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REPERCUSSÃO: ABRIL PRO ROCK PRIMEIRO DIA NO PE360GRAUS

Punk rock hardcore agita primeira noite

Por Daniel Santana
Guitarras raivosas ecoaram pela área interna do Chevrolet Hall na noite da última sexta-feira (11). A casa de shows, acostumada a trazer atrações famosas entre o grande público, viu seu espaço ser tomado por pouco mais de 2,5 mil alucinados fãs de rock durante a primeira noite do Abril Pro Rock 2008. As bandas podem até não ser muito conhecidas fora do circuito alternativo, mas fizeram jus ao palco e conseguiram provar que o Recife tem muito mais do que frevo a oferecer.
Foi com esse espírito que os pernambucanos do AMP entraram em cena. A banda foi escolhida pelos internautas em uma eleição feita pela organização do evento e não decepcionou os fãs. Logo depois foi a vez do Project 666 iniciar a maratona de hardcore. Com um vocal gutural e uma bateria forte, a banda, também pernambucana, fez barulho e o público montou a roda. A essa altura, a festa estava apenas começando.
Quando The Sinks subiu ao palco, o hardcore deu lugar ao tradicional rock’roll. Tá, não tão tradicional assim. A banda do Rio Grande do Norte toca um som parecido com o de bandas como The Strokes, isto é, um rock novo com jeitão de antigo. “Tocar no Abril Pro Rock é um sonho de toda banda independente”, bradou o vocalista do The Sinks, Dante, no início do show.
O público não parava um minuto de pular. Jéferson das Neves e Alzione Oliveira vieram de Feira de Santana, Bahia, conferir de perto o festival. “Tem muita banda que a gente quer ver, não dá para escolher uma. Por isso que vamos ficar para o show de amanhã também”, avisou o baiano.
Ele parou de conversar quando a quarta atração da noite subiu ao palco. Mukeka di Rato veio para destruir tudo o que via pela frente. Com letras ora cantadas em uma velocidade impossível de se acompanhar, ora de forma bem humorada, a banda fez um dos melhores shows da noite. Ninguém parava um só minuto, e mais uma vez a roda se formou, com uma intensidade ainda maior que das outras vezes.
A estratégia de usar músicas curtas, com no máximo três minutos, fez a engrenagem da roda girar em velocidade alucinante. Mukeka di Rato foi uma das atrações mais aplaudidas. “Pena que nosso tempo é curto. Espero voltar logo a Recife para fazer uma apresentação mais completa”, disse o vocalista da banda, Sandro, lamentando o fato de ter apenas 45 minutos para fazer sua apresentação.
E se alguém pensava em parar, era melhor ter ficado em casa. Não havia intervalo de uma banda para outra, pois como são três palcos, enquanto uma toca, a outra vai passando o som. E quem estava passando o som enquanto o Mukeka “destruía” no palco 1 foram os paulistanos do Zumbis do Espaço.
Começa o show e sobe aquela figura vestida de jeans e com um chapéu de vaqueiro. Este é André, mais conhecido como Tor Zanatas, o vocalista dos Zumbis do Espaço. A banda é uma das mais famosas da cena independente de São Paulo. Em Pernambuco, parece não ser diferente pois a cada música, a cada riff, o público festejava, cantava as letras e fazia pedidos.
“Eu adoro essa banda. Ela é a melhor”, opinou Alexandre West, morador de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Ao lado dos amigos – José Benedito, Rodolfo Santana e Milka Nóbrega – o grupo se declara fã dos Zumbis, que em suas letras falam de violência de uma forma que chega a ser cômica. Apenas para ter uma idéia, a música que fechou a apresentação chama-se “Espancar e Matar”.
ATRAÇÕES INTERNACIONAIS
Já era quase meia-noite e nada das atrações internacionais – Bad Brains e New York Dolls, ambas dos Estados Unidos – subirem ao palco. A espera foi premiada com dois shows alucinantes.
Bad Brains fez uma apresentação inusitada. A banda alternava momentos de verdadeiro hardcore com a suavidade do reggae. A musicalidade deles, aliás, é uma mistura de vários gêneros, como funk e rock. Não é a toa que bandas como Red Hot Chilli Pepers admitem ter sido influenciadas por eles.
“O show foi muito bom, apesar de no começo o áudio ter sido mal regulado. Eles são monstros sagrados do rock e eu vim só para acompanhar esse momento histórico”, analisou o músico, produtor musical e fã assumido do Bad Brains, Bernardo Vieira.
A última atração brasileira da noite veio a seguir. Os pernambucanos do Vamoz fizeram um show visceral, acordando aqueles que demonstravam um leve sinal de cansaço. E essa sensação de que o evento tinha acabado sumiu tão logo o New York Dolls iniciou o seu espetáculo.
NEW YORK DOLLS
O hardcore balançava as estruturas, agitava a galera, mas uma coisa era inegável: todos queriam ver o New York Dolls. A banda é considera a precursora do punk rock e não faltaram fãs no salão do Chevrolet Hall que acompanham o grupo desde o início de sua carreira.
João Neto, 39 anos, veio de João Pessoa (PB) apenas para ver o show da banda. “Sou fã deles desde 1978. Eu não podia perder a oportunidade de vê-los de perto, ainda mais agora que já estão em fim de carreira”, apontou.
O advogado Fábio Pimentel, 32, afirmou ser apaixonado por New York Dolls indiretamente. “Adoro The Smiths e sei que eles foram influenciados pelo New York. Por isso, não posso perder esse show”, explicou.
A expectativa de João Neto, Fábio e de todo o público foi plenamente correspondida. O já vovô David Johasen não faz as mesmas piruetas que fazia no começo da carreira, mas ainda consegue ter uma performance digna de um astro do rock. Na terceira música tocada pela banda, “We are in love”, o público se emocionou. Logo depois os roqueiros fizeram um cover de Janis Joplin, transportando a galera para os tempos áureos do rock.
No final, a satisfação estava estampada no semblante de cada espectador, de cada roqueiro. A alegria disputava espaço no rosto de cada um com a expressão de cansaço, mas não tem problema: este sábado (12) tem mais. A partir das 17h o Abril Pro Rock volta a eletrizar o Chevrolet Hall, desta vez com Autoramas, Júpiter Maçã, Lobão e outras atrações.

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