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EDITORIAL DOSOL: BANDA – UMA FORMAÇÃO COMPLEXA

blink182
Foto: Blick 182, acabou e retomou atividades recentemente

Por foca

Voltamos como nosso editorial para comentar as movimentações roquísticas do RN e do NE. Nossa análise hoje cai em cima do que realmente interessa nesse meio todo: as bandas.

Minha análise vai ser fria e honesta como sempre fazemos aqui, mesmo que para isso tenhamos que “cortar a própria carne” e se auto-avaliar, porque não? No Brasil e no mundo apenas 0,1% das bandas que se formam dão certo comercial e artisticamente e isso se deve ao fato de que é dificílimo equilibrar interesses em comum dentro de qualquer organização (bandas, coletivos, cooperativas, associações, etc). É um exercício de troca muito árduo e que 99,9% das vezes não funciona. Então vamos enumerar aqui algumas coisas que precisam para uma banda funcionar. Lá vai:

1) INTERESSE MÚTUO: todo mundo que está trabalhando numa banda tem que ter os mesmos interesses, sejam eles artísticos ou comerciais. Se algúem do grupo não tiver essa afinidade os problemas logo aparecem;

2) COMPROMETIMENTO: não basta só se interessar pela banda. Tem que ter comprometimento com o trabalho, respeitar o horário dos outros companheiros e cumprir as etapas do trabalho que foram pré-determinadas antes;

3) RESPEITO: na hora de uma discussão de metas ou num confronto artístico ou comercial é preciso discutir com respeito mútuo. O exercício de ouvir e ser ouvido se faz muito relevante nessas horas. Se você sai de casa respeitando o horário e seu companheiro de trabalho te deixa esperando isso já é sinal de que problemas futuros virão (eles sempre aparecem, mais cedo ou mais tarde). Tem a coisa do conflito de gerações que também é muito importante. Se a diferença de idade entre os integrantes for muito grande é necessário um exercício de entendimento das duas partes. Lembrem-se: o que importa no final é que todos tem metas a cumprir e uma didática a seguir, independente de idade (isso no mundo ideal).

4) TEMPO DISPONÍVEL: não adianta coisa alguma você fazer tudo direitinho (o que vai te causar um crescimento natural, porque 99% das bandas não chegam nem até essa etapa), cavar espaços pro seu grupo, se você não tem tempo disponível para efetivar o que foi conquistado (leia o editorial “Justificando o Hype“). Então se você trabalha em outros lugares, estuda, namora, ou qualquer outra coisa que seja maior do que seu trabalho com banda esqueça essa idéia de ser uma banda maior. Os problemas já estão na sua esquina pelo simples fato de que sua meta não vai ser alcançada.

Além de tudo isso, ainda precisamos ser bons o suficiente para alguém se interessar em ouvir nosso trabalho, o que nos dias de hoje é cada vez mais difícil pela oferta vasta e pelas facilidades de gravação, ensaio e shows que temos em quase todos os lugares. Resumindo em míudos: é um milagre divino uma banda dar certo e é por isso que elas são tão poucas. Quantas bandas independentes no Brasil tem todas essas características? Na minha memória rápida e matinal nem 20.

Tudo isso serve para fazermos umas análises. Para que formar uma banda? Onde você quer chegar com isso? A minha resposta atual é a seguinte: monte uma banda para se divertir, a principio não leve ela muito a sério, faça música pela música (premissa básica pra alguém ouvir o seu trabalho e se interessar) e se possível tente identificar no decorrer dos ensaios e shows se as características que citei acima se desenvolvem no seu grupo roquístico. Se sim, relaxe e curta o momento (ele não vai durar muito). Bandas acabam, namoros acabam e empregos aparecem (e desaparecem). Tudo isso faz parte da nossa vida roqueística e vai continuar fazendo.

Lembrem-se da estatística: 95% das pessoas que se dizem roqueiras ou participam dos rock quando adolescentes deixam a brincadeira de lado quando arrumam um emprego ou uma namorada bonita. Isso é fato!

