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COMO FOI? IRON MAIDEN EM SÃO PAULO

Por Marcos Bragatto

Quem pensou que viajar pelo tempo era coisa “De Volta Para o Futuro” pôde experimentar a sensação ontem, durante as cerca de duas horas em que o Iron Maiden se apresentou em São Paulo, no Estádio Parque Antarctica. O show faz parte da “Somewhere Back In Time” (algo como “de volta a algum lugar do tempo”) e foi planejado para reviver uma das melhores fases da banda (e do heavy metal de um modo geral), só com músicas lançadas entre os anos de 1982 e 1988. E isso contando com o palco da turnê “World Slavery Tour”, que passou pelo Brasil em 1985, no primeiro Rock In Rio, e está no recém lançado DVD “Live After Death”. Ao todo, foram dez mudanças no cenário, com temas diferentes para seis das 16 músicas do repertório do show, que durou cerca de duas horas.

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Principal guitarrista da época de
ouro do Iron Maiden, Adrian
Smith ficou à vontde

Exatos dez minutos de chuva foram a deixa para o grupo entrar no palco a todo vapor, depois da exibição de um clipe com cenas da banda em turnê, incluindo o “Ed Force I”, o avião fretado e customizado com o logotipo do Iron Maiden e o mascote Eddie – no fundo musical, a instrumental “Transylvania”, do primeiro disco da banda. Mais cedo, por volta das sete da noite, a filha do baixista Steve Harris, Laura Harris, fez um show de meia hora que certamente ninguém queria ver. A viagem só começou mesmo com o áudio do discurso do primeiro ministro britânico Winston Churchill, na abertura de “Aces High”. Era como se desse início o show de 1985, tirando o fato de Bruce Dickinson não ter mais aquele cabelão (e de quebra usar um dispensável gorro), a presença desnecessária do guitarrista Janick Gears, e de todos estarem, digamos, com uns quilinhos a mais – muito pouco se consideramos os 23 anos que separam as duas épocas. Grande parte da platéia seguramente sequer tinha nascido quando “Aces High” foi escrita, e até hoje a música continua sendo uma pedrada certeira.

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Dave Murray vibra com o público

Logo problemas com o som ficaram evidentes: o volume não era alto o suficiente e uns ecos programados para ajudar Bruce em algumas partes do show vazaram de forma atravessada, deixando o vocalista meio sem graça. Por duas ou três vezes problemas com as guitarras de Janick e Adrian Smith fizeram o show parar, e Bruce deu aquela enrolada básica. Outro problema é que o palco era muito baixo, dificultando a visualização de quem estava mais longe. Impressionante o descaso dos produtores brasileiros com uma banda (e público) dessa magnitude. Tudo isso, entretanto, foi pouco para o Iron Maiden. O grupo se superou com bom humor, e, claro, despejando uma saraivada de clássicos que a grande maioria nunca tinha ouvido (visto) ao vivo: “2 Minutes to Midnight”, “Revelations”, “Wasted Years”, introduzida por uma reflexão de Bruce sobre o tempo, e a inacreditável “The Rime of the Ancient Mariner”, com mais de treze minutos de duração. Nem o baixíssimo volume das guitarras tiraram o seu élan.

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Ninguém participa tanto do show
como Steve Harris: o baixista
canta todas as músicas

Além os panos de fundo que são trocados na escuridão e ainda conseguem surpreender o público, Bruce Dickinson tem papel fundamental, e não só com o gogó. Em “The Trooper” ele agita duas bandeiras do Reino Unido, vestido de soldado dos tempos da Primeira Guerra; em “Powerslave” usa uma máscara idêntica a da “World Slavery Tour” (seria a mesma?); veste uma túnica preta em “… Ancient Mariner”, e assim por diante. Só faltou mesmo a roupa de ciborgue da “Somewhere In Tour”, mas essa ele deixou para o mascote Eddie, que invadiu o palco em “Iron Maiden”, a música que finalizou o set. Antes, em “Heaven Can Wait”, como nos velhos tempos uns 50 fãs subiram no palco para fazer o “ôôô” com Steve Harris. A única música que destoaria da tal viagem no tempo, por ser de um outro período, acabou por justificar sua presença no repertório. “Fear Of The Dark” foi uma das que o público mais agitou, e fez o fã mais “das antigas” perdoar o deslize.

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Coreografia de Steve e Janick Gears

Bruce usou de demagogia ao se desculpar por aqueles que não conseguiram comprar ingressos para o show – em São Paulo eles se esgotaram em cinco dias – prometendo que logo a banda volta para tocar em “todas as cidades” e com um espetáculo ainda melhor que esse. Falou tanto que, ao apresentar a banda, esqueceu do batera Nico McBrian, no que foi lembrado pelos fãs do gargarejo. O público, aliás, participou de maneira generosa, interagindo com Bruce a cada grito de “scream for me!”, ou a cada solo ou guitarra erguida à beira o palco.

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O fiel público do Iron Maiden chegou cedo e se
esbaldou com a viagem no tempo

No bis, em estado de graça Bruce brincou com Dave Murray, atento para começar o dedilhado de violão de “Moonchild”, e fez todo mundo rir. A música foi a deixa para que “The Clairvoyant” completasse a trinca do álbum “Seventh Son of a Seventh Son”, que antes teve a boa “Can I Play With Madness” também muito cantada pela multidão. O show, ou melhor, a viagem se encerrou com “Hellowed Be Thy Name”, que se não é um hit do Maiden, é certamente a música que melhor simboliza o estilo próprio que o grupo desenvolveu de tocar guitarras, como se fossem gêmeas, mas duelando entre si. A imagem dos três guitarristas e Steve Harris na frente do palco simbolizam um show feito sob medida para ser definido como inesquecível. Como uma boa viagem deve ser. Veja o set list completo

1- Aces High
2- 2 Minutes to Midnight
3- Revelations
4- The Trooper
5- Wasted Years
6- The Number of the Beast
7- Run to the Hills
8- Rime of the Ancient Mariner
9- Powerslave
10- Heaven Can Wait
11- Can I Play With Madness
12- Fear of the Dark
13- Iron Maiden

Bis

14- Moonchild
15- The Clairvoyant
16- Hellowed Be Thy Name

4 Comments

  1. eu tava la e olha, uma verdadeira aula de metal!
    o bruce dickison em altissima forma, correndo pra la e pra ca, ainda sobrando tempo pra pegar um rodo e tirar a agua do palco
    hehehe
    espero que eles cumpram a promessa e voltem ano que vem !

  2. SOU BAIANO E VALEU TODO O ESFORÇO PARA ESTAR COM O MAIDEN…FOI O MELHOR SHOW DA MINHA VIDA ATÉ HOJE ESTOU ELÉTRICO… ESPERO ANCIOSO PELA VOLTA DOS CARAS SE PUDESSE TERIA IDO PARA CURITIBA E HOJE PARA PORTO ALEGRE MAIS O TRABALHO NÃO DEIXOU.

    VALEU IRON MAIDEN

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