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MATÉRIA ESPECIAL: BARBIEKILL (RN) POR HUGO MORAIS

Tudo começou de um clichê, um dos muitos que compõem a história do rock e de suas bandas. Pode ser resumido assim o surgimento da banda Barbiekill. O clichê é aquela velha história de que se juntaram para tocar sem pretensão nenhuma, para tocar músicas de bandas que eles gostavam. Ensaiaram e tocaram na festa de uma amiga e no reveillon na festa do condomínio de um dos integrantes. A primeira formação só contava com duas pessoas que sabiam tocar, um guitarrista e um baterista, quem não sabia tocar era vocalista. De dezembro de 2006, época da primeira formação, pouco mais de um ano se passou, mas tudo mudou.

Quando os amigos Waldemar, Hello, Daniel e Riane decidiram formar uma banda para animar as festas que organizavam na casa de amigos, não podiam imaginar o futuro um ano depois. Após a brincadeira da festa, a banda parou durante quatro meses, se juntando novamente para tocar em uma calourada. Mais quatro meses se passaram para eles voltarem a se reunir com a formação atual. Foi em agosto também que a banda decidiu como seria o estilo a seguir e como seriam as apresentações. “Desde que a gente pensou em fazer a banda, a gente queria uma banda com o som e o jeito que fosse a cara da gente. O que rola no palco é como nós somos entre amigos”, diz Daniel Andrade, vocalista da banda.

O Barbiekill se destaca por não seguir a maré que aponta para duas vertentes fortes do rock produzido em Natal: Metal e Hardcore, e suas variantes. Eles são a primeira banda de Eletrorock da cidade, se bem que nem entre eles esse conceito é unanimidade. “Nós terminamos caindo nessa coisa do Eletrorock, mas a gente tem tanta coisa… É foda botar rótulo”, diz Riane, uma das vocalistas. Sendo a primeira banda a misturar rock, funk carioca e elementos eletrônicos, as portas foram se abrindo para uma novidade na noite da cidade, um show para ver, ouvir e dançar. Para Waldemar, baterista e guitarrista da banda, o que ajuda a banda é o estilo de música que eles fazem: “O que falta, não é nem contato, é você ter um som legal. A gente mesmo não tinha nenhum contato, foi porque nosso estilo agradou e o pessoal começou a chamar a gente”. Mas não é só o “som legal”, há também letras engraçadas, som dançante e apresentações quentes, onde os vocalistas são insinuantes e instigam a platéia a cair na esbórnia. “Não é que a gente tenha que fazer uma coisa que vá divertir, mas é que as vezes é o cotidiano da gente, Pacman Attack é a cara da gente. O Barbiekill é uma parte de um grupo maior de amigos”, diz Daniel. “Não que a gente viva numa suruba”, completa Riane em meio a risos generalizados.

Se eles caíram no rótulo do Eletrorock, não era essa a intenção declarada, como atesta Daniel: “quem trouxe a coisa do funk, de cantar mais sensual foi Riane, o que eu mais gosto é Britpop, Fausto gosta mais de anos 80, então a gente foi misturando um pouquinho de cada”. E Hello, baixo e vocal, completa: “Não tem nem como dizer que a coisa foi feita desse jeito, foi acontecendo”. O rótulo se deve muito ao uso do computador: “A gente percebeu depois de um tempo que era muito mais fácil fazer a guitarra e o baixo logo no computador, então ele é usado para fazer as músicas e tocar nos shows, porque nós temos um teclado, mas que é bem simples, e ele tem entrada USB, então conectamos o computador que tem uns sintetizadores e várias outras coisas”. O mesmo computador que ajuda, também atrapalha. Devido a problemas de técnica de som dos locais onde tocam, as vezes ocorrem erros durante as apresentações. Erros que tem que ser resolvidos para a melhoria das apresentações, a banda sabe disso. O uso do computador também criou outro problema que já foi resolvido: “A gente tentou usar a bateria acústica com o computador, mas não estava dando certo, eu errava o tempo. Então decidimos usar bateria eletrônica. Como eu estava me sentindo meio inútil, resolvi aprender um pouco de guitarra”, diz Waldemar Ramos. Dessa forma quando a bateria eletrônica entra em cena, Waldemar vai para a guitarra ou para o vocal. Ocorre a mesma coisa com Hello que as vezes deixa o baixo para cantar com Riane e Daniel. A banda também tem uma preocupação com as letras que contam histórias em vez de frases que se repetem em meio a melodia, como outras bandas do mesmo segmento. Para eles a letra é tão importante quanto a melodia.

Unanimidade é a presença de Fausto, o último a entrar. “Ele tem instrumentos para formar uma banda inteira. Ensaiava em outra banda que também faço parte e ele viu algumas vezes nossos ensaios. Começou ajudando com o laptop para fazer as partes eletrônicas que fazíamos com cd, e ele toca guitarra muito bem”, diz Waldemar. Para Hello uma coisa atrapalhava: “O bicho não bebe, então saía com a gente depois do ensaio para beber e ficava dizendo que estava tarde e que tinha que ir embora. Mas hoje ele sai direto com a gente, tá bem entrosado, até bebeu um copo de vinho no reveillon” (mais risos). Hoje Fausto faz as bases eletrônicas ao lado de Daniel, toca guitarra e baixo. Além de ter uma grande preocupação com a parte técnica da banda.

Daniel, Hello, Riane, Waldemar e Fausto já levaram a apresentação ímpar para Galpão 29, Estação Ribeira, Seven, DoSol Rock Bar e Avesso. Esse último local um ambiente GLS próximo a Natal onde tocaram com Montage. Muitos dizem que esse show ajudou a criar uma imagem que a banda tem um público GLS. Tem, mas não é só esse o público da banda. E para Riane a identificação não é apenas a passagem pelo Avesso: “Nós somos uma banda aberta para tudo, e o público GLS é mais moderno, mas eu acho que esse público é por causa de Waldemar, o bicho vai tocar bateria vestido de vaqueiro!” (mais risos). Além de estarem tocando em vários locais diferentes e agradando ao público em geral, outro diferencial da banda é não produzir os próprios shows, eles são chamados, e receberam alguns cachês, que ajudaram a quase não gastar nada com a gravação do EP de estréia.

O início de ano pelo nordeste, e não é diferente em Natal, é marcado pelo veraneio, período onde parte da população parte para as praias ou viaja. Mas 2008 começou com muitos shows e para a banda as apresentações continuam. Eles se preparam para tocar em três eventos em dois meses: 2ª Chamada Carnavalesca do Rock, dentro do Grito Rock, programação roqueira que é feita em várias cidades país afora; Festival Nordeste Independente, onde tocarão em Natal e João Pessoa; e na festa Indie Disco Hot Edition no DoSol Rock Bar. Há a possibilidade ainda de tocarem em fevereiro em Recife, mas a negociação ainda não foi concluída. Tudo que está acontecendo com eles não foi visto com nenhuma outra banda. O futuro aponta para uma carreira promissora, desde que mantenham a dedicação, sempre tentem se manter evoluindo e busquem bons contatos. Dessa forma esse crescimento deve acontecer naturalmente.

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