ARTIGO: O CIRCUITO RIBEIRA, OS 48 BURACOS DA RUA CHILE E A ESPERANÇA RENOVADA

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O CIRCUITO RIBEIRA, OS 48 BURACOS DA RUA CHILE E A ESPERANÇA RENOVADA
Por Foca

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Ontem começamos mais um ciclo do Circuito Cultural Ribeira. Fiquei imaginando o que mudou desde que começamos a ideia de ocupar o bairro uma vez no mês com cultura. Confesso que andava descrente. Vivemos, no nível da nossa gestão pública, um dos piores momentos para a cultura que já se viu. Quatro anos de prefeitura desastrada num mandato que nem terminou, uma atual gestão que herdou o problema da gestão passada e também não conseguiu andar muito e o governo estadual em crise de gestão e contingência financeira em praticamente todas as áreas. A rua é pública e precisamos do poder público para tomar conta dela. Nas democracias são assim.

O Circuito tem sido um símbolo de resistência. Um respiro, mesmo que limitado em apenas um dia no mês, que mostra o verdadeiro potencial do nosso patrimônio histórico que é o bairro da Ribeira. Provamos com matemática simples que investimentos na área da cultura são viáveis, sustentáveis e atingem a população em cheio, principalmente na educação (cultural e patrimonial).

Ontem, mais uma vez, renovei a minha esperança de que é possível fazer a diferença, mesmo que a luta seja ingrata (e cansativa). Tive o cuidado de andar em praticamente todas as atividades do Circuito e o que vi foi animador.

O que falar do público? Tudo absolutamente lotado em todos os espaços, artistas se divertindo, trocando, aplaudindo uns aos outros e aproveitando as boas vibrações da atividade.

Às 20h resolvi girar os espaços para ver o que acontecia. No galpão tentei entrar e não consegui. No Armazém Hall o Rastafelling fez balançar uma multidão com seu reggae guerreiro de nível internacional. No Dosol o som era tão rápido e arrasador vindo do palco do S.O.H que varria os ouvidos menos preparados para a fúria metálica. Cabelos pro alto e lotação máxima. Pensei comigo: tudo cheio na Rua Chile, não deve estar assim pro outro lado. Segui para Casa da Ribeira, quase nenhum lugar vazio para conferir os excelentes Fukai. No Buraco da Catita, todas as mesas ocupadas para ver o show incrível da Maíra Sales e sua banda top10. Ateliê idem, para ver o projeto acústico. Em Nalva Café? Rua lotada, gente bonita e um blues arrasa quarteirão do Gustavo Concentino.

Me senti um privilegiado, um vencedor. Melhor, me senti revigorado de ver que mesmo nadando contra a maré, ficar com o braço doendo de tanto esforço, o caminho vale muito a pena em prol da cultura (que é parte essencial da minha vida).

Prefeito, eu espero que você leia esse texto ou que algum assessor seu leia. Tive o cuidado de andar na Rua Chile e registrar que lá estão abertos 03 esgotos e 48 buracos. Sei que pro senhor não é difícil resolver essa situação. Por isso mesmo, vou considerar um símbolo do que representa a cultura para sua gestão esses buracos. Enquanto eles tiverem lá vou achar que o senhor não está fazendo minimante a sua parte. E acho que a Ribeira merece, pelo menos, o mínimo. Estamos juntos, cada um dando a sua contribuição. O público abraçou o bairro mais uma vez e isso nos deixa radiantes de felicidade. Em outubro tem mais Circuito. Vamos em frente!

 

ARTIGO: NÃO AMEACEM NOSSA LIBERDADE


Foto: Ocupação cultural da Ribeira, abril de 2013.

Por Foca

Ontem, depois de mais de 20 anos, o país voltou às ruas em manifestações que se espalharam (e ainda vão se espalhar mais) pelas quatro cantos do nosso colossal Brasil. O grito e o impulso que levou tanta gente a sair de casa e se manifestar (e outros milhões de se identificarem com o protesto mesmo sem ir para as ruas) na minha análise foi um só: defesa total e irrestrita da liberdade.

Sim, muitas demandas estão reprimidas junto a isso: péssimos serviços prestados pelo poder público somando-se a enorme carga tributária que somos obrigados a pagar, corrupção sem freio, falta de segurança e falta de vergonha na cara dos governantes com essa história toda criada pela tal Copa do Mundo e que todo mundo já sabe no que tá dando. Mas o que tirou as pessoas de casa mesmo foi notar que estávamos sendo sufocados até no direito de se indignar com as mazelas da vida cotidiana e que um simples ato de protesto por um Passe Livre, virou senha para que a polícia batesse em sua própria gente. O brasileiro médio, bem humorado, feliz e que cultiva a paz como um enorme legado histórico e importante não admitiu ter sua liberdade ameaçada. Foi para rua expor sua demanda reprimida.

Manifestações populares tem seu efeito colateral também. Muita gente se aproveita da inocência de uma boa parcela dos manifestantes, puxa para sua frigideira um peixe temperado e prontinho para ser frito, se apropria do discurso libertador e ingênuo dos menos esclarecidos para implantar uma falsa ideia de revolução. Tudo jogo político, do tipo mais sujo que a gente conhece.

Nessas horas é que vejo o quanto é importante o poder de observação e escolha que a cultura nos ensina a exercitar. Essas escolhas e observações não servem só para escolher uma música para ouvir ou um filme para ver, serve também para enxergar além do óbvio, além do que tá publicado nas redes sócias e nas mídias convencionais. Serve para entender as movimentações em torno de nós e que caminho vamos tomando a partir disso.

Juízo a todos nós. Exercite seu poder de observação e vamos em frente. Mudanças são processos e passo a passo vamos construindo um país melhor. Ontem caminhamos bastante, literalmente!

ARTIGO: UMA VIRADA CULTURAL NO SENTIDO MAIS AMPLO DA PALAVRA

Por Foca

A essa altura quase todo mundo do meio cultural potiguar já está sabendo que faremos uma grande Virada Cultural nos dias 15 e 16 de dezembro em Natal. Sonho antigo do Dosol que vai se tornar realidade graças ao excelente trabalho e repercussão que estamos fazendo junto com a Casa da Ribeira no Circuito Cultural Ribeira.

O símbolo que essa Virada Cultural vai representar não é só aquele que estamos acostumados a ver em eventos similares realizados por governos e prefeituras. A proposta da Virada Cultural e o fato dela se realizar em dezembro é que nós tenhamos uma Virada Cultural no sentido mais primário do nome. Natal precisa muito entrar 2013 enxergando a cultura com mais carinho e atenção. E nossa chance de fazer isso é aqui e agora. Vivemos momentos sufocantes com um gestão pública de cultura inerte há quatro anos. Nem a boa vontade de alguns gestores foi capaz de reverter esse quadro que termina contaminando todo o processo. A cidade precisa dar a resposta, e está dando.

A cidade cultural somos nós: grupos culturais de Ponta Negra, Felipe Camarão, agentes da Ribeira, bandas, atores e artistas em geral espalhados por todos os cantos de Natal. se não mudarmos de dentro para fora a gestão pública vai refletir nossa incapacidade de nos unir e fazer algo relevante. Com algum esforço estamos dando a resposta. A cultura real está viva e sólida independente de qualquer coisa e isso muito nos anima!

Até onde nós conseguimos chegar com uma Virada Cultural? Até onde podemos irradiar essa energia sem a gestão fria do recurso público direto? Essas respostas ficarão mais claras depois dos dias 15 e 16 de dezembro e servirão de ponto de partida para um novo ciclo  que vai se iniciar no começo do ano. Nossa ideia é que a Virada Cultural seja o nosso currículo (uma pequena parte dele) e símbolo máximo do que a cultura é capaz de movimentar, uma pequena mostra do que somos capazes de fazer por nós mesmos.

Nossa Virada Cultural vai ser e precisa ser real. A  nossa realidade só depende de nós artistas e de vocês do público e mais ninguém. Toda parceira é bem vinda, todo patrocínio ajuda, mas sem a relação artista x público a conta não vai bater nunca. Nem com todo o dinheiro do mundo.

Estamos felizes, compartilhe da nossa felicidade. Dias 15 e 16 de dezembro teremos 24h     para colocar nossa criatividade em check. Vai ser muito bonito, não tenho a menor dúvida.

