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MARCOS BRAGATTO (RJ): UMA VIDA DE SEXO, DROGAS E ROCK N`ROLL

Biografia de Slash é muito mais do que a história de um guitarrista de uma das maiores banda de rock em todos os tempos.

Meus amigos, 11 de setembro. Parece que foi ontem que as torres americanas ruíram como maquetes de filmes de ação. Vocês lembram onde estavam? Aposto que todo mundo parou, com aquele inefável ar de incredulidade – de início – e depois ficou esperando o início da terceira guerra mundial. Guerra que não veio até hoje, mas podem estar certos que, um dia, nas escolas, o 11 de setembro de 2001 vai ser ensinado como o dia do início da queda do maior império capitalista da história. Ou, no mínimo, como a data que marcou o fim de um e o início de outro período histórico. Sabe a invasão de Constantinopla pelos turcos otomanos? É mais ou menos por aí.

Começo a coluna de hoje nesse tom de aula de história e já estaco. Porque não era isso que eu queria falar. Ou, por outra, há um viés por aqui também. Perguntei onde os leitores estavam quando as torres ruíram, e me lembro que Slash – sim, o guitarrista do Guns N’Roses – estava em Nova York, e cortou um dobrado para escapar daquela bagunça em que a cidade se transformou. Disse que me lembrei não que ele estava lá no dia 11 de setembro, mas porque li ele próprio contando isso em sua “autobiografia”, “Slash”. Eis, então, onde eu queria chegar. Nesse livro cujo tema principal é – de verdade – sexo, drogas e rock’n’roll.

Usei as aspas ali em cima, porque a autobiografia de Slash foi escrita pelo jornalista Anthony Bozza, da Rolling Stone americana, naquele esquema que, salvo engano, chamam de “ghost writer”, ou escritor fantasma mesmo. Mas o fato é que o livro conta histórias de exageros sem fim de um cara que passou a maior parte do seu tempo fumando maconha, cheirando cocaína, aplicando heroína, bebendo como um alcoólatra, comendo uma ou outra mulher e tocando guitarra. Olha que não estou exagerando, não, é isso mesmo, contado tintintim por tintintim, sem tirar nem por.

Vejam vocês que Slash, aos 13 anos, já tinha comido uma ficante e fumado maconha. Filho de pais separados e liberais (como ele mesmo diz), foi pras ruas cedo, cabulando aulas, andando de bicicleta e tocando o terror na vizinhança. Antes de conhecer a guitarra, que lhe deu tudo na vida, o hobby era roubar coisas em lojas, muito antes de atingir a maioridade. Uma dessas peças roubadas foi uma cartola, cujo uso lhe deu notoriedade desde os tempos do Guns N’Roses até hoje. O apelido ele recebeu de um amigo do pai, mecenas do meio cinematográfico de Hollywood, numa festa de arromba, por ser “agitado”. E o que tem a ver o “slash” com “agitado”? Não faço a menor idéia. Sim, a história é ruim, mas é essa aí mesmo.

Desde que entrei nessa de prestar atenção no que acontece no mundo do rock, vejo que a íntima relação com as drogas advém da convivência com o meio artístico. Em geral, fulano ou beltrano se torna um usuário ou viciado em função das particularidades do show business. Sucesso rápido, horários desencontrados, muita emoção e paparicação… coisas que simplesmente fazem as drogas aparecerem num camarim, numa festa, aqui e acolá na “rotina” do meio artístico. No caso de Slash e do Guns N’Roses, as drogas vieram primeiro. Todos os músicos que iriam se transformar nos integrantes de uma das maiores bandas em todos os tempos, já eram, de antemão, uns drogados jogados na rua. Moravam em apartamentos emprestados ou alugados, ou ainda em galpões abandonados que eram verdadeiros pardieiros, onde nada mais faziam senão beber, usar drogar, trepar com as garotinhas, e, claro, tocar, numa arruaça contínua.

Mas como? E como pagavam as contas? Pergunta o incrédulo leitor. No que eu respondo: que contas? Slash, por exemplo, o personagem principal da biografia, viva de comprar drogas de um e vender a outro, tráfico mesmo. Ou, como um “bico”, roubando coisas e vendendo a incautos. Vivia quase sempre com a roupa o corpo, e quando não estava nos tais pardieiros, dormia nas casas de inacreditáveis namoradas. E foi assim até bem depois de o Guns estourar em todo o mundo. Acontece que juntos, sujos, drogados e cúmplices no rock’n’roll, compunham as músicas que hoje guardam moradia no coração de todos nós. As mulheres que comiam, hoje, estão descritas nas letras das músicas. É assim que Slash conta que “My Michelle” veio de uma namorada de Axl, e confirma a história de que o vocalista trepou com outra namorada para registrar os gritos elas na música “Rocket Queen”, a última do primeiro disco, “Appetite For Destruction”. Valeu à pena as noites sem dormir de Slash, no quarto ao lado.

Falando em primeiro disco, a foto da contracapa, que parecia cuidadosamente arranjada, foi feita no tal galpão onde os porras-loucas moravam. Antes de se tornar um sucesso mundial, mesmo depois de o primeiro disco ter sido gravado, o Guns N’Roses era uma banda underground, sem um tostão no bolso, que colava cartaz de show xerocado nas paredes e tapumes de obras da cidade. Um “case” de sucesso extraordinário que nasceu do nada, ou, por outra, do talento e carisma de gente como o próprio Slash, o enigmático Izzy Stradlin e de, claro, Axl Rose. Uma das coisas mais interessantes do livro é perceber como músicas que já ouvimos milhões de vezes, como “Sweet Child O’Mine”, que alavancou o sucesso via MTV, simplesmente surgiu da cabeças desses malucos. De modo que urge uma biografia oficial do Guns N’Roses.

Evidente que há passagens engraçadas e curiosas, como o temor de Slash ao fazer a primeira turnê com os ídolos do Aerosmith; o flagrante dado em James Hetfield, do Metallica, recebendo um boquete de uma fã mais acalorada – e não eram poucas; os quebra-quebras que todos promoviam em suas próprias casas, antes dos hotéis de luxo virarem alvo, por motivos óbvios; os piripaques de Axl Rose que levaram a banda ao declínio e ao pagamento de um sem número de indenizações; os infindáveis rolos de Slash com prostitutas, garotas de programa e stripers que apareciam do nada; e, (ufa!) como no meio disso tudo hoje Slash está vivo, depois de tantas overdoses, internações e até uma intervenção cirúrgico-cardíaca, é casado e tem dois filhos. Uma história que, no fim das contas, ao menos até agora, tem um final feliz.

Lendo “Slash” e escrevendo esta coluna, ouvi Guns N’Roses – de novo – e posso ratificar que se trata de uma bandaça. Mesmo que tenham me subtraído o meu “Appetite For Destruction” aqui de casa, ouvi tudinho, de cabo a rabo, e posso atestar que o Guns de verdade não existe mais, acabou quando Axl pirou e Slash e os demais saíram. No livro, Slash é categórico em dizer que jamais voltará a toca no Guns, ou com Axl – ambos ficaram cerca de 11 anos um brigando com o outro na Corte americana. Em tom oficial ele se dirige aos fãs para fazer essa afirmação. Mas este velho homem da imprensa insiste: no mundo do rock não existe fim. Quando uma banda se separa, começa a contagem regressiva para o retorno. E tenho dito!

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

6 Comments

  1. hello,somos parentes ,é um prazer te conhecer se tiver algm tempo visite meu orkut.e no mais vc faz um trabalho legal.

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