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RESENHA DE DISCO: KORN – UNTITLED

É preciso não confundir este último álbum do Korn com o primeiro deles, lançado em 1994, já que ambos não têm título. As principais diferenças são: a) Segundo a banda, o primeiro disco se cama “Korn”, e este é o “Untitled”; b) O disco de 94 foi todo feito pela banda, teve a produção de Ross Robinson, arrombou a porta da música pesada e foi a partir dele que se formou o hoje saturado nu-metal; em “Untitled” todas as músicas têm autoria dividida com Atticus Ross (Nine Inch Nails) e com o trio de produtores The Matrix; e c) O quinteto original hoje se reduz a um trio, depois que o guitarrista Brian “Head” Welch deixou a banda por causa de uma conversão a uma igreja protestante, e o batera David Silveria pediu licença para ficar com a família e cuidar de seus restaurantes. As mudanças encontradas nesse disco, entretanto, começaram lá atrás, em 2005, com o lançamento do álbum “See You On The Other Side”, que já teve a intervenção/participação dos novos parceiros. Ora, já fazia um certo tempo quer o nu-metal, depois de dominar o mercado da música pesada nos Estados Unidos, estava dando sinais de perda de fôlego. E o Korn percebeu isso com o “fracasso” de vendas de “Take a Look At The Mirror”, de 2003, produzido pela própria banda. Era preciso fugir do óbvio e os rapazes fizeram o dever de casa. Se o resultado é digno de elogios, aí já é outra história.

Os remanescentes Fieldy (baixo), James “Munky” Shaffer (guitarra) e Jonathan Davies (vocal) superaram alguns contratempos no estúdio como a troca de bateristas – no disco tocam o veterano Terry Bozzio, Brooks Wackerman, do Bad Religion, e até o próprio Jonathan -, e um desentendimento que levou o trio The Matrix a saltar fora logo após o lançamento do primeiro single, “Evolution”, deixando tudo nas costas de Atticus Ross. Detalhes imperceptíveis, entretanto, aos ouvidos menos fiscalizadores. O que se vê, em “Untitled”, é um punhado de músicas com sotaque mais pop, feitas para manter o Korn em evidência em rádios e MTV, e um outro grupo com composições essencialmente experimentais, que, se aparecessem sozinhas no disco, causariam espécie até mesmo aos Korn-maníacos de plantão.

Mesmo com as músicas intercaladas, não é lá muito difícil, no geral, identificar as de um e outro grupo. Entre as com sotaque mais pop, há que se enumerar, a título de exemplo, “Evolution”, não a toa a primeira a virar single; “Bitch We Got a Problem”, uma das mais grudentas da história do Korn; e “Starting Over”, com um refrão onde a voz de Jonathan Davis aparece mais marcante em todo o disco. Até “Love And Luxury”, que começa com Davies rindo com deboche, revela nuances pop num refrão com certo grau de aderência. No segundo grupo, em meio a um emaranhado experimentalista estão “Innocent Bystander”, que flerta com o death metal; a progressiva “Ever Be”; “Do What They Say”, sinistra por vocação; e a barulhenta “Killing”. Já a balada “Kiss”, se seu lado, fica no meio do caminho.

Não se sabe, entretanto, até quando o Korn vai continuar, já que as notícias recentes não são animadoras. Munky chegou a deixar o grupo no meio da turnê européia, para tratar de outros projetos musicais; Jonathan anunciou seus próprios shows pela Europa; e Fieldy disse que também pretende gravar um disco ele mesmo. Se o Korn sair de cena, além de um legado como fundador de um subgênero do rock e do heavy metal, deixa um disco que mostra o grupo tentando buscar alternativas a si próprio.

Veja também: entrevista com o Korn

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