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COMO FOI? NO AR COQUETEL MOTOLOV (RECIFE/PE)

Por Bruno Nogueira

Essa cobertura deveria ter sido publicada, originalmente, no jornal A Tarde. Até agora não tive resposta de porque não saiu. Aqui ela segue em versão maior, com alguns comentários em primeira pessoa também.

Crescer é um processo sempre complicado. Sempre penso nisso, quando penso no festival No Ar Coquetel Molotov. Para que essa sétima edição, que teve sua etapa Recife entre os dias 24 e 25 últimos, fosse também um sinônimo de fôlego para o evento, o mesmo precisou dar passos estratégicos para trás. Voltou para o Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, com capacidade de 500 pessoas a menos que o anterior do Centro de Convenções, onde aconteceu ano passado. A programação, entretanto, garantiu que o volume a menos não fosse equivalente a diversidade proposta pelo festival.

Os patrocínios da Petrobras e Vivo permitiram que o festival tivesse sua edição mais histórica. Talvez demore de seis meses ou mais para que a passagem da lendária banda Dinosaur Jr. seja totalmente compreendida pelo público local. Com um repertório montado com carinho para os fãs, a banda tocou sucessos mais antigos como Out There (de 1993) e até sua versão para Just Like Heaven, do The Cure. Entre danças, pulos e olhares fixos nos longos cabelos brancos do vocalista J. Mascis, teve até quem chorou. Continuar lendo

PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO JAMBOLADA 2010 (UBERLÂNDIA/MG)


Por Bruno Nogueira
Matanza. Foto de Arthur Garcia

Em duas semanas um monte de coisa pode mudar no mundo da música independente. O Jambolada anunciou a sua programação de bandas para 2010, mas os shows, dessa vez, vão se tornar apenas música de fundo para outra duas coisas interessantes que acontecem no evento. O primeiro é que essa será a última edição do festival com o nome de Jambolada. Depois de um desentendimento entre os sócios, o festival teve cada noite organizada por uma vertente do pensamento música / política. O segundo, mais importante, é que será a eleição da nova chapa da Abrafin, a associação nacional dos festivais. E o boato de bastidores é que muita coisa – mesmo – vai mudar. Eu vou estar lá, fazendo cobertura, e mandando tudo aqui para o Pop up :)

15/10 – Acrópole

01:30 Otto (PE)
00:50 Emicida (SP)
00:10 Autoramas (RJ)
23:40 Falso Conejo (ARG)
23:00 Cabruera (PB)
22:30 Erika Machado (MG)
22:00 Monograma (MG)
21:30 Pedro Morais (MG)
21:00 Banda de Joseph Tourton
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Manos de Responsa (MG)
19:30 A170 (MG)
19:00 Desalma (PE)

16/10 – Acrópole

01:20 Matanza (RJ)
00:40 Vanguart (MT)
00:00 Copacabana Club (PR)
23:30 Vespas Mandarinas (SP)
23:00 Seu Juvenal (MG)
22:30 The Folsoms (MG)
22:00 Krow (MG)
21:30 Baba de Mumm-Rá (TO)
21:00 Gritando HC (SP)
20:30 Animais na Pista (MG)
20:00 Mata Leão (MG)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Leave Me Out (MG)

17/10 Palco Conexão Vivo (Praça Sérgio Pacheco)

15:00 Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
16:00 The Hell Kitchen Project (MG)
17:00 Quarteto de Olinda (PE)
18:00 Ophelia and the tree (MG)
19:00 Indiada Magneto (MG)
20:00 Nina Becker (RJ)
21:00 Porcas Borboletas convida Paulo e Arrigo Barnabé (MG/SP)

PRÊMIOS E FESTIVAIS AGITAM O ROCK BAIANO

premiotodososrocks

Em Outubro, Salvador recebe o Festival Big Bands, que acontece simultaneamente a outros dois festivais, o Feira Noise e o Suíça Baiana, em Feira de Santana e Vitória da Conquista, respectivamente. Para fechar bem o ano, outra boa notícia é o Prêmio Bahia de Todos os Rocks, que volta ampliado para escolha dos melhores do ano. Ainda vem por ai outros eventos interessantes, como o Desafio de Bandas. Leia mais:

Prêmio Bahia de Todos os Rocks 2010

Depois de um ano sem ser realizado, o Prêmio Bahia de Todos os Rocks está de volta em 2010, com sua segunda edição, ampliado e com novas idéias. Agora se assumindo como bienal o prêmio tem dez categorias, duas a mais que a primeira edição (as novas são Design do Ano e Mídia Rock). A fórmula continua parecida, com seis categorais tendo os indicados e os vencedores determinados apenas por um júri (Artista/ Banda do ano, Álbum do Ano, Músico Destaque, Dinossauro Referência, Design do Ano e Mídia Rock) e outras dependendo de inscrições e de votações do público (Show do Ano, iBahia Garage Band, Música do Ano e Videoclipe do Ano). Essa segunda forma de indicados e ganhadores já começou no último dia 27, com a abertura das inscrições via site oficial (www.bahiadetodososrocks.com.br). Os inscritos serão avaliados pelo público (num sistema de votação no próprio site oficial) e pelo júri, que definem os indicados dessas quatro categorias. A lista dos indicados sai em novembro. A escolha para o vencedor entre os cinco indicados como melhor show do ano acontecerá num evento no dia 11 de novembro no Groove Bar, com apresentação dos cinco indicados. O público e o júri presente escolhem o vencedor. A Cerimônia de Entrega de todos os premiados será no dia 23 de novembro, também no Groove Bar, com apresentação dos cinco indicados à Música do Ano. Leia como se inscrever e as premiações em cada categoria no site do Prêmio Continuar lendo

COMO FOI? FESTIVAL COQUETEL MOLOTOV EM SALVADOR/BA

Coquetel Molotov estreia com pé direito em Salvador

publico - coquetel  - Foto João Milet Meirelles

Salvador recebeu no último fim de semana, pela primeira vez, uma etapa do Festival No Ar Coquetel Molotov, que tem origem em Recife e chegou esse ano a sua sétima edição. Durante três dias, o evento serviu para dizer muito sobre Salvador e seu público e levantar a eterna questão sobre a possibilidade de se fazer eventos desse porte na cidade. Com uma divulgação razoável, preços bastante honestos e uma programação apetitosa, cerca de 3.700 pessoas compareceram à estreia do Coquetel Molotov por terras baianas.

O pensamento em certo momento era: “o que as pessoas vão procurar para falar mal?”. Mesmo com um resultado bastante positivo, o esporte preferido do baiano encontrou alguns espaços. Com as duas noites principais focadas na Concha Acústica, o festival recebeu um bom público no sábado (2.283 pessoas, sendo 1.650 pagantes, segundo o borderô oficial), puxado, na maior parte, pela cantora Céu. Quem abriu a noite foram os baianos da Dubstereo que liderados por dois bons MCs, Russo Passapusso e Fael, mandaram muito bem seu misto de dub, dancehall, reggae, hip hop e até funk carioca, pra uma Concha ainda vazia. Funcionou perfeitamente para esquentar a noite, mostrando porque o dub é um dos estilos que mais tem ganhado força por aqui e que temos mais uma banda para se apresentar em qualquer lugar. Continuar lendo

O INIMIGO ENTREVISTA: KARINA BUHR (PE)

A melhor forma de apresentar a inquieta Karina Buhr, que lançou Eu Menti Pra Você, um dos ótimos discos de 2010, é mostrando através de suas próprias palavras como ela começou na vida artística. De integrante de Maracatu a percussionista da então banda punk Eddie. Isso mesmo, antes da banda de Olinda se tornar o que hoje conhecemos, a guitarra de Fábio Trummer soava mais alto. Mas isso faz tempo. Apresente-se Karina.