Tocando, já estive em cinco bandas. Sei bem do que estou falando. Boa semana a todos!

32 Comments

  1. Eu faço parte dos 97,25 que inventam números buscando respaldo.
    Brincadeiras a parte, gosto muito desse editorial e do seu trabalho como produtor. Vejo isso como parte de uma revolução, apesar de parecer um tanto exagerado, na maneira de se produzir e divulgar musica.

  2. “95% das pessoas que se dizem roqueiras ou participam dos rock quando adolescentes deixam a brincadeira de lado quando arrumam um emprego ou uma namorada bonita. Isso é fato!”

    uma das maiores verdades do rock! 🙂

  3. kalyl existem as duas coisas. As necessidades da bvida e o rock. E para vcter uma banda que anda e que vai pra frente infelizmente é preciso desa dedicação quase que exclusiva.

    Mas nem todos precisam seguir esse caminho, já disse, montem uma band sempretensão, para ser for fun e é isso aí!

  4. Eu concordo apenas em parte… Não existem necessidades da vida E o rock… Mesmo porque o próprio rock é música, e até onde eu sei a música é uma das necessidades da vida… E esse negócio de deixar o rock por causa de namorada bonita é “manicaquismo” e não vida… Já pelo emprego, é uma meia-verdade.

    Mas um emprego não significa necessariamente o abandono da banda ou “do rock”. O vocalista do Bad Religion, Greg Graffin, é professor de biologia E paleontologia na Universidade da Califórnia… O guitarrista Brian May é PhD em Astronomia e é Chancellor (reitor?) na Universidade de John Moores, em Liverpool (Ele começou a sua tese de PhD em 1971, em pleno Queen). Uma coisa NUNCA exclui a outra, é apenas uma questão de opção… Se escolhermos conciliar as coisas, é mais difícil (por causa do tempo), mas é possível.

    A solução? É ser você mesmo, você pode até namorar uma forrozeira ou pagodeira, ou até funkeira, mas é necessário o respeito mútuo (do mesmo jeito que ela vai para os seus shows, você vai para os shows dela). Vários artistas já provaram faz MUITO tempo que o rock não é coisa de adolescente…

  5. 1) Rock não é coisa de adolescente, apesar de adolescentes se identificarem mais a princípio. E eu me refiro a Natal no meu texto. Nos EUA ou na Europa onde o rock não é tipo a 5ª música que o povo mais escuta (talvez seja até a primeira) a coisa é diferente.

    2) As exceções citadas acima só confirmam a regra…

    3) Bad Religion é Top03 para mim! 🙂

  6. “95% das pessoas que se dizem roqueiras ou participam dos rock quando adolescentes deixam a brincadeira de lado quando arrumam um emprego ou uma namorada bonita. Isso é fato!”

    Rock é coisa de punheteiro.

  7. Eu arrumei uma namorada bonita e nao deixei o rock, agora ela me deixou e eu continuo com o rock, ou seja eu sou rockeiro !!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. tudo bem, mas vc só está apto pra dizer que “não deixou” depois dos 30, tá? Antes disso dá pra manter só na farra! 😛

    (só pra deixar claro que são coisas que eu acredito, da forma que eu acredito, lógico que não valem pra todo mundo. Tô só me divertindo postando aqui, ehehehe)

  9. Uma realidade um tanto quanto dura, mas o texto explicitou o que de fato acontece.. Tudo bem que acredito que o rock pode ser produzido de forma paralela à profissão a qual escolheu seguir (por mais que exista uma dificuldade maior de conciliar os dois), mas, apesar do meu ponto de vista, concordo MUITO com os argumentos presentes no texto, só sabe que é verdade quem já passou pelas experiências citadas.. Mesmo com pouco tempo (em relação a Foca e a muita gente aqui) que me envolvo com bandas já dá pra ter uma noção do quanto isso é verdade. Parabéns pelo texto.

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