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RESENHA DE DISCO: WEEZER – WEEZER

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É possível mostrar frescor num tipo de música criada há 14 anos, ainda mais num mundo pop velozmente mutante? Possivelmente não, mas a tentativa também não pode ser rechaçada de antemão, e é isso que faz o Weezer sobreviver – e muito bem – ainda que seus alicerces não dêem margem a tantas possibilidades na hora de buscar alguma mudança. Por isso este disco, que volta a ser auto-intitulado, fica no meio do caminho em soar retrô – o que em termos de Weezer significa parecer com o disco de estréia – e apontar pra frente, sem saber onde tudo isso pode dar. A tal busca das saídas.

Nesse sentido, a segunda faixa desse CD, “The Greatest Man That Ever Lived” reúne basicamente as duas coisas. Flerta com o heavy metal, reivindica certa pompa, mas ao mesmo tempo realça os típicos vocais de Rivers Cuomo, tão famosos que ajudaram até gente como Jack White a cantar. Tem intervalos, parte da letra falada, aplausos, cantos à capela e outras facetas. A música mostra certa ansiedade por mudança, ao passo em que estaca num território pra lá de conhecido. É, no entanto, atípica no álbum, embora tenha um final tipicamente Weezer, e se a última é a impressão que fica… acaba abrindo caminho para o que a banda tem de mais genuíno.

Caso de “Pork And Beans”, que ecoa a mesma alegria/tristeza que fez fama em várias das músicas mais reverberadas do quarteto, num outro caso de “quero voltar a ser o que eu era antes”. E curiosamente dá a deixa para uma balada (de título apropriado: “Heart Songs”) que até encaixa bem no jeitão Weezer, o que não acontece na quase rap “Everybody Get Dangerous”, que soa por demais como “funk de branco”. É nesse vai-e-vem que segue o disco, como que se faltasse, talvez até de propósito, uma linha condutora que o permeie. Mas afinal, não é isso que faz de um CD um álbum de verdade?

Da metade do disco em diante essa dicotomia quase se esvai, e o Weezer soa o tempo todo como ele próprio, com o demérito de não fazer tantas boas músicas como antigamente, ou o acerto em exceções positivas como “Dreamin’” e na pesada “Automatic”. O resultado final é sintomático: repetido pela terceira vez o título do álbum, o Weezer abraça a irregularidade das composições. Mais que isso, assume a olhos vistos que até os nerds envelhecem, para o bem ou para o mal. Numa palavra? Razoável.

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