[Karina Buhr] Eu era fã da banda (Eddie), ia sozinha pra todos os shows, onde eu era quase sempre a única mulher presente (risos). Era um show bem porrada, só punk rock. E mesmo o que não era acabava virando. Eu já tocava no Maracatu Estrela Brilhante e no Piaba de Ouro há um tempo e aí Fabinho me convidou pra tocar percussão e ser backing da banda, Foi massa, foi minha primeira banda e rolou muito show louco em lugares mais loucos ainda. Toquei várias vezes em Natal, com o General Junkie, banda que eu gostava muito, muito mesmo. Foi muito massa e é até hoje minha banda do coração. Acabei saindo pra fazer a Comadre Fulozinha e me dedicar a ela.

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FESTIVAIS PELO BRASIL EM 2010

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Festivais pelo Brasil em 2010

Por Luciano Matos, Salvador/BA

Diversos festivais estão programados para várias cidades do país até o fim do ano, com programações que incluem artistas internacionais, nacionais, regionais, famosos, desconhecidos, veteranos, revelações, novidades… Fizemos um apanhado com dicas, história e a programação de cada um deles.

Da mesma forma que nos anos 60, hoje são os festivais a melhor forma de conhecer o que anda sendo produzido na música brasileira. Diferente daquele período, os festivais não são apenas estopim para novos artistas, mas também para se atualizar com a música feita mundo afora. Outra diferença, é que hoje, ao contrário daquela época onde eram promovidos por emissoras de TV, com transmissões ao vivo, boa parte dos festivais são eventos produzidos de forma independente. Nesse segundo semestre, se você gosta de música é obrigatório dar uma conferida em pelo menos um das dezenas de festivais que assolam as diversas cidades do país, inclusive Salvador.

O melhor é que tem para todos os gostos, com dois blocos mais bem definidos: os independentes de tamanhos variados, que promovem a circulação da música contemporânea brasileira, e os grandes festivais, que têm como destaque artistas internacionais. Entre os festivais “gringos” quase todos se concentram em São Paulo, como o Planeta Terra, o Natura Nós e o SWU. Se o seu interesse, no entanto, é conhecer o que anda sendo produzido de relevante na música brasileira e as novidades do cenário, os festivais acontecem em estados diversos do país.

Ainda engatinhando no campo dos festivais, apesar de bem sucedidos festivais de entretenimento musical e boas experiências em campos específicos, a Bahia ganha reforços em 2010, coma vinda do pernambucano No Ar Coquetel Molotov. Outros festivais já agendados em terras baianas é o Perc Pan – Panorama Percussivo Mundial e o Big Bands, além do Feira Noise, BoomBahia e Baianada, que estão na fase de pré-produção. Confira tudo o que rola e se programe logo, pois alguns já estão com ingressos esgotados. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA: A BANDA DE JOSEPH TOURTON

Pensando no que falar sobre o lançamento do disco da Banda de Joseph Tourton, fui buscar o histórico de passagens deles aqui pelo blog. Ainda em 2008, quando surgiram no Microfonia, foram finalistas com outras 15 bandas novas do Recife. Nesse curto espaço de tempo de dois anos, pelo menos dez grupos da lista encerraram atividade. Algumas outras, seja por azar ou algum outro motivo, não chegaram a dar nenhum passo adiante de onde estavam. Isso diz muita coisa sobre a cena de uma cidade e porque algumas bandas dão certo e outras não.

Apenas dois anos se passaram e, daquela lista inteira, talvez por exceção da Candeias Rock City, a Banda de Joseph Tourton de hoje parece ter uns dez anos de experiência a frente de todas. O disco deles chega em formato virtual, onde você pode baixar inclusive as faixas abertas para remix. Algo quase nunca praticado nesse mundo pós-Creative Commons. Tem participação dos Mombojós, os metais do Móveis Coloniais de Acaju e Vitor Araújo. Uma mistura de quase tudo que presta hoje no independente nacional.

A produção de Felipe S e Marcelo do Mombojó poderia soar perigosa, já que antes o som da Tourton já mostrava uma influência pesada do grupo. Mas, pelo contrário, eles conseguiram ajudar a nova banda a lapidar uma identidade própria em cada música. Se antes dizia que a banda soava como X ou Y, a partir desse disco é capaz de vislumbrar que novas bandas vão surgir inspiradas por Joseph Tourton. Além disso, eles trazem uma contribuição fundamental para a cena instrumental nacional, que é saber soar experimental, sem ser cansativo, chato e complicado. Existe uma amarra pop por trás de tudo, que faz a degustação de cada faixa ser bem mais prazerosa.