ARTIGO: POLÍTICA PÚBLICA DE EDITAIS OU GANHANDO E NÃO RECEBENDO


Calistoga em ação no Festival Dosol Pium. Evento foi contemplado, realizado e não pago pelo Ministério da Cultura

POLÍTICA PÚBLICA DE EDITAIS OU GANHANDO E NÃO RECEBENDO
por Anderson Foca

No momento em que damos início a mais uma série de empreitadas inéditas no pantanoso terreno da cultura, aproveitamos para fazer uma reflexão sobre o as atividades do poder público na área pegando como destaque os editais. O texto vai servir para desmistificar certas lendas e jogar luz sobre como andam as coisas em terras potiguares. De certo modo também serve de resumo desses seis meses de 2012 para o Dosol.

A primeira lenda a cair é bem clara: produtores vivem de produzir e não de projetos. São duas coisas bem diferentes e que devem separar bem os que estão comprometidos com cultura dos que querem se aproveitar desta atividade “maior” (e dos seus parcos financiamentos). Toda vez que se fala de editais vem a tona sempre aquela lenda de que projetos culturais não são sustentáveis, que o poder público não deve investir em “artistas desocupados que só querem mamar”, entre outros mimimis bem característicos da era “haters”.

Essas lendas são causadas por três motivos: preguiça de quem acusa, artistas e produtores sanguessugas e falta de entendimento de quem está a frente dos tais editais. Qualquer produtor cultural ou artistas mais engajado sabe detectar rapidamente os tais produtores aproveitadores e os não menos asquerosos artistas “do palco público” (aquele que só se apresenta se o governo pagar, normalmente com cachês muito acima do valor de mercado). Bastam cinco minutos de prosa e isso se resolve, mas os governos não tem a menor capacidade de enxergar coisas óbvias, e o pior, muitas vezes enxergam e são coniventes.

Dito isso e colocando o Dosol na categoria dos produtores que produzem (basta bater o olho rápido em qualquer atividade nossa para detectar de que lado estamos) vamos debater o nosso relacionamento com os editais públicos. Tivemos o cuidado de relacionar todas as atividades que fizemos nos primeiros seis meses do ano de 2012. Foram mais de 200 shows realizados, quase meia centena de vídeos autorais, organização e gestão de cinco tours de artistas independentes, tocamos com nossos artistas mais de 100 vezes, nosso centro cultural abriu as portas praticamente todas as semanas do ano, gravamos e lançamos 03 novos artistas (com mais cinco chegando nos próximos dias), promovemos eventos gratuitos e por aí vai.

Somando tudo o que fizemos em valores unitários são quase 500 atividades culturais catalogadas e sabe quantas delas tiveram apoio do algum edital público? Uma: a Chamada Carnavalesca do Rock na terça feira de carnaval.

Isso faz a gente refletir o nosso histórico com os editais do poder público, aqueles que ganhamos, realizamos a atividade e NÃO RECEBEMOS. A primeira vez que isso aconteceu foi no ano de 2010. Fomos premiados junto com o Ponto de Cultura de Pium com o Prêmio Aretê, projeto que levaria gratuitamente o Festival Dosol à comunidade da cidade. O Ministério da Cultura nos contactou, exigiu uma série de documentos, enviamos tudo gastando com Sedex, agendaram o pagamento e nós, confiando na seriedade da instituição, realizamos a atividade que foi um sucesso de público e crítica levantando um circo em Pium com 12 artistas locais, nacionais e internacionais àquele palco. Tudo de graça.

No final de 2011, quase dois anos após sermos aprovados no tal edital do MINC, recebemos um comunicado dizendo que o edital tinha sido cancelado e que não receberíamos o que foi acordado. Não nos arrependemos nem um minuto de ter feito aqueles shows para comunidade de Pium, mas nosso caixa contabilizou um prejuízo de R$25.000,00 por total descompromisso do poder público.

Aí veio o edital da Prefeitura do Natal. O tal Fundo de Cultura, aclamado pelos seus idealizadores como a “salvação da lavoura” da cultura do município. Orçamento pífio de R$400.000,00 para TODAS AS ÁREAS DA CULTURA DE NATAL. Novamente nos inscrevemos em várias áreas do edital e fomos contemplados com dois projetos: uma série de filmes sobre a música do RN e o Pensando Música, uma série de palestras e atividades que vão discutir o futuro da música no município. Nada que já não tenhamos feito antes com verba direta, mas se existe o fundo e nossas produções já existem, porque não enquadra-las para tentarmos amenizar os custos e aumentar a visibilidade das atividades? De novo acreditamos na palavra do poder público e de novo FOMOS ENGANADOS. Até hoje o fundo de cultura não pagou os projetos vitoriosos e pelo jeito nem vai pagar. Resumindo o caso: não ajudam e ainda atrapalham!

Mas como nós somos produtores e nossa missão é PRODUZIR, começamos hoje, mesmo com a falta de pagamento da prefeitura, a produzir o DOSOL.DOC, uma série de cinco filmes que vão mostrar o atual momento da música no RN. Para esse ano também já estamos na fase final de organização para abertura do Centro Cultural Dosol Mossoró (todo com verba direta), além de manter nosso calendário atual que engloba o Festival Dosol, Circuito Cultural Ribeira, entre outras atividades. Chegamos ao meio do ano fazendo as coisas acontecerem, não é fácil, tem que remar contra a maré. O caminho é cansativo, prazeroso e nos orgulha. A cultura pelo viés do poder público não vai bem, mas aqui no mundo real estamos vivos e ativos!

ARTIGO: A LEI DA MEIA-ENTRADA E NA VERDADE A LEI DO PAGUE O DOBRO

Por Foca

Tenho visto nos últimos tempos inúmeras reclamações das mais variadas camadas da população no que diz respeito ao preço dos ingressos para shows praticados em Natal, mas que na verdade se estende por todo o Brasil. Quem mais reclama, são exatamente aqueles que um dia desses eram estudantes com direito adquirido por lei de pagar meia-entrada em shows e que agora não estão mais na escola nem nas universidades. São também a maioria dos que comentam e tem fluxo no twitter e no facebook. A geração “perto dos trinta”.

O que esse povo não percebe, ou nunca quis perceber porque antes era cômodo, é que a lei imoral e populista da meia-entrada nunca existiu de fato. Os estudantes desde sempre continuaram pagando o mesmo preço que pagariam se a lei não tivesse em vigor. O que existe de fato é a lei de que não estudantes PAGAM EM DOBRO. E lógico, nessa brincadeira quem “paga o pato” é a classe artística e quem perde é a cultura.

A primeira coisa a se analisar é: o que dá ao governo o direito de taxar dessa forma atividades particulares como um show privado? Em qualquer área, quando o governo quer investir ou dar alguma contra partida social usando atividades particulares, negocia com os empresários, dá algum tipo de isenção fiscal, abre financiamentos com juros baixos entre outras ações. E para atividades culturais particulares ele dá o que? Sem querer ser grosseiro, vocês já devem imaginar o que o governo realmente dá. O ISS morde um pedaço da bilheteria, o imoral ECAD atividade DEFENDIDA pelo próprio MINC atual morde um outro pedaço e não repassa nada aos verdadeiros donos desse “pseudo” dinheiro e por aí vai. Para ser gentil: o governo dá as costas para o problema.

Se o governo quer fazer graça ou média com shows particulares por que não compra parte da bilheteria e dá de graça o ingresso para população? É caro né? E por que os produtores de show particulares tem que pagar essa conta? A verdade é que uma roda inteira que movimenta a cultura e o entretenimento está sendo muito prejudicada e ninguém faz nada para mudar esse quadro. A experiência dos shows, em vez de ser democratizada tem sido cada vez mais protagonizada pela classe média alta que pode pagar entradas DOBRADAS. Fato!

Imagine você produzir um show caro, com custos fixos altíssimos sem saber ao certo quantas pessoas vão pagar inteira ou meia-entrada? Para se defender das incertezas, até porque quem faz shows grandes e caros não está fazendo caridade (trata-se de um negócio como outro qualquer) a grande maioria dos produtores simplesmente faz as contas como se todo mundo pagasse meia. Sem pudor e sem pena. Lógico, existem produtores picaretas atrás de margens de lucros astronômicas para se aproveitar do fã de música, assim como existem aqueles que falsificam carteiras de estudante para burlar a lei e pagar menos. Há verdades e mentiras de ambos os lados.

