Matérias Especiais

BRUNO NOGUEIRA (PE): THE NAME (SP)

thename

De: Sorocaba
Selo: Tronco
Para quem gosta de: Rapture, Charme Chulo

A primeira grande aparição que a The Name fez para o público de fora de Sorocaba foi em 2007, durante o Goiânia Noise Festival. Naquela época, selecionados por um concurso da Trama Virtual, a banda ainda era bem diferente dessa que lança agora o primeiro EP. Eram uma banda com mais referência no rock inglês da década de 80, empurrando sotaque brasileiro no grave de uma voz que, por pouco, não seria a do Ian Curtis.

Mas a apresentação em Goiânia funciona como um divisor de águas na história do trio. Quem assistiu aquela apresentação foi o, recém retornado ao Brasil, produtor Eduardo Ramos. Nos vai e vens de declarações na imprensa durante o caso do Cansei de Ser Sexy, o agora ex-empresário da Slag Records dizia que continuaria com a vontade de produzir uma banda. E ele direcionou essa vontade para a The Name.

“Assonance”, a real estréia deles para o mundo independente, é um EP intrigante. A The Name quer conquistar os palcos tanto quanto as pistas de dança. As batidas eletrônicas mais aceleradas só não causam mais impacto na primeira audição que a voz, agora assustadoramente aguda. O electro-indie-rock vem embalado em ritmos brasileiros, com ecos do swing latino que é tão associado a esse lado do hemisfério.

A iniciativa ousada faz dessa um tipo de banda quase rara no Brasil. O sotaque do interior paulista está lá, só que agora soa muito mais modernoso que a própria maior metrópole do país. Curiosamente, igual como aconteceu com a também sorocabana Wry. A The Name canta em inglês sobre celebração. É exatamente o que deveria ter acontecido com a música do Bonde do Rolê e do CSS no segundo disco. Uma penetração no rock lá de fora, mas com jeitinho de brasileiro.

Desnecessário dizer o quanto isso faz deles uma banda valiosa para o mercado lá de fora. Quando não estão criando essa catarse de repetição entre batidas e riffs de guitarra, a The Name mostra seu potencial para crescer com integrantes que tem a banda como prioridade e um pé no freio do deslumbre. A entrevista baixo foi respondida pelos três, Andy, Molinare e Alves:

Primeiro as amenidades. O que é que vocês escutam por ai?
Cara, a gente sempre tenta acompanhar essa leva de bandas fodas que aparecem por aí. Tem muita banda independente fazendo um trabalho extremamente foda, como o Holger, Macaco Bong, Homiepie, Stephanie Toth e outros. Por outro lado, temos uma influência post-punk muito forte e acabamos ouvindo muito essa onda também.

A música de vocês no Noise era bem diferente, mais oitentista, do que está no álbum. Já dá para dizer que essa é a cara definitiva da The Name ou essa é uma banda que ainda vai mudar mais?
“ASSONANCE” foi o primeiro passo pra uma identidade que nem a gente sabe onde vai parar; a gente só sabe que vai parar nas “pistas” de alguma maneira. Toda a banda tem que mostrar diferentes evoluções em cada trabalho, esse é o sentido pra gente de fazer um novo EP.

Tem alguma coisa que me é intrigante no som de vocês, de uma forma que ainda acho difícil descrever. Existe um elemento forte de brasilidade (ou latinidade?) misturado com um indie rock mais modernoso. É viagem minha? Como nasceram essas músicas de vocês?

Não é viagem não, Bruno. Desde o single “Older”, já estávamos incorporando o lance de percussão eletrônica. Mas pô, a gente tá no Brasil e não tem coisa mais gingada do que um ritmo latino. Não deixamos as tecnologia de lado – os samples e as percussões continuam vindo de um laptop e uma bateria eletronica – mas agora são percussões latinas. O fato da gente estar ouvindo muito mais o post punk e o não-wave, acabam reforçando esses elementos.

Onde vocês pretendem chegar com essa banda? Me parece que o espaço para esse tipo de música, mesmo com o circuitão dos festivais, ainda é bem pequeno. Vocês querem fazer turnê fora?
Queremos simplesmente pagar nossas contas com o que a gente curte; tocar aqui ou lá fora faz parte do mesmo ideal. A gente não conhece muita banda com o estilo que a gente tá fazendo hoje em dia, aqui no Brasil. Mas existe o Charme Chulo que faz um post-punk-caipira e tem um puta público. Isso prova que o espaço não é pequeno e sim que existem poucas bandas de um mesmo gênero.

Perguntei isso porque Sorocaba é casa do nosso primeiro produto de exportação indie, o Wry. Como é a cena ai na cidade de vocês? Tem mais bandas desse estilo? O que mais deviamos estar ouvindo que vem dai?
O Wry foi uma das primeiras bandas à meter a cara lá fora. Isso é fudido pra gente que é sorocabano. A cidade tem muita coisa boa, mas antes de todas elas, Sorocaba foi terra de uma das bandas mais originais do final dos anos 80 – Vzyadoq Moe. É uma das nossas grandes influências de som. Vale a pena conhecer. Eles foram uma das pioneiras à misturar o post-punk com ritmos brasileiros, como o SAMBA e a MACUMBA (que influenciou grandes bandas dos anos 90). Com toda a certeza, uma das fontes onde o mangue-beat bebeu. É uma banda Sorocabana que devia voltar.

De volta as pretensões… apesar do pouco tempo, a The Name já tem uma boa idéia de como é o mercado independente. Vocês tocaram em pelo menos um grande festival fora, além de terem feito o circuito de shows no interior de São Paulo. O que vocês acharam de tudo? O que acham que está faltando?
Tudo o que aconteceu e vem acontecendo, é fruto de muitos anos de trabalho. A The Name é nova, mas nós três já tocamos juntos há 12 anos. Tocamos nesses festivais (Goiânia Noise, Demosul e duas vezes consecutivas no Araraquara Rock) e participamos com o Macaco Bong nesse projeto da Tronco que é fudido, o “Desbravando o Interior”. Podemos dizer que tem muito o que desbravar ainda.

Há alguns poucos profissionais que trabalham (muito) por isso fazendo com que o circuito esteja sendo formado; um mercado independente auto-suatentável. Como qualquer setor, falta o profissionalismo dos envolvidos, sejam bares e/ou uma divulgação decente. Aconteceu de tocarmos em bares que não havia nenhum pôster e/ou flyer falando do show. Em compensação, uma parede cheia de “KISS COVER” estampado. Essa é a realidade, tem pouca gente que se ‘arrisca’ ao independente. A gente está descobrindo isso aqui na cidade mesmo, onde já trouxemos muitas bandas e pagamos, do bolso o mínimo de divulgação. Isso vai mudar quando enxergarem que há público e há como sobreviver coletivamente no mercado indepentente.

Escute a The Name no MySpace
Veja fotos da banda no Flickr

BAIXE : THE NAME – ASSONANCE

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *