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RESENHA DE DVD: MARKY RAMONE E TEQUILA BABY AO VIVO

Nunca houve uma contagem oficial, mas é senso comum que existe, no Brasil, uma banda tocando Ramones a cada esquina. Pois uma delas se transformou na gaúcha Tequila Baby, que cresceu, tem sua própria carreira – muito bem sucedida no Sul, diga-se – e volta e meia se dá o luxo de ter, na sua formação, um legítimo Ramone. Esse vídeo registra um dos shows que coroou a série feita com o baterista Marky Ramone, e só poderia ter acontecido mesmo no histórico Opinião, em Porto Alegre, para uma platéia enlouquecida.

Muitos podem considerar certo oportunismo por parte da banda ter Marky como um integrante, ou mesmo enxergar em Marky a intenção de fazer caixa nesses shows, mas a verdade é que, à rigor, um não precisa do outro, e ambos se completam em nome do rock. É de Marky a explicação mais convincente, dada em uma das pequenas entrevistas que se intercalam com as partes do show. Para ele, além da diversão, é uma forma de “manter o legado do Ramones e dar continuidade àquilo que aqueles que já não estão mais aqui fariam caso estivessem”. Convenceu. Ele ainda soltaria a pérola de que o Ramones, ao contagiar fãs de várias idades, teria dado fim ao conflito entre gerações. Ok, também faz sentido.

O show se divide em duas partes, meio a meio. Na primeira, só sucessos do Tequila, tudo cantado por todos ali no opinião. Em “Tira o Sutiã, Tira a Calcinha”, uma espevitada gaúcha obedece e faz a primeira parte da solicitação. Lindo. “Melhor Que Você Pensa” e a ótima “Sexo, Pássaros e Rock’n’roll” também são destaques, em meio a um repertório redondinho. Quarenta e poucos minutos depois a banda sai e volta anunciando Marky Ramone, no que se inicia uma verdadeira celebração de hits do grupo que, musicalmente, inventou o punk rock. “Beat On The Brat”, “I Wanna Be Sedated” (a primeira música gravada por Marky no Ramones), “The KKK Took My Baby Away” e até outras da fase “menos punk” marcam presença, como “Poison Heart”, cantada pelo argentino Sebastian Expulsado – se dissessem que era o fantasma de Joy Ramone, ninguém duvidaria. Quase ao fim, a honra maior para o Tequila vem em “Seja Com Sol, Seja Com a Lua”, música deles em que Marky tocou bateria, enfiada no meio dos clássicos ramônicos.

Os extras incluem um mini documentário mostrando fãs ensandecidos, os integrantes fora do palco e a equipe de produção trabalhando, além de cenas da banda participando de programas da RBS (a Globo deles) que contribuiu orgulhosamente para a feitura do DVD. Há ainda imagens só de Marky tocando duas músicas: “Pet Sematary” e “I Wanna Be Sedated”. Vale notar essa produção independente tem um resultado que não fica nada a dever a qualquer DVD de artista nacional de grande porte ou mesmo a um medalhão internacional. Golaço dos gaúchos.

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