Uma última constatação. Os maiores interessados nesta lei nefasta, os movimentos estudantis, parecem ter esquecido o viés cultural que essas entidades tinham no final dos anos 60, 70 e começo dos anos 80. As Unes e DCEs eram sem sombra de dúvida os maiores aliados da cultura brasileira. Promoviam shows, tinham selos músicas, editoras de livros, imprimiam fanzines, pequenos informativos e serviam de reflexo e nascedouro de diversos movimentos musicais e culturais em geral. Hoje o que vejo por ai são DCEs e Grêmios estudantis promovendo shows (quando promovem) de baixíssima qualidade apenas para fazer caixa próprio sem a menor conexão com a real cultura das cidades. Alguns ainda escapam, mas a maioria vive esse quadro, pelo menos aqui em Natal.

Acordem, vocês também vão chegar na “geração dos trinta-que paga-as-próprias-contas” e haverá outros FACEBOOKS para reclamar do preço dos ingressos no futuro.

ARTIGO: O CIRCUITO CULTURAL RIBEIRA PRECISA CONTINUAR

Por Foca

Passadas quatro edições do Circuito Cultural Ribeira é hora de olhar para trás e fazer uma análise sobre o projeto e levantar uma discussão muito mais profunda sobre o contexto em que ele se realiza.

Analisar os números que o Circuito Cultural Ribeira atingiu em um pouco mais de quatro meses de realização, é quase assustador para os padrões do bairro. Basta dizer que quase 30.000 pessoas passaram por lá até agora, por si só uma mostra do que somos capazes de movimentar. Lembrem-se, a programação que oferecemos é gratuita e tem todo um conceito de diversidade e vanguarda embutido num pacote de formação de público e de sensibilização do poder público para essas atividades.

Seria fácil reunir esse número no show de Natal da Simone ou numa apresentação de algum “forró de plástico”. O caminho mais fácil não nos interessa e nunca interessou. Só deixaremos de andar na contramão quando a cultura for prioridade, observada pelo poder público e pela população no geral como um elemento de fortíssimo apelo educacional. Uma viga robusta de transformação em todos os sentidos. Nós mesmos somos prova dessa transformação e queremos replicá-la.

Dito isso, é importante que todo mundo saiba o quanto é difícil realizar um projeto como esse. Passamos quase dois anos preparando o terreno para essa construção. Juntos, Casa da Ribeira e Dosol bateram em muitas portas para tentar viabilizar minimamente a atividade. O programa Conexão Vivo acreditou na ideia e nos deu o suporte inicial para que déssemos os primeiros passos da iniciativa através da Lei Câmara Cascudo. Aporte que só vai durar até o mês que vem.

Num misto de teimosia e loucura, levaremos a atividade até Outubro praticamente com verba própria. Investimento na nossa casa, no nosso bairro e na nossa cidade. Os estabelecimentos culturais que estão conosco apostando no projeto, também estão ajudando nesta construção. Uma vitória jamais vista na longa história cultural que a Ribeira insiste em nos contar todos os dias. Pena que nem todos consigam fazer essa leitura.

O fato é que o Circuito Cultural Ribeira se tornou uma espécie de grito espontâneo da classe artística pelo bairro e que precisa de uma resposta a altura das mais variadas áreas da política cultural estatal. Seria uma afronta para classe, por exemplo, chegarmos ao final do ano e ver a extensa programação do Natal em Natal acontecendo em estádios e carnavais fora de época, quando a real e sólida atividade cultural da cidade acontece durante o ano inteiro em “outro lugar”.

Só pedimos mesmo que cada um faça a sua parte. Temos certeza absoluta certeza que estamos fazendo a nossa. Dosol e Casa da Ribeira estão completando dez anos de atividade. O que significa dizer que nem “entramos” para cultura hoje e nem “sairemos” da cultura amanhã. Temos muito trabalho pela frente nessa guerra e queremos mais guerreiros e cavalos de batalha para vencê-la.

Não sabemos até quando conseguiremos ter força para manter a chama do Circuito Cultural Ribeira iluminando o bairro como tem sido feito durante todo o primeiro semestre. Não somos o estado, não ditamos as regras e os trâmites da verba pública, não colocamos policiamento de prontidão, não limpamos as ruas e nem temos o poder absoluto de estruturar um bairro como a Ribeira. Como cidadãos e agentes culturais temos fôlego para gritos coletivos, mas já dá para perceber que o caldo está engrossando e que podemos fazer a diferença.

Para você que de alguma maneira participou do Circuito Cultural Ribeira até agora, o nosso muito obrigado. O bairro cultural da cidade agradece. Vamos em frente!

EDITORIAL DOSOL: 2011, O ANO EM QUE DOSOL FAZ DEZ ANOS DE MÚSICA!

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Foto: Superguidis no Festival Dosol 2010

O ano de 2010 chegou ao fim e nele tivemos nossa melhor performance como combo cultural em nossa curta história. 2010 vai ser lembrado pelo Dosol como o ano em que as ações se afinaram e deram resultados juntas, cada uma do seu jeito.

Tivemos um ano incrível pro Festival Dosol. Excelente captação, expansão de atuação, quase 70 artistas e o mais importante, praticamente lotação de todas as datas pelo público potiguar e de outros estados próximos. O Centro Cultural Dosol também teve um ano muito positivo. A taxa de ocupação do espaço aumentou em 20% e a média de público subiu 25% com relação a 2009. O mais legal disso tudo é perceber uma enorme renovação de público e de produtores que atuam no espaço.

Nosso processo de difusão de música, o maior foco do nosso trabalho como empreendedores de cultura, foi o que mais avançou em 2010. Consolidamos o nosso horário da TV com o DosolTv no Nominuto, sempre no ar às 11h do sábado com meia hora de música nova. Tivemos o tão sonhado espaço em rádio afinado com a Universitária FM que nos proporciona falar à população todas as noites de 20h às 22h através da 88.9. Um grande salto de difusão e confiança empregados a serviço da música nova brasileira e potiguar.

Para 2011 os planos são ainda maiores. Estamos comemornado 10 anos de atividades com música e estamos trabalhando para que possamos ampliar mais ainda o que já estamos fazendo. Nossas metsa e planos de atuação são os seguintes:

1) Aumentar em mais 20% a taxa de ocupação do Centro Cultural Dosol com programação variada e interessante aos mais diferentes públicos da música.

2) Promover uma ocupação do bairro da Ribeira através de artes integradas. Em parceira com a Casa da Ribeira já começamos a projetar o Circuito Cultural da Ribeira que vai ter sua primeira etapa realizada durante o carnaval de 2011.

3) Colocar em estúdio através de parceiras e projetos, artistas potiguares com potencial para circulação e difusão.

4) Documentar em vídeo e áudio a cena potiguar, sua movimentação e eventos. Já temos marcados os lançamentos dos DVD do Festival Dosol 2009 e 2010 para março e maio de 2011.

4) Lançar um livro através da parceria com os jovens Escribas que vai contar a história dos 10 anos do Dosol.

5) Expandir as atividades do Festival Dosol para outros municípios do RN através de parceiras público-privadas e aumentar consequentemente o número de dias do evento (em 2010 foram 11 dias, em 2011 queremos 15).

Vamos ao trabalho.

Desejamos um ano cheio de saúde e realizações para vocês e contamos com a presença de todos nas atividades que vão comemorar os 10 anos de atividade do Dosol em prol da música. 2011 vai ser divertido, podem nos cobrar!

EDITORIAL DOSOL: A CULTURA POTIGUAR QUE DÁ CERTO!

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Valéria Oliveira na Casa da Ribeira, por Luís Gadelha

Por Foca

Antes de mais nada quero deixar claro que esse editorial é para comemorar vitórias. Como não se empolgar com o que vimos e ouvimos nos últimos vinte dias na cidade? Para começar vamos lamber a própria cria: que edição magistral do Festival Dosol tivemos hein? Foram mais de 8.000 pessoas em todas as atividades, artistas inspirados, shows épicos, ótima estrutura em todos os palcos, novos parceiros, novas amizades e relevância cultural no nível máximo.

64 shows foram oferecidos, mais da metade gratuitos e todos com ótima repercussão. Pium, o nosso palco mais distante, surpreendeu com quase 1.500 pessoas nos dois dias por lá e com a comunidade participando em peso das atividades. Vai ser difícil fazer melhor, mas é uma meta boa a ser batida para as próximas edições.

Nem bem me recuperei da maratona de shows do Festival Dosol e voltei ao palco da Casa da Ribeira para assistir o show “No Ar” de Valéria Oliveira. Por lá só comprovei o que muita gente já sabe: Valéria não só é uma das maiores cantoras potiguares de todos os tempos como é hoje uma das melhores vozes do Brasil. Some-se a isso a extrema competência da sua produtora Monica Mac Dowell, sua equipe técnica, a monstruosidade virtuosa de Rogério Pitomba, Jubileu e Paulo Milton e aos já consagrados Eduardo Pinheiro e Wilberto Amaral (ambos do Megafone) dando show de som e vídeo.

