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EDITORIAL DO SITE: AS CRÍTICAS SÃO NECESSÁRIAS E BEM VINDAS

Por Anderson Foca

Voltamos com mais uma edição do editorial do site DoSol para falar de um assunto que sempre está em evidência na música e nas artes em geral: a crítica. Posso falar com propriedade sobre o assunto porque não creio que exista na cidade alguém que seja mais criticado (positiva e negativamente) na área do rock do que eu.

A primeira coisa que se deve aceitar e compreender com relação à crítica é que ela está diretamente ligada ao volume de trabalho ou ações que você apresenta ou realiza. Ou seja, quanto mais ativo você for no meio do rock, mais críticas você vai receber. Se você não estiver pronto para isso, arrume outra coisa para fazer.

Uma outra coisa que percebo é que a palavra “crítica” está sempre ligada a algo pejorativo, o que não é verdade. O que acontece é que uma crítica negativa tem sempre muito mais repercussão porque as pessoas no geral procuram se defender, contextualizar ou discordar. Tudo muito normal. Nas críticas positivas ninguém vai fazer comentários se vangloriando tipo: – Realmente, eu sou muito bom e tudo o que eu faço é fantástico!

O principal erro de quem recebe uma crítica negativa é achar que alguém que não goste do seu trabalho e coloque isso numa resenha de disco ou numa cobertura de show é um potencial inimigo, uma pessoa que está ali para desqualificá-lo. Na verdade a crítica, mesmo muito dura, serve de base para que você possa analisar sua arte. O artista não precisa concordar, mas precisa ponderar o que foi dito. Na minha opinião, não existe feedback melhor. Prefiro que falem do meu trabalho negativamente do que passar despercebido. Já pensou que triste que é você não ter relevância nenhuma? Pensem que se o cara perdeu tempo analisando sua apresentação é porque alguma relevância você tem, e isso é muito bom. Vaias e aplausos querem dizer a mesma coisa: reação do público à sua arte!

Analisando mais profundamente alguns comentários, com enfoque principalmente em quem se apresentou no festival Rock Na Rua, pude notar que muitas bandas reclamaram da falta de tempo para passar o som, da falta de manutenção dos equipamentos que estavam disponíveis no palco e outros fatores para que alguns shows fossem prejudicados. Sem perceber, elas estavam ali apenas concordando com as críticas negativas que receberam. Quem está assistindo o show- inclusive os críticos- não quer (e nem precisa) saber se houve problemas no palco. Vão apenas dizer que foi bom ou ruim. A vida é dura e quem se apresenta também tem que se acostumar com isso. É por isso que muita gente larga o rock ou as artes no geral, assim que arruma um bom emprego ou uma namorada bonita. Não é fácil aguentar a pressão!

Sei que desqualificar quem escreve uma crítica negativa é muito fácil. Eu mesmo já fiz isso várias vezes. Difícil mesmo é tirar proveito delas para tentar melhorar. Toda crítica é baseada no gosto pessoal de quem a escrever, não tem como ser diferente. Quando a experiência e a maturidade chegarem as coisas ficam mais claras. Luz no caminho de vocês e no meu também! Boa sorte…

18 Comments

  1. “Na verdade a crítica, mesmo que dura, serve de base para que você possa analisar sua arte. O artista não precisa concordar, mas precisa ponderar o que foi dito.”

    Concordo.

  2. Se uma coisa que entendo bem dessa “bendita” crítica. Sofro e tenhpo que me fazer dela constantemente, pois meu trabalho exige que eu a utilize.
    Existe um aspecto que Foca não colocou no seu comentário que merece ser abordado: saibam friltar críticas construtivas ( ou verdadeiras, no meu modo de ver ) das fofocas e invejas alheias disfarçadas de críticas. Parece assunto discutido e público, mas quando esquentamos a cabeça, misturamos tudo e ai é que é necessário lembrar que existe sim pessoas que só falaram mau do seu trabalho por prazer, e não com responsabilidade. Como da mesma forma que a legião de “puxa-sacos” que semeia nosso meio de trabalho e nos colocam em uma falso superioridade que pode ser a ruína de um bom trabalho.
    Por isso, acima de tudo, de todos os comentários, trabalhe, pois quando uma pessoa conseguir alcançar o patamar de qualidade, acreditem, será praticamente unanime os elogios ao redor do seu trabalho. Mas sempre existirá alguém pra falar mau né? É. Mas fazer o que?