O disco tem patrocínio da Petrobras. Por sinal, fiz parte da comissão desse edital e, vendo o resultado, fico feliz de ter contribuído para algo tão positivo. Tomara que os outros contemplados cheguem nesse mesmo nível. As músicas, fotos e demais novidades estão no novo site da banda: www.josephtourton.com.br

BRUNO NOGUEIRA: OS INDEPENDENTES DO SWU

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Faz tempo que não falo de grandes festivais aqui no blog, mas o Starts With You (SWU) me fez abrir uma exceção. O palco “Oi Novo Som”, que tem patrocínio da operadora de celular fez uma programação excelente. A ótima surpresa foi a presenha de Rubinho Jacobina, que vai tocar no formato “Rubinho Força Bruta”. Abaixo tem o line up completo, que soma com a já ótima programação de gringos no festival. Mas vou dizer: ainda tá faltando o Queens of the Stone Age nessa escalação final, hein?

Dia 9
The Apples in Stereo
Cidadão Instigado
Malu Magalhães
Superguidis
Curumim & The Aipins
Sobrado 112
Letuce

Dia 10
Otto
Bomba Estéreo
Rubinho e Força Bruta
Tulipa Ruiz
Volver
Lucas Santanna
Luísa Maita

Dia 11
CSS
Josh Rouse
B. Negão e os Seletores de Frequências
Autoramas
Mombojó
Fino Coletivo
Tono

Atualizando: Aparentemente, o Ronei Jorge não vai topar tocar no festival, já que já tinha anunciado o fim das atividades. A informação é de Luciano Matos.

LUCIANO MATOS: GOTEIRAS DA MÚSICA BAIANA

Dois em um 09-08-2010 foto Tiago Lima (15)

Goteiras da música baiana

Mesmo que a própria mídia local ainda não tenha se dado conta, a música feita na Bahia vive um ótimo momento. Cabe ressaltar que não estamos falando da música de Carnaval, essa entre altos e baixos, sobrevive bem. Nem dos nomes já consagrados que notabilizaram essa terra. O fato é que com o axé não sendo mais tão preponderante por aqui, muitas outros ritmos, estilos e artistas têm ganhado espaço. As razões são diversas, o mais importantate é ver os resultados já acontecendo. Muita coisa tem rolado, de menor e maior grau. Vamos conferir algumas novidades:

Orkestra Rumpilezz

Uma das melhores novidades musicais surgidas na Bahia nos últimos anos, a Orkestra Rumpilezz já começa a angariar conquistas Brasil afora. O grupo, que faz uma genial mescla de ritmos afro, células rítmicas de candomblé com naipe de sopros e jazz, se sagrou como um dos principais vencedores do 21º Prêmio da Música Brasileira, ganhando dois prêmios: melhor grupo da música instrumental e revelação do ano. Não foi pouco, já que a Rumpilezz concorreu com João Donato Trio e Rabo de Lagartixa como melhor grupo da música instrumentale com Maria Gadú e Alexandre Gismonti Trio na categoria Revelação. Depois a Rumpilezz fez um show disputado e muito bem recebido no Teatro Rival, no Rio de Janeiro: Continuar lendo

ENTREVISTA O INIMIGO: SEUZÉ (RN)

Foto: Rebeca Correia

No futuro, quando os biógrafos da cena local forem situar a terceira onda do rock natalense (netos da época das domingueiras psicodélicas do Impacto Cinco, filhotes tardios do Mangue Beat, Raimundos e General Junkie, aditivados por Los Hermanos, Radiohead e o boom do indie via web) certamente haverá um capítulo de honra para o SeuZé.