Esse povo junto, concebeu um espetáculo musical irretocável. Realçando o que de melhor os artistas tinham para oferecer e deixando a Casa da Ribeira (lotada) incrédula.

Toca o telefone e um amigo fala do outro lado da linha: – Foca, gostaria muito que vocês viessem ver nossa estréia. Marco França, sublime tecladista e um dos maiores músicos dessa cidade. Lembro muito bem nos idos de 97 a gente brincando no estúdio, ele fazendo graça, usando o teclado para sonorizar a traquinagem. Lembro de ter dito: Marco, vá fazer teatro, você leva jeito. Parecia o prenúncio do que estaria por vir.

É 2010 e aqui estamos. Fiz minha primeira visita ao barracão dos Clowns de Shakespeare, casa de um dos maiores grupos de teatro do Brasil. Maior não só pelo que leva ao palco, mas pela seriedade e luta com que colocam a coisa para funcionar. Expediente diário de 14h às 20h, muito estudo, entendimento do funcionamento das leis de incentivo, editais e do mercado e , principalmente, excelência artística comprovada com a magistral apresentação do seu mais novo espetáculo, uma adaptação livre de Ricardo III.

O que me deixa mais feliz é saber que em algum momento dessa história toda Dosol, Valéria Oliveira e Clowns de Shakespeare se encontram mesmo que por caminhos totalmente diferentes. Nos deparamos com uma admiração mútua, sabendo replicar o que cada um tem de bom e construindo uma estrada sólida para a cultural potiguar. Estamos trilhando caminhos (muitas vezes) virgens, sem deixar que as “daninhas” culturais fechem nossa trilha para que mais gente possa passar. E é bom saber que além de nós, tem muitos outros agentes culturais nesta mesma estrada.

Os governos, fundações e atividades estatatais são importantes e servem para criar um ambiente menos ofensivo para que bons projetos culturais se estabeleçam, mas nunca podemos deixar que o nosso suor e trabalho esteja atrelado aos ventos incertos dos gestores. Façamos a nossa parte, que o resultado (e o reconhecimento) aparecem. Assim como muitas outras, essas são só algumas provas da cultura potiguar que dá certo. Nos vemos por aí.

EDITORIAL DOSOL: UM PRATO QUENTE SERVIDO À CULTURA POTIGUAR!

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Para muitos, principalmente para aqueles mais iniciados na música independente, hoje é como se fosse primeiro dia de carnaval. Euforia, ansiedade, expectativa de diversão elevada a décima potência. Não é para menos, em 2010 na sua sétima edição, estamos fazendo um Festival Dosol realmente diferente e muito, mas muito eclético.

Por si só as bandas já garantem um ótimo programa para qualquer pessoa fã de música na cidade (independente do estilo que curta), mas a importância do Festival Dosol não mora na sua mostra ou no que é oferecido de conteúdo pro público. Na real, o festival é a mola mestra de uma iniciativa que precisa do sucesso de cada edição para continuar crescendo e ele só depende de vocês, o público.

Três das nossas maiores empreitadas de formação de público para a nova música em Natal passa diretamente pela visibilidade que o Festival Dosol alcançou nos últimos tempos. O Centro Cultural Dosol, nosso tão amado espaço diário de shows e hoje o maior celeiro de novos músicos da cidade (independente do estilo, muita gente dá seus primeiros acordes ali) hoje só está de pé porque resolvemos inclui-lo no orçamento final do Festival Dosol.

Em 2008, com a divulgação do DVD do festival daquele ano, conseguimos cavar um espaço importante e hoje consolidado na TV local. O DOSOLTV também é fruto do network que estabelecemos com a direção da TV Nominuto, graças ao Festival Dosol.

Neste ano, o Festival Dosol nos colocou de cara pro gol na Universitária FM, o que acabou criando um ambiente de relacionamento e confiança culminando com a nossa entrada a frente da programação noturna da rádio. Todos sabem da importância de se tocar na rádio para que a difusão de novos artistas se consolide.

Hoje, é com enorme felicidade que abrimos a programação de 2010 com um show dentro da nossa casa, no nosso espaço e com nossos colaboradores. Graças a Oi, Petrobras e Praia Mar Hotel chegamos finalmente a mais uma edição do Festival Dosol, de agora em diante é só compromisso com a música e diversão, um prato quente servido à cultura potiguar. Estejam servidos!

EDITORIAL DOSOL: PORQUE AS LEIS DE INCENTIVO E OS EDITAIS SÃO TÃO IMPORTANTES?

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Foto: Jane Fonda no Festival Dosol 2005 – Foto por Nicolas Gomes

Por Foca

Ontem dei uma entrevista pro Novo Jornal (Natal/RN) com enfoque na minha carreira de produtor e músico numa espécie de perfil. Lá pelas tantas a jornalista que me entrevistava perguntou sobre o processo de distribuição de verba pública para projetos, e as questões que os envolvem: leis de incentivo, editais, patrocínios e afins.

Rapidamente parei para refletir e analisar esse processo dentro do Dosol e detectamos algumas coisas que eu gostaria de dividir com vocês. Lembro que em 2001, no nosso primeiro ano de existência como Dosol, tentar um patrocínio era algo inglório e injusto. Invariavelmente para se conseguir um apoio público era preciso ter trânsito com os gabinetes, conhecer os gestores e ter bom relacionamento com eles. Ou seja, era preciso usar de influência para que alguém apoiasse um projeto. Todo esse processo era feito às escuras, sem prestações de contas, sem licitações e com muitas interrogações.

Nunca fomos patrocinados ou apoiados dessa forma uma única vez, mas nem por isso deixamos de acreditar no potencial e no foco do nosso trabalho. Vamos pular quase dez anos e chegar em 2010. O que mudou de lá para cá? A corrupção e o tráfico de influências acabaram? Não. Mas diminuiram bastante porque hoje a realidade e a pressão pública são outras.

Nesse período, as leis de incentivo à cultura se solidificaram, passaram a ter uma papel fundamental para quem promove ações culturais com pouco apelo de público (memória e vanguarda) e aos poucos vem consolidando um espaço que passou quase 15 anos para ser construído e que tem relação direta com a democracia e o mérito. Hoje um projeto cultural realmente relevante e bem gerido tem reais possibilidades de conseguir um apoio graças aos editais e leis de incentivo.

Ainda há distorções, claro. Ainda existem no mercado produtores sanguessugas que caçam oportunidades com projetos fantasmas que nunca saíram do papel esperando dinheiro público para realizar ações (normalmente mal feitas), assim como alguns marqueteiros que usam as leis visando apenas a exposição de sua marca, sem levar em consideração o conteúdo cultural dos projetos.

Os bons projetos são aqueles que tem foco e ação, são aqueles que tem clipping, que são colocados na rua independente de patrocinadores e que mostram mérito para que cresçam, tenham visibilidade e aí sim, consigam apoios mais sólidos. Boas idéias e realizações não precisam começar grandes e espalhafatosas. Às vezes um pequeno núcleo de ação gera resultados fantásticos mesmo com pouco ou nenhum dinheiro.

O Festival Dosol deste ano ganhou dois editais de duas super-empresas: a Oi, gigante de telefonia e da Petrobras, que dispensa qualquer apresentação. Foram quase 10 anos criando um ambiente de interesse e relevância cultural para chegar nessas vitórias e mesmo assim não há garantias de que continuaremos sendo patrocinados caso nosso projeto perca relevância.

O que pouca gente sabe é que participamos de quase cinquenta editais para sermos comtemplados em dois, ou seja, é muito trabalho, muito estudo e muita dedicação para que as coisas comecem a dar certo. Isso não é nenhuma novidade para qualquer profissão (ou não deveria ser).

Mesmo com anomalias, as leis de incentivos e os editais são instrumentos essencialmente democráticos e devemos trabalhar para que eles continuem existindo e melhorando. Vamos em frente!

EDITORIAL DOSOL: UM RAMONE NO MEU SHOW

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Por Foca

Com esta primeira semana de outubro começando fica ainda mais próxima a edição de 2010 do Festival Dosol, nossa maior movimentação anual em termos de música e cultura. Todos os anos é um verdadeiro dilema montar o lineup, convidar as bandas e negociar. É a parte mais complicada da história e também a mais cara (só esse ano quase 120.000,00 do orçamento do festival, serão gastos diretamente com bandas).

