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ENTREVISTA: LEANDRO MENEZES (FRATELLI/LADO R)

A intenção do blog é dar vazão a produção de rock feita em Natal, seja com notícias, matérias, resenhas e coberturas de shows, coisa que já enchi o saco. Não sou muito de curtir hardcore, grind, metal e outros estilos também extremos. Mas a partir da entrevista com Leandro Menezes do Frattelli, tentarei mostrar bandas de estilos variados.

O Frattelli é uma banda que tem um bom público em Natal e já tocou em outras cidades do estado e fora. A banda nasceu em 2002, lançou um CD-R demo, trocou de integrantes e deu uma parada, mas agora está de volta. Lançou também músicas em coletâneas. Alguns anos atrás abriram para o Ratos de Porão no Galpão 29. Na oportunidade pude conhecer a banda, conferir o público fiel citado acima e ver que o show é violência pura, passada ao público que abre imensas rodas de pogo insanas. Confira a entrevista:
E essa volta do Frattelli? É pra valer?
Sim, vai rolar. É pra valer sim, pelo menos eu tô achando que sim. Você sabe como é, hehehehe. Mas é sério…Entrou um guitarrista novo e eu voltei pro baixo. Já temos músicas novas e pretendemos gravar em breve. E vamos fazer o show da volta dia 1º de março com o Macakongs de Brasília, lá no DoSol.

Quem é o cara?
O nome dele é Breno. Ele já tocou no Verdade Suprema tempos atrás e no g.o.t.a. e mais alguma banda que não me lembro agora.

E o resto é tu, Bebeto e Cesar?
Exato, voltamos ao formato quarteto.

E já tem algo previsto para depois desse show?
Recebemos alguns convites pra tocar em Mossoró (no lançamento do cd do Catarro) e em Recife também. Tem até uns doidos de Belém/Teresina/São Luís querendo levar a gente pra uma mini-tour por essas três cidades, mas nada confirmado ainda. Esse show vai funcionar como uma “amostra”, dar um toque na galera que a banda está de volta e que já tem músicas novas. Depois do show é meter bala e gravar isso. Já temos também convites para lançamentos. Alguns selos se interessaram, mas também não é nada certo.

Tenho sentido uma parada nas bandas daqui, geralmente são as mesmas bandas que estão tocando. Tu acha isso também?
Bicho, concordo com você. Poxa, isso é reflexo desse “cenário”, carente de bandas. Por isso que rola essa “misturada” doida. Veja o caso de Dante, por exemplo, o cabra toca no Tight Pants Attack, Sinks e Camarones, além de Calistoga e The Cashs. Diz aí se ele desiste de tudo. Acabam 5 das melhores bandas da cidade, sacou? Isso é foda.

Tight Pants Attack? Nunca ouvi falar. As outras sim.
Então, essa banda é de Thrash Metal. É o lado extremo dele, hehehe. Já tocou algumas vezes por aí, é legal a banda.

O bicho é eclético mesmo.
Inclusive ele se garante muito e todas as bandas em que toca prestam. Além de ser straight-edge/vegano. Tô pensando em entrevistá-lo pro Lado[R]. Porque daí o cabra já mata 5 bandas duma vez só. Mas é aquilo que você disse, as bandas acabam sendo as mesmas, e as pessoas que tocam são as mesmas também. Dante e Henrique tocam em mil bandas, por exemplo. Não acho ruim, nem a pau. Até acho que acaba sendo a nossa “salvação”.

Até que dá para notar que rola uma renovação, mas as bandas não duram nem dois shows.
Porra, isso é verdade. Em natal o que impera é a efemeridade das bandas. Mas olhe, hoje em dia não tem desculpa, Foca ta gravando na “limpeza”. Acho que isso facilita um pouco. Eu acho que rola também um pouco de imaturidade por parte de quem está querendo fazer um “som”. Muitos acabam desistindo quando percebem que não é tão fácil.

O que é esse fácil? Alugar o lugar, um equipamento de som bom? Essas coisas?
Falo em pelo menos registrar a produção da banda, gravar as músicas mesmo, pelo menos.

Entender o processo de gravação, afinação de instrumentos, como funciona uma banda.
Mermão, eu ia tentar explicar aqui, mas você resumiu tudo. Exatamente! Isso tudo bicho, demanda energia, tempo, grana. Enfim, você sabe. E a molecada acha que é só empunhar uma guitarra e mandar ver, mas não é bem assim.

E geralmente aqui as pessoas trabalham e fazem da música um hobby.
Exato! Poucos são os que investem na coisa como um “trampo”. Acho que foca é um dos poucos. Agora tem Henrique e Dante, por exemplo, que estão voltados para isso totalmente e são a nova geração do rock daqui, eu acho.

É, eu sempre os vejo. Ou tocando, ou ajudando em algum show, ou em gravação.
Agora, cada banda é um esquema diferente também. Temos que levar isso em conta.

Claro.
No caso do Frattelli, a gente não tem muita intenção de estar levando pra frente, pq, você sabe, a gente tem outro perfil musical até.

Tu acha que falta inovação também?
Falta coragem, eu acho. Como os caras do Barbiekill tão fazendo. Mermão, eles começaram fazendo um som tosco, não sabiam tocar, talvez ainda estejam aprendendo.

