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PULSO #3 – SÃO PAULO E A IMPORTÂNCIA DAS CIDADES MUSICAIS PARA A ECONOMIA

Domingo chuvoso e lá estava eu no emocionante show do uruguaio Jorge Drexler na Casa Natura, terceiro dos três shows esgotados que o artista fez em São Paulo nesse fim de semana. Eu também terminei uma maratona gostosa junto com esse espetáculo. Vi de quinta até ontem nomes como Filipe Catto, Dona Onete, Jaloo, Sky Down, Pinups, entre outros.

Fiz uma promessa/meta interna de ver 50 shows no mês de abril, enquanto tivesse no Red Bull Music Pulso. Qual a cidade da América do Sul te propõe esse tipo de oferta com a qualidade e diversidade que São Paulo oferece? Difícil concorrer.

Ao mesmo tempo que essa chama ficou acessa veio uma reflexão logo a seguir, aliás, foram tantas reflexões ao som do uruguaio que eu mal consigo processar, mas consegui pincelar esse momento e traze-lo para gente discutir aqui.

Porque ainda não existe uma política para transformar as nossas cidades mais fervorosas e festivas em Capitais da Música?

Essa expressão “City Music” não é nova e nem fora de contexto, ela serve para identificar cidades que se apegam a produção musical para promover um enorme aparato econômico e turístico em volta, serve de política pública 100% voltada a economia criativa e trás resultados financeiros que pouquíssimas industrias podem trazer. Nem vou entrar no mérito filosófico, educativo e transformador da música. Para ser pragmático, simples e direto: Cidades Musicais atraem pessoas e dão muito dinheiro!

É quase inacreditável ver cidades como Belém, Recife, Salvador e São Paulo sem um selo como esse no seu trade turístico. Música é como água, as pessoas precisam dela para viver. Jogar fora essa vocação genuinamente brasileira é uma estupidez sem explicação. O que seria de cidades como Austin, Londres, Barcelona ou New York sem o selo de City Music? Isso só para dar alguns exemplos.

Por um certo crescimento do hype em torno da música de Natal, cidade onde moro, fui convidado para uma conversa sobre City Music em Brasília. A sala deveria ter umas 50 pessoas. Antes de começar a falar pedi a liberdade para fazer uma pequena enquete. Perguntei para audiência quem dali já tinha ido em Natal. 90% levantou a mão. Depois perguntei quem tinha ido à praia durante a estadia. 90% levantou a mão de novo. Penúltima pergunta: quem tinha ido a shows durante a estadia. Só duas pessoas levantaram a mão. Ai veio o xeque-mate. Perguntei quem gostaria de ter visto mais shows durante a estadia. Os 90% levantaram a mão de novo.

Esses turistas não consumiram a música da cidade porque quem promove o turismo local não tem a música como um radar financeiro e econômico. Não há um aparelhamento para organizar e divulgar esse tipo de roteiro, não há incentivos locais para salas, programação, entre outras potencialidades. Nesse pequeno levantamento fiz uma conta de cabeça bem rápida e percebi que só dentro daquela sala, Natal tinha perdido uns R$50.000,00 em divisas para cidade pelo descaso de quem pensa uma política pública para música e cultura.

O potencial é imenso, as possibilidades são sensacionais, o turismo cultural é o que mais cresce no mundo e temos uma mina de ouro a ser explorada com um pouco de boa vontade e boas ideias.

Fica a reflexão. Vamos para cima.

 

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