Nessa equação maluca de todos os anos sempre sobra sonhar com aquela banda que você curte ou elocubrar sobre algo perto do impossível, mas que só quem tenta consegue realizar. Foi assim que terminou o Festival Dosol 2005 que sonhei em trazer pelo menos um dos Ramones à Natal numa edição do evento.

Em 2006, com uma boa captação, já ficamos em cima do projeto e mandamos vários emails. Conseguimos fechar com o Marky Ramone, na época junto com os Intruders mas infelizmente não conseguimos bater o martelo 100% do projeto e a data de Natal rumou para Curitiba. Fiquei abalado, engoli o choro mas não desisti da ideia.

Passaram-se os anos e o Festival Dosol aumentou em conteúdo. Formamos uma equipe vencedora e que tem muita interação com a cena do estado. Conseguimos no decorrer dos anos crescer organizadamente e fazer um evento sólido, sem afetação e quase sempre com as bandas que queríamos. Nossa relação internacional aumentou muito culminando com a vinda de artistas como as The Donnas (EUA), Vivisick (Japão), Danko Jones (Canadá), entre outros. Era a hora certa de tentar um novo bote e conseguir que um Ramone estivesse no meu show.

De novo mandamos emails, potencializamos alguns contatos e sugerimos o nome do Marky Ramone novamente para tocar no Dosol. Dessa vez a coisa foi diferente, em menos de uma semana a nossa resposta foi afirmativa e finalmente Natal vai poder ver ao vivo uma das maiores lendas vivas do rock mundial (pelo menos para mim).

Dizem que você consegue falar com qualquer pessoa do mundo por intermédio de cinco pessoas. Eu conheço você, que conhece um americano, que conheceu um roadie que conhece um produtor que fez o disco dos Ramones. Acredito nisso e acredito em trabalho para ver nossos sonhos se realizarem. Tente você também!

Te esperamos no Festival Dosol, até a próxima!

EDITORIAL DOSOL: COM A PALAVRA OS CANDIDATOS

debate 01

Por Foca

Ontem aconteceu na Casa da Ribeira o primeiro debate entre candidatos a governador do RN focado totalmente em cultura. Por si só uma vitória da classe, novamente encabeçada por inciativas individuais e inquietas de quem quer ver mudanças. E como precisamos de mudanças, né?

Iberê deixou clara sua proposta para cultura quando desdenhou o convite. Nenhuma. Os outros dois candidatos foram, levaram a atividade de forma bem humorada, séria e sem ataques de ambos os lados. O público também se comportou bem e a condução dos trabalhos se deu no sentido de evitar as tradicionais ladainhas e lamentos tão comuns a esse tipo de encontro. Isso foi massa!

Fui um dos convidados a perguntar e quis saber sobre dotação orçamentária. Um ponto que hoje é o principal problema para as políticas públicas de cultura no estado. Estamos cercados de produtores e pensadores de cultura de excelente nível, capazes de construir rapidamente um plano de atividades. Isso todo mundo está careca de saber. O problema é que sem regulamentação, dotação fixa, dinheiro previsto em leis, tudo não passará de ilusão ou de boa vontade do governador que lá estiver.

Tudo começa com as tais garantias de investimento. Acabaram de aprovar uma para a Copa de 2014. Deveriam aprovar uma garantia igual para cultura há 30 anos e ainda não temos nada a respeito.

Sobre o assunto, a senadora Rosalba respondeu que pretende colocar em vigor um super fundo estadual de cultura, regulamentado através de ICMS e que seria fixo em 1% da arredação. Isso injetaria na área cultural do estado um investimento direto de, no minímo, trinta milhões de reais ano, sem dúvida um número relevante. O problema todo é que essa promessa tem cara de discurso pré-eleitoral, até porque todo mundo sabe que o montante é alto e que o governo precisará da assembléia para fazê-lo. Sinceramente, ficarei muito surpreso positivamente se isso acontecer, mas tenho minhas dúvidas.

O ex-prefeito Carlos Eduardo também citou contidamente a regulamentação do Fundo Estadual de Cultura. Esquivou-se de números e também jogou a responsabilidade para a assembléia. Demonstrou ter um pouco mais de solidez no que diz respeito a um programa de governo voltado para cultura (que foi um dos carros chefes da sua administração como prefeito de Natal, muito pela competência de Dácio Galvão) apresentando um projeto de criação da tão sonhada Secretaria Estadual de Cultura com dotação orçamentária própria (e gorda segundo ele), transformando a Fundação José Augusto num agente fomentador de parcerias para a área.

O candidato também anunciou que pretende fazer um Plano Estadual de Cultura através de convocação de artistas, produtores e demais agentes da cadeia produtiva cultural do estado.

Chego a conclusão de que os dois candidatos tem sim uma paquera pela área cultural, comprovada em governos anteriores, o que nos dá um alento mínimo de esperança (e mudança). Agora uma coisa é certa, o que precisamos fazer em qualquer caso é garantir que as promessas virem realidade. Temos chance, usaremos as plataformas que estão aí e vamos em frente.

Pressionar para o governo ceder. Essa é a meta!

EDITORIAL DOSOL: O MEU NATAL EM NATAL

natal em natal

Por Foca

Ontem estive presente numa mesa redonda dentro da programação do SBPC. Por lá estavam outros produtores culturais da cidade além de uma platéia atenta para discutir os rumos da cultura independente em Natal. No meio do debate iniciei uma reflexão sobre aquele que pode ser o maior período cultural e festivo da cidade: o Natal em Natal.

Eu digo que pode ser, porque de fato ainda estamos longe de ter um evento que faça parte dos planos turísticos das pessoas de outras cidades. Comparando com ações culturais que participei tocando ou cobrindo esse ano, caso da Virada Cultural de São Paulo, Festival de Inverno de Garanhuns ou o Carnaval de Recife e Olinda chega a ser pífia intenção da prefeitura em tornar o mês de dezembro atrativo em termos culturais.

Isso só acontece porque a prefeitura age como se fosse dona do evento, produtora das ações e responsável direta pelo resultado dela. Alô gestores, vamos acordar. Eventos grandiosos são aqueles em que a comunidade abraça como dela, que a iniciativa privada enxerga possibilidade de lucrar, que o cidadão se sinta participando e opinando. Resumindo o papo: o Natal em Natal precisa ser das pessoas e não dos governos.

O Carnatal, um dos maiores eventos populares da cidade, só é popular como é porque as pessoas não vêem seus organizadores como donos absolutos do projeto, não tenho a conta mas acredito que nem 10% da população sabe que quem promove o evento é a Destaque Produções. Cada bloco tem suas responsabilidades, cada camarote tem sua meta própria, a prefeitura e o governo preparam a rua e incentivam no que é necessário, os hotéis fazem divulgação adicional e a população vai brincar ao som do que a maioria gosta. Pagando ou de graça! Um exemplo de sucesso em que a população abraçou o projeto como dela (sem fazer juízo de valor ou de gosto pessoal). Lógico que o Carnatal tem suas distorções, atrapalha a vida de um monte de gente ao redor da festa e poderia evoluir também.

Dito isso, acabei me pegando fazendo uma análise como seria o meu Natal em Natal e que modelo utilizaria para realizá-lo. Segue passo-a-passo as ações:

1) Pediria aos orgãos de turismo, saúde, educação e cultura envolvimento no projeto com verba direta direcionada ao evento. Estipularia com antecedência qual o montante de dinheiro público teria para o investimento nas ações do mês inteiro. Somaria todas as esferas, municipal, estadual e federal numa coisa só, custurando politicamente a ação;

2) Com a verba estipulada pediria um estudo de todos os centro culturais, teatros, casas de show, eventos, festas populares e festas religiosas que ficam abertas em dezembro e financiaria parte da programação economizando estrutura física de som e luz. Espalharia ações em toda a cidade;

3) Contactaria a classe de produtores culturais da cidade através de edital (ou coisa parecida) para que fossem propostos palcos, ações, espetáculos de ocupação da cidade durante o Natal em Natal. Passaria a responsabilidade de cada ação para os projetos aprovados e fiscalizaria a realização de todos eles. Deixaria também que esses projetos tivessem autonomia para captação de recursos diretos;

4) Realizaria o Auto de Natal em forma de oficina fixa de teatro, agregada ao Departamento de Artes da UFRN e do NAC;

5) Procuraria Sescs, Sebrae, Fiern, entre outras siglas para propor programação adicional, oficinas, palestras, workshops e ações do tipo;

Acredito que essa descentralização de ações, divisão de responsabilidades, ecletismo de propostas e envolvimento maior da comunidade traria para Natal uma movimentação que despertaria interesse nos turistas e nas pessoas da própria cidade e faria com que o nosso tão sonhado evento de fim de ano se tornasse realmente relevante como a cidade merece. Sem contar que a roda da economia da cultura municipal giraria de maneira positiva e responsável.