Estão aprendendo a dosar cada coisa.
Exato. Mas veja só, eles tão aí na boca do povo e o show deles é divertido, você sabe. Bem, no meu caso, ainda acho que eles são mais performáticos do que musicais, se é que tu me entende.

A performance conta muito. Com o tempo eles vão equalizar as coisas.
Pessoalmente, eu não gosto muito de Cansei de Ser Sexy, Bonde do Rolê, musicalmente. Mas a atitude e a chinfra são inegáveis. O show do Cansei no MADA naquele ano que eles nem estavam estourados, foi fodido demais.

Foi. Eu também não gosto e gostei.
Pois é… hehehehe. Mas é aquela coisa. Você não gostou do som, mas abre o bocão se greando das presepadas e de tudo quanto é chinfra inusitada. Mas inovação também não fica só na performance. Poderia ser musicalmente também.

Claro.
E aqui eu acho que tá rolando meio que um marasmo em relação a isso. Então, acredito que o Barbiekill foi a última novidade que apareceu por aqui. Tem o Camarones aí rolando. Mas pô, massa, a banda toca direitinho, agrada e diverte. Mas ficou no mais do mesmo. Mas não é ruim.

Quando eles começarem a fazer shows só com músicas próprias vai ser legal, porque aqui não tem banda instrumental.
Exatamente. Mas até que o público não estranhou, eu acho, lá no carnaval que rolou no Centro. Acho que foi a primeira vez que eles tocaram ao vivo.

Foi. E o Lado[R], como anda?
Rapaz, demos essa parada de fim de ano, mas estamos nos reorganizando e a previsão é lançar a próxima edição em março. Vamos ajudar o pessoal do Calistoga agora no lançamento do cd deles. Estamos fazendo um calendário, meio atrasado, mas vai rolar, acho que daqui pro fim do mês tá pronto. Também vamos ver se rola de mudar o papel da parte interna do zine. Provavelmente vamos passar pro papel jornal agora, fica mais barato e ainda podemos ampliar o número de páginas. Só a capa que ficaria com o papel de antes, pra não mudar a cara do zine totalmente. Mas são só planos. Temos que ir lá na ABC ver os papéis ainda. Daí tem o Fóssil (CE) que também está pra lançar um split com o pessoal do Perdeu a Língua, e se tudo der certo vamos ajudá-los também. E o cd viria encartado no zine, pela bagatela de 5 mangos. Mas estamos esperando notícias de Frizzo.

Aí vai rolar festa de lançamento?
A gente tá afim de fazer sim. Provavelmente no DoSol. Então o problema da festa é justamente esse que você falou antes, sobre as bandas da cidade, não sabemos quem escolher. Podia ser o Barbiekill, mas os caras estão tocando direto. Tem o Calistoga também, mas tem o festival Nordeste Independente uma semana antes, não sei se eles vão tocar. Vamos ter q ver isso. Mas a idéia da festa é mesclar bem as atrações, acho que duas bandas já tava valendo, e o resto só sonzera rolando e a galera bebendo, dando uma sacada no zine e trocando idéia.

Uma banda que nunca vi e dizem que é boa é a Kawa Nui.
Porra, é uma boa idéia mesmo. Já vi os caras ao vivo, é legal mesmo. Tem uns metais, o que faz uma diferença do caralho.

E essa gravação que você disse que pretende fazer do Frattelli é para lançar depois virtual, cd mesmo?
Pô, a gente ainda não sabe. Como eu te disse antes, tem alguns colegas de selos que estão interessados em lançar isso em cd, tape ou vinil. Mas só depois que a gente gravar é que vamos ter alguma posição. Vamos enviar algumas músicas pra esses selos e alguns outros e vamos ver no que vai dar. Se não der em nada, dana tudo na net e pronto! Hehehehe. Ah, ia esquecendo, agora em março vai sair um 8 way split, será no formato tape, o qual o Frattelli vai participar, com 3 músicas de uma gravação antiga, mas que ainda é inédita. Foi uma gravação que a gente fez e não gostou muito, mas aí o cara do selo gostou e resolveu lançar. Esse selo se chama PQÑ Records, lá do RS.

3 Comments

  1. Música instrumental rocker tem em Natal bem antes do Camarones 🙂

    … só que aparentementez esses grupos/músicos atuam mais no circuito de música instrumental que no de Rock propriamente dito.

    Na eliminatória do Cascavel jazz que rolou ano retrassado aqui em Natal, fui surpreendido com vários grupos que poderiam ser chamados tranquilamente de rock instrumental, Um dos que me lembro agora, era o Dr Freak que tem o Negrini na guitarra.

    Iso sem falar de Edu GOmez com CD lançado, matéria de página inteira nas revistas Guitar Player e Cover Guitar, tocou no Festival Dosol em 2005, Rock na Rua, ganhou o Cosern Musical em 2006, fez temporada de um mês sem tirar de dentro na Casa da Ribeira e passou 2007 no estúdio gravando seu segundo disco que tá sendo realizado como parte da premiação do Cosern Musical.

    No segundo semestre do ano passado rolou também a Homo Habilis Cavern Band, projeto do figuraça Bob Crazy e que segundo Bob tá com a oinda em andamento.

    Edu Gomez e Dr Freak. fazem um som meio que hard rock naquela praia a la Joe Satriani, Steve vai…

    A Homo habilis é um progressivo mix de Rush com Pink Floyd…

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