Desde 2003, quando eclodiram nos palcos locais misturando blues, xote e o Nordeste setentista de Alceu Valença e Zé Ramalho, a banda só acumulou conquistas: tocou em praticamente todos os palcos de Natal, gravou à ferro o hit “Sai Galada” na memória musical da cidade, gravou um álbum de estreia (Festival do Desconcerto) que rompeu as barreiras locais e chamou a atenção da finada revista Bizz e de outros veículos dos grandes centros, tocou em pé de igualdade com os headliners em duas edições do Festival MADA (levando até torcida organizada), foi a banda mais querida do Setor II da UFRN e chegou até a agitar uma matinê em um acampamento do MST.

O ritmo acelerado durou até 2007, quando cansados de tocar sempre nos mesmos palcos entraram em hiato forçado – o que provocou troca de integrantes, desinteresse de parte do público e quase os levou ao ostracismo precoce.

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LUCIANO MATOS: Por quatro dias, Fortaleza foi o centro da música independente brasileira

Feiradamusicaweb
Show concorrido do Camarones Orquestra Guitarrística

Faz sentido,uma banda atravessar o Brasil bancando parte das próprias despesas da viagem para tocar para pouco mais de cem pessoas? Vale à pena reunir diversos artistas desconhecidos da maioria das pessoas, que não tocam nas rádios, não aparecem na TV e são incógnitos em suas próprias cidades? Pelo visto durante a Feira da Música de Fortaleza – que teve cerca de 50 mil pessoas circulando durante seus quatro dias no último fim de semana no Centro Cultural Dragão do Mar -, não só faz sentido, como há nove anos vem dando resultado para vários dos envolvidos.

The Dead Rock webOs paulistas The Dead Rock detonaram

Nesse período, a Feira de Música tem se notabilizado por ser uma das ferramentas de discussão, de encontro e de mostra artística para diversos elos da cadeia de música do Brasil, especialmente do mercado independente. A edição de 2010 consolidou ainda mais esse papel, transformando essa na “melhor edição de todos os tempos”, segundo o empolgado Ivan Ferraro, coordenador geral da Feira. Continuar lendo

BRUNO NOGUEIRA (PE): INICIATIVA INÉDITA NO RIO DE JANEIRO

Miike Snow

A banda na foto acima é o Miike Snow. É tipo uma dessas “banda da vez”, que a gente vai cansar de ouvir até o final do ano. O Miike Snow está de passaporte marcado para o Brasil, onde se apresenta em São Paulo e Porto Alegre. O Rio de Janeiro, inicialmente, estava no trajeto. Mas os produtores que levariam a banda até a cidade desistiram da empreitada alegando uma frase que é cada vez mais ouvida pelos cariocas fãs de música: “não tem público”. Afinal, em terra onde até sapo e barata entram em lista VIP, todo mundo desacostuma a pagar ingresso para ver um show.

Daí que Bruno Natal (do URBe) e Pedro Seiler (Indie Rock Festival) estão propondo uma ação de crowdfounding na cidade. Para quem nunca ouviu falar disso, é quando o público decide financiar seu artista favorito. Eles abriram a tabela de custos do show, que ficaria em torno dos R$ 20 mil, e estão oferecendo 100 cotas de patrocínio por R$ 200. Cotas, lembrando, pagas pelo próprio público. Se alguma empresa quiser entrar na história, pode comprar um mínimo de 10 cotas. Se bater o valor, a banda faz um show, o ingresso é dividido entre todo mundo que investiu e todos voltam felizes para casa. Caso não aconteça, o dinheiro volta direto para o bolso de quem investiu.

A ação já tem como parceiro o Circo Voador, que decidiu assumir os custos da casa (aluguel de equipamentos, funcionários, limpeza, segurança) e dividir uma parte dos ingressos. A conta fica assim: com 800 ingressos vendidos (por R$ 50), todo mundo tem o investimento de volta. Ou seja: se cada dono de cota – que já terá seu ingresso garantido – convencer oito amigos a irem ao show, todo mundo sai ganhando. A cota pode ser comprada via Paypal no link a seguir: http://bit.ly/paypalmiikesnow

Se der certo, eles prometem mais. No contexto maior essa é uma verdadeira revolução na cadeia produtiva da música do Rio de Janeiro que pode inspirar todo o Brasil a cortar mais um intermediário. Depois das gravadoras, agora o produtor. No contexto menor, uma boa maneira de você não ficar apenas reclamando que a banda que você curte nunca toca na cidade e ninguém nunca faz nada por isso. Vai ficar de fora?