Do jeito que está o Natal em Natal ninguém ganha. A prefeitura é criticada sempre pelo lineup ou condução das ações, a cidade não recebe o evento como deveria receber e a economia não se beneficia como poderia. Tem gente ligada a parte cultural da cidade até propondo um boicote aos festejos do fim de ano (como se a responsabilidade de propor uma mudança não fosse nossa já que o dinheiro público financia o evento). Porque não dividir as responsabilidades e os resultados?

EDITORIAL DOSOL: DIA MUNDIAL DO ROCK DO DOSOL VAI SER DE SEGUNDA A SEGUNDA

dia do rock

Por Foca

Hoje é o Dia Mundial do Rock, convenção para comemorar o estilo de música mais apaixonante do mundo. Já acordei com uma frase de uma adolescente no meu twitter com os seguinets dizeres: Foca, seu filho da puta, cadê o show do Dia Mundial do Rock? O fogo adolescente e a rebeldia concentrada e desocupada de uma garota como essa é que geraram mais a frente artistas do calibre de Robert Plant, Kurt Cobain, Jimmy Hendrix, entre outros gênios da música no mundo e que deram ( e ainda dão) a vida pelo rock.

Não usaremos a data do Dia Mundial do Rock para comemorar com shows, como fizemos nos últimos anos. Os motivos a maioria já sabe porque divulgamos amplamente através de carta aberta alguns fatos. Mesmo que já resolvido, não tivemos tempo de preparar alguma movimentação extra, porque as movimentações diárias vocês vêem todos os dias através de vídeos, shows, eventos, workshops e diversas atividades que fazemos nos quase dez anos em que o Dosol existe.

Mesmo médico, publicitário, dentista, administrador ou advogado não deixe o rock desaparecer dentro de suas almas, ele as vezes e a última fronteira da rebeldia que sobra em nós e precisamos de um pouco dessa energia para viver. Deixem o rock salvar suas almas de novo!

Cibele, adolescente desbocada do twitter, dedico esse Dia Mundial do Rock a você.

Grande abraço.

OPINIÃO: NÃO TEM PREÇO

anamorena bragança

NÃO TEM PREÇO

Ana morena, baixista do Camarones Orquestra Guitarrística analisa tour da banda e comenta o que viu por aí Brasil afora.

Quando eu tinha quinze anos, banda de rock tocava em estruturas pífias, normalmente em lugares abandonados ou na casa de alguém, para públicos mínimos, de forma totalmente underground, sem organização e feita na raça de uns dois ou três corajosos que agilizavam em suas cidades. Era um show de banda “underground” por mês. Em Natal, cidade onde moro, era até pior. Esperávamos e preparávamos um show, um showzinho com cinco bandas, sendo um de fora da cidade por dois meses inteiros. Fazíamos o show e dava sempre umas cem pessoas. Se desse duzentas, era um sucesso arrebatador e íamos todos gastar o “lucro” numa sanduicheria mais próxima.

Então, para essa realidade dos meus quinze anos, a única saída para se ter uma carreira musical era, sem dúvida, ser “descoberta” por uma grande gravadora. Nossa, e como eu queria! Não exatamente ser descoberta, mas como eu queria viajar o Brasil, conhecer pessoas, tocar para públicos diferentes, gente interessante e interessada, divulgar minha música. Queria demais fazer isso.

Passou-se um tempo e eu comecei a entender que ser “descoberta” por uma grande gravadora era para poucos. A gota d’água foi quando tocava numa banda e recebi uma proposta de uma gravadora média que era tão absurda, tão sem propósito que eu cortei esse sonho idiota de ser descoberta por alguém. Sou dona do meu próprio nariz, e se tem alguma coisa que eu quero, eu mesma vou até lá conseguir. Decidi que não deixaria nunca mais nas mãos de terceiros a realização de um sonho MEU.

E aí, foi quando eu e Anderson Foca (parceiro em tudo na minha vida) montamos o DoSol. Começamos com um selo, depois um estúdio, depois uma produtora, depois um centro cultural, depois um festival, uma produtora de vídeos… enfim. Montamos a duras penas e com muito trabalho, uma estrutura para que pudéssemos ter uma carreira musical (que para quem não sabe, envolve bem mais do que só tocar em banda). Queríamos viver disso, sem precisar deixar nas mãos de ninguém os nossos sonhos. Agora, doze anos depois, posso afirmar: conseguimos isso. Não é fácil, dá trabalho, mas o que importa é que a nossa vida está em nossas mãos.

Então: carreira musical e viver disso, check! Mas sinceramente, para quem é roqueiro como a gente, não estaria completo se não estivéssemos tocando. Lembra quando eu disse que o meu sonho de quinze anos era tocar por aí? Divulgar o som, fazer shows, conhecer pessoas? Bem, esse sonho eu já posso dizer que realizei e que, melhor ainda, continuarei realizando.

Eu tenho uma teoria que banda pra ser banda MESMO, precisa cair em turnê. Nada, eu disse, NADA, define melhor um grupo, amadurece e fortalece, do que passar dez, quinze, trinta dias sendo banda em tempo integral. Como diria um amigo: “é aí que você tem que se garantir”. Por que não é fácil. Você lidar com trânsito, estrutura dos lugares, doença, cansaço, equipamentos que quebram, 24 horas do seu dia, é muita coisa. Como uma banda consegue passar por esses pormenores é que mostra a que ela veio.

Não entendo porque alguns músicos reclamam tanto, que não tocam, que são boicotados, que é panelinha. CONVERSA FIADA! Músico que não toca ou é músico com outras prioridades, ou é músico preguiçoso ou é músico que quer ser “artista” no pior sentido da palavra – minha avó dizia dos mazelas da rua: “é, esse fulano é um artista!”.

É conversa fiada porque, em quase todas as cidades que circulamos, tínhamos um suporte INCRÍVEL dos coletivos do Fora do Eixo. Sabe os tais coletivos que tem uma turma do contra que fica falando mal? Injusto demais. Injusto, injusto, injusto. Os coletivos foram papel fundamental em uma turnê de quase 20 dias que fizemos pelo Sudeste e Centro-Oeste do país. Não tem preço você chegar numa cidade estranha, cansado da viagem, cansado de outros shows e ter uma galera organizada que vai te ajudar a fazer o melhor show possível naquele lugar. Uma galera que vai te receber bem, trocar uma idéia, te levar nas pautas, providenciar hospedagem e alimentação e o mais importante: BRIGAR PELO SHOW. Cara, é muito importante ter uma pessoa na cidade que brigue pelo show, que divulgue, que faça o boca-a-boca, que gere matérias nas mídias locais, enfim. Sabe aquele PRODUTOR ROCHA? São os coletivos do Circuito Fora do Eixo.

Claro que existem uns mais bem estruturados do que outros, claro que existem falhas e pequenos problemas. Mas gente, temos uma pessoa que representa e respeita o rolé da banda em cada uma dessas cidades. O Camarones fez umas 14 pautas, acho que uns 12 shows. Sabe o único show que tinha menos de 70 pessoas para ver a gente? Na única cidade que não tinha nem um coletivo ou um produtor local brigando por ele.

Aí o “artista” retruca: “Ah, mas você foi pagando do bolso.” Não mesmo. O Camarones tinha 2 shows com uma verba muito boa (SESC e Virada Cultural) que bancaram a brincadeira. A diferença está aí: a gente não quer ser “artista” a gente quer ter carreira musical. Então, em vez de irmos fazer dois shows em São Paulo e voltar para Natal com a grana boa no bolso, resolvemos investir numa turnê, fazendo bilheterias e pegando ajuda de custo nos outros lugares. Quer saber do melhor? Ainda voltamos no lucro e com convites e possibilidades de shows com cachês ótimos. É aquela brincadeira que a gente faz com as palavras: você quer tocar? Então toque, amigo. Porque banda que toca, toca!

Voltei para Natal com a sensação de dever cumprido, com a satisfação de só quem passa por uma experiência dessa pode entender. A sensação de estar fazendo a minha parte e de estar sendo recompensada por isso. Conhecemos tanta gente, fizemos tantos amigos, tocamos para platéias de dez pessoas e para outras de cinco mil, em diferentes locais com estruturas tão díspares, e fizemos o mesmo show, com a mesma vibe e a mesma vontade. Pensar que cada uma daquelas pessoas do público saiu de casa e se dispôs a curtir uma banda de Natal/RN, que fazia rock instrumental divertido, da qual elas nunca tinham ouvido falar? Cara, isso não tem preço.

