Resenhas

RESENHA DE DISCO: JOE SATRIANI – PROFESSOR SATCHAFUNKILUS AND THE MUSTERION OF ROCK

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Por Marcos Bragatto

Conteúdo: Rock Em Geral

A principal característica de um bom disco de um guitarrista solo como Joe Satriani está em saber escolher com precisão o repertório, uma vez que, se bobear, a audição pode se tornar algo penoso de tão repetitivo. Convenhamos que tendo vocais (e algo a ser cantado) a menos, é mais difícil munir as canções de variantes interessantes. Satriani consegue porque tem o dom de substituir os trechos vocais por fraseados de guitarra de bom gosto apuradíssimo, e – mais ainda – funde os excessos que o gênero poderia lhe oferecer com as limitações da canção pop em si. E nesse álbum de nome esquisito consegue mais uma vez um bom punhado de boas músicas – algumas seguramente já garantem lugar num próximo “best of” do guitarrista.

Como em todo disco, Satriani descola uma pérola muito próxima da perfeição pop, contrariando os que vêm aridez num disco de guitarrista. Aqui, é “Revelation” que reúne tudo o que uma música bem formatada precisa ter: as partes de início, meio, fim e refrão, o bom gosto pinçado do cardápio do guitarrista e o feeling excepcional, típico de Satriani. Nessa ele também toca um discreto piano e é acompanhado por Jeff Campitelli na bateria e Matt Bissonette no baixo, formando o trio base que toca em todo o álbum. As guitarras dobradas que fazem (cantam?) o refrão são algo realmente “do além”, muito embora a seqüência da música contribua muito para uma inabalável sensação de bem-estar típica de uma música assinada por Joe Satriani. Valeria, sozinha, o CD inteiro, não fosse ele também muito bom.

É assim no início, com a discreta “Musterion”, que começa o disco meio sem jeito, mas se revela uma boa música, e dá espaço para “Overdriver”, essa outra raridade do baú de Satriani. Começando com mais peso e um riff bem marcante, se revela viajandona bem rapidamente, onde o estilo “guitarra falante” prepara para um refrão bem pesadão que deságua num andamento excitante. Ele cai na armadilha do exagero, mas logo escapa e volta para a música. A cadenciada “Professor Satchafunkilus”, que cita sutilmente o funk de raiz e tem até o saxofone do filho ZZ, é outra com boa pegada.

Como de hábito, Satriani investe em músicas que trazem sensações mais calmas, caso da lenta “Come On Baby”, que resgata sobriamente acordes do blues de raiz, e cresce como se fosse virar aquela baladaça de arena comum no hard rock – mas aqui distante dele. Outra calmíssima é “Out Of The Sunrise”, que se contrapõe à “Diddle-Y-A-Doo-Dat”, que, funkeada, já começar com uma virada de todos os instrumentos. Em “Andalusia”, um tema acústico e percussão latina embalam a música, e a introdução é feita com violão, antes de Satriani engatar a quinta marcha sem dó.

Em “I Just Wanna Rock”, a novidade: Satriani volta a usar vocais, só que “robotizados” por efeitos, e tem como companhia uma pá de gente fazendo coro com o título, na verdade a única frase da letra. Afora nos primeiros álbuns, quando ainda tinha cabelo e realmente cantava, ele já havia usado um artifício parecido na faixa “Crowd Chant”, no álbum anterior, “Super Colossal”, de 2006. Desnecessário, mas, numa música só, não chega a comprometer, num álbum que mantém o nível de um guitarrista íntimo não só da guitarra e suas manhas, mas, sobretudo, do bom gosto.

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