Aliás, isso me lembra de postar uma matéria que fiz sobre crowdfounding…

LUCIANO MATOS: ENTREVISTA COM WADO (AL)

Wado – um dos ícones da nova música brasileira

wado_internaA música brasileira sempre teve grandes artistas por trás de sua majestade. Se, para muitos, hoje ela só vive de medalhões, não culpem os novos artistas, eles estão ai desenvolvendo belos trabalhos. Um dos destaques dessa geração atual é o catarinensealagoano Wado, que poderia estar facilmente tocando em qualquer lugar, mas ainda é um desconhecido para as massas.

Com cinco discos lançados e prestes a lançar mais um, Wado já tem uma carreira consolidada, com um repertório invejável e uma trajetória artística que, se formos parar para contabilizar, não são tantos nomes de nossa música que possuem igual.

Não estamos falando aqui de fama, sucesso, discos vendidos, aparições na TV, isso não necessariamente tem a ver com música.

Estamos falando de um cantor e compositor que lançou cinco discos de qualidade, com muitas composições inspiradas e uma sensibilidade em fazer uma música atual, que trafega por samba, funk, soul, e muito outros ritmos e deixa uma marca autoral e particular. Continuar lendo

COQUETEL MOLOTOV E AS PRIMEIRAS ATRAÇÕES DO FESTIVAL EM 2010

Emicida: ótima surpresa na programação do festival

Enquanto não confirma – nem desmente – a vinda do Dinosaur Jr para o Brasil, o Coquetel Molotov divulga as primeiras atrações para o festival esse ano. Além das bandas, antecipa também a novidade que, nessa edição, além das duas datas tradicionais de shows – que voltam a acontecer no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco – o festival segue a atual tendência de outros eventos do tipo no país e se descentraliza. A programação vai se estender pelo Nascedouro de Peixinhos, Teatro Apolo e no Memorial Chico Science.

Falando do que mais interessa, esse ano o festival vai contar com Otto, que fez o melhor disco de música brasileira ano passado, o rapper Emicida e a cantora francesa SoKo (um dos mil hypes do momento, apontada como The Next Big Thing por alguns jornais). Além desses, a programação repete a tradicional Invasão Sueca com três atrações. São Taxi Taxi!, Taken By Trees e Anna Von Hausswolff. Ainda dá para esperar por bem mais, ainda mais com o patrocínio da Petrobras esse ano, pela primeira vez, ao evento.

Outro nome que ainda não está confirmado, na fileira das bandas independentes, são os cariocas do Do Amor. Também quem deve se apresentar é A Banda de Joseph Tourton, que lança disco pelo selo do Coquetel agora no segundo semestre.

O INIMIGO: MAHATMA GANGUE (RN) GRAVANDO

Uma das bandas confirmadas no Festival Dosol 2010 é o Mahatma Gangue, banda mossoroense que tem como base do seu som o garage rock 60 e a surf music. O pessoal do Blog O Inimigo deu uma câmera para rapaziada registrar as gravações filmou tudo que você confere no vídeo abaixo. O post completo sobre a saga da gravação do trio você lê aqui.

O INIMIGO: TULIPA RUIZ

Não faz muito tempo uma turma de cantoras surgiu para dar um novo ar a tal MPB. Vieram com a influência do samba e acrescentaram pitadas de música eletrônica, música regional. Deram uma roupagem mais moderna ao estilo tão associado a imagem do Brasil, que se possui cantores tão fortes, também tem suas divas: Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão e muitas outras. A mesma coisa na Bossa Nova, na Tropicália, na Jovem Guarda. Mas e na música Pop brasileira? Sou sincero em dizer que não lembro de alguma cantora de nome forte. Rita Lee? Talvez. Mas isso está mudando.