EDITORIAL DOSOL: AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

cachorro grande

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Por Foca

Como é que eu vou esquecer? Lembro como se fosse hoje de alguém vindo comentar comigo que um artista major, com um single de sucesso nas rádios brasileiras e que morava aqui em Natal, tinha feito piada com meu nome e com o trabalho do Dosol numa festa. Muitos dos que estavam na roda e deram risadas às minhas custas são (ou se diziam ser) também meus amigos. Não guardei rancor. Continuei em frente engolindo o choro, mesmo que aquilo tivesse me magoado, e hoje estamos aqui, frente a frente eu a as majors.

Todo esse papo introdutório é para comentar uma curiosa e inevitável mudança dentro do mercado e que tem sido encarada de maneira totalmente diferente por todos os lados. Que papo reclamista é esse, de dizer que com o fim das gravadoras, os núcleos organizados da música são os novos inimigos do mercado? Que inversão de valores é essa?

O primeiro fenômeno desses novos tempos são os “artistas”, aquela entidade superprotegida pelos empresários, gravadoras e produtores. Hoje, eles estão virando gente como a gente. Já viram a quantidade deles pedindo “ligue para as rádios” no twitter? Respondendo coisas no formsprig ou em outras redes sociais? Já viram quantos deles estão nos fóruns respondendo provocações em blogs e sites? Sim, amigos. As entidades realmente existem, não são mais irreais, inumanas ou aquele objeto da imaginação comunitária que povoava a mentalidade da massa brasileira através da TV ou da rádio pop.

Amigos, isso não é uma crítica. Acho ótimo o artista que põe a mão na massa, que vai para a linha de frente do seu trabalho, que toma conta da sua vida e da sua obra sem ter que estar “vendendo” ela para seu ninguém. Seria ótimo que fosse assim desde o princípio mas, por muito tempo, a mentalidade do músico brasileiro não foi essa. Agora, é obrigação. Mesmo quem critica o fim do mercado, o download, a falta de comprometimento do público com os trabalhos (shows vazios) ou mesmo a falta de memória musical, no fundo sabe que o jogo virou e desculpem, virou para melhor.

A previsão do “1.000 para 100 em vez de 100.000 para 1” começa a tomar conta do mercado e é lógico que quem estava se dando bem com a situação anterior vai reclamar. Todos querem defender seu quinhão, então vale a “grita”.

Curioso mesmo é ver a massa reclamista de plantão, essa famigerada vertente que não mexe as cadeiras nem por decreto, mudar o foco da reclamação, apontando o alvo para quem SEMPRE TRABALHOU POR UMA MUDANÇA DE LÓGICA NO MERCADO. Sim, os mesmos caras que se diziam contra o jabá, contra a prática das gravadoras deixando o resto do mercado à míngua e que se diziam a favor da cena independente, são quase os mesmos que hoje reclamam dos festivais, das redes, das organizações coletivas e afins.

Chegamos à conclusão de que o coro dos descontentes nunca vai ter fim. Agora, até mesmo alguns “grandes artistas” começam a engrossar o grito por espaço. O mundo dá muito volta né, não? É uma triste constatação.

Faço festivais há 15 anos, comecei no undergound: 2 caixas ciclotron para todo mundo. Ninguém investiu um real na minha carreira de músico ou produtor a não ser minha amada mãe que me deu um microfone Leson quando resolvi cantar rock. Larguei minha faculdade, fui empreender na música, cantei na noite, tomei calote, prejuízo, fiz amigos, alimentei uma rede de contatos, montei meu trabalho durante quinze anos, tijolo por tijolo, fio por fio, acorde por acorde.

Quase todos os caras que estão nas listas sendo alvo da massa reclamista de plantão tem esse mesmo histórico. Sabe o “Paulo André não me ouve”? Aquele do Abril Pro Rock? Dirigiu Kombi de pizza nos EUA para sobreviver e ouvir thrash metal bay area no seu nascedouro. Viu festivais de rock indie por lá e trouxe o modelo pro Brasil. Pablo Capilé cantava em banda em Cuiabá, rapidamente percebeu que se ele deixasse a sua banda de apoio sozinha seria melhor. A banda de apoio era o Macaco Bong. São centenas de exemplos.

Comparar o que essa galera de hoje está fazendo e criando, com o que as gravadoras sanguessugas fizeram durante anos na música brasileira é de uma burrice sem tamanho. Estamos criando mercado médio, com uma relação de respeito e amizade mútua com artistas e produtores. Alguns deles se sentem agredidos com essa relação igualitária. Faz parte.

Aqui no modesto Dosol, já vi bandas crescerem, arrumarem empresários, irem pro outro lado do jogo e voltarem. Umas com dignidade, outras nem tanto. Só para citar como exemplo, artistas como Pitty, Fresno, Detonautas e NX Zero, todos major com seus méritos (independente da questão filosóficas e de gosto pessoal) já se utilizaram da nossa estrutura quando ainda eram artistas em crescimento, atrás de um palco para tocar e foram muito bem recebidos como os quase 6.000 artistas que já fizeram shows em nosso festival ou centro cultural.

Sempre estivemos aqui para isso, num movimento sólido e de crescimento real para a música brasileira. Sempre investimos na diversidade e no novo, quando ninguém mais queria fazer isso. Nem peço senso de justiça para quem não conhece nossas histórias no meio independente, e também nem exijo que todos conheçam o que fazemos. Reclamar é da natureza das pessoas, o coro dos descontentes sempre vai estar aí. Mas através deste texto dá para esclarecer as coisas pelo menos para uns três ou quatro. Nossa batalha sempre foi de “formiguinha” e não vai ser agora que vamos mudar, beleza?

PS: Não sei o que anda fazendo o cara major que fez piada do meu trabalho. Ele não está mais no mercado há anos. Eu continuo aqui fazendo as mesmas coisas de sempre, maior e melhor a cada dia.

EDITORIAL DOSOL: A RECONFIGURAÇÃO IMINENTE

Tours constantes, produtores e novos modelos podem reconfigurar a música brasileira

Por Anderson Foca, Natal/RN

A RECONFIGURAÇÃO IMINENTE

Tours constantes, produtores e novos modelos podem reconfigurar a música brasileira em pouco tempo.

A cena é comum fora do Brasil. Banda organiza o trabalho artístico por uns seis meses, nesse mesmo período grava e começa a agendar tour para mostrar o trabalho ao vivo para o máximo de pessoas e lugares que conseguir. Vai gerando clipping, aumentando seguidores em sua rede social, disponibilizando mais conteúdo e continuando a tocar.

A primeira ida nas cidades é quase sempre para não mais que 50 pessoas em dias de semana e locais sem muita estrutura. As idas se repetem e o interesse do público vai aumentando. A mídia começa a prestar atenção, a banda começa a ser chamada para festivais de médio porte e quando menos se espera aparece por aí mais um Artic Monkeys, que toma a cena de assalto e a maioria das pessoas “comuns” não sabem explicar de onde os caras vieram e com fizeram um sucesso tão estrondoso e tão “rápido”.

Sempre foi um problema para a cena independente brasileira a falta de uma estrutura de pequeno e médio e porte que suporte esse tipo de trabalho por aqui. Parece que essa lógica “on the road” finalmente começa a acontecer com mais constância graças ao trabalho de gente abnegada e interessada em criar juntos um espaço sólido para os novos rumos da música nacional. São bandas, coletivos, produtores, pontos de cultura, festivais, pequenos pubs, blogs, fotógrafos, jornalistas, entre outros agentes integrados por um bem comum que é de fazer circular e dar possibilidades para o novo.

O fenômeno não é novo, mas agora parece ser um caminho sem volta, ainda bem. Usando como dados as ações do Fora do Eixo, hoje a principal plataforma dessa nova lógica de circulação, os números impressionam. Em apenas três meses desse começo de ano e sem contar as ações de festiviais como o Grito Rock, também organizado pelo circuito, mais de 80 shows foram realizados no Brasil com esse viés de tour, de tocar todo dia, de explorar lugares pouco visitados, interiorizando rotas e abrindo novas frentes de trabalho e produção. Bandas como Caldo de Piaba (AC), Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Calistoga (RN), Burro Morto (PB), Cabruêra (PB), Minibox Lunar (AP), Nevilton (PR), Porcas Borboletas (MG), Macaco Bong (MT), Superguidis (RS), Black Drawing Chalks (GO), entre outras, devem chegar ao final do ano com média de 70 a 100 datas anuais, um número surreal para os padrões nacionais e para a cena independente como um todo.