  3. Os pontos negativos qdo colocados com coerência, acrescentam e muito pra evolução do trabalho. Como foi citado, o público quer saber de show e a crítica está lá pra ver isso também, e não reclamações do faltou ou deixou de ser feito.
    com disse Tony Wilson, “mantenha seu amigos perto, e seus inímigos mais perto ainda, pra saber o que eles pensam”

  4. opinões relevantes aí meu povo. O dado é um dos grandes produtores de rock de fortaleza e o jeff é locutor da fm tropical. Kalyl concordo total com vc com relação aos maigos…

  5. Quem tem banda deveria saber que essas coisas sao o mais normal possivel….tem banda que gostamos, quando lemos uma critica sobre elas e nao concordamos as vezes nem fazemos questao de levar em consideração pq sabemos que não é verdade diante o que gostamos na banda ou no que acreditamos nesse trabalho artístico…pq estamos vendo com olhar distanciado, mas qnd é na gente, dói neh?paciencia…saber filtrar messsmo.

    Quem tem banda tbm sabe que se fizer uma merdinha que nao tem relação a banda, se prepare pq vao relacionar, e começam a falar mal,como sempre sem saber, quem quer o mal qualquer brecha aproveitar pra fazer um buraco.

    Luz no caminho de todos mesmo, mas no bolso ande com uma lanterna!;)

  6. Crítica: arte de julgar o mérito das obras literárias, artísticas ou científicas.

    Tenho poucos anos vividos no rock. Já deu tempo de levar um monte de porrada, mas isso só fez com que eu melhorasse. As críticas que achei exageradas joguei, as outras guardei, imprimi, mostrei para todos da banda e trabalhamos em cima delas.

    Quando você está dentro, no meu caso de uma banda, ás vezes passa muita coisa desapercebida.

    É muito bom receber elogios, mas cuidado com quem o faz. Receber elogios de amigos é legal, faz bem pro ego, no entanto geralmente não é o necessário para você melhorar. Amigos, geralmente, não falam mal. Eles vão gostar do que você faz e mesmo que você ache uma “merda” ele vai dizer que foi bom.

    Sempre que vou tocar convido pessoas para cobrir o evento, assim sempre terei base para melhorar o desempenho da banda e o meu (infelizmente geralmente a galera não vai. Vamos fazer mais resenhas sobre CDs e Shows galera).

    Baseados em fatos reais (tô gostando desses exemplos)
    Gravando um CD. Segunda música a ser gravada o “cara” do estúdio diz (baixinho que eu não consegui ouvir, mas os outros da banda me disseram depois):
    – Pô o batera toca bem veio. Boa pegada, música bem feita. Parabéns pra vocês.

    Isso todo mundo do outro lado do vidro sorrindo. Terminamos de gravar a segunda música e partimos para a terceira. O sorriso some e aparecem umas caras estranhas do outro lado do vidro. Eis o comentário:
    – Rapaz… Que porra é essa? Bateria feia da porra.

    Uma coisa que você acha que ta “lindo” pode estar horrível para outros ouvidos. Antes de gravar, ou fazer uma grande apresentação, mostre seu trabalho para muitas pessoas, assim você terá base para melhorar o lance.

    É o Rock.

  7. Uma das coisas mais complicadas que eu vejo quando se faz uma crítica – negativa, construtiva, depreciativa – é a reação de quem é criticado. Músico tem um ego absurdo. Qualquer argumento, nestes casos, vale para desqualificar a crítica: desde taxá-la de ridícula, tendenciosa, sem noção. A última coisa que o artista criticado se toca é de refletir se, de repente, aquela impressão de quem escreveu é a que transparece para a maioria do público que conhece a banda de alguma forma. É clichê pra caramba, mas a noção de que se tem sempre que evoluir, aprender, crescer, é válida para qualquer um, sem exceção. Elogios e conquistas da banda cegam os artistas diante dos próprios defeitos. Triste e ilusório. No mais, achei o texto ótimo. Um ponto que foi dito e é pura verdade: quem trabalha e aparece, independente de ser bom ou ruim, é vidraça sempre.

  8. Rapaz, críticas são sempre bem vindas. Até as que a gente acha infundadas. Normalmente nos cercamos, principalmente com relação as artes, num mundo só nosso. Opiniões divergentes movem o mundo. Quanto as reclamações do som no Rock na Rua… Na boa? Praticamente, 90% das bandas que tocaram por lá, nunca tocaram num som como aquele, com aquela qualidade.

  9. Críticas sempre são bem vindas, mas realmente devemos saber filtrar. Quando a banda sabe aceitar as críticas e trabalhar para melhorar o que se foi questionado ela vai melhorar com certeza.
    Agradeço a quem nos fez críticas corentes, poisé em cima delas que estamos trabalhando para melhorar cada vez mais!