Enquanto as tais “novas divas” do Samba revitalizavam o estilo, também começavam a vir a tona outras cantoras que não se enquadravam no gênero. Estavam espalhadas por outros movimentos musicais, puxando até para uma sonoridade mais pop, tão em falta. Mas em 2010 três bons discos foram lançados. As artistas? São elas: Karina Buhr, Lurdez da Luz e Tulipa Ruiz. A primeira de Recife, as outras de São Paulo.

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BRUNO NOGUEIRA: CLIP DO NEVILTON (PR)

Nevilton é, sem dúvida, o maior hit-maker de toda essa geração da música independente brasileira. Cada uma de suas músicas é perigosamente viciante e traz algo de incrivelmente necessário para essa cena de festivais, coletivos e muito bate-boca: ótimas canções. “Morno”, o clipe acima, foi lançado para celebrar o dia do Rock. Tem cena da passagem deles pelo Nordeste, no Abril Pro Rock, Espaço Mundo (JP) e Maceió. Escuta ai e confirma a teoria!

PS: O Nevilton está confirmado pro Festival Dosol 2010.

LUCIANO MATOS: CONHEÇA PORCAS BORBOLETAS (MG)

Banda Porcas Borboletas invade o Velho Continente com mistura antropofágica

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Você nuncadeve ter ouvido falar da banda Porcas Borboletas. Ela não aparece na TV, não toca nas rádios e não lota estádios. Nem é essa a pretensão. Mas se no Brasil ainda não ganhou a devida atenção, alguns produtores estrangeiros já começaram a enxergar o potencial e convidaram o grupo para tocar em festivais na Europa. A banda de Uberlândia, Minas Gerais, começa hoje uma pequena turnê pelo Velho Continente que inclui shows em dois festivais em Londres, além de uma apresentação em Paris.

Mas que banda é essa de nome incomum e com origem em uma cidade mais conhecida pelo agronegócio e por ser a principal do Triângulo Mineiro? Formada há dez anos, a Porcas Borboletas é um dos mais interessantes grupos da música brasileira contemporânea. FormadaporEnzoBanzo( vozeviolão), Danislau (voz e guitarra), Moita (guitarra e voz), Chelo (baixo), Ricardim (barulhos, sopros e teclados), Jack (percussão) e Vi (bateria), o grupo trafega por uma sonoridade bastante particular, utilizando elementos pouco comuns na música brasileira atual e não tão fácil de caber em simples rótulos. Continuar lendo

ARTISTAS BRASILEIROS CONTINUAM APOSTANDO NO INTERIOR

Artistas brasileiros seguem apostando no exterior

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POR LUCIANO MATOS

Nâo são poucos os artistas brasileiros que tem apostado no exterior para ampliar seu público. Há algum tempo tem sido comum não apenas medalhões, mas nomes das novas gerações, muitas vezes desconhecidos até mesmo por aqui, tentarem o mercado intrnacional, como alternativa. Nem precisam ir lá para ficar, mas tocar, fazer contatos, lançar discos. Para esse verão no hemisfério norte, vários nomes brasileiros arrumaram as malas e partiram para apresentações pelo Velho Continente e América do Norte. Muitos desses artistas são da nova música brasileira e mostram que há novidades por aqui também. Alguns já com retorno, como o grupo Cansei de Ser Sexy e a paulista Céu.

A cantora, que despontou nos Estados Unidos com boa venda de discos e fazendo frequentes turnês pelo exterior, está desde o início do mês realizando uma série de shows pela Europa. Nessa viagem ela faz 22 apresentações em oito países, incluindo participação em grandes festivais. A cantora já se apresentou no festival Roskilde, na Dinamarca (veja aqui um vídeo da apresentação por Ticiana Froes); além de ter passado por Alemanha, França, Espanha e Inglaterra. Segue agora para novos shows na Alemanha e na França, além de apresentações na Suíça, Grécia e Portugal.

Quem esteve recentemente na Suíça foi a cantora baiana Márcia Castro, que se apresentou dentro da programação do tradicional Montreux Jazz Festival no último fim de semana. Aproveitando a viagem, ela fez mais um show e estendeu a turnê até a Turquia. Continuar lendo