Editorial

EDITORIAL DOSOL: A AGILIDADE DAS BANDAS DESCONHECIDAS

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Por Foca

Voltamos com o nosso editorial para fazer alguns comentários sobre a ação que o Rejects fez ontem para o lançamento do seu mais novo trabalho intitulado “Green“. De cara quero agradecer a todas as pessoas que utilizaram o Twitter, Orkut, Fotologs, Blogs e portais para ajudar a divulgar nosso trabalho. Sinceramente foi bem melhor do que a encomenda.

Alguns tópicos precisam ser analisados com tranquilidade para entendermos as mudanças que estão ocorrendo no mundo da música nos últimos 6 ou 7 anos. Qual é a plataforma certa para lançar um trabalho? Física ou virtual? A resposta é simples: as duas e todas as outras. Usar o HD dos “fãs” para distribuir nossa música é de certa maneira uma plataforma física de lançamento. Eu entro com o áudio, o fã entra com o HD, uma troca justa. Ter um vinil, um cd bonitão digipack é muito importante mas principalmente para quem já tem algum mercado ou sente que tem demanda para esse tipo de produto. Eu disse “produto”, porque a música em si vem muito antes e tem que vir sempre primeiro.

Uma outra análise que faço com o que conseguimos gerar com o nosso lançamento virtual é que muitas bandas ainda bem pequenas como a nossa, não se utilizam dos seus contatos formados durante anos de trabalho e “network” para capitalizar ouvintes – e depois fãs – pro seu áudio. Conseguimos espalhar nossa música em mais de 30 blogs oficialmente (já vi que no google aparece muito mais blogs participando da nossa inciativa sem que soubéssemos) utilizando propositalmente apenas duas ferramentas: twitter e litas de discussão. Preguiça? Falta de visão? Descrédito? Não sei. Digo que passei dois dias inteiros tricotando na web, escrevendo releases, escolhendo fotos, afinando o servidor do Dosol para chegar ao resultado que esperava.

Alguns preferem reduzir um trabalho como esse ao velho clichê: Foca, você é conhecido, por isso consegue as coisas. Sou conhecido porque trabalho, se não fizesse nada a respeito esse conhecimento não faria a menor diferença (no twitter metade dos RT que ganhamos foram de pessoas que eu não conheço). Não é por aí, ter agilidade e boas idéias é mais importante do que conhecer gente. Conheço pessoas que ridicularizaram a banda cearense JosephK? no começo da carreira. Hoje o trio é muito bem aceito, grava muito bem, tem network próprio e está em tour pelos EUA no momento. Tudo por conta de trabalho árduo e aprendizado diário. É o que fazemos aqui.

E ainda tem uma vertente de bandas muito pequenas como a minha, que acham que causam alguma curiosidade nas pessoas se botarem uma música no myspace para divulgar o trabalho, “escondendo” o resto das faixas. Gente, isso é ação de bandas gigantes, que tem gravadoras e editoras por trás e outros interesses. Nós, bandas pequenas e ágeis, mandamos no nosso próprio nariz e quanto mais gente ouvir TUDO o que fazemos melhor. Quem quer comprar algo da sua banda compra do mesmo jeito. Aposto que muitas bandas ditas grandes gostariam de dar tudo de graça (música) e lucrar com merchadising, camisetas, ingressos e outros adereços, entrando no esquema “a música vem primeiro”.

O resultado da nossa ação não vai mudar a vida da banda se pararmos por aqui. Mas com dois dias de trabalho conseguimos ser capa do caderno de cultura em jornais da cidade, destaque nos maiores sites do estado, aparecemos em blogs de 10 cidades diferentes, criamos uma centena de tags com nosso nome para pesquisa no google, atiçamos a curiosidade dos produtores de shows, saimos do extremo anonimato e principalmente espalhamos quase 3.000 músicas web afora, porque a música sempre precisa aparecer primeiro.

Sigamos em frente! Até a próxima…

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