp e Vamoz. É ouvir e torcer.
Para ouvir: http://www.myspace.com/albuquerquerockband

Rails: Essa é outra que parece até injusto de chamar de banda nova, com o histórico dos integrantes. Lulu Oliveira, Kennedy Costa e Murilo Nobrega estiveram em uma dezena de grupos no Recife, de todos os gêneros possíveis, desde o final da década de 80 até agora. Rock mais tranquilo, com uma pegada pop viciante e todo cantado em inglês, que traz essa carga da idade nas referências mais madura.
Para ouvir: http://www.myspace.com/railsrecord

Wassab: Para encerrar no mesmo pique do Radistae, essa é outra banda instrumental que vem de Olinda. Gilú, Hugo Lins e Juliano Holanda são os nomes que você costuma ler nos encartes da Orquestra Contemporânea de Olinda, Mundo Livre S/A e Naná Vasconcelos. Eles já estão até com um disco gravado, que deve ser lançado esse ano.
Para ouvir: http://www.myspace.com/wassabpe

BRUNO NOGUEIRA (PE): MÚSICA NOVA DO MOMBOJÓ

mombojo

Achei que a mensagem de fim de ano que o Mombojó deixou no site da banda foi um tanto dramática. Vem com um “por favor, não desistam da gente!”, na certa pela grande pausa que eles precisaram dar depois da banda ter dois desfalques nos integrantes. O Rafa, que faleceu, e Marcelo Campelo, que decidiu sair. Mas esse ano sai o disco novo deles “Amigo do Tempo” e, tive a chance de conversar com pessoas que já ouviram boa parte do material que garantiram que a coisa está no nível do incrível, para superar até o Nadadenovo. Tomara que seja tudo isso. Até lá – ainda sem uma data certa – já tem a primeira música para ouvir. Se chama Casa Caiada, nome que vem de um bairro do Recife de Olinda! Pode baixar nesse link.