Alguns podem perguntar: e essas rotas são viáveis? Dá para viver da banda ficando na estrada o tempo todo? A resposta é clara. Se o seu dia-a-dia for a banda dá sim. Claro, não há luxo, não a glamour “estilo Van Halen”, mas há um senso de honestidade e de respeito que gera trabalho e dinheiro. Ninguém chama banda para grandes eventos se ela não tiver currículo e emitir um sinal de que está “na pista” e quer circular. Nenhum curador de edital lembra de um  grupo sem ele ter ajudado tocando e se divulgando e é dessa forma que as bandas crescem, mudam de patamar e passam e ser viáveis.

É importante perceber também que não são só as bandas que se consolidam com um dia-a-dia sólido. Hoje muito produtores e espaços pequenos estão arrumando financiamento, se estruturando e melhorando as condições de circulação. Quando as ações crescem o mercado acompanha e é essa soma de forças que vai dando solidez para a atividade de música no Brasil.

Claro. Os modelos são vários, os formatos são dinâmicos, mas muito me alegra que finalmente estejamos dentro de um circuito que integra uma centena de festivais, duas centenas de espaços e gente em todas as regiões dispostas a fazer a coisa funcionar. O futuro é agora, vamos aproveitar!

EDITORIAL DOSOL: E FOI DADA A LARGADA!

centro cultural dosol 02

Estamos já em 2010 com nosso primeiro editorial do ano. 2009, como falamos no editorial passado, foi excelente com muitas vitórias mas muita coisa por conquistar. Nessa análise de hoje vamos tentar falar para vocês o que pretendemos fazer nesse ano que se inicia.

Nas nossas ações em Natal não teremos mudanças bruscas com relação ao ano passado. Se conseguirmos continuar fazendo o que já estamos acostumados já é vitória e já está de bom tamanho. Claro que não vamos nos deitar no que já passou. Queremos ampliar ações, ocupar mais o Centro Cultural Dosol, fazer do Festival Dosol um evento cada vez mais relevante e alavancar de vez o Música Contemporânea. Falando assim parece fácil, mas a verdade é que esses objetivos são sempre bem complicados de se atingir.

Só que gostamos de desafio, e depois de muitos anos de atividade no RN o plano de 2010 é ter atividades constantes também em outras cidades do Brasil. Já demos uma ensaiada durante o Festival Dosol, fazendo edições drops em Recife e em Mossoró. Para 2010 dois convites nos foram feitos para ampliar nossa área de ação e aceitamos os dois: engressar no circuito Fora do Eixo e assumir, a convite da Astronave, parte da pré-produção do Abril Pro Rock 2010.

Nosso trabalho no Circuito Fora do Eixo é de continuidade, ou seja, para atender a demanda do circuito basta manter nossas atividades diárias do Dosol que já supre 90% do que é preciso para se inserir nessa ação coletiva nacional. Muito nos honra o fato de não sermos exatamente um Coletivo (ou tero formato de um) e ter recebido esse convite. Significa dizer que a Associação Cultural Dosol, além de um trabalho com foco em música, também é uma instituição preocupada com o “algo mais” que vem junto com essas atividades. Estamos falando de desenvolvimento humano e sustentabilidade. Sem contar que o convite é reflexo da boa relação que temos com cadeia produtiva da música potiguar.

Nossa força de trabalho junto ao Fora do Eixo já começou há muito tempo, mesmo que não sejamos aprovados como um Ponto de apoio do projeto (plenária que acontecerá amanhã). Independente disso já demos largada num projeto ousado e que envolve pessoas do jornalismo cultural nacional. Em muito breve retornaremos ao assunto.

2010 já começa rápido e feroz. E é assim que é bom…

EDITORIAL DOSOL: E PASSOU O ANO VOANDO…

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Foto: Automatics no Música Contemporânea por Nicolas Gomes

Por Anderson Foca

Chegamos ao último editorial de 2009 com a sensação de que passou tudo tão rápido que mal fomos capazes de digerir tantas informações. O fato é que este foi um ano excelente pro Dosol. Praticamente todas as ações que fizemos tiverem excelente resultados artísticos e financeiros. Foi o ano também em que entramos de cabeça na abertura das fronteiras nacionais produzindo quase uma dezena de shows gringos e não deixando de prestigiar a cenal local e nacional com vários eventos.

Foi um ano também que aprendemos a respeitar muito nossa força de trabalho e nosso tempo, investindo rendimento e força motora naquilo que mais acreditamos. Buscamos ampliar parcerias e reforçar velhas amizades.

O Centro Cultural Dosol teve um ano muito bom. Foram muitas pautas com ótimo público e shows inesquecíveis que passaram por lá. Para 2010 a meta é arrumar novos produtores para ocuparem o espaço. Caiu muito a renovação que sempre acontece de um ano pro outro. Vamos ver se mais gente se encanta em empreender no rock.

O Estúdio Dosol teve um ano excelente também, muito por conta da integração das nossas atividades com bandas de outras cidades. Registramos quatro elogiados discos da cena paraibana, gravamos gente de Mossoró e a turma de Natal também estave presente em bom número.

O Festival Dosol foi o ponto alto das nossas atividades em 2009. O evento tomou proporções realmente relevantes tanto dentro como fora do estado e atingiu todas as suas metas com folga. O Warm Up do Dosol foi matador, os drops de Mossoró e Recife também funcionaram muito bem, a edição roqueira foi sensacional com ótimo público os dois dias e o Música Contemporânea para nós foi a mais grata surpresa de todas as nossas atividades neste período.

O nosso ano de 2010 já começou. Estamos em vários editais tentando viabilizar o festival, fizemos reuniões sobre a Chamada Carnavalesca do Rock em fevereiro, o estúdio está cheio, o Centro Cultural Dosol vem com ótima programação para Janeiro e estamos começando uma parceira entre Dosol e Astronave (PE) que culminou com a entrada da equipe do Dosol em parte da produção do Abril Pro Rock 2010 em Recife.

Agradecemos público, patrocinadores, artistas , imprensa e produtores que nos ajudaram a construir esse ano de vitórias. 2010? Vem muito mais coisas legais por aí. Janeiro do Centro Cultural Dosol tá bem animado aguardem mais novidades!

EDITORIAL DOSOL: A AÇÃO COLETIVA

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Foto: Centro Cultural Dosol lotado no Sick Sick Sinners, Festival Dosol 2009. Por Nicolas Gomes

Ainda repercutindo o sensacional final de semana que passou com a 6ª edição do Festival Dosol, queremos falar a respeito da ação do Fora do Eixo, do Coletivo Noize e do Lado [R] dentro do evento. Muita gente crítica essa coisa do coletivo, até faz piada sobre o assunto mas a verdade é que quando a turma está comprometida em promover ou ajudar ações que fazem com que a música independente cresça eles são imbatíveis. Para começar, três das melhores bandas que se apresentaram no Festival Dosol, Mugo (GO), Devotos (PE) e Nuda (PE), vieram através de um edital promovido pelo Fora do Eixo praticamente sem custos para o evento. Por si só uma ação de rotatividade e circulação muito salutar, usando a plataforma dos festivais como ponto de partida.

A ação do ponto Fora do Eixo de Natal, o Coletivo Noize, também foi louvável. Toda a parte do merchandising das bandas ficou com eles (junto com a Letícia do Bigorna de Campo Grande), a organização do palco do Centro Cultural Dosol e toda a transmissão do evento, feita com mestria pela equipe. Sem contar o envolvimento direto na produção e divulgação do festival. Em Recife o Lumo Coletivo também entrou em ação junto com o Dosol promovendo duas noites do Dosol Drops, uma delas com o Danko Jones tocando na Nox. O pessoal de João Pessoa do Coletivo Mundo veio o festival, documentou tudo e está jogando na rede textos, fotos excelentes e vídeo cobertura de tudo que viram e ouviram por aqui.

Não atrelados ao Fora do Eixo mas tão importante quanto foi a ação do Lado [R] que distribui durante o evento o Fanzine Errado, especialmente feito para o Festival Dosol e também cobriu tudo com maestria. Sem essas ações complementares e o interesse desse povo todo em trabalhar pela música não teríamos conseguido os resultados que alcançamos. Fica nosso agredecimento e nossa admiração.