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RESENHA DE DISCO: NIGHTWISH – DARK PASSION PLAY

Por Marcos Bragatto

Para ocupar o posto de vocalista o Nightwish poderia ter optado por uma soprano de tom de voz idêntico ao de Tarja Turunen, o que não seria difícil, era só vasculhar as academias musicais mundo afora. O grupo optou, entretanto por uma vocalista, digamos, “mais pop”, sem o demérito que o termo sugere. É evidente que, uma banda que veio dos cafundós da Finlândia e chegou ao sucesso mundial tem o leque de opções mais amplo de toda a sua trajetória. O grupo hoje é, naturalmente, muito mais afeito a assimilação de novas referências dentro do metal, do rock e (porque não) da música pop. Daí a voz (e o estilo) de Anette Olzon – a escolhida – lhe cair muito bem. E, ao mesmo tempo, para o bem ou para o mal, não deixar o mínimo resquício de Tarja para nenhum fã “das antigas” ficar chorando pelos cantos ao escutar as novas músicas do grupo.

Uma coisa é certa. Em “Dark Passion Play” o Nightwish decidiu arrebentar de vez, para não deixar dúvida sobre nada. Prova disso é “The Poet And The Pendulum”, uma pomposa peça épica do nível de “Ghost Love Score” e “Beauty Of The Beast”, nos discos anteriores, com quase 14 minutos de duração, executada com o apoio de uma orquestra com 79 integrantes e um coro de 54 vozes. E isso já na abertura do álbum. O disco foi gravado em quatro estúdios diferentes, sob a batuta do tecladista Tuomas Holopainen, que, além de compor 10 das 13 faixas, é também o produtor. Como criador de belas canções Tuomas é mais útil ao Nightwish e à música de um modo geral. Só ele poderia fazer do heavy metal uma pérola pop como “Amaranth”, logo convertida em single e webhit, antes mesmo de o disco ser lançado. Anette brilha cantando refrões colantes numa música sem solos e com a estrutura idêntica a de “Nemo”, hit do álbum anterior que arrombou as portas para o Nightwish no mercado americano.

Uma tendência que já vinha sendo mostrada é a participação cada vez maior do baixista Marco Hietala nos vocais, fazendo um bom contraponto com o vocal feminino que não existia nos primórdios do grupo. Ele entra rasgando já na faixa de abertura e segue na irônica (porém desnecessária) “Bye Bye Beautiful” – imaginem para quem ela foi feita. E ainda parece dublar Ian Anderson, do Jethro Tull, na acústica “The Islander”, onde faz a voz principal. Mas é quando Holopainen acerta em cheio (e ele é bom de mira) que a voz de Anete melhor se encaixa, provando que não há o que estrague uma música boa. Se “Amaranth” beira a perfeição ao que se presta, a adocicada “Cadence Of Her Last Breath” não fica atrás. Baladas dramáticas como “Eva”, “For The Heart I Once Had”, esta com Anette despejando um vocal sedutor, e a derradeira “Meadows Of Heaven” hão de fazer chorar as fãs nas grades mundo afora como “Sleeping Sun”, por exemplo, já consegue há anos. A pulsante instrumental “Last Of The Wilds”, com um pé no viking metal, é também excelente.

Feito deliberadamente para ser uma obra-prima da banda, “Dark Passion Play”, com setenta e tantos minutos, mostra que o Nightwish permanece o mesmo, conseguindo aquilo que parecia impossível: fazer da saída de Tarja Turunen, sua grande jóia, um simples detalhe. Prova de que o às do grupo finlandês é mesmo o talento para compor e arranjar de Tuomas Holopainen. E que a boa Anette Olzon é só mais uma vocalista. Tudo, enfim, no seu devido lugar.

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