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RESENHA DE DISCO: EDDIE VEDDER – INTO THE WILD

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Uma das piadas mais recorrentes ao grunge era a que seus fundadores não eram lá muito bons das idéias. Como uma espécie de punk reinventado na forma de adolescentes que não sabiam tocar ou cantar, fazendo barulho e muitas vezes chamando mais atenção pelas roupas – aqui, as grandes blusas xadrez – que pela música propriamente dita. Quase 20 anos se passaram para que um desses adolescentes, Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, se mostrasse um dos grandes cancionistas do novo século.

Vedder fez a trilha sonora para “Into the Wild“, filme de Sean Penn sobre um jovem bem sucedido na vida que decide morar na floresta. A história é baseada na vida real de Christopher McCandless, curiosamente passada no ano de 1992, época em que o Pearl Jam lançou seu mais importante disco, o aclamado “Ten“. E se a voz barítona do vocalista da banda não servia como trilha sonora para aquele momento, ela agora ressurge em canções Folk que remetem muito a Neil Young (com quem Vedder já gravou disco) e um pouco ainda a Bob Dylan. É tão diferente do que se espera, que impressiona.

Pensado como uma trilha sonora, o disco solo de Eddie Vedder tem um tom cinematográfico. “Setting Forth“, primeira das 11 músicas do repertório, soa exatamente como a abertura de um grande clássico do cinema. Aliás, chamar esse trabalho de solo seria uma grande injustiça, porque ele é acompanhado na maior parte do tempo pelo violão de Sleater-Kinney Corin Tucker, que também faz backing vocal em “Hard Sun“, num belo “um contra um” de instrumentos e vozes.

Diferente do grunge, esse é um disco de som limpo, quase cristalino. É mais simples, sem a raiva tradicional que acompanhava suas antigas letras. O violão as vezes dá espaço para o banjo e outros instrumentos comuns ao folk. “No Ceiling” e “Society” são exemplos extremos dessa face até então desconhecida de Eddie Vedder, em canções curtas e – na maior colaboração de seus anos de Pearl Jam – recheadas de conteúdo. De certa forma, Vedder conta sua própria versão para a história, romantizada também pelo escrito Jon Krakauer.

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