  10. Foca, quanto a isso vc está certo críticas devem ser bem analisadas pelo criticado, mas acho que os comentários acerca das bandas foram um pouco exagerados (negativos demais). Pouquíssima coisa pôde ser aproveitado. Em termos mais grosseiros, o crítico só “desceu o sarrafo” em quase tudo, será que não houve nenhum fato na banda x ou y que merecesse uma atenção positiva? vale a pena também um mínimo reconhecimento ao esforço das bandas e na coragem de colocar a cara a tapa (e quantos tapas!).

    Informações negativas se disseminam mais rapidamente que as positivas, acho que o crítico se pegou nestas lei pra ser mais ouvido.

    A crítica deve existir, agradeço a crítica feita por ele, mas numa cena tão desunida e egoísta que é a nossa um pouco de camaradagem e palavras de inspiração não seria nada mal…

  11. Ai entramos num dilema. Bandas precisam de consolo ou precisam de direção? Na minha ótica precisam de direção. De saber como melhorar (isso um produtor ou alguém mais experiente pode fazer). Você está citando a crítica do rock na rua e de apenas uma pessoa, aqui no editorial estamos falando de forma mais ampla.

    Também não concordo com tudo o que dizem sobre meus trabalhos. Mas uma ou outra coisa dá sempre para aproveitar. Quanto a coragem de dar a cara da tapa, não sei até que ponto vale a pena para uma banda nova ficar tão exposta. Ensaiei dois meses exaustivos com o sinks antes de fazer a primeira apresentação, duas vezes por semana e até hoje quanto ternima o show a gente ainda analisa no que pode melhorar. Leia aí o editorial sobre votação on line que publicamos antes do rock na rua que falamos sobre esse assunto: http://www.dosol.com.br/2007/11/01/editorail-do-site-ate-onde-confiar-na-internet/

    A discussão aqui está muito bacana e positiva!

  12. eh como ja foi dito, sem a critica n se pode saber onde esta errado e concertar…elogios dão fôlego e gás para a banda… qm n gosta d receber elogios? Eu particularmente adoro.. mas criticas eh são qm moldam as arestas do trabalho seja ele artístico ou n nunca eh perfeito…ate mesmo pra o próprio nunca esta perfeito… Nunca um trabalho eh totalmente criticado negativamente e nesse caso eh pq n tm um pingo d seriedade.. se o trabalho eh serio ele sempre tm criticas e elogios… Oq vale dizer aqui eh como ja foi dito ae.Existem CRITICAS e “criticas”. CRITICAS são aquelas com seriedade, respeito acima d tudo e principalmente ética q na maioria das vezes eh esquecida quando o critico n eh um profissional… Creio q as bandas n reclamaram tanto do fato de terem recebido uma critica..ate pq isso eh, como Anderson falow, a coisa mais normal no mundo das artes e principalmente no rock, qm vai pro meiu da chuva eh pra se molhar, mas o fato q na minha opinião os deixou um tanto q aborrecidos foi o fato da critica no meu ver ser um tanto q anti-ética. Pq uma coisa eh vc criticar um trabalho de alguem e outra e vc dizer coisas q são um tanto q barbaridades..
    eu tbm n gosto do trabalho d todas as bandas d natal mas axo q todos nos como “críticos” de tudo, coisa q eh normal de todo ser humano, devemos nos policiar um tanto para n ferir a ética e mtas vezes desmerecer o trabalho alheio..
    bom eh isso ae..
    abraços.

  13. foca, concordo novamente, a conversa ta bem produtiva sim, mas simplesmente não deve-se levar em consideração os podres das bandas, volto a falar, quase todas as bandas tiveram um ponto em positivo que sequer foi comentado. Enfim, o posto de crítico é dele, ja fez. Espero sinceramente que hajam mais criticas sobre mais outros shows, maaas com um pouco mais de análise construtiva. E outra coisa, vc proprio integralmente com o texto dele?

    abraço.

  14. Tanísio Vieira, SOMA – Fortaleza
    Crítica e críticos. Venho debatendo esse tema e esses personagens há tempos. Na essência concordo com o editorial, mas o que sempre digo é que, mesmo sabendo que são dimensões diferentes, creio ser bem mais fácil comentar um disco pronto, um livro já publicado, um show em andamento que fazê-los. Falo isso por que acabo de produzir, juntamente com outras pessoas, o I SOMA – Festival pela música independente de Fortaleza e as inevitáveis análises posteriores estão chegando aos nossos ouvidos: vão desde o preço da cerveja, a ausência de cachaça no bar, até o número de bandas (“por que a minha não foi chamada e a dele foi?”). Enfim, acho que a crítica e os críticos são necessários, porém como parte integrante de uma cena forte, não como parte fundamental. Não creio que devam servir de parâmetro para comprar ou deixar de comprar um disco, ir ou não para um show. Creio também que com a maturidade as críticas passam a ajudar o artista no processo de definição de seu estilo, até porque os críticos também amadurecem.

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