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RESENHA DE FILME: INDIANA JONES – O Reino da Caveira de Cristal

INdiana

A figura do herói no cinema é um dos elementos que dão suporte a tese da “suspensão da descrença”, formatada pelo inglês Samuel Taylor Coleridge, em 1817. Àquela época, o preceito de que o espectador aceita como pagamento pelo entretenimento lances de mínima plausabilidade e pouco realismo, restringia-se ao teatro. O cinema alargou a tese.

Nós, espectadores, aceitamos os monstros, as catátrofes, os vilões e principalmente os heróis e seus feitos impressionantes, mesmo sabendo do distanciamento que há da realidade, pois é nosso papel dentro da projeção (cinema) ou dramatização (teatro). Uma condição implicitamente aceita. Por que o nariz de cera?

Para dizer que, depois que aceitamos Keanu Reeves desviando de balas em Matrix, o Homem-Aranha passeando por Nova York em teias que lembram os galhos do primitivo Tarzan, ou a sagacidade de Bourne na sua trilogia, Indiana Jones, vivido por Harrison Ford, já nos parece deslocado, embora não vencido pela idade. O herói criado com o mcguffin perfeito de Os Caçadores da Arca Perdida é mesmo o papel da vida de Ford e isso é de alguma maneira afetiva para os espectadores que aceitaram acreditar que ele saltava abismos, fugia de selvagens e formigas e com um simples chicote era capaz de vencer o mais violento e temível vilão.

Em O Reino da Caveira de Cristal, lançado dezenove anos depois do último filme da série e, portanto, pós-Matrix, Bourne e Aranha, o que se vê é uma espécie de tributo a todos os elementos de aventura usados por Spielberg e Lucas desde que revolucionaram o cinema de entretenimento em Hollywood. Um dos problemas do filme é a sensação que passa de ter ido além do tributo (Tarzan já teve que se livrar de formigas gigantes na década de cinquenta), e sim de copiar os maneirismos dos filmes anteriores.

A história ambientada na Guerra Fria, em que Indiana reencontra o grande amor de sua vida, Marion Ravenwood (Karen Allen), contando com a dúbia parceria de Mac (Ray Winstone) e tendo que lutar contra uma gélida vilã, Irina Spalko (Cate Blanchett), é dispersiva e cai – é incrível que isso tenha acontecido com Spielberg e Lucas – na armadilha de explicar ao espectador detalhadamente pelo o quê cada um está lutando. Como se o espectador, disposto a suspender sua descrença, já não fosse capaz de aceitar, tornando assim a aventura um pouco menos datada e lenta como ela se apresenta. O que dá imensa saudade do início da série e um pouco de certeza de que Indiana Jones poderia ter se resguardado da comparação com novos referenciais e mantido – certamente isso não vai ser ferido – a elegância de um clássico.

2 Comments

  1. Otima resenha ,ficou muito detalhada eu que ainda naum assisti o filme fiquei com vontade de assisti-lo e saber,entender e mergulhar um pouco mais na história de Indiana Jones.Afinal foi e continua sendo um classico muito interpretado e comentado em todos os países sei que com sua otima resenha muitas pessoas assim como eu ficaram muitos interessadas em assistir ao filme e virar um Indiana Jones.

    Muito obrigada